As Aparências Enganam
1 Capítulo I
Notas iniciais
Estava no meu quarto me arrumando para mais um evento, para o qual meus pais haviam sido convidados. Se eu pudesse mesmo decidir algo nessa casa, certamente não iria, mas o que poderia fazer? Eles me obrigaram. Sim, ‘obrigar’ é a palavra certa, não estou exagerando. Daí o meu esforço para parecer boazinha e simpática era enorme, porque na verdade meu temperamento era totalmente o contrário, mas, minha mãe sempre dizia, sacrifícios devem ser feitos para zelar pela bela imagem que fazem de nossa família.
A verdade é que eu nem sempre fui assim, tudo isso resultou de uma terrível fase da vida que eu fora forçada a passar... eu não era sequer ríspida ou rude, eu era boa de verdade, mas depois de tudo que aconteceu eu me obrigara a crescer, em todos os sentidos.
Ao terminar de me arrumar, desci lentamente as escadas, equilibrando-me sobre o salto-agulha, até a sala de estar. Avistei ainda de cima, dos últimos degraus, meus pais boquiabertos, me olhando de cima a baixo. Não que eu quisesse me gabar, mas era totalmente explícita minha beleza. Excêntricos cabelos cor-de-rosa, pele clara, o vestido do mesmo tom de rosa, tudo contrastava.
Notei ambos vindo em minha direção vagarosamente.
— Sakura você está linda. — Falou Kazashi, meu pai, se levantando da poltrona.
— Nós vamos ou não para esse maldito evento? — Sequer me importei do quão grossa estava sendo, ele definitivamente merecia aquilo.
— Sakura querida — ele prendeu minha mão dentro das suas, lançando a mim um sorriso quase que autodepreciativo — você sabe que nós só queremos o seu bem... queríamos que você fosse para que pudesse esquecer aqu....
— Nem ouse tocar nesse assunto! — Rosnei alto, tomando de volta a minha mão, e então ergui a palma aberta sinalizando para que ele parasse — E, além do mais, eu não me lembro de ter pedido ajuda de vocês para esquecer isso.
— Deixem logo de briga. Nós temos um evento...— Mebuki enfatizou indiferente, prendendo o braço do meu pai ao seu.
Virei-me indo em direção à porta de casa, sendo logo seguida por eles.
Chegando à festa, a porta do carro se abriu, revelando toda uma multidão de paparazzi. Botei o pé para fora do automóvel, já estampando no rosto um sorriso vagamente falso, mas muito convincente; todas as câmeras clicavam aquilo, não que eu esperasse menos que isso, eu era a filha de um dos casais mais populares do mundo, nada mais justo que eu também fosse... Todos queriam ao menos uma única foto.
Após acabar com aquela seção de — terror — fotografias, adentrei junto de meus pais o local do evento, devo confessar que fiz o meu melhor. Cumprimentei todos, conversei com quase todos, bebi o que me ofereciam, fingi não notar olhares pervertidos lançados a mim, fiz tudo sempre com um sorriso no rosto; eles não me conheciam de verdade, portanto, ninguém sabia que tudo aquilo não passava de fachada. Havia aprendido a sorrir daquela forma... bem, sacrifícios devem ser feitos pela reputação de seus “amados” pais.
— Yo, Sakura-san! — Mei, uma renomada estilista, aproximou-se repentinamente de mim — Algo em mente? — perguntou levando aos lábios uma taça de champanhe. Eu não entendi muito bem à que ela se referia, e Mei pareceu perceber minha dúvida, já que refez a pergunta — Tem algum pretendente em mente? — olhou ao redor como se procurasse por algo.
Estremeci instintivamente, sentia o sangue fugir de meu rosto e paralisar todo o meu corpo; tinha quase certeza de que estava pálida.
— Sakura, você está bem? — Anko preocupou-se, pondo a mão aberta em minha testa.
— Sim estou. — Retomei rapidamente um sorriso forçado — E eu ainda não encontrei nenhum pretendente à altura, Mei. — A fitei por alguns segundos enquanto ela me lançava um sorriso sem graça, parcialmente coberto pela taça de vidro em frente à sua boca — Bem, eu já vou indo. — Já bastava de tudo aquilo, já havia suportado demais, era a hora de ir pra casa.
— Até mais, querida! — Mei acenou com a mão livre.
Sai do salão rapidamente, nem ao menos me ocupei de ir até meus pais avisá-los da minha partida, eu só precisava ir embora, as lembranças me voltavam como flash, tão rápidas, tão dolorosas.
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Me divertia em uma balada com meus amigos. Eu bebia e dançava no momento em que vi ele.
— Sakura, olhe para lá — Temari apontou na direção do homem — Gatinho, não? — É mesmo. — concordei, visualizando a silhueta masculina próxima ao bar.
— E, veja, parece que ele está olhando pra cá. — Temari soltou um gritinho histérico diante da constatação.
— Só se for pra você.... — Ri baixinho da cara feia que ela fez.
— Ainda que fosse, eu tenho namorado. Vamos lá, Sakura! Vá se divertir um pouco. — Então me empurrou em direção ao bar.
— O que vocês vão querer? — o barman perguntou, enquanto girava um drink numa das mãos.
— Vodka — Falei quase que instantaneamente.
— Um whisky — disse Temari.
Esperamos juntas as bebidas ficarem prontas. Logo em seguida, Temari foi direto para a pista de dança com Shikamaru, seu namorado, enquanto eu permanecia no bar.
— A moça está sozinha? — Perguntou o homem alto, ruivo e percebi que, de perto, era ainda mais bonito.
— Sim e você? — perguntei tendo quase toda a certeza da resposta.
— Também estou. — com um sorriso maroto, deu um gole na bebida — Você aceita dançar?
— Bem, por que não?
Ele então segurou forte a minha mão e me guiou dentre a multidão até a pista de dança.
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Finalmente havíamos chegado em casa. Desci do carro e me direcionei até meu quarto. Tratei logo de tomar um longo banho, antes de me debruçar sobre a cama. Vasculhei o quarto com os olhos em busca de meu celular e, quando o encontrei, pus os fones de ouvido, para tentar raciocinar enquanto ouvia minhas músicas preferidas.
— Por que você apareceu em minha vida? — Sentir uma lágrima rolar por minha bochecha, e imediatamente a sequei com a costa da mão.
Continua
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