As Aparências Enganam
3 Capítulo IV
Notas iniciais
Os dias se passaram muito rapidamente, faltava somente um único para que eu fosse para o internato, cujo lugar poderia melhorar ou não minha vida — e, na pior das hipóteses, piorar tudo um pouco mais —, não sabia bem ao certo. Teria que acordar cedo no dia seguinte e, apesar de odiar esse fato com todas as minhas forças, eu iria feliz, afinal, o que eu não faria pra me ver bem longe daqui?
Agora arrumava as malas da viagem, colocando todas as minhas coisas necessárias; roupas, sapatos, maquiagem, notebook, celular e mais algumas coisas que precisaria enquanto estivesse por lá. Não sabia bem por quanto tempo ficaria naquele internato, era tudo muito incerto para mim, por isso optei por levar muitas coisas. No fim, tudo coube dentro de cinco malas e mais uma bolsa de mão, todas cheias. Talvez você diga que isso é totalmente um exagero, mas para mim se assemelhava mais a uma precaução...
Duas malas foram gastas somente com roupas, uma havia sido ocupada com as peças que mais gostava, incluindo shorts, meias, calças e blusas de minhas bandas preferidas, já a outra, foram roupas para ocasiões mais especiais, como festas; contendo também calças jeans e blusas um pouco mais comportadas e com cores vivas. O restante de malas foi preenchido com meus diversos sapatos, alguns de salto alto, mas sem esquecer de minha pantufa do bob esponja, além dos diferentes tipos de maquiagens e eletrônicos que eu possuía.
Resolvi que dormiria mais cedo naquele dia, afinal, teria que, praticamente, madrugar na manhã seguinte. Não tardou muito até que eu decaísse sobre a cama espaçosa, depois de tanta arrumação o cansaço me venceu e então, por fim, cedi ao sono avassalador.
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No outro dia, acordei com o som estrondoso do despertador por todo o ambiente, tateei a mão por sobre o criado mudo até encontrar o objeto que provocava tanto alarde e o desliguei. Com muito custo, forcei-me a levantar e ir para o banheiro tomar um bom banho e fazer minha higiene matinal. Logo após, encaminhei-me até a cômoda e busquei ali a roupa que havia separado na noite anterior para vestir naquele dia.
Não achei que nada fosse mais adequado para aquela ocasião que minha amada blusa branca e estampada dos Guns N’ Roses e um simples shorts jeans de tom escuro. Meus pés calçavam o all star de cano médio rosa. Os olhos levemente maquiados e a boca coberta com um gloss também cor-de-rosa, quase da mesma nuance amena de meus cabelos soltos.
Desci as escadas em um salto, prendendo-me apenas ao corrimão, e então me dirigi até a cozinha. Abri vagamente a geladeira e retirei de lá a caixa de leite, deixei-a em cima da bancada enquanto me esforçava para fechar novamente a porta da geladeira com o dedão do pé. Fui até armário, vasculhando em busca do pacote de biscoitos, nesse meio caminho tratei também de pegar um copo, juntamente dos biscoitos e, por fim, fui em direção à bancada, me acomodando num banquinho e encostando-me lá para devorar meu café da manhã.
Depois de alimentada, fui diretamente para a sala. Sentei-me no sofá e liguei a televisão. Foi neste momento que reparei no velho descendo o grande lance de escadas, até direcionar-se à cozinha, pegando quase que instantaneamente uma xícara de café.
— Você já está pronta? — Perguntou-me dando um longo gole no seu café amargo.
— Sim, só falta pegar minhas malas.
— Vou mandar o motorista pegá-las. — Disse o velho gagá, saindo da cozinha e indo para fora de casa.
Continuei assistindo televisão, passava na sessão de desenhos animados Bob Esponja e, francamente, este era um dos meus preferidos. Não me importava nem um pouco que dissessem que Bob esponja era algo muito infantil, o fato é que este desenho aparentemente bobo possuía, aos meus olhos, muitos mais valores que certas pessoas. Pessoas estas que levam a vida apenas para julgar, então não era como se eu me intimidasse antes de mandá-las se foder. Da minha vida cuido eu, este sempre fora meu lema.
O velho gagá adentrou o local novamente, me chamando para irmos.
— Vamos, Sakura, senão vamos perder o voo para Konoha.
— Já estou indo, só tenho que pegar minha mochila lá no quarto. — Disse subindo as escadas. Parei no alto, em frente ao quarto, e revirei os olhos em desagrado — Velho idiota! — Murmurei nervosa, entrando no quarto.
Assim que peguei a mochila e meu celular, voltei a descer as escadas, sem qualquer palavra, fui diretamente para fora de casa, e entrei no carro parado em frente, pois o velho já encontrava-se lá dentro. Então seguimos caminho até o aeroporto de Tokyo. Diante de mim, acomodada, estava uma nova vida.
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Depois de algumas horas de voo, finalmente pousamos em Konoha.
O desembarque foi mais que silencioso e logo fomos para um carro luxuoso que o meu pai deveria ter comprado por ali mesmo, era de uma cor vermelha, mas assemelhava-se muito a uma Lamborghini. Entrei no automóvel sendo logo seguida pelo velhote, então partimos diretamente para o internato. Eu me distraía observando pelo vidro da janela as casas passando rapidamente por nós, enquanto pulsava alto nos fones de ouvido Guns N’ Roses.
Estava tão entretida na música Sweet Child O’ Mine, que nem mesmo percebi que cantarolava ela junto dos fones, também sequer me importei de parar, apenas continuei a cantar baixinho. Eu sabia bem que o velho havia sido, quando mais novo, fã número um da banda quando mais novo. Como prova disso, tinha uma foto em que ele aparecia com os cabelos compridos e uma faixa na cabeça. Com uma camiseta da banda e calça preta, todo no estilo rockeiro, além da tatoo do logotipo da banda gravada no braço — que na, minha opinião, era bem legal, só não sabia o porquê de ele tentar a todo custo escondê-la. Quando me dei conta, vi que ele também cantava junto, só que relativamente mais alto, então eu resolvi me deixar levar pelo momento; tirei o fone e deixei a música fluir com o velho imitando o Axl e eu, o Slash nos solos de guitarra.
O carro virou uma bagunça total, e quando a música parou, ele perguntou:
— Desde quando você gosta deles? — Um sorriso divertido brincava em seus lábios.
— Comecei a gostar depois que achei uma foto de você com as roupas da banda. Deve fazer cerca de uns dois anos... — respondi olhando a estrada — Posso te fazer uma pergunta?
— Faça.
— Por que você esconde aquela tatuagem do logotipo da banda? Eu... bem, a acho legal.
— Porque já estou velho e sou um empresário agora. – Disse como se aquilo respondesse tudo, mas, vendo minha expressão de dúvida, ele continuou — e suponho que nunca tenha visto um único empresário com uma tatuagem. — Concluiu com uma risada.
Ele sempre fora muito alegre, até mesmo nos momentos tristes. Ele saberia como alegrar qualquer pessoa com apenas um sorriso.
— Eu também tenho uma. — Confessei com certo receio — É uma caveira.
— Sua mãe te mata se descobrir que você tem tatuagem. – Alertou em tom divertido.
— Mas ela também tem uma. É claro que ela tenta esconder com maquiagem, mas não adianta, eu já vi...
— Ainda assim ela te mata, se descobrir.
Depois do lindo momento de pai e filha (só que não), foi quando percebi que, graças a Kami, havíamos chegado ao internato.
Continua.
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