As Aventuras de Ame e Vic
1 Caça aos vampiros no Acre – Parte I
Notas iniciais
Victor
Era sexta feira a noite e chovia lá fora, estava em casa comendo uma gigantesca pizza meio quatro queijos, meio camarão enquanto chutava bundas no Hearthstone. Ouvi alguém bater à porta e fui atender, era a Ame-chan, ela parecia meio ofegante e atrapalhada então respirou fundo, apontou pra lugar nenhum e disse com uma cara séria:
— Vá buscar katanas pra nós, vamos caçar vampiros!
— Ok, enquanto isso entre e se seque… e não coma a pizza toda.
Fui até o quarto e peguei meu guarda-chuva do pokémon (pokémons são incríveis!) e sai pela janela pra economizar tempo. Pena que meu quarto é no segundo andar e levei um baita tombo doloroso pacas que fez um estrondo enorme, de dentro da casa ouvi risos e a Ame-chan gritou:
— Errou o salto da janela de novo?
— Não, não… só escorreguei de leve.
Se eu admitisse que cai ela ia rir a viagem toda, foi o que pensei antes de me levantar e ir correndo em direção ao lugar onde morava um ferreiro chinês nascido na frança que por algum motivo dizia ser hindu e falava cantonês. No caminho senti que estava sendo seguido, mas não parei de correr pois seja lá que cria do Satanás fosse, eu não ia matar de mãos vazias.
Um quarteirão após o outro eu sentia aquilo se aproximando, como se fosse meu pai fungando no meu pescoço enquanto explico a ele como fazer algo no computador.
Finalmente cheguei à frente da casa do chinês que fala cantonês e blablabla, e aquilo que estava atrás de mim me alcançou. A criatura me arremessou com um tapa janela adentro da oficina, onde tinha algo que me fez sorrir: sim, as espadas que eu queria (observação: parei de sorrir um segundo depois quando percebi que meu guarda-chuva do pokémon tinha quebrado). Me levantei, agarrei duas katanas, e fui de encontro a criatura negra que ria de mim lá fora, um trovão caiu, eu pulei e então…
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Ame-chan
Era óbvio que, quando mandei meu estimado colega, Victor, para pegar as katanas, eu esperava que ele demorasse tempo suficiente para que eu pudesse ao menos comer uma das metades da pizza.
Eu estava enganada.
Não fazia nem dez minutos que já tinha saído, e ouvi a janela bater com estrondo. Vic aparecera por ali, com quatro katanas muito bonitas atadas às costas e segurando o guarda-chuva de pokémon – prefiro digimon, mas que seja – literalmente partido ao meio.
— Nossa, você voltou rápido… — comentei, pescando outra fatia de pizza e mordendo-a.
— O ferreiro está a cinco quarteirões… — respondeu, olhando para o guarda-chuva como se fosse um companheiro morto. Acabei com a fatia de pizza quase na velocidade da luz e estendi minha mão para bater em seu ombro.
— Não fique assim, ele mostrou a sua bravura e lutou até o fim! Aliás, eu posso revivê-lo, mas isso é assunto para mais tarde.
— Você pode mesmo, Ame-chan? — notei que seus olhos brilharam, mas logo ele fez uma careta. — Ei, estava comendo minha pizza!?
— Companheiros dividem tudo.
— Não a minha pizza! Minha pizza é minha pizza! Você ia gostar que eu roubasse seus chocolates?
Esse mero comentário fez meus olhos brilharem como os de um demônio. — Fique. Longe. Dos. Meus. Chocolates.
— Er… — uma gotinha surgiu na cabeça dele. — Senpai, onde vamos caçar vampiros mesmo?
Aquela era uma pergunta delicada. Como a boa senpai que eu era, levantei-me e coloquei a mão no coração, numa posição que poderiam achar solene. Na verdade eu não fazia a menor ideia de onde seria, então pensei no primeiro lugar que veio a mente… e logo expliquei: — Onde, você pergunta? No lugar que ninguém sabe se realmente existe. Você sabe onde é?
A expressão séria dele tornou-se um sorriso sem graça, enquanto balançava a cabeça. — Não sei não, desculpe…
— Acre.
Foi o bastante para que o queixo dele caísse e que me olhasse com aquela típica expressão de “quantas vezes deixaram você cair do berço quando era bebê, mesmo?”. — Senpai, isso é apenas historinha pra fazer demoninhos dormirem. O Acre não existe!
— É claro que existe. — okay, mesmo que eu tivesse inventado a caçada na última hora, eu não havia inventado o lugar. — É lá que os vampiros se reúnem. — e ainda levantei o dedo indicador para dar ênfase. — E os pokémons!
Agora ele me olhava como se fosse vomitar arco-íris em cima de mim. Eu, hein, que obsessão mais perigosa… mas então esqueceu-se parcialmente dos seus pokémons – e aparentemente, do guarda-chuva também – e questionou: — Mas por que temos que matar os vampiros lá no Acre?
— Porque eles podem resolver vir para cá e espalhar ainda mais a maldição vampírica! E estarei impossibilitada de ver meus animes durante a noite porque não terei tempo, e vou ter que caçar o excesso de sanguessugas… — fechei os olhos, podia sentir meu corpo tremer ligeiramente de frustração, mas aquilo era preciso.
E foi assim que, depois de guardarmos cuidadosamente o cadáver do guarda-chuva, terminarmos a pizza e juntar nossas coisas em mochilas superestilosas de Yu-gi-oh, pegamos as katanas e nos preparamos para ir ao lugar mais misterioso de todos… o Acre.
Só espero que possamos voltar vivos de lá… afinal minha lista de jogos para jogar não chegou nem na metade…
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Victor
Acabamos de arrumar as coisas e Ame-chan estava comendo o último pedaço de pizza, não tive coragem de negar isso a ela, até porque minha senpai é perigosíssima até mesmo com as mãos vazias, e no momento ela possuía duas grandes e afiadas katanas.
Faço minha jogada no HS e a encaro enquanto sinto luto pela pizza…
— A pizza está boa, senpai…? — Ela estava realmente feliz com aquela pizza, deu uma grande mordida e respondeu levando a fatia para o auto:
— Esta é a melhor pizza que eu já…
— Um segundo, acho que esqueci de algo, tem ideia do que é?
— Não, agora deixe-me continuar… Esta é a melhor pizza que eu já co….
E desta vez ao levantar a fatia, uma mão gigantesca varreu o telhado da minha casa junto com a pizza da Ame-chan, então tirei meus fones, observei por um segundo e disse:
— Ah sim, tem um demônio gigante me perseguindo, era isso que eu tinha que lembrar!
— Aprendiz, sua falta de foco me custou a última fatia de pizza!
— Mas senpai… — antes de poder me desculpar, ela pulou pras minhas costas e bloqueou meu braço e com o outro preparou-se para me dar um cascudo, porém pensei rápido e consegui espremer uma pequena frase: — Cho-chocolate na geladeira!
Então ela me soltou, deu uma cambalhota pra trás e disse: — Vá buscar, eu quero!
— Nunca houve chocolate, só queria mostrar como se distrai fácil, hahaha!
— Como você pôde mentir pra mim? — … e enquanto discutimos sobre isso o demônio observava, até que ficou impaciente, bateu no chão e falou:
— EI, VOCÊS Aí, POR ACASO ESTÃO ME VENDO!?
— Fique quieto seu ladrão de pizzas imundo… — foi o que ela disse antes de agarrar o cortador de pizza e despedaçar o monstro com um golpe só.
— Já podemos ir…? — Perguntei amedrontado.
— Sim, mas primeiro você vai comprar os chocolates que me deve. — ela afirmou, sorrindo de um jeito assustador.
Então deixamos minha casa destruída pra trás e fomos andando até a padaria mais próxima, onde o conteúdo da minha carteira foi convertido em barras de chocolate, como castigo por ter mentido. Cá pra nós, quando se trata de comida Ame-chan é perigosa, me lembro até hoje do dia em que ela me deixou amarrado numa árvore, na Amazônia, quando sumiu uma barra de cereais da mochila dela, que aliás eu estava carregando porque segundo ela “suas lindas costas estavam cansadas”.
Nós andamos até o sol raiar, estava tão animado que poderia matar mil monstros (querido diário, suspeito que minha senpai colocou algo no meu café, cafeína extra, talvez), eu tava mega ligado e mal podia esperar pra ir então, quando se podia ver o porto ao longe, decidi fazer um desafio:
— Quem chegar por último no barco terá de matar mais vampiros, o que acha?
— Você quer mesmo fazer isso, vai ser minha vitória número 549…
— Dessa vez eu vou vencer!
Sai correndo na frente. Corri o máximo que podia e era como se tudo estivesse em câmera lenta, mas quando cheguei ao barco lá estava ela, dormindo.
— Ela abriu os olhos e falou: — O que faz aí parado? Os perdedores remam!
Se deitou e continuou dormindo. Depois de ficar me perguntando como ela tinha chegado primeiro, comecei a remar… e então eu remei, e após parar um segundo para respirar eu remei mais, e após meus braços quase caírem remei ainda mais.
O mar estava calmo, mas eu podia sentir uma presença maligna e então de repente surgiu um leviatã gigante e tentei acordar Ame-chan, mas quando a chacoalhei ela me deu um safanão e disse: — Dê um jeito aprendiz, ainda estou com sono!
Como não tinha opções de sobra, tive uma ideia e pulei pra cabeça do monstro: — Antes de destruir nosso barco, podemos bater um papo?
— Se esse é seu último desejo… fala ai, mano.
— Ok, é o seguinte, tá vendo aquela garota dormindo ali? Ela é um anjo enquanto dorme, mas se você destruir o barco, ela vai matar nós dois, e depois me ressuscitar para carregá-la até o Acre. Você poderia por favor ir destruir outro barco?
— Ah, peço perdão pelo vacilo…
Quando ele deu as costas, saquei minha espada e arranquei sua cabeça, quando ela acordar isso vai ser uma ótima piada.
Voltando a embarcação, já era de noite (sim, eu tive que nadar para alcançar o barco), porém não fazia ideia de onde estávamos, e Ame-chan acabava de acordar, parecendo animada: — Bom dia, aprendiz!
— Mas está de noite senpai…
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Ame-chan
— Como diabos já é noite?
Oh, eu estava tão feliz, encontrando Orihara Izaya em meus sonhos… poderia muito bem continuar dormindo, mas eu acordei. E depois de um bom sonho, é óbvio que eu estaria de bom humor…
Bom humor…
Bom humor o quinto dos infernos!
Nós estávamos no meio do nada. Era noite ainda por cima. Sorte que vampiros não atravessavam a água. Pra isso eles precisariam de outro barco, e adivinhem só, não havia o menor sinal de civilização a nossa volta.
— Vic…
— Sim, senpai?
— Posso saber… que diabos você estava pensando quando trouxe a gente nessa direção? — eu questionei, sentindo que fumacinhas começavam a surgir da minha cabeça. Foi com profunda raiva que descobri que meu querido aprendiz estava fritando ovos sobre ela.
— Você está pegando fogo, senpai! Agora temos o jantar!
— …
— Você gosta de omelete, senpai?
— Vou ensiná-lo a engoli-lo ainda quente sem precisar mastigar, que tal? — arranquei a frigideira de cima da minha cabeça e bati seu fundo na dele, com cuidado, é claro, pra não desperdiçar comida. Comida no meio do mar é muito importante de se ter.
— A propósito, Ame-chan…
— O que é dessa vez?
— Você ainda não reviveu Cheshire!
— Quem? — perguntei, tentando me lembrar se algum tipo de gato havia morrido pra eu ter que reviver… com um choque de memória – sim, minha memória é terrível – notei que “Cheshire” era o guarda-chuva de pokémon. Enquanto minha imaginação vagava para longe, imaginando o dito guarda-chuva com o sorriso insano do Gato Risonho de Alice no País das Maravilhas, me perguntei se sombrinhas de fato tinham nomes…
— Gatos comem morcegos… morcegos comem gatos? Gatos comem guarda-chuvas? Ou são comidos por eles? Seria uma boa experiência…
— A senpai está viajando no mundo da lua de novo. — ouvi meu escravo lindão… digo, meu padauã nem tão lindo assim a me zoar.
— Cale a boca ou matarei Cheshire para sempre!
— Mas você nem reviveu ele pela primeira vez!
— Ah… verdade… desculpe-me. — E estalei meus dedos, fazendo o guarda-chuva em questão surgir no colo dele, perfeitamente concertado. Só faltava miar. E não, o objeto em questão não mia de verdade, a menos que seu dono puxe seu cabo de mal jeito ou deixe-o debaixo da chuva por mais do que uma hora.
— Cheshire!
Antes que ele pudesse agarrar o guarda-chuva, peguei-o e atirei longe, como se fosse um belo dardo. E podia jurar que tinha ouvido-o miar longamente com isso… mal virei para observar meu aprendiz, já o via se debulhando em lágrimas e querendo se jogar do bote, estendendo os braços para agarrar o guarda-chuva.
— Che...Cheshire! Eu não te deixarei! Essa megera sentirá minha vingança!
— Assim como das outras 459 vezes…? — Revirei os olhos, agarrando-o pelo colarinho e puxando-o pra dentro outra vez, descendo-lhe um cascudo no topo da cabeça. — Pare de choramingar… tá aqui o guarda-chuva…
É claro, eu devolvi Cheshire pra ele, ou ia ficar me infernizando até minha próxima reencarnação. E como sou uma pessoa muito nova e tenho muito tempo para viver, isso seria muito irritante.
Agora chegava a parte mais importante. A mais essencial. A melhor parte dessa minha narração. Afinal, finalmente nós chegamos… Em lugar nenhum. Na verdade, é no Acre, mas a diferença é mínima.
Por que você não se teletransporta pra lá, Ame-chan?
Ora, essa! Porque não vou ficar gastando energia à toa, e eu teria que carregar o troço comigo – lê-se meu servo/escravo/aprendiz infeliz. Bom, não tão infeliz assim, já que devolvi o guarda-chuva-do-pokemon-com-sorriso-louco para ele.
Ai vocês vão me perguntar “como diabos vocês chegaram lá”?
Aí é fácil… nós fomos engolidos por um lugarzinho muito agradável chamado Triângulo das Bermudas. Não discutam comigo. Não é pra fazer sentido essa bagaça!
Pois bem… depois de sermos sugados por um redemoinho muito estranho e bipolar, fomos cuspidos em direção ao céu. Atenta como eu estava – afinal, eu havia energizado nossos cafés antes de sairmos de casa – tive tempo de agarrar Vic no ar e endireitá-lo para que pudéssemos cair de um jeito menos estúpido no matagal que se formava abaixo de nós.
De fato, meu aprendiz parece ter aprendido realmente alguma coisa comigo – o que é um milagre, vocês não tem ideia de como – e conseguiu descer até o solo sem sofrer muitos danos, usando as árvores para aparar sua queda. Em compensação eu, que acabei me distraindo olhando para a lua incrivelmente cheia e gigante, cai direto e acabei de cara no chão…
É nesses momentos que fico muito feliz por ter um corpo resistente…
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