A semana passou mais devagar do que de costume. A ansiedade fazia essas coisas. Breno não se aguentava de ansiedade para começar as aulas de magia, afinal naquela noite ele só aprendeu sobre as criaturas mágicas, e não magia o que ele queria ter aprendido desde o inicio. Por sorte Welker lhe emprestou o livro das criaturas para que ele estudasse.

Breno achou fantástico aquele novo mundo que se abria diante de seus olhos. De um duro para lembrar o nome de todas as criaturas ainda assim não se lembrava de todos os nomes. Minotauros, sátiros, ninfas, centauros, manticores. E é claro, os animais mágicos próprios de Mubilpe: fadas sills, fadas com quatro braços; ursomens, tipo os lobisomens só que em vez de lobo, urso; os ibips pequena criaturas, espíritos das flores; e muitos outros.

O tempo não passava, e desde o atraso Irmã Ruth havia pegado mais no pé dele, fazendo-o sentar nos primeiros bancos da igreja nas celebrações e o mandando limpar sozinho toda a igreja, e ai dele se ela visse alguma sujeira. Irmã Taís compadecida dele o ajudava sempre que a madre não estava vendo.

O mais inesperado foi que às onze horas da manhã de quarta feira o professor Welker sem explicação apareceu no meio do convento, precisamente no pátio onde Breno limpava, se preparando para o almoço.

— Professor! O que o senhor está fazendo aqui?

— Você precisa vir comigo, agora! — dizendo isso o velho deu a mão para Breno e desapareceu, Breno olhou para o próprio corpo e não enxergou nada, se assustou e largou da mão do professor.

— Como fez isso? Como entrou aqui? Por que eu tenho que ir?!

— Desgraça, vem logo que eu te respondo no caminho. — Welker deu a mão para o jovem e saíram correndo. Invisíveis.

— Só consigo ficar invisível por pouco tempo, com uma pessoa a mais menos tempo ainda, precisamos correr. O rei capturou sinais de magia nas proximidades, tem um grande número de oulins andando pelas nossas ruas.

— Oulins? O que são isso? — perguntou o jovem.

— Soldados do imperador têm entre dois metros a três metros, possuem a pele cinzenta e dentes pontiagudos, são bem fortes, porém um pouco burros. Eles andam com uma criatura chamada critos, que farejam a magia e mostra onde ela foi usada. Aqueles símbolos na minha parede bloqueava o cheiro que a magia exala, mas eles estão um pouco velhos e os critos conseguiram nos farejar, logo os oulins nos acharão. Tenho que te ensinar magia antes disso, para você estar preparado para derrota-los. Vai ter aulas em tempo integral.

— Ok

...

A casa de Welker estava com mais símbolos pintados agora pela casa inteira. Vários livros abertos sobre as inúmeras mesas, espadas, arcos, flechas e lanças encostadas em um canto prontas para serem usadas. Círculos desenhados no chão e dentro deles pedras que brilhavam. Vária ervas jogadas pelos cantos, e algumas varinhas mágicas. No caminho eles encontraram quatro oulins patrulhando, mas nenhum deu sinal de ter sentido a presença deles.

— Professor o livro que o senhor me deu ficou no convento, e como eu vou fazer com minhas roupas?

Welker estava visivelmente cansado. Ele estalou os dedos e o livro apareceu na mesa mais próxima junto de algumas peças de roupa de Breno.

— Leia aquele livro, páginas dez a sessenta e quatro — o velho apontou um livro que se abriu na página. E então Welker desmaiou de cansaço.

O menino se sentou em frente ao livro e leu o nome do capítulo: Iniciação à magia: Como acender luzes. Breno começou a ler, a principio não entendeu nada, o lance de deixar a mente vazia e se concentrar no que queria, ele simplesmente não conseguia ficar sem pensar em nada. Logo ele começou a treinar por conta própria sem seguir as instruções do livro.

Ele apagou a luz da casa, fechou as cortinas e deixou tudo escuro e então se concentrou, mas nada acontecia. Ele tentou e tentou e então se cansou, e foi procurar algo para comer. Achou uns biscoitos nos armários de Welker e um pudim. Ele acabou devorando tudo. Depois leu mais um pouco do livro. O professor ainda dormia. Um oulin passou em frente da casa, mas não fez nada.

Breno apagou as luzes novamente e continuou tentando. Sentou como índio colocou a mão sobre o joelho e começou a meditar como os monges fazem. Mas também nada estava acontecendo. Ele meio que perdeu a esperança e ficou só deitado no chão dizendo para sua mão: acenda. E somente depois que ele percebeu que estava enxergando sua mão como se a luz estivesse acesa, mas não estava. Breno olhou ao redor e viu tudo como devia ser, como se não tivesse escuro.

— Nossa! — ele gritou se levantando — Eu enxergo no escuro! Que foda!

Subitamente a ponta do dedo de Breno começou a brilhar, finalmente ele havia conseguido fazer magia.

—Ai meu Deus! Eu sei fazer luz! Todo mundo vai ficar com recalque quando eu chegar com meu dedo brilhante, todo mundo vai ficar assim: Oh! Ele sabe fazer luz! Eu vou ficar rico e famoso.

Mas alegria de pobre dura pouco. A luz se espalhou da ponta do dedo para o dedo, para a mão. Breno achou isso fabuloso, estar com a mão brilhando, iluminando toda a casa. Mas a luz continuou avançando pelo corpo. Braço, pescoço, cabeça, tórax, barriga, o outro braço, pernas. Ele ficou todo brilhante. E se desesperou.

Breno começou a gritar correndo de um lado para o outro da casa enquanto brilhava. Essa dança de luzes chamou a atenção do vizinho. Pois Breno estava tão brilhante, que o luz passava pelas frestas da porta e janela iluminando o jardim e as casas vizinhas. Eles estavam boquiabertos e ficaram ainda mais quando Breno começou a gritar.

— Jesus!!! Que eu vou fazer agora?! Acorda professor! — Breno começou a sacudir Welker que não deu sinal de acordar — Desgraça de um velho acorda!!!!

Mas Welker não acordou. Breno se jogou no chão e começou a gritar e rolar de um lado para o outro para ver se a luz apagava como se faz quando alguém pega fogo. Por sorte a brilho começou a apagar, aquilo funcionava. Mas ele ainda estava brilhando as costas e o braço direito, Breno pegou um cobertor e colocou sobre a cabeça para abafar a luz, e se encobriu como um capuz.

E a sorte não estava com Breno. Um oulin ouviu a gritaria de Breno e o falatório dos vizinhos e foi até a casa de Welker e bateu na porta para ver o que estava acontecendo.

Breno olhou pela janela e viu o oulin e ficou completamente desesperado. Breno achou melhor não atender. O oulin começou a esmurrar a porta.

— Abra a porta, ou eu a ponho para baixo! — gritou o soldado.

Breno, ainda com o cobertor cobrindo seu corpo brilhante, abriu somente uma fresta da porta, escondeu o braço direito brilhante atrás da porta, e o esquerdo ele segurava o cobertor sobre suas costas.

— Eu quero falar com o chefe da casa! — ordenou o oulin — recebi reclamações dos vizinhos e percebi anormalidades aqui.

— Ai bem volta outra hora que agora ele está dormindo. — respondeu Breno fazendo a voz mais indiferente que ele conseguia, mas tremendo de medo por dentro.

— Então me responda você. Qual o motivo daquela gritaria aqui dentro? — o hálito do oulin fedia a rato em decomposição. O oulin todo fedia.

— É... Um rato, isso, era um rato. Eu tenho pavor de rato, sabe.

— Me poupe de seus detalhes! — vociferou o oulin, e Breno tremeu mais ainda. — E quanto às luzes?

—Bem... Quando o rato entrou, eu me desesperei e bate numa... Vela, ai a vela caiu e... Pegou fogo em tudo. Por sorte eu consegui apagar. E está tudo bem agora.

— O dono da casa não acordou com toda a confusão? — perguntou o oulin com a certeza que agora pegaria o menino desprevenido.

— Ah ele tem um sono de pedra. Ele é faxineiro à noite por isso dorme de dia, então ontem foi um dia cheio... E ele está dormindo até agora.

— Entendo — disse o oulin, por sorte os oulins são burros e por isso não perguntariam mais nada. O oulin virou as costas e começou a sair.

— Até mais! — gritou Breno acenando — Viva o rei!

Breno fechou a porta, sentou na poltrona e bufou. Ele havia conseguido. Seu corpo terminou de se apagar.

— Breno com quem você está falando? — perguntou Welker se levantando e esfregando os olhos.

— Com um oulin. — respondeu Breno. O velho arregalou os olhos quando ouviu isso. Como o menino conseguiu viver depois de ter visto o oulin? Breno vendo o espanto do velho contou toda a história de tudo o que havia acontecido. Welker ficou admirado ao ouvir a história.

— Louvada seja sua criatividade Breno! — riu o professor. — Pelo visto você leva jeito para magia. Afinal você conseguiu ascender às luzes e a enxergar no escuro e esse segundo feitiço era a segunda tarefa que eu ia lhe dar. Se prosseguirmos nesse ritmo conseguirei até mesmo lhe ensinar a controlar o fogo, antes de mandar-lhe em missão.

— Missão? — perguntou Breno boquiaberto.

— Sim — respondeu o professor se dirigindo até o livro.

— Que tipo de missão?

— Encontrar as armas e salvar Mubilpe.

— O que? — perguntou Breno estupefato — Mas o senhor vem comigo, né?

— Não, mas você vai achar vários aliados. Existem grupos de rebeldes, que lutam contra o governo. Esses grupos se juntaram formando-se o que chamamos quartéis, existem cinco. Eu sou o chefe do 1º quartel, aqui da capital Ul. Você vai para o 2º quartel na cidade de Cad, a 80 quilômetros daqui. Agora vamos ver o quanto você aprendeu.

Breno passou o resto do dia e boa parte da noite acendendo e apagando as luzes de seu corpo e as redirecionando, ele acendia a luz na ponta do dedo e então apagava, depois acendia a ponta do dedo e em seguida o corpo todo e pagava, e por fim acendia o corpo todo e redirecionava a luz só pra ponta do dedo e então apagava. E também enxergando no escuro, correndo sem tropeçar e trombar nas coisas. Procurando coisas na plena escuridão.

No dia seguinte eles continuaram com as aulas de magia, agora Welker ensina a Breno a levitar coisas, primeiro as pequenas e leves e depois as mais pesadas e grandes. O ensina a simplesmente levita-las, a movimenta-las e a joga-las com uma força descomunal. É deste modo que quase todos os copos, pratos e vasos de Welker se quebram contra as paredes. O número de oulins nas redondezas aumentou, passaram três duas vezes em frente à casa do velho e a encararam friamente.

Na sexta feira O professor continuou com a levitação, e mais tarde começou a ensinar Breno a criar fogo do nada, simplesmente imaginar e fazer com que o fogo apareça. O que foi algo muito mais desgastante e tedioso, quase sem resultados. O número de oulins vigiando a casa aumentou, agora eram cinco. Seis vezes passaram em frente da casa.

Sábado o professor continuou com as aulas de levitação, isso seria a principal arma de Breno lutando contra os oulins ele deveria estar excelente nesta pratica para ter chance de vencer. Dessa vez Breno estava levitando o próprio professor Welker, e ainda o velho e outros objetos pesados como os sofás e as mesas ao mesmo tempo, já que o peso de um oulin não é igual ao de um homem, e com certeza eles não viriam sozinhos. Mais tarde o professor terminou de ensinar como fazer fogo e iniciou a ensinar a Breno como fazer para ficar invulnerável ao fogo. Mais oulins passaram num total de nove, doze vezes num mesmo dia e acompanhados com um crito.

Domingo, continuaram as aulas de invulnerabilidade ao fogo e inicio as aulas de controle ao fogo. Os oulins se tornaram mais presentes, passavam-se vinte com quatro critos a cada hora. Contudo na segunda feira Breno estava andando nas ruas fazendo compras, o velho não podia mais sair, afinal era atrás de um velho que os oulins estavam e não de um menino. Enquanto Breno andava pela cidade ele começou a ouvir gritos, muitos. Olhou ao longe e viu uma trilha de fumaça se erguendo sobre as casas. Fogo. Alguma casa estava pegando fogo. Breno saiu correndo para ver que casa que era. Quanto mais se aproximava da casa, mais encontrava Oulins e soldados humanos do rei correndo em direção a casa, junto de umas mulheres orientais, de pele azul claro, e vestidas em trapos e acorrentadas, escravas, e pelo que Breno estudara reconhecera-as como apsarás, espíritos da água e das nuvens. Possivelmente usariam seus poderes para apagarem o fogo.

Breno chegou ao local. Uma grande multidão se reunia no local esperando para ver o que aconteceria. Pelo visto era um dos palácios da cidade que havia pegado fogo. O rei fez muitos palácios com o dinheiro que arrancava nos impostos do povo. Era um grande corrupto. Vários corpos carbonizados já haviam sido tirados dos destroços ainda queimando.

— Quem mais estava na casa? — perguntou Breno a uma camponesa ao seu lado que assistia a cena.

— A princesa Lara estava dentro da casa, não sei se ela morreu ou ainda está lá dentro — respondeu a camponesa.

Breno sabia que a menina era metida e arrogante, mas já a tinha visto algumas vezes na casa de Welker, há um tempo, o professor foi uns dos mais conceituados professores do reino e a princesa tinha aulas com ele. Apesar de sua arrogância, dava para ver que ela era uma pessoa boa, e só era assim por causa de sua educação.

Breno simplesmente se concentrou. Deixou as compras caírem no chão e se concentrou. Lembrou-se do que Welker falava quando se tratava de magia. Concentrou-se e não pensou em mais nada. E então pensou no fogo. Pensou em cada faísca que compunham aquelas labaredas, e em como elas estavam felizes por poderem devorar tudo tão rápido. Pensou no fogo e viu como ele estava selvagem. Ele precisava civiliza-lo.

Concentrou-se ainda mais e agora era sua mente que estava dividida em pequenas partículas e cada partícula se fundiu a uma faísca. Concentrou-se mais. E transmitiu sua ordem: Apague-se. O fogo a principio nem ao menos escutou o que o menino falava. Então sua mente que estava conectada a cada pedaço de fogo gritou bem mais alto a ordem. O fogo, como uma entidade viva parou e olhou para o menino e viu que todo o seu corpo, todas as suas chamas estavam impregnadas pela mente do garoto.

E o fogo riu dele. E se fez mais feroz e tentou se livrar das partículas da mente de Breno, mas ele estava concentrado e repetiu mais uma vez a ordem. O fogo viu que não tinham como escapar, e sem querer começou a se apagar. Breno gritou mais uma vez. E o fogo se apagou completamente e abruptadamente.

Breno abriu os olhos e viu que estava dentro das ruínas do edifício queimado, ele havia andando enquanto se concentrava e entrado no meio do fogo. O jovem olhou para o lado e viu no chão, coberta de fuligem, a princesa Lara, fez uma vênia e estendeu a mão e a ajudou a levantar depois se ajoelhou. Todos estavam boquiabertos com o que o menino fizera, entrara no fogo e depois o fogo se apagara rapidamente, tudo isso era como um passe de mágica na mente dos cidadãos. O que de fato era.

Mas não foi só a atenção dos cidadãos e da princesa, que estava encabulada, que Breno chamou. Mas também a dos oulins que estavam ao redor, e principalmente dos critos. Eles eram parecidos com tatus com um longo focinho como dos tamanduás, podiam andar nas patas traseiras como de quatro, possuíam longas garras e não tinham olhos ou ouvidos. Se movimentavam só com o olfato. E eles começaram a rosnar para Breno. Alguns oulins, já tinham até mesmo desembainhados suas espadas e estavam prontos para ataca-lo.

Mas as apsarás também perceberam que Breno havia feito magia e se sacudiram nas correntes. Acabaram fazendo com que jatos de água voassem na direção dos oulins, os derrubando. Conseguiram quebrar as correntes e invocar uma tempestade. Pegaram as espadas dos oulins caídos e começaram a mata-los, contudo elas eram poucas e seriam logo vencidas e presas, no mais otimista possível.

— Vá! — gritou uma das apsarás para Breno, que se recuperou do estupor que estava.

— Adeus princesa — disse e saiu correndo. Alguns oulins entraram em seu caminho, mas ele fez com que eles fossem arremessados para trás usando a sua telecinesia. Pegou as compras do chão e correu o mais rápido possível para as casa de Welker.

...

— O que?!?! — perguntou Welker quando Breno chegou correndo e lhe contou a historia — Você tem ideia do que fez?! Os oulins viriam atrás de nós logo isso eu já sabia. Mas os oulins vão vir atrás de nós agora!

Welker saiu correndo e pegou uma arca pequena, do tamanho de uma caixa de sapato, e começou a colocar cartas, livros, roupas, comida, água. Parecia que tudo cabia ali dentro, parecia que a arca não tinha fim.

— Você vai para Cad, procurará o 2º quartel, pela professora Hulda, ela é minha amiga e filha de um homem com uma harpia. Ela vai terminar sua iniciação em magia, e então você entregará todas essas cartas à Hulda, elas as distribuirá. Nas cartas estou dizendo que você é meu escolhido para ir resgatar as armas. Você receberá aliados e partirá. Hulda lhe explicará onde estão as armas.

— Ela é filha de uma harpia? — perguntou Breno admirado.

— Você prestou atenção no que eu lhe disse? — perguntou o velho bravo e depois se suavizou — Sim ela é filha de uma harpia, mas bem... Eu sou filho de um dragão — e sorriu.

Breno ficou boquiaberto e paralisado.

— Dragões velhos e poderosos podem se transformar em humano. Meu pai fez isso e conheceu minha mãe e eu nasci. Já nasci com a magia do fogo avançada, por herança genética da magia de meu pai. — continuou o velho revelando sua história — Mas agora preste atenção, você vai para Cad, 80 quilômetros a oeste. Não converse com ninguém, fique escondido, não ande a noite nem por lugares muito movimentados. Se quando achar as armas estiver correndo perigo, não houver mais nenhum aliado, as esconda num lugar que os oulins não conseguiram encontra-las e fuja para Gamapu, o reino vizinho a oeste.

— Quando o Imperador Praika conquistou os reinos, não conseguiu conquistar somente dois reinos: Maccron, o reino dos dragões e Gamapu, que por conta da pedra mágica da Pureza não permite que criaturas das trevas entre. Por sorte Gamapu é nosso reino vizinho, então vá para lá. Contudo as armas não podem deixar o território de Mubilpe, por isso as esconda bem. Quanto à arca que estou lhe dando, ela cabe muito mais do que parece é uma arca mágica, como se o seu interior fosse outra dimensão — continuou o velho.

— Nossa professor! Falando assim até parece que o senhor não vai comigo. — falou Breno.

— E não vou — respondeu Welker.

— Por quê?

— Por que você arruinou meus planos. E para você ter sucesso alguém precisa desviar a atenção dos oulins. Não se preocupe eu ficarei bem — Welker deu um abraço em Breno e o beijou no topo da cabeça como um avô faz — na verdade eu já iria ficar aqui, mesmo em meus planos originais. Tenho que cuidar do quartel eles não fazem nada sem mim.

— Mas professor... — implorou Breno.

— Vá logo! Os oulins já devem estar a caminho.

Mal terminou de falar, um rugido terrível ecoou pelas ruas. Um batalhão de oulins marchava em direção à casa de Welker. Os critos conduziam o batalhão farejando como loucos os restos do cheiro de Breno que ainda estava no ar. Contudo junto deles marchava um trasgo, que urrava, e uma criatura estranha chamada Á Bao A Qu, da cintura para cima homem, cintura para baixo era um monte de tentáculos, seus braços e seus dedos eram também tentáculos, contudo garras saiam de seus dedos. Seus ossos eram flexíveis, podendo se contorcer para todo o lado.

— Breno corre, fuja! — gritou Welker lhe entregando uma aljava com flechas e arco, uma espada e uma varinha mágica e depois pegando para si próprio, muitas outras armas. — Saia daqui antes que eles cheguem! Adeus Breno foi bom ser o seu professor.

Breno saiu pelas portas do fundo, pulou o muro com a casa vizinha e foi fugindo assim, pulando muro atrás de muro. Lágrimas escorriam pelo seu rosto. Ele sabia que Welker não sobreviveria a um ataque. E ele como um covarde fugia as pressas para salvar sua misera vida. E o pior Welker só morreria por que ele não soube manter segredo, por que ele revelara a magia que Welker lhe ensinara. Ele matara Welker.

Breno continuou correndo e chorando, até que parou dentro do quintal de uma casa, para descansar, estava bufando. A capital era maior do que imaginara. Breno escutou um barulho de botas batendo no chão, o marchar de um batalhão. Breno se escondeu em meio os arbustos do jardim da casa, e espiou pelos buracos do muro. Viu o terrível exército de oulins marchando em direção a casa de Welker, junto das três criaturas. Os critos começaram a farejar pelo lado de onde estava, mas logo prosseguiram na direção original. O trasgo urrou novamente, e todo o muro se sacudiu com o urro.

Breno fechou os olhos e tremeu de medo perante sua primeira visão de um exército das trevas. E chorou ainda mais pelo futuro de Welker. Logo o exército passou. Todo o batalhão. Breno se levantou e olhou por onde eles estavam indo. E resolveu segui-los e ver como Welker reagiria com o exército.

O batalhão cercou a casa de Welker e criou para que ele saísse. Welker saiu, e lançou um raio azul pela varinha acertando um oulin e o matando, lançou mais um punhado derrubando os que estavam na frente. Os oulins libertaram os critos para matarem Welker, mas o velho bruxo com um aceno fez com que eles levitassem e usando toda sua magia, os dividiu no meio, os critos foram rasgados. Tripas e sangue voaram em todas as direções. Nunca pensei que o bom velhinho fizesse isso.

Os oulins avançaram de armas em punho. Welker lançou um feitiço em um o derrubando e atacou outro com uma espada cortando seu pescoço fazendo sua cabeça cair, e o sangue ser lançado para o alto. Outros avançaram e Welker se defendeu deles, cortando tudo que entrasse em seu caminho: cabeça, braços, pernas. Sangue e entranhas grudavam em sua pele e nos que estavam ao seu redor. A sua volta o chão estava todo pintado de sangue.

Mas os oulins soltaram o trasgo. Welker parou e respirou fundo. O trasgo veio andando lentamente, carregando uma pesada maça. Welker correu ao seu encontro. O trasgo tentou acertar o velho descendo sua maça, mas o velho correu para o lado e a maça acertou o chão. O velho cortou uma das pernas do trasgo com a espada fazendo-o cair, para o lado. O sangue esguichava da ferida. O professor veio andando até o trasgo caído, agora com a varinha apontada para o trasgo.

O monstro levantou o braço e ainda tentou acerta-lo com a maça. Welker fez um feitiço e a maça foi arremessada para trás, esmagando vários oulins. O professor lançou um raio na direção da cabeça do trasgo, explodindo-a em vários pedaços. Miolos voaram sobre o exército dos oulins e sobre todo o corpo de Welker. O corpo do trasgo caiu inerte, sem uma perna e sem a cabeça.

Os oulins se desesperaram vendo como o velho resistia. Breno assistia tudo observando de cima de um telhado. Contudo havia ainda outro monstro, o Á Bao A Qu. E ele foi libertado pelos oulins. A criatura veio se deslizando pelo campo.

Welker lançou um raio vermelho na direção do monstro, que se contorceu num ângulo estranho e se desviou do feitiço, Welker lançou outro feitiço, agora um mais esfumaçado e negro. O mostro tornou a se desviar. Welker lançou mais um punhado de feitiços, mas não acertou nenhum. E o esforço lhe deixou realmente cansado, ele já estava mancando, pálido e com tonturas.

Welker avançou com a espada, atacou e atacou e a criatura se esquivou de todos os ataques. E lhe atacou também enrolou seus dedos flexíveis em seu braço e o rasgou. Sangue manchou a roupa que Welker usava. E rasgou também suas costas. Welker conseguiu ainda cortar um de seus tentáculos. A criatura guinchou de dor. E furioso enrolou todo o seu corpo envolta do corpo de Welker, e apertou como uma cobra faz com sua presa, e apertou mais ainda. O nariz de Welker e sua boca começaram a sangrar. O silencio era ensurdecedor. Deste modo podia se ouvir os ossos de Welker quebrando, misturados aos silvos do monstro.

A criatura aproximou os dedos longos da garganta de Welker, e rapidamente a cortou, a cabeça saiu voando e caiu nos pés dos oulins. E o sangue de Welker banha a criatura que rugi triunfante.

Breno deixa escapar um gemido.

E os oulins o veem. Breno era agora o procurado.

Notas finais
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