Notas iniciais
Só demorei porque fui pra praia, mas tá aí mais um cap, com a volta do Diego (Eh!).

POV ALICE

Estava tudo girando e eu tropecei em algo, caí confusa no chão xadrez. “Eu estou no outro mundo?” me perguntei. Olhei em volta, ruínas e armas quebradas estavam por todo o lugar, havia uma casa com os vidros quebrados mais a frente, um coliseu e uma caverna escura. “O que eu faço?” pensei e me levantei.

–Vá à estação de trem.

–Ah! – tomei um susto com o garoto que me levou pra lá.

–Desculpe, eu não queria te assustar. – desculpou-se ele.

Me lembrei do jeito que ele me levou para aquele lugar: com um beijo; e corei.

–O que foi? – perguntou ele.

–Nada, é que... – pensei em alguma desculpa e percebi que não sabia seu nome ainda – Eu não sei o seu nome.

–Ah, é que eu... não tenho um. – respondeu ele.

–Como não tem um nome? Como alguém pode não ter um nome? – perguntei.

–Eu não tenho, não sou um “humano”. – disse.

–Não é um humano? E o que você é? – fiquei totalmente confusa ele se parecia um humano.

–Não sei explicar, eu só protejo os portais, é o que eu faço. Não sou muito importante. – ele parecia triste.

–E como devo chamá-lo? De sem-nome? – brinquei.

–Sei lá. Me chame do que quiser. Agora vamos à estação de trem. – decidiu.

–Por quê?O que há lá? – fiquei curiosa.

–Aquele garoto do seu sonho, aquele que apareceu no museu. Lembra? – perguntou.

–Ah, então ele está lá... – fiquei um pouco aflita, o garoto do sonho era assustador.

O garoto sem-nome me conduziu pelo túnel escuro (ele não largava minha mão), seus olhos brilhantes iluminavam a caverna e espantavam alguns ratos que dormiam no chão.

–O que aconteceu com Diego depois que eu desmaiei? – perguntei curiosa.

–Ah, ele... me xingou e eu vim. – respondeu ele.

–Só isso?

Ele assentiu. Fiquei me perguntando se foi só isso que aconteceu mesmo. Por que será que eu estava decepcionada? Fiquei bem envergonhada, não conseguia parar de pensar naquele beijo, mas o “Sem-nome” não parecia se importar. Será mesmo que ele não é humano por isso não tem sentimentos? Me arrisquei a perguntar:

–Você não tem sentimentos?

Ele pareceu triste.

–Eu queria não ter. – lamentou-se.

–Você não tem pais? – eu sei que sou um pouco insensível.

–Não sei se tenho, nasci com a missão de proteger os portais, ninguém estava vivo quando eu nasci. – ele estava mentindo (mas saberão depois).

–Que horrível! – exclamei – E quantos anos você tem?

–Mais do que você pode imaginar. –respondeu.

Não deixei de notar que sua mão era bem quente e ele apertava a minha fortemente, como se tivesse medo de que eu fugisse. Chegamos ao fim do túnel e eu vi a estação de trem, estava vazia e um pouco destruída.

–por que tudo aqui é em ruínas? – reparei.

–Ah, bem... – sem-nome parecia culpado.

–E onde está o garoto “fugitivo”? – mudei de assunto.

–Dentro do trem.

Dei um passo à frente, mas o sem-nome me conteve.

–Não pode ir lá sem armas. – falou.

–E o que eu vou fazer então? –eu não entendia nada.

–Espere.

Confusa, fiquei parada. O vento soprava fortemente e nada acontecia. Até que o garoto de cabelos verdes saiu dentro do trem, olhou pra mim e deu o mesmo sorriso que mostrou no museu. Recuei de medo. O garoto correu até mim com uma espada. Mas o sem-nome atirou nele. O garoto bateu as costas no trem e caiu no chão, não parecia machucado. Vi o grande canhão no braço direito do sem-nome e me surpreendi.

–Por que não me contou que tinha isso? E de onde você tirou essa coisa enorme? –perguntei.

Mas não era hora para perguntas, o outro garoto se levantou e desferiu um golpe no rosto de meu amigo sem-nome, foi tudo muito rápido. Os dois lutaram, me escondi dentro do trem para não levar tiros ou me machucar. A luta estava incrível, sem-nome era muito rápido (tenho sérias dúvidas de que ele precise da minha ajuda). O garoto de cabelos verdes começou a correr em minha direção, fugindo de meu amigo sem-nome. O garoto do mal investiu contra o trem que balançou.

–Ah! – gritei e caí no chão.

O garoto apareceu e sorriu,me desesperei, levantei e corri. Ele foi atrás de mim tentando me acertar com tiros de luz verde, nessa hora ele estava com uma cara de psicopata (assustador!). Ofegante me escondi debaixo de um banco quando estava mais longe.

–Dragon Ray Purple! – ouvi o garoto psicopata gritar com voz de louco.

Rezei para que ele não me encontrasse, mas ele arrancou o banco em que eu estava e jogou longe. Era o fim? Fechei os olhos e gritei encolhida no chão. Alguém quebrou uma parte do trem e entrou. Era a garota igual a mim e não parecia muito feliz.

–Devil Green! – disse ela com sotaque japonês: “Debi Gurin”.

Ele só sorriu. A garota pegou fortemente sua espada e atacou Devil Green, mas ele se defendeu com a sua. Começaram uma luta e eu fiquei paralisada, não importa o quanto eles se machucassem, parecia não sentir dor (embora quando a garota se machucava eu sentia uma dor esquisita no peito). Teve uma hora que a garota foi derrubada e o garoto não parava de feri-la com a espada, meu peito doía mais do que nunca e eu não pude aguentar. Vi que meu colar estava em meu pescoço, peguei meu báculo e o transformei em espada, depois corri em direção a eles.

–Pare com isso! – gritei enquanto investia loucamente com a espada.

O garoto ficou com raiva e me jogou do outro lado do trem (parece exagero mas foi isso o que aconteceu, eu destruí um monte de cabines na minha passagem). Tudo ficou embaçado e eu não conseguia me mexer, a dor era insuportável. Eu estava fraca até para gemer e fiquei lá atirada no chão rodeada por sangue. O garoto apareceu e eu estremeci (não conseguia vê-lo direito, eu tinha lágrimas nos olhos). Ele apontou a arma pra mim e eu pensei no Diego, queria me desculpar com ele, se eu tivesse ouvido seu aviso não estaria lá. “Desculpa Diego” pensei e fechei os olhos enquanto a arma carregava uma carga enorme de poder. Só que ele não pôde atirar, a garota apareceu e chutou sua arma para o lado e ele acabou atirando no chão. Depois ela lhe deu um soco e o atirou no grande buraco que ele tinha feito com a arma. O trem andou e eu consegui ver direito, sem-nome pilotava o trem enquanto Devil Green era estraçalhado no buraco, mas não havia nenhum sangue. E eu desmaiei.

Quando acordei estava em uma cama de cobertores azuis, acordei toda coberta, parecia estar frio. Olhei em volta, havia uma janela, uma cômoda e um roupeiro. Pela janela eu vi que era noite, coisas brancas caíam do céu (neve?). Também tinha uma porta, estava fechada.

–Ei! – chamei – Alguém?

Meu amigo sem-nome apareceu.

–Você já acordou? – perguntou – Quer alguma coisa?

–O que aconteceu? – perguntei confusa.

–Conseguimos a alma dele. – respondeu – E você apagou.

–O que aconteceu com meus ferimentos? Não sinto dor. –falei.

–Curei você. – ele sentou-se na cama.

–E aquela garota?

–Ela é... – começou a dizer mas não terminou.

Ficou olhando para a janela pensativo e as palavras se perderam no ar.

–Você não devia ter se metido na luta. – repreendeu ele esquecendo o que eu perguntei.

–Todos aqui são muito fortes. Pra quê você precisa de mim? – me lamentei – Eu não sou forte, sou só uma criancinha débil e fraca. Nem no meu mundo eu consigo ser forte...

Comecei a chorar, ele tentou me acalmar:

–Não chore, não chore. Você não é fraca. Se você fosse tão fraca não teria uma alma assim, lendária...

–Alma? Minha Alma? Você está dizendo que é aquela garota?Ela é minha alma? –eu quis saber.

–Ah, bem... Eu não sei se posso contar. – disse ele.

–Conte-me. Por favor! –pedi.

–Tudo bem. – concordou ele – Há muito tempo havia uma alma diferente das outras, ela era mais forte, corajosa e independente. Só que ela tinha um defeito: era solitária; não aceitava a ajuda de ninguém, só queria lutar sozinha. Um dia aconteceu uma rebelião e eu precisava de sua ajuda, ela não queria ajudar porque não se aliava a ninguém. Eu tive que chamar a humana dela para controlá-la, mas foi muito difícil.

–E o que aconteceu? – perguntei curiosa.

Ele olhou para o nada como se estivesse lembrando e deixou cair uma lágrima. “Por que ele está chorando me perguntei, e resolvi tentar de novo:

–O que aconteceu com ela?

–Ela... –ele não conseguia falar, parecia catatônico, Não piscava, só olhava para o nada e chorava – Ela... ela... ela...

Então ele explodiu em lágrimas, chorava como uma criancinha.

–Nã-não... – dizia – Por que isso aconteceu? P-por quê?

Senti pena dele e o puxei para perto de mim. O abracei e passava a mão por seus cabelos enquanto ele chorava em meu peito. Até que ele disse:

–Você não mudou muito sua aparência.

–O quê? – fiquei confusa.

–Você sabe que algumas almas reencarnam. Você é... –ele não completou, mas eu entendi.

–Eu sou ela não é? Aquela por quem você chora. – deduzi.

–Dragon Ray Purple. – respondeu – Você finalmente voltou.

Ele se afastou.

–Me desculpe. – se desculpou – É que o que aconteceu é algo um pouco complicado.

–Tudo bem. Mas eu tenho uma pergunta. – falei – O que acontece com as almas que a gente consegue pegar?

–Vão para um lugar chamado Abismo, também é conhecido como Prisão das Almas Fugitivas. É um lugar no meio do nada onde ficam almas rebeldes e almas perdidas, é só um lugar escuro de onde elas nunca podem sair. – explicou ele.

Fiquei imaginando o Devil Green num lugar escuro e sem saída, cheio de almas ruins em volta, aposto que eu enlouqueceria num lugar assim.

–Drag...

–Pode me chamar de Alice. – não o deixei terminar a frase (eu não queria ser chamada de Dragon Ray Purple).

–Ok, Alice. Agora temos que encontrar as outras almas.

Eu quis sair da cama e vi que estava com uma roupa diferente, um vestido azul escuro com uma meia-calça listrada.

–Minha roupa... –comecei.

–Ela estava toda suja e um pouco rasgada, eu achei melhor trocar...

–VOCÊ trocou minha roupa?! – perguntei incrédula.

–Não, não fui eu. Foi a Dragon Ray Purple. – respondeu – Pedi pra ela fazer isso.

Suspirei em alívio.

–Qual é a próxima alma?

–É uma garota que é um pouco... malvada – disse ele – Seu nome é Dolly Yandere.

Olhei para seus olhos azul céu, lindos olhos azuis. Azul... “Ao”...

–Ao –falei sem querer.

–O quê? – ele parecia perplexo.

–Oh, me desculpe falei sem pensar.

–Não, não. O que você disse? –agora ele parecia esperançoso.

–“Ao”, significa azul. –respondi.

–Sim, sim! É assim que ela me chamava! – contou.

–Sério? –achei uma incrível coincidência.

Ele parecia emocionado, seus olhos estavam brilhando. Segurou minha mão e se aproximou. Mas antes de ele fazer qualquer coisa, apareceu uma garota.

–Não se machuque querido.

–O que você está fazendo aqui? – Ao estava apavorado.

–Só vim evitar que você cometa um grave erro que machucará você, Alice e... Diego. –falou ela.

Diego estava atrás dela e foi correndo até mim perguntando:

–Alice você está bem? Ele te fez alguma coisa? Está machucada?

–Estou bem, mas... quem é ela? – não conseguia desviar minha atenção da garota, ela emitia um poder incrível...

Notas finais
Alice: Tadinho do Ao. Diego:Tadinho nada!Ele beijou você! Lucca:Louco de ciúmes, hein! Diego:Cala a boca!Você nem vai aparecer mais! Lucca:Triste...