Notas iniciais
Computador, computador...

POV ALICE

Eu não sei o que deu em mim pra fazer todo aquele escândalo por causa do Diego. Mas é que eu fiquei magoada quando a Misaki disse que era amiga dele e me chamou de criancinha, achei que ele ia me deixar.

Bem, quando voltamos o mundo estava um caos. O céu estava escuro, feio e cheio de raios; o vento uivava e cortava o rosto; uma chuva forte açoitava as pessoas que passavam correndo na rua; telhados, árvores e postes caíam.

–O que está acontecendo? – gritei porque era difícil falar com toda aquela confusão.

–Não sei!Vamos para um lugar seguro!

Corremos até minha casa.

–Por que será que está assim lá fora? – perguntei assim que chegamos em casa.

–Acho que isso só pode significar uma coisa: a batalha final está muito, muito próxima. – supôs Diego em resposta.

Ficamos nos olhando temerosos com o que se aproximava. Até que Diego falou:

–Acho melhor você tomar um banho e descansar, amanhã teremos um longo dia.

Eu concordei. Mas não conseguia parar de pensar em meus sonhos com a morte dele, tudo havia voltado ao normal. Eu nem acreditava que estava em casa, depois de tanto tempo no Mundo das Almas Perdidas...

Antes de dormir, Diego foi até meu quarto e perguntou:

–Alice, eu po-posso ficar aqui com você? – ele estava corado e tinha gaguejado – É que com a batalha final se aproximando, quero ficar perto de você. E também para protegê-la, sabe, se Eidolon tentar pegar o livro...

Sua pronuncia saiu parada e trêmula, resolvi aceitar. Ele se deitou ao meu lado e passou um braço em volta da minha cintura. Me arrepiei, por que ele fez isso? Ficamos lá de conchinha e eu tive uma sensação estranha, um sentimento que nunca senti antes. Não entendi aquilo, mas gostei de tê-lo por perto. Não sei por quê.

–D-Diego — gemi – Seu coração b-bate forte quando está perto de mim?

Ele tremeu e pude sentir sua respiração ficar mais rápida, também fiquei ofegante e... Quente.

–Alice, se nós morrermos amanhã, quero que saiba o quanto eu... Amo você. Quer dizer... Eu gosto muito de você como minha melhor amiga, fui muito injusto antigamente e ignorante. Mas agora é... Diferente.

–O que quer dizer? – indaguei confusa.

–Não sei. Só sei que agora te considero parte da minha família e não quero perdê-la.

–Eu não quero morrer ainda. – neguei – Porque não realizei o meu sonho.

–E qual é o seu sonho? – ele quis saber.

–Cantar. Dar sonhos às pessoas quero ver os sorrisos delas, quero que elas gostem de mim, quero vê-las felizes. –respondi– Dar-lhes esperança. Eu cantaria sem ganhar nada em troca, porque amo cantar e amo dançar.

–Acho que meu sonho é que todos nós voltemos vivos da batalha final, para realizarem seus sonhos. – contou Diego – Se conseguirmos derrotar Eidolon o mundo vai ser salvo e todos poderão realizar seus sonhos.

–Você é realmente incrível Diego! Se importa com as pessoas mais do que em si mesmo! – exclamei – Antes eu te achava um insensível arrogante, mas era só comigo mesmo.

–Me desculpe por ter sido tão cretino. – desculpou-se ele – Eu nem ligava pra você, pra mim era só uma simples pirralha que atrapalhava minha vida. Agora não a vejo mais como uma criancinha chata, agora você é minha amiga, me fez gostar de você. Você me mudou sabia?

–Sabe, eu sempre quis salvar as pessoas, ser um super heroína. Acho que o meu verdadeiro sonho é ser reconhecida, deixar minha marca no mundo, sentir que finalmente estarei fazendo algo certo. Quero ser amada pelas pessoas.

–Mas você tem pessoas que tem amam. – lembrou Diego.

–Agora tenho.

E dormimos, sonhando com nosso desejo de sobreviver à batalha final.

Quando acordei ninguém estava gritando, o que achei suspeito. Eu dormi do lado do Diego (sem falar que ele estava agarrado em mim). Cadê minha mãe?Ela deveria estar xingando-o.

–Diego, minha mãe...

–O quê?Ela está brava comigo? – ele se acordou num pulo, alerta – Pegou um cinto? Ou...

–Não. Ela não está aqui.

Diego franziu a testa.

–Você acha que Eidolon a levou? – perguntou ele.

Eu assenti. Só podia ser isso.

Notamos que casa estava vazia, meu pai e meu irmão também haviam sumido.

–Alice, onde está o livro? – indagou Diego.

–Estava com...

Olhei para ele desesperada, pois o anel (que era o livro) ficou com meu irmão.

–Essa não! – reclamou Diego.

Fomos pra casa de Lucca (de tele transporte porque o tempo continuava horrível). Contamos aos nossos amigos o ocorrido e eles também ficaram apavorados, com o livro nas mãos de Eidolon.

–E agora? – Lucca não parecia muito preocupado.

–Temos que detê-lo. Mas como? Agora não temos mais o livro, ele terá um grande poder... – falou Sonya.

–Talvez Kai consiga enrolar o pai dele, para nos dar tempo. – palpitou Luna.

–Que certeza nós temos? Talvez devêssemos ir a batalha. – disse Lucca – Podemos lutar com a ajuda dos magos que derrotamos.

–Podemos chamar a professora pra nos ajudar. – dei a ideia.

Mesmo desconfiado e com vontade de protestar, Lucca concordou. Precisávamos do máximo de aliados que conseguíssemos. Então fomos até a escola, a professora nos esperava lá. Ela aceitou lutar ao nosso lado de bom grado e nos transportou até o local da batalha. Era o castelo que vi em meus sonhos, só que não estava pegando fogo (Lucca provavelmente vai atear fogo nele).

–Entrem. – a professora apontou para a grande porta de madeira.

–Mas... É perigoso. É o castelo de Eidolon. – falou Sonya.

–Só poderão lutar contra o inimigo se encontrar-se com ele. É melhor que seja assim, porque se Eidolon atacasse a cidade pessoas inocentes morreriam.

–Pra mim você está nos levando pra uma armadilha. – acusou Lucca de olhos semicerrados.

–Mas ela tem razão. – Luna concordou com a professora – Temos que lutar contra ele aqui.

Então entramos no castelo, por incrível que pareça não havia nenhum mago pronto pra atacar a gente. Encontramos Eidolon em um trono, ele usava uma roupa preta com uma capa da mesma cor, seus cabelos eram ruivos, eu sabia que era aquele homem da festa de casamento, mas não dava pra ver seu rosto por causa da mascar que ele usava.

–Então vocês vieram me confrontar? – Eidolon tinha uma voz sombria e amarga, fiquei arrepiada com o poder que senti só de ouvir sua voz.

–S-sim... – pronunciei baixinho e tremulamente.

Diego segurou minha mão, tentando me deixar com menos medo, mas ele também sentiu o mesmo, pois tremia um pouco. Lucca foi bem corajoso ao falar:

–Você quer destruir o mundo. – o disse alto e entre dentes, com raiva – Por quê?

–“Por que” você diz. Ora, o que o mundo já fez por você? Pessoas são tiradas de você, sua vida é tomada por escuridão, dor e tristeza, eu desejo vingança. Vocês não sabem o que é a verdadeira dor, a tortura, ser tratado como um mostro! Vingança não é o que deseja também, filho de Dario? – aquela voz amedrontadora me deu vontade de correr.

–Só quero me vingar de você, que matou meus pais! Só por causa de poder! – gritou Lucca com ódio no olhar.

–Mano, não o faça ficar mais bravo do que já está. – avisou Luna calmamente.

–E você “protetora do livro”, está procurando por isso? – ele apontou para um espelho, lá apareceu à imagem de meus pais acorrentados e de meu irmão apanhando de um mago do mal.

–Para com isso, eles não tem nada a ver com isso! – mandei sem medo – E meu irmão só tem oito anos, ele é só uma criança!

Eu tinha lágrimas nos olhos, não aguentei ver minha família sofrendo por causa minha. Mas Eidolon não tinha nenhum remorso, o que me deixou furiosa.

–O garoto não quer nos dar o livro que está com ele – contou Eidolon -, então ele tem sim, alguma coisa a ver com isso.

–Mas... – eu queria protestar, dar um soco na cara de Eidolon, mas Diego me impediu.

–Eu poupo a vida deles e a de vocês se me derem o livro. – propôs Eidolon.

–Mentiroso! – xinguei – Você não vai poupar ninguém, assim como fez com os pais de Lucca e Luna, com a família da Sonya e com a mãe de Diego! Você machuca seu próprio filho!

–Meu filho me desobedeceu, ele ajudou vocês e me traiu. Ele merece punição. – alterou-se Eidolon.

Luna fez uma expressão de preocupação.

–Nós não vamos dar o livro a você!Nunca! – discordou Sonya.

–Então vão morrer! – Eidolon se levantou do trono.

O castelo estremeceu e apareceram muitos, muitos magos do mal, de todos os jeitos, com todos os tipos de poderes.

E corremos.

Notas finais
Luna: O próximo cap é meu! Sonya:Nunca mais tive um cap... Lucca:Nem eu... Diego:Já chega da Alice. Luna:Mas já teve lindos momentos, né? Diego:Por que vocês dizem isso?! Lucca:É você que fica "Alice minha meelhor amiga" "Alice eu gosto muito de você" Diego:Como amiga, é claro! Sonya:Esse aí só se confessa em situações extremas. Luna:Não espere até ela morrer! Diego:Deixem de bobagem!