Notas iniciais
Aqui estou eu de novo, vamos descobrir quem é a tal garota misteriosa...

POV ALICE

–Eu sou alguém superior, além de sua mente. – Eu criei esse lugar, criei tudo, até o menor dos pormenores desse e de outros mundos.

Aquela garota irradiava magia e poder, parecia um anjo, tinha cabelos loiros compridos e vestia uma roupa meio amarelo meio laranja. O mais incrível era que seus olhos às vezes estavam de uma cor avermelhada e alaranjada, às vezes estavam um azul esverdeado.

–O que ela quis dizer com aquilo? – perguntei.

–Ela é “Deus”. – respondeu ele.

–Como assim?! Isso é... isso é... – me apavorei.

“Deus é uma garota? E como é que Deus pode falar conosco de verdade? Isso é impossível!” pensei.

–Não é. – negou a garota (ela leu meus pensamentos) – Acho que criei os humanos machistas demais. Será que eles nunca pensaram que Deus pode ser uma mulher?

–Por que você está aqui?! – agora Ao estava com raiva.

–Já disse: para evitar que você faça aquela burrice novamente. – respondeu Ela.

–Você não vai levá-la de novo! – ele estava com ódio nos olhos – Eu não vou deixar que aquilo aconteça mais uma vez!

–Tudo depende de você, sabe o que é melhor para todos. – disse a Garota.

–Do que ela está falando? O que você ia fazer de errado? – eu estava completamente confusa.

–Alice fique longe dela! – avisou Ao.

–Por quê? Eu não entendo...

Ao me abraçou, mas Diego me afastou dele. Os dois se encararam e a garota disse:

–Viu só? Foi o que eu disse. Eu sabia que isso aconteceria, você só vai as machucar desse jeito.

Eu não entendia nada do que ela estava falando.

–Venha Alice. – a garota estendeu a mão.

–Não Alice, não vá! – gritou Ao.

Diego me empurrou pra frente e Ao tentou me impedir de ir até a garota, mas ela repentinamente chicoteou se rosto com uma corrente e ele caiu no chão gemendo.

–O que você fez com ele? – perguntei apavorada.

–Ele não se machucou, não se preocupe. Venham. – ela saiu do quarto – Sigam-me.

–Mas... –eu queria ir até Ao mas Diego não deixou – Por quê?

–É melhor assim. – falou ele.

Saímos do quarto e a garota trancou Ao lá dentro.

–por que você o trancou? – perguntei a ela.

A garota não respondeu. Sentamos nos sofás da sala de estar e Diego começou a dizer:

–A Deusa me contou tudo o que aquele garoto queria e o que tinha acontecido da ultima vez que ele tentou.

–O quê? – me preocupei.

–Ele foi minha primeira criação. – explicou Deusa – Eu me sentia sozinha e criei esse mundo pra ser sua casa. Mas depois que criei os outros mundos as almas ficaram incontroláveis e eu tive que colocá-las aqui. Eu não esperava que uma coisa tão impossível acontecesse.

–O que aconteceu? – tive medo da resposta.

–Ele se apaixonou. – respondeu Diego.

“Eu sabia!” pensei “E a garota morreu”.

–Acontece que ele se apaixonou pela alma da garota. – continuou Deusa – Nesse mundo estão as almas que carregam dor,sofrimento, mágoa e rancor. Por isso ele queria a parte humana da garota.

–Da Dragon Ray Purple. – Completei.

–É. — concordou ela – Ele queria unir seus corpos humano e alma, mas um humano não pode viver aqui. Isso seria contra a minha vontade e eu não deixei.

–O que você fez? – indaguei receosa.

–Eu tive que matá-la.

–Por quê? – arregalei os olhos.

–Porque eu sabia das consequências, a garota iria sofrer, ela ficaria entre um mundo e outro e ficaria louca. Isso geraria morte dela de um jeito pior porque ela sofreria ainda mais. – contou.

–Então Ao que dê certo dessa vez. – assimilei.

–Sim mas eu não vou permitir isso, para o bem de todos. – assegurou ela.

–Mas você terá que...me matar? – olhei para Diego aflita.

–Não,não será necessário. –negou ela – A não ser que você concorde com o garoto.

Fiquei com pena de Ao, mas ele sofreria se o pior acontecesse comigo, o melhor é dizer não. Suspirei.

–Mas e quanto às almas fugitivas? – perguntei.

–Ele as libertou de propósito outra vez, só para ter uma desculpa para trazê-la aqui. – ela parecia irritada – Amanhã vocês capturam, acho melhor dormirem. –ela sumiu.

Fui correndo até o quarto de Ao, ele estava com a cabeça nos joelhos chorando.

–Ao! – corri até ele e o abracei.

–V-você está viva?! – perguntou ele em meio as lágrimas.

Me abraçou bem forte chorando. Olhei para Diego que estava na porta com as mãos nos bolsos. Ele disse sem som: “Você sabe o que deve fazer”. Larguei Ao.

–O que ela disse pra você? – ele estava muito triste e preocupado.

Olhei para o lado, não queria dizer para ele aquilo tudo, não queria magoá-lo.

–Ela te contou o que fez? – ele se alterou – Que ela a MATOU?!

Assenti com a cabeça.

–Pois então, ela também vai matar você. Não vê? – ele parecia inconsolável.

–Não a Deusa não a matará. – discordou Diego.

–Como você pode saber? – Ao ainda chorava.

–Porque ela só tinha fito isso da ultima vez porque você insistiu, sabia das consequências que seriam terríveis...

–Não me importo com as consequências! – gritou Ao furioso – Desde que eu a tivesse...

–Ela sofreria! – Diego tentou novamente.

–Não! Você está mentindo! – vê-lo assim me deu muita pena.

–Ele está insano Alice, saia daí. – avisou Diego me puxando pra longe de Ao.

O garoto gritava e chorava, começou a quebrar as coisas de seu quarto, por isso tivemos de trancá-lo lá.

–Ele está totalmente descontrolado. – avisou Diego.

Eu não quis dormir fiquei acordada a noite toda olhando para a porta do quarto de Ao,ouvindo a barulheira que fazia. Não gosto de machucar as pessoas.

No outro dia fui ao quarto dele, tudo estava destruído e Ao estava se balançando sentado num canto, olhando para a parede. Fui até lá.

–Ao. –falei baixinho.

–Vá se quiser. – disse ele sem parar de se balançar e olhar pra parede.

–Ao você está bem? – coloquei a mão em seu ombro.

Ele a olhou e lambeu, tirei a mão rapidamente. Que estranho!

–Por que fez isso? – perguntei confusa.

–Me deixa... –pediu ele.

–O que você tem? – eu estava muito preocupada com ele.

–Você...não...me quer...

–Não é isso, é que... – parei de falar porque eu estaria mentindo, apesar de gostar dele o que ele quer é impossível. – Desculpa.

–Eu sabia, me deixe sozinho. É o que a Dragon Ray Purple faz, deixa as pessoas – falou ele – Sempre,sempre...sozinha, sem deixar ninguém chegar perto... Sempre...

Fiquei pensando no que ele disse, mas não queria deixá-lo.

–Ah, temos que pegar mais almas – arranjei uma desculpa – Vamos?

–Sempre sozinha, sempre... – ele não parava de dizer isso.

–Por favor Ao, acha que está fácil pra mim? Eu não quero vê-lo assim...

–Então não me deixe. –disse ele.

Diego apareceu e perguntou:

–Ele vem ou não?

–Por favor Ao, eu não sei o que fazer. –implorei.

Ele me olhou tristonho.

–Eu amo você. – falou ele – Me desculpe...

Tentei tirar as palavras “Eu amo você” da minha cabeça.

Ao se levantou e caminhou até a porta, olhou para Diego e disse algo que eu não entendi, depois saiu. Diego não estava muito feliz e resolvi perguntar:

–O que ele te disse?

–Nada. – eu sabia que não era somente “nada”.

Notas finais
Que amor doentio,hein...No próximo vocês descobriram mais sobre a vida de meu querido Ao. Não parem de ler! Mandem comentários e favoritem, ONEGAI!