As Aventuras da Maga Alice
35 A Batalha Final, Parte 2
Notas iniciais
POV ALICE
Começou a batalha e eu só conseguia pensar na minha família, principalmente em meu irmão que estava apanhando, por isso tomei um caminho diferente. E não fiquei muito feliz quando Diego me seguiu. Por que ele tem sempre que estar na minha cola?
–O que está fazendo? Pra onde está indo? – perguntou ele.
–Preciso ajudar minha família! Meu onii-chan está em apuros! – respondi como se fosse óbvio, era óbvio. Por que ele fez uma pergunta tão besta?
–Então vou com você. – decidiu ele.
–Tá bom, então ajuda. – resmunguei.
–Como se você mandasse em mim. – me retrucou. – Pirralha!
–Baka! – insultei mostrando a língua.
–Você uma criancinha, por isso a chamo de “pirralha”, quando mudar suas atitudes infantis vou parar de chamá-la assim. – ele sorriu.
–Até parece que eu vou mudar pra você. – me irritei com seus comentários, ele parecia tão amoroso à noite – Não acredito que até numa batalha mortal a gente discute.
Diego só sorriu. “Qual é a graça?” pensei.
Continuamos a correr, mas eu não fazia à menor ideia de onde era a prisão na qual minha família estava.
–Você sabe onde estamos indo?É por aqui que sua família está?Talvez eu encontre minha mãe... – disse Diego.
–Se nós encontrarmos o lugar...
–Não sabe onde estão eles, não é?Nem sabe onde está. – supôs ele – Pelo menos tem um plano em mente?
–Não exatamente...
Diego revirou os olhos. “Idiota!” pensei “Por acaso ele tem um plano?”. Então ouvimos uma gritaria, e eu reconheci a voz da minha mãe.
–Mãe! – gritei e corri na direção do som.
Chegamos à cela e encontrei meu onii-chan com os punhos brilhando e dando socos (rápidos demais para pessoas comuns) nos magos do mal. Ele sabe se virar. Esse é o meu onii-chan!
–Onee! – ele correu e me abraçou – Eles queriam o livro, mas eu não dei, eu vou lutar com vocês, também quero salvar o mundo. Eles vão ver meus meteoros de pégaso!
Eu ri.
–Agora nos dê o livro porque precisamos dos nossos aliados, então derrotaremos Eidolon. – pedi.
–Tá. – ele me deu o anel – Mas eu vou lutar não é?
–Não contra Eidolon. – discordou Diego.
–Ah... – resmungou onii.
–Agora vamos... – eu iria dizer para irmos embora. Mas mudei de ideia quando vi que Diego estava frustrado, ele queria salvar a mãe dele -... vamos procurar a sua mãe.
–Sério?Quer dizer, nós temos que lutar contra Eidolon. Quer mesmo perder tempo procurando minha mãe? – indagou Diego cabisbaixo.
–Não vai ser perda de tempo. Vamos.
Fomos procurar a mãe dele. Nas celas haviam pessoas deprimentes, sem esperança, pessoas que pareciam ter sido torturadas (deu vontade de começar a cantar uma música do AKB). Eu não aguentei vê-las assim.
–Não podemos deixá-los aqui. – falei abrindo uma cela – Talvez elas possam nos ajudar a derrotar Eidolon ou até a encontrar sua mãe.
–Tudo bem – concordou ele.
Começamos a abrir todas as celas. As pessoas desesperadas agradeciam e fugiam. Até que uma garota de bom coração nos mostrou onde estava a mãe de Diego. Ele correu esperançoso pra encontrá-la, tentou abrir a cela o mais rápido possível, mas a mesma queimou suas mãos.
–Mãe! – ele gritou.
–A cela faz isso, não poderei sair daqui. – contou ela – Filho vença Eidolon e me salve.
–Eu não posso deixá-la mãe. – Diego tinha lágrimas nos olhos – Não, mãe...
–Vá filho!Se não derrotar Eidolon eu não poderei sair.
–Mas...
–Diego ela tem razão. – segurei a mão dele – Vamos.
Puxei ele e corremos, Diego ficou olhando pra trás, chorando.
–Não se preocupe. Salvaremos sua mãe, tudo ficará bem – sorri pra dar confiança, mas eu não estava tão confiante.
Fomos surpreendidos por magos do mal, mas bem na hora em que eles iam atacar ouvimos um “Vão!” e apareceram os desesperados das celas que libertamos. Eles nos ajudaram. A garota que havia dito “Vão!” era aquela que nos mostrou onde estava a mãe de Diego.
–Oi pessoal!Vou ajudar vocês, afinal me ajudaram a escapar daquela prisão. – falou ela lutando – Aliás, meu nome é Sarah.
–Obrigada! – agradeci pela ajuda, e é sempre bom fazer amigos.
–Eu é que agradeço. Agora vão! Daremos cobertura a vocês!
–Tudo bem. – aceitamos.
E corremos o mais rápido possível.
–Boa sorte! – ela disse já longe.
Conseguimos passar pelos magos do mal, nos defendendo e lutando de vez em quando. Eu não tinha percebido o quanto eu e Diego somos uma boa dupla de luta antes.
Até que chegamos ao salão do trono de Eidolon.
–Eidolon! – chamou Diego corajosamente – Viemos aqui para derrotá-lo e é isso o que faremos!
Ele segurava forte a minha mão, não sei se foi pra me dar confiança e coragem ou se ele estava com medo de me perder. Por que ele tem sempre que me proteger?Eu odeio que me protejam! Mas de alguma forma gostei daquele gesto e eu não conseguia odiá-lo, nunca. Eu só queria abraçá-lo e ir embora, as coisas não eram como antes, estávamos frente a frente com Eidolon, com a morte quase certa. Quase chorei, quase, pois me lembrei que eu tinha amigos e esperança, algo que nunca deixarei para trás.
“Eu não vou deixar que tudo isso se perca!” pensei “Não posso perdê-los!”
–Nee, Eidolon! – chamei entre dentes – Você não vai tirá-los de mim! Nunca! Nunca, entendeu?
–Do que está falando? – perguntou ele.
–Você... – me preparei – Não vai matá-los!
Meu dragão lilás apareceu atirando fogo roxo. Comecei a voar e ativei a primeira carta que peguei.
–HÁ! – atirei um tipo de explosivo em Eidolon.
–Alice! – Diego correu com sua espada e começou a lutar contra Eidolon.
Também fui ajudar com minha espada.
Eidolon foi rápido demais e quase não o acertávamos. Como ele conseguia vencer de dois ao mesmo tempo?
Voei pra cima e fiquei pensando no que fazer. Um plano rápido. Mas Diego estava com dificuldades: Eidolon o atirou longe e ele estava sangrando, depois Eidolon o estava machucando com socos e chutes. Acho que tinha magia nisso, pois Eidolon estava quebrando tudo. Diego tentou correr, mas foi lento demais por estar machucado. Eidolon o pegou pelo pescoço.
Você deve estar se perguntando: “E Alice não está fazendo nada?” Tinha uma barreira mágica na minha frente. Acha que eu não estava desesperada? Eu tentei quebrar a barreira de todas as formas possíveis. Com espada, arma, explodindo, cortando, chutando e socando. Mas nada adiantava. Eu já tinha lágrimas nos olhos. Diego foi atirado ao chão e não se levantava, depois de ter levado uma surra estava fraco demais.
“Não posso deixar!” pensei apavorada “Não posso perdê-lo! Não posso! Não posso! Preciso salvá-lo!”
–DIEGO! –gritei e lembro-me de minha espada ter ficado com um fogo roxo.
Quebrei a barreira na velocidade da luz e ataquei Eidolon, ele se defendeu com sua espada. Voei pra trás e continuei a luta. Eu lutava muito rápido, parecia surreal, meu corpo sabia exatamente o que fazer. Consegui acertar Eidolon no braço. Quando ele foi me atacar jurei que ia morrer, mas me afastei automaticamente pra trás. Percebi que ele não defendia a perna esquerda, então o atacaria ali.
Diego estava impressionado com minhas habilidades e com certeza não queria ser deixado pra trás, foi se arrastando pra pegar sua espada.
Enquanto eu lutava nem vi isso. Continuei tentando acertar a perna de Eidolon.
–Me dá o livro antes que morra! – ordenava ele.
–Nunca! – eu negava.
Acabei acertando seu rosto sem querer, cortei sua máscara e o pior: machuquei um de seus olhos.
–Ah! – gritou ele com a mão no olho – Sua...
Eu estava petrificada, mas meu corpo agiu sozinho e o atacou. Parece que ele estava preparado e deu um soco na minha barriga. Cai perto do trono e me levantei irritada. Vi Diego indo atacá-lo pela retaguarda, Eidolon sorriu.
–Não!
Corri como o vento e protegi Diego antes de ele ser apunhalado, eu que fui.
–Kyah! – devo admitir que doeu muito, me senti como se estivessem sugando minha vida e ardia como fogo. – Ah, ah, ah...
Caí no chão.
–AH! – gritou Diego apavorado.
Ele atacou Eidolon, estava brilhando em azul. Não pude ver muito bem, pois estava embaçado. Minha visão estava turva e sem foco, o mundo girava a minha volta. “Não quero morrer” pensei.
Diego gemia lutando, provavelmente porque estava sentindo dor. Não se aguentaria por muito mais tempo.
Tentei me levantar, mas doía demais.
–Ah... – arquejei e me ajoelhei.
“Preciso ajudá-lo” era só o que eu conseguia pensar.
–D-Di-e-go... –murmurei paradamente.
Segurei firme minha espada e ela voltou a ser um báculo. Peguei uma carta qualquer e ativei.
Era fogo, Eidolon não tinha visto e começou a queimar.
–Ah! – ele gritava de dor, eu só queria que ganhássemos.
Tentei me levantar de novo e caí no chão novamente. Gemi um pouco e Diego foi até mim.
–Alice! Por favor, por favor, não morra! – ele procurava desesperadamente a carta Cura – Vamos você é minha melhor amiga.
–Vou... morrer? – indaguei quase apagando.
–Não! Não pense assim! Nós vamos ficar juntos pra sempre!Lembra? Pra sempre! – Diego chorava e tremia em desespero.
–Eu... amo...você... – tentei dizer, mas saiu baixo demais.
–Eu também!Eu também! –ele não conseguia parar de chorar – Eu amo você... Talvez...
–Me... beije... – minha boca agiu por conta própria, mas de fato queria uma última lembrança dele, talvez eu goste dele assim...
Não sei bem qual foi sua expressão, eu não conseguia ver nada. Mas eu consegui sentir aquela sensação de beijá-lo, por um momento nada mais importava, até os gritos de dor de Eidolon desapareceram. O talvez se tornou um sim, eu o amo mesmo.
Ele afastou seus lábios dos meus (apesar de que eu queria beijá-lo pra sempre). E disse:
–Eu amo você! E não vou deixar você morrer!
Então tudo ficou negro e eu caí na escuridão, assustada demais pra falar alguma coisa.
–Alice! – ouvi Diego gritar ao longe, foi à última coisa que ouvi antes de desmaiar.
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