As Aparências Enganam
11 Capítulo XII
Notas iniciais
SASUKE
Eu tinha desafiado Sakura a descer as escadas, pois era óbvio que ela tinha medo de altura. Achei que ela não aceitaria meu desafio, mas aquela rosadinha marrenta não desistia da pose de durona. E eu a admirava por nunca dar o braço a torcer.
Ela estava quase conseguindo quando no último instante desequilibrou-se. Eu não sei o que deu em mim, mas meu corpo moveu-se mais rápido do que meu pensamento.
No segundo seguinte, eu estava segurando-a em meus braços. A sensação foi indescritível, como se eu finalmente tivesse encontrado algo que procurava. Como se ela estivesse onde sempre deveria estar.
Que porra eu estava pensando?
—- Quem não tem medo de altura? -- Eu zombei tentando me distrair desses pensamentos confusos.
—- Babaca -- sussurrou como se estivesse despertando-se de um sonho. -- Dá para me soltar ou quer perder suas chances de ter algum herdeiro?
—- Ei, não precisa ficar nervosinha. Se não fosse o herói aqui, você teria beijado o chão. O que seria uma tragédia... -- respondi em tom dramático antes de completar com ironia -- para o chão, claro.
—- Hahaha... preferia mil vezes ter beijado o chão do que ter caído em cima de uma coisa grotesca como você -- Ela disse tentando sair dos meus braços.
—- Grotesca? -- perguntei ofendido. -- Pelo menos eu não tenho cabelo rosa -- resmunguei soltando-a tão de repente que ela caiu de bunda no chão. Bem feito, pensei irritado.
Ela me olhou furiosa.
—- Idiota -- gritou, mas logo deu um longo suspiro e fechou as mãos em punho -- E só para constar, meu cabelo é rosa de nascença. Não tenho culpa por ele ser tão bizarro assim.
Então ela se levantou e foi até um canto da biblioteca. Eu a observei enquanto ela cruzava os braços e encarava a parede emburrada.
Como alguém podia ser tão bonita mesmo estando tão zangada? O cabelo de dela não era bizarro -- era estranho quando se via pela primeira vez, é verdade, -- mas combinava perfeitamente com aqueles deslumbrantes olhos verdes.
Mas que porra eu estou pensando hoje? Sabia que não devia ficar perto desses livros poeirentos. Isso estava mexendo com minha cabeça.
—- Pelo menos sou um idiota lindo -- resmunguei.
—- Deixa de ser convencido Uchiha -- retrucou me olhando zangada por cima do ombro.
—- Não sou convencido. Só constato um fato -- respondi dando de ombros. -- Minha mãe queria colocar meu nome de Sasuke Gostoso Uchiha, mas, você sabe, seria muito redundante.
—- Aff... -- ela revirou os olhos -- Kami, me ajuda porque não sei o que vou fazer -- murmurou.
—- Eu sei o que você não pode fazer, Sakura. -- eu disse com malícia -- Para seu desgosto, não pode me agarrar no momento. Sua boquinha linda não compensa mais uma semana de castigo nesse lugar -- ela me fuzilou com os olhos e eu completei: -- Mas depois que o castigo acabar... meu quarto, seu quarto -- disse piscando um olho.
—- Nem se você fosse o último homem na terra -- disse sorrindo cínica. -- E mesmo assim, eu teria que estar à beira da morte para eu querer fazer isso.
Eu ri. Ela não achava que eu cairia nessa, né? Eu via suas reações quando eu estava perto demais dela.
—- Nunca diga "dessa água não beberei", querida. Um dia você pode estar no meio deserto e apenas comigo ao seu lado para matar sua "sede". E eu poderia querer ouvir você implorando mais por favor.
Ela arregalou os olhos e então começou a gargalhar da minha cara como se eu fosse um palhaço.
— Es-essa é b-boa! E-eu im-implorar alg-alguma c-coisa pa-para vo-você... --disse com a voz falha por conta do ataque de risos.
Senti que eu estava fazendo bico. Quem essa garota pensa que é para rir de mim?, pensei franzindo a testa. Então um sorriso convencido tomou conta do meu rosto.
—- Aposto que em menos de um mês você vai implorar por mim -- disse confiante.
Ela parou o ataque de risos na mesma hora e me olhou com um olhar assustado que em questões de segundo deu lugar a um olhar desafiador e convencido.
—- Apostado. Mas o que eu ganho se eu vencer a aposta? Porque Sakura Haruno nunca faz uma aposta sem ganhar nada em troca!
—- Pode escolher. Sei que vou ganhar mesmo -- disse confiante. -- Por isso, já vou adiantando: você terá que fazer todos os meus trabalhos e deveres de casa durante um mês, se eu ganhar.
Ela sorriu perversamente e, por um momento, eu senti um certo temor. Mas disfarcei com meu sorriso de canto.
—- Se eu ganhar você terá que pintar seu cabelo de rosa durante um mês -- falou calmamente.
Eu arregalei os olhos. O quê?
—- É isso mesmo, Uchiha -- Ela continuou com aquele sorriso perverso. -- Você terá que pintar o seu cabelo de rosa, se eu ganhar.
Engoli em seco. Mas por que eu estava hesitando? Nenhuma garota resistiu a mim e Sakura Haruno não seria a primeira.
—- Apostado. Se em trinta dias você implorar por mim, você terá que fazer todos os meus trabalhos e deveres de casa por trinta dias. Se você você não implorar (o que eu duvido), eu pinto o cabelo de rosa por trinta dias.
—- Apostado -- ela veio até mim e estendeu a mão para selarmos aquele trato.
Eu segurei a mão dela e a puxei até colocar nossos corpos.
—- Será um prazer ouvir você implorar, Sakura Haruno -- sussurrei maliciosamente e a soltei. -- Até a amanhã, querida.
Deixei ela parada no meio da sala feito uma estátua e com uma cara num misto de medo, surpresa e alegria...
Sinceramente eu não entendo essa garota, pensei enquanto caminhava calmamente até a saída da biblioteca.
—- Espere aí, baka. Ainda não são seis horas.
Kuso. Tinha esquecido desse detalhe. Maldita Tsunade.
—- Não sabia que gostava tanto assim da minha companhia -- disse com um meio sorriso.
—- Eu? -- perguntou divertida -- Eu prefiro ficar na companhia de um leão faminto a você.
Eu a olhei incrédulo. Ela estava blefando, só pode! Como ela não gostava da minha companhia? Todas gostavam!
—- Mas -- Ela continuou a falar me distraindo desses pensamentos -- infelizmente se a Tsunade pegar um de nós dois fora da biblioteca antes do horário ela seria capaz de "jogar um feitiço em nós".
—- Nem me fale. Aquela bruxa é bem capaz disso -- resmunguei revirando os olhos e voltando ao trabalho escravo.
Uma hora depois, eu ainda estava mexendo naquela biblioteca imunda e tendo uma atenção redobrada em Sakura, pois não queria acabar como no dia anterior, todo molhado por conta de uma pegadinha daquela diabinha.
Nós dois estávamos esfregando o chão agora.Tínhamos decidido tirar o pó dos livros outro dia. Mas aquele silêncio estava me matando, então resolvi falar alguma coisa para quebrar o clima que havia se instalado ali.
—- Por que você veio para esse internato? Afinal você é a filha de um dos casais mais famosos de todo o mundo.
—- Isso não é da sua conta, Uchiha -- ela disse friamente
O tom de voz indicava que ali havia história, mas resolvi não insistir no momento.
—- Ei, calma. Também não precisa ser tão agressiva assim -- disse levantando as mãos
—- Só... não quero falar sobre isso -- disse apertando o esfregão com força.
—- Tudo bem. -- aceitei olhando diretamente para ela -- Todos temos segredos.
—- Acho que um depravado como você deve ter muitos -- Ela disse em tom de reprovação.
—- Com toda certeza -- respondi sorrindo malicioso. -- Quer ouvir alguns?
—- Não mesmo. Eu provavelmente passaria mal de tanto nojo. Já basta o beijo nojento que tive que presenciar aqui.
— Ahm... sei não... isso parece ciúmes -- disse ainda com o sorriso malicioso.
Ela riu.
—- Ciúmes? Eu? De você? Estou vendo que essa semana aqui será bem divertida. Você tem um ótimo senso de humor.
—- Pode negar o quanto quiser, mas eu não acredito em você -- retruquei.
Sakura me ignorou. Alguns segundos depois, ouvi o toque do meu relógio indicando seis horas.
—- Mesmo que negue, sei que você está curiosa sobre mim -- Eu disse me levantando. -- Então eu vou te contar um segredo: eu nunca desisto do que eu quero.
Sakura se levantou também e eu caminhei até ela, segurei em seu queixo e olhei no fundo dos seus olhos.
—- E eu quero você -- sussurrei acariciando seu queixo com o polegar. As pupilas dela dilataram e ela engoliu em seco -- implorando por mim, é claro -- completei com um sorriso. Então dei um selinho no canto da sua boca e saí de lá deixando-a imóvel no lugar.
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