Notas iniciais
Tá enorme eu sei, mas espero que gostem pois escrevi com carinho durando um dia de tédio e noite de insônia =3

Bem, como se pode escrever um começo para que o fim deste conto seja um dos melhores? Na verdade não há bons começos, apenas há boas introduções que deixam os leitores esperando o que vai vir; cria uma expectativa que nos deixa ainda mais excitados para ler compulsivamente palavra por palavra. Garanto que meus começos não são desse gênero visto que não me importo em arrecadar fãs, apenas quero contar esse conto então não me culpem por gostarem (ou no pior dos casos odiarem).

Tudo começou em uma tarde de sábado, o sol brilhava, estava fazendo um calor muito agradável para a estação de inverno. Três crianças se divertiam em um pequeno bosque perto de uma das praças mais movimentadas do bairro litorâneo de Tokushima. Takashi e Takeshi eram irmãos gêmeos brilhantes, alegres e unidos em tudo que faziam, porém, gostavam da mesma garota e isso geralmente causava grandes discursões entre ambos; Sora, o motivo de discórdia entre os irmão, era prima de primeiro grau e morava a 3 quadras de distância deles.

Os três adoravam ir para o bosque que ficava atrás do velho templo budista e próximo a praça mais popular do bairro. Adentrando um pouco mais o bosque podia-se encontrar um pequeno rio de águas límpidas, não tinha uma correnteza muito forte, mas com tanta chuva que havia caído durante aquelas semanas de inverno o rio ficou maior e com uma correnteza forte o suficiente para arrastar troncos caídos. Foi numa dessas brincadeiras de pique-esconde que Takeshi encontrou esse córrego, um pouco perto da margem tinha uma porção de galhos e um tronco aparentemente fixado e achou que seria um bom lugar para se esconder “Eles nunca vão me encontrar atrás desse tronco” foi o que pensou. Poucos minutos depois de se instalar em seu esconderijo seu irmão, Takashi, apareceu tentando achar um bom lugar para se esconder antes que sua prima começasse a procurar, tudo que encontrou foi uma ponte que levava a outra margem do rio.

A madeira da ponte estava com um aspecto apodrecido, supostamente não suportaria o peso de uma criança de 10 anos, porém Takashi era corajoso e teimoso (uma combinação não muito saudável para uma criança), de passinho em passinho foi atravessando a velha ponte. Takeshi observava tudo de seu tronco, se preocupando com seu irmão mais novo, pois sabia que se acontecesse alguma coisa com ele seus pais o puniriam severamente!

Quando acabou de contar até 50, Sora foi procurar por seus primos, não os encontrando nas redondezas do templo, foi procurar um pouco mais afundo no bosque, levou certo tempo até achar o córrego. Gritou por seus primos e nada deles aparecerem, “Estou com medo, por favor apareçam! Takeshi, Takashi! Por Favor!” implorou a pobre menina, visto que suas suplicas não foram atendidas começou a chorar chamando pelos primos. Takeshi, que não queria fazer mais sua querida prima chorar, resolveu aparecer. “Estou aqui, está tudo bem agora, Sora!” falou mansamente para acalmar a criança. Ela estava certa em ter medo, pois já estava ficando tarde e logo o sol se poria e era perigoso crianças andarem sozinhas depois do anoitecer, principalmente se estavam brincando no bosque.

Takashi estava observando o irmão e a prima do outro lado da margem, ele odiava quando o irmão acabava com a diversão só por ver Sora chorar; sempre era assim, sempre que ela se machucava, sempre que ela ficava assustada, sempre que ela não gostava disso ou daquilo, Takeshi era sempre o primeiro a ceder. Já estava na hora dele ter um pouco da atenção da prima. “Sora, olha pra mim!” berrou o garoto mais novo. “Cuidado Takashi, a ponte pode arrebentar!” falou desesperadamente o irmão. “Taka-chan toma cuidado, vem pra cá, vamos pra casa, tô com medo.” falou inocentemente a menina de apenas 7 anos.

Quando Takashi estava no meio da ponte, houve um barulho estranho parecido com trovões vindos em direção às crianças. O leito do rio estava ficando sujo com cascas, galhos e folhas de árvores, “Takashi, vem logo pra cá!” berrou o irmão mais velho, “Você não manda em mim, Takeshi!” vociferou com raiva. Novamente o barulho estranho veio, dessa vez mais alto e mais perto do que antes, o rio começou a ganhar proporções maiores, galhos e mais galhos, troncos e mais troncos foram descendo a foz do rio, balançaram as bases da ponte a fazendo tremer e algumas amarras se soltarem. Um puro desespero tomou conta de Takeshi que previu o que iria acontecer e pela primeira vez na vida amaldiçoou o irmão por ser tão rebelde!

A ponte não resistiria por muito tempo e querendo poupar de uma visão traumática pediu para que Sora fosse o mais rápido possível até o templo e pedisse por ajuda, assim que a menina saiu a ponde veio abaixo. Desesperado para salvar o irmão, correu até a margem tentando segurar o irmão pelo braço, entretanto, estava preso entre a base e os escombros da ponte, a água estava por cobrir parte de sua cabeça dificultando a respiração, quanto mais ele se debatia na água mais sua cabeça afundava. Não iria aguentar até a ajuda chegar, o que demorou bastante, quando os monges do templo chegaram com a menina encontraram um jovem se desmanchando em lágrimas segurando a mão do irmão morto nas águas agora turvas.

Este é o início tenebroso da nossa história, fique a vontade para parar de ler a hora que bem entender; quem sabe o fim pode ser feliz.

Os monges tentaram fazer com que o menino largasse a mão do irmão morto, mas foi completamente inútil visto que o pobrezinho estava em estado de choque. 15 minutos após a chegada dos monges ao local, a equipe de salvamento dos bombeiros chegou junto com a comitiva dos pais das crianças; “Minha culpa, foi minha culpa! Se eu tivesse insistido um pouco mais, se...” foi tudo o que a criança na margem do rio repetia. Mitsuo, o pai dos gêmeos, desmoronou quando viu a cena, caiu de joelhos diante dos filhos e pôs-se a abraçar o corpo gélido e inerte; Ryoko, a mãe, ficou histérica se desmanchando em volumosas lágrimas abraçando e beijando o filho morto. Todos pareciam ter se esquecido do pequeno Takeshi, todos menos sua prima Sora que se agarrou ao seu dedo mindinho tentando lhe confortar naquele momento extremamente difícil.

Semanas se passaram após a cerimônia de cremação, porém, a dor ainda estava vivida entre os que ficaram, principalmente para o Takeshi que virou um total estranho em sua casa. Seus pais passaram a ignorá-lo, vivia praticamente o dia inteiro dentro do quarto que dividia com o falecido irmão, se ia pra a escola acontecia a mesma coisa, as poucas pessoas que ainda lhe dirigiam a palavra eram seus tios Daisuki e Ayumi e sua prima Sora. Durante longos 3 anos foi a mesma coisa até seus pais resolverem se mudar para outra cidade em uma outra província longínqua da pequena ilha de Shikoku.

A data marcada para a mudança foi exatamente no aniversário de 3 anos da trágica morte do pequeno Takashi. Mas antes de ir embora, fez sua última homenagem ao irmão, Takeshi foi até o bosque levando flores e as colocou na base da ponte em que seu irmão morrerá, como fazia todos os anos, seria quase insuportável não cumprir com esse ritual por sei lá quanto tempo for levar até chegar o dia em que retorne à Tokushima novamente.

Yokohama foi à cidade escolhida para o novo começo. Yokohama ficava na grande ilha de Honshu, ficava a poucas horas de Tokyo, um lugar tranquilo, calmo, perto do centro econômico, certamente não haveria outro lugar melhor para um recomeço do que aquele. A nova casa era de certa forma grande, com uma boa visão panorâmica do centro. Uma das coisas que a Família Takamasa se orgulhava era da ostentação ao luxo, sempre com boas roupas, boas maneiras, boas escolas, bons carros, boas casas, tudo com um padrão alto de requinte, me pergunto para quê tanta ostentação se não estavam mais ligando para o que lhes sobrou.

Takeshi foi matriculado na mais importante e renomada escola de arte da cidade, seria caótico para o pequeno já que estavam quase na metade do ano letivo, mas com a influência de seu pai poderia muito bem não precisar fazer as provas semestrais. Contudo, não levou muito tempo para se acostumar à nova vida, agora tinha seu próprio canto, estava em fase de se descobrir, saber o que quer, encontrar seus objetivos e trilhar seu próprio caminho. A partir do último ano no Middle School (fundamental II) passou a ficar no colégio em tempo integral, brigas constantes com os pais e uma nova forma de visão o fizeram fazer tal ato, já que estava sendo de difícil convívio para ambas as partes.

Quando entrou no Hight School (ensino médio) estava completamente diferente do habitual, praticamente um delinquente, o que causou tamanha desonra para o nome dos Takamasa. Misturava vários estilos em um só, desde o gótico ao folk com roupas chamativas e atitudes duvidosas. Era visto quase sempre na companhia dos filhos da máfia, ninguém que ainda queria manter seus status andava com o jovem de cabelos loiros. Trocava de garota do mesmo jeito que trocava de roupa, sempre estava em completa mudança e foi assim até terminar o ensino médio. Mas toda essa rebeldia teve fim de um dia para o outro quando completou 20 anos, por mais que quisesse não conseguiu apagar aquela face doce e delicada de suas memórias infantis; Sora ainda estava presente vividamente em seus insanos pensamentos.

Sora estava solitária desde a partida de seu primo, ainda não acreditará no que aconteceu com Takashi, mas após mais ou menos 5 anos depois da mudança dos tios e primo começou a se envolver com pessoas novas, do tipo ideais para sociedade de alto nível já que seu pai, mesmo sendo o irmão mais novo, tinha que manter o nome dos Takamasa honrável. Seu aniversário de 15 anos seria dali a algumas semanas, já enviará todos os convites especialmente o do seu par, Takeshi, mas esse não lhe dera resposta alguma, era como se tivesse desaparecido; o vestido já fora escolhido, o mais lindo e deslumbrante vestido já feito para uma debutante da alta classe, tudo já estava praticamente pronto. Como seu par não mandará notícia teve que chamar outra pessoa, o que a deixou totalmente desapontada.

Com 16 começou a namorar um rapaz do mesmo nível social que ela, o que deixou seus pais muito orgulhosos, seu nome era Akira, o mais novo herdeiro das empresas Yamamoto, um jovem muito culto que estava prestes a ingressar no curso de direito da TODAI, a mais conceituada universidade de todo Japão. Sora o adorava, mas não conseguia amá-lo como amava o primo, porém, foi ele quem a ajudou quando o primo não compareceu a sua festa, foi ele quem a amparou, foi ele quem a ajudou desde a partida do agora irreconhecível Takeshi. Por mais que tentasse amar Akira, se pegava pensando e sonhando com o distante primo.

Hoje faziam exatamente 10 anos da morte de seu primo Takashi e também faziam 7 anos que não via seu outro primo Takeshi. “Quando vou voltar a vê-lo?” suspirou pesadamente ainda com esperanças que suas preces sejam ouvidas por Kami-sama. Comprou flores e incensos e foi até o rio como fez desde que descobriu o que Takeshi fazia em memória do irmão. Não era uma caminhada muito longa, levava em torno de 20 minutos da floricultura até o templo budista. Estava quase chegando ao local quando viu movimentação.

–Ei, você não tem direto de estar aqui. Saia, por favor!- falou firmemente para o estranho de costas.

–Tenho mais direto de estar aqui do que qualquer outro nessa cidade miserável!- falou o estranho sem nem ao menos se virar para ver com quem estava falando.

–Por favor, saia, volte qualquer outro dia, mas hoje você tem que sair. — tentou persuadir o visitante.

–Não sairei! Hoje é uma data muito importante e você está me atrapalhado. — respondeu secamente se virando para ver quem era que estava lhe aborrecendo tanto, deixando a amostra as flores que trazia consigo. E ao olha a jovem, ficou paralisado, congelado em emoções e receios.

–O que pode ser mais importante para você? Apenas volte daqui a algumas horas que já terei acabado o que tenho que fazer aqui.

–Não posso Sora, eu e você estamos aqui para a mesma finalidade; Takashi.

–Por Kami-sama...- e a jovem Sora deixou a sacola ir ao chão e chorou por seus pedidos terem sido concedidos. — Eu implorei tanto para que pudesse ti ver novamente, chorei por tantas noites sentindo a sua falta, quase ti odiei quando não respondeu ao meu convide de aniversário. Apenas me responda o motivo de ter sumido e nunca mais ter mandado notícias.

–Quando foi isso? Não recebi nenhum convite de aniversário, nem ao menos uma carta. Passei anos achando que você tinha me esquecido, me deixado morrer como o Takashi.

–Nunca deixei o Takashi morrer! Todos os anos eu venho aqui e deposito flores e acendo incensos e oro por ele, todos os anos trago flores por nós dois, desde que você se foi eu me responsabilizei por manter esse ritual então não venha me dizer que eu deixei o Takashi morrer! Nem ao menos vinha pra casa no natal ou ano novo.

–Desculpe Sora, eu mal cheguei e já estou te fazendo chorar. Sou um idiota mesmo, um idiota dos grandes. — andou em direção a garota sentada no chão cheio de folhas secas e a abraçou, beijando o topo de sua cabeça. -Tadaima!

–Okairi! — falou entre lágrimas abraçada a pessoa que mais amava e que finalmente voltou pra casa.

Depois da cerimônia que fizerem para Takashi, os dois jovens foram para uma casa de chá localizada a poucos minutos do templo. Lá, conversaram sobre o mistério do convite e falaram o que aconteceu nesses 7 últimos anos, muita coisa para conversar e muitas coisas para descobrirem.

–Ainda não acredito na sua suposição de que a tia Ryoko tenha escondido as cartas que te mandei e não ter te entregado o convite do meu aniversário, ela não seria tão cruel assim, seria?

–Não sei, mas como estávamos brigados e naqueles tempos eu estava muito rebelde provavelmente ela não quis terminar de manchar o nome da família e achou melhor não deixar que eu te influenciasse.

–Quando você me contou, eu não acreditei. Eu fiquei agora imaginando como teria sido se você tivesse mesmo vindo.

–Com certeza eu apareceria com cabelos desgrenhados, calça rasgada, uma camisa de flanela, coturno estilo militar, com vários piercings no rosto... seria o auge da desonra para a família.

–Vendo bem, ainda tem uns furinhos nas sobrancelhas e embaixo da sua boca e na bochecha. — falou acariciando cada parte citada.

–Só mantive os das orelhas e o do mamilo e esses já me dão trabalho demais.

–Não sei pra quê botar 5 em uma e 4 na outra. Mas agora fique curiosa para ver a do mamilo, você não tem cara de masoquista.

–Nem todo mundo que tem piercing no mamilo é masoquista. É apenas questão de estética, acho divertido ter o tronco definido e também acho que faz uma combinação bem legal. Mas o que eu quero mesmo é fazer uma tatuagem.

–Sério? Em qual parte?

–Um tubarão martelo na lateral da minha barriga e quem sabe um nome em algum lugar.

–Nome? Qual nome?

–Ainda é segredo, tenho que falar com a garota sobre isso. Mas espero que as coisas deem certo.

–Ah... espero que você seja feliz com essa garota.

–Me fala, tá com namorado, noivo ou qualquer outra coisa?

–Mais ou menos. Estou namorando com um cara, mas sou apaixonada pro outro. Estranho não é?

–Nem tanto, é compreensível. Mas por que você tá com esse cara se gosta de outro? Achei que garotas não fizessem esse tipo de coisa.

–Como assim, esse tipo de coisa?

–Ah, você ter um relacionamento sério com uma pessoa, mas não pode se entregar completamente a esse relacionamento.

–Bom, o Akira sabe que eu não o amo, tenho uma gratidão enorme por ele, somos bons amigos. Ele sempre esteve comigo nos momentos em que mais precisei e eu não poderia viver eternamente em função do outro cara esperando pelo dia em que ele viria atrás de mim.

–Então você decidiu dar uma chance para esse cara e apagar a pessoa que gosta...é, realmente, desisto de entender as garotas.

–Não é tão difícil assim, só é questão de entender os sentimentos envolvidos e usar um pouco de matemática. Observe: por exemplo, você gosta de uma garota, mas essa garota sei lá, para de falar com você, muda de cidade e uma das amigas dela te ajuda a superar isso, tenta te deixar feliz de novo, vocês ficam amigos e acaba rolando um namoro. Você ainda pensa na outra garota mas sabe que ela dificilmente irá voltar. Agora me responda, com quem você tem mais probabilidade de ser feliz; a garota que foi embora ou a garota que te ajudou?

–Eu preferiria ficar sozinho, ou pelo menos sem nada sério, assim se a garota voltasse eu estaria livre e se ela não me quisesse eu não magoaria ninguém.

–Sou diferente de você Tashi.

–Há 7 anos que ninguém me chamava assim, Tashi...-Takeshi parecia ter ido longe nas memórias com esse apelido de infância que não notou quando um rapaz aparentemente mais novo se aproximou da mesa onde estava sentado com Sora, chamando a atenção da garota.

–O que está fazendo aqui Sora? E quem é esse que está com você?

–Aki-chan, deixe-me apresentá-lo, este é meu primo Takamasa Takeshi, filho do irmão do meu pai; Takeshi, esse é o Yamamoto Akira, falei dele a poucos instantes atrás.

–Hajimemashite. Obrigado por ter cuidado da minha priminha enquanto estive fora, sei que deve ter sido dias difíceis para ambos, mas agora estou de volta e vou reassumir a função de cuidar dela.

–Creio que não irá precisar, senhor, já que sou o namorado dela, e futuramente irei ser o seu noivo.

–Como assim, Aki-chan? Nunca conversamos sobre noivado.

–Pensei que seus pais já tinham lhe informado. Assim que eu entrar na TODAI vamos noivar e assim que eu concluir o curso iremos casar.

–Por quê só estou sendo informada de tal planejamento agora? Pelo que me consta, este país é livre e não sou obrigada a me casar com você!

–Não é você quem tem que decidir, já foi tudo planejado e o compromisso assumido. Agora vamos para casa, seus pais estão te esperando para o jantar. — falou pegando o punho da garota com certa força, a machucando.

–Você não pode obrigá-la a fazer nada contra a vontade.- pegou Akira pelo braço, impondo sua força fazendo ele soltar o punho de Sora. — Ela vai fazer o que bem entender e quando ela quiser voltar pra casa eu à levo!

–Se me dão licença, cavalheiros. — se libertou dos braços opressores de Akira e dos protetores de Takeshi e se dirigiu até os fundos do estabelecimento indo até os telefones, discando uma sequencia de números rapidamente.

–Pra quem você está ligando? — quis saber Takeshi que a seguiu até os telefones.

–Pra casa, vou avisar aos meus pais que não vou jantar em casa e provavelmente vou chegar um pouco mais tarde que o habitual, sou uma filha responsável apesar de tudo. — falou olhando nos olhos do primo. — Alô, pai? Sou eu, a Sora... eu só tô ligando pra avisar que não vou poder jantar com vocês hoje. Takeshi tá de volta na cidade e nós vamos jantar em algum lugar, conversar e saber o que aconteceu com ele nesses anos. Talvez nós iremos no cinema então, provavelmente, vou chegar um pouco mais tarde que o de sempre. Tá bem, pai?...Obrigada. — e desligou o telefone após a resposta do pai.

–Nós vamos no cinema? — perguntou Takeshi, já fazendo planos.

–Não, mas vamos jantar e depois conversaremos sobre outras coisas, ah, papai quer ver você.

–Não sei se estou preparado para isso. Mas se você quiser, tudo bem.

–Saiba que não irei te forçar a fazer nada. Se não se sente preparado, tudo bem, quando achar que consegue lidar com isso você já sabe o caminho. Vem, vamos sair daqui! Não tô afim de discutir mais uma vez com o Akira.

–Falando nele, péssimo gosto para namorados.

–Calado, ele é só um substituto.

Os dois jovens saíram escondido pela saída dos fundos da casa de chá e se dirigiram para um discreto e pouco movimentado restaurante num dos bairros menos populares. Queriam discrição e tranquilidade, não queriam ser interrompidos novamente, pelo menos Takeshi não queria tal importunação. Pediram uma comida leve já que não estavam realmente com fome e conversaram sobre os últimos anos do Takeshi na escola e principalmente sobre as garotas que passaram por sua cama. Não foi muito confortável falar sobre tal assunto com Sora, já que ele a amava; pior ainda seria para Sora saber que o homem da sua vida já tinha transado com muitas garotas enquanto ela tinha se guardado para ele.

–Você tá hospedado em qual hotel?

–Nenhum pra falar a verdade. Como meus pais não venderam a casa, eu peguei a chave e tô por lá. Mas por quê a pergunta?

–Nada, apenas curiosidade. — e ficou pensativa de uma hora para outra, como se estivesse confabulando um plano ou algo do tipo. — Podemos ir para lá? Já estou de saco cheio de ficar nesse restaurante.

–Tá legal...eu acho. — fez um gesto para o garçom dizendo que queria a conta, em poucos minutos já estavam do lado de fora pegando um táxi indo para a antiga casa onde nenhum dos dois voltou a pisar até aquele momento, com exceção do Takeshi.

A casa estava escura e com cheiro de mofo, parecia que não se abria uma janela a anos, bem... de certa forma era verdade, já que mesmo estando lá Takeshi nunca tinha aberto as janelas e deixado ventilar. O cheio incomodou um pouco Sora pois tinha uma leve alergia à mofo e poeira, mas para tudo dava-se um jeito e acabou encontrando um aromatizante de ambiente em um armário na cozinha, era milagre estar ali por tanto tempo.

–Como você aguenta ficar dentro dessa casa com esse cheiro, isso não te incomoda?

–Não, pois não fico dentro da casa durante muito tempo. Só venho pra cá para dormir, durante o dia eu fico na rua andando e tentando encontrar algumas respostas.

–Respostas? Quais são as perguntas? — ficou ainda mais curiosa sobre seu primo misterioso.

–As vezes eu vejo o Takashi, sei que é loucura, mas é tão nítido, tão real! Ele aparece tanto nos meus sonhos quanto quando estou acordado, em plena consciência, ele sempre aparece do mesmo jeito, todo molhado, chorando, com medo. É assustador, ele fica me chamando, chorando meu nome... tenho certo medo disso, por isso que tenho procurado respostas, mas não vamos falar disso por enquanto, pelo menos não a noite, isso pode atrair espíritos ruins.

–Você ainda acredita nisso? Pensei que você não ligasse muito para as lendas e mitos.

–Apesar de ser como sou, ainda acredito na nossa cultura e superstição. Mas não foi pra isso que você quis vir até aqui, não foi? — falou a observando vacilar em pensamento e expressão.

–Você não deixa de reparar em nada, não é mesmo? — falou suspirando encarando o chão. — Decidi abrir o jogo de uma vez, não planejava fazer isso tão cedo, mas devido ao Akira e a certas circunstâncias incomodas acho que é a melhor hora pra isso, pelo menos na minha concepção. Você com certeza já se deu conta de que você é o garoto de quem eu falava hoje mais cedo. Qualquer idiota perceberia, sem querer ofender, e de certa forma eu sinto como se você também gostasse de mim da mesma maneira que eu gosto de você, você sempre gostou não é mesmo? — baixou ainda mais a cabeça quase se enterrando no chão de madeira.

–É.... você está certa, desde sempre eu gostei de você só não sabia como dizer e a distância fez eu te amar ainda mais. Mesmo estando com tantas outras garotas, era você em quem eu pensava, era você quem eu queria estar beijando, era você quem eu queria estar tocando; sempre foi você. Falar isso agora tá me deixando totalmente constrangido.

–Se você está constrangido, tente imaginar como eu estou. — falou em direção ao chão, sem encarar o primo uma única vez.

–Em pensar que poderia ter sido tudo diferente desde o começo... queria te pedir uma coisa. — pegou o rosto da prima erguendo-o até a altura de seus olhos. — Me deixa te beijar?

–Baka! Você estragou o clima. Não se pede um beijo, você se aproxima, se eu quiser te beijar eu também me aproximo... não acredito que...- e foi silenciada pela boca macia com lábios perfeitamente esculpidos.

Era o primeiro beijo do casal de apaixonados, quem poderia imaginar uma cena totalmente deslocada como essa?

Já era de manhã quando Takeshi foi acordado pelo som da campainha, “deve ser Sora trazendo os ingredientes para fazer o café da manhã”, pelo menos era o que pensava. Ao abrir a porta viu seu tio Daisuki parado junto à sua esposa Ayumi.

–Tio... o que o senhor faz aqui?

–Oras, vim te dar as boas vindas. A Ayumi queria vir também para lhe ajudar com a arrumação da casa. Sora também queria vir mais tinha treino logo pela manhã. Podemos entrar?

–Claro, podem entrar; desculpe.

–Bem que a Sora disse que a casa estava muito abafada. Deviamos ter tomado mais cuidados com ela.

–Tudo bem tia Ayumi, isso não é o dever de vocês, devíamos ter contratado algum caseiro para tomar conta. Saímos tão rápido que nem ao menos tomamos esses preparativos, mas agora não tem problema, estou de volta e pretendo morar novamente nessa casa.

–Tudo bem pra você? Quero dizer, com todo o passado nessa casa, com a morte trágica do seu irmão... deve ser doloroso morar novamente na casa onde vocês cresceram, com todas as lembranças.

–Creio que já superei tudo isso. Quero começar uma nova vida nessa casa, partir do zero e construir novas perspectivas.

–Que bom que você conseguiu superar isso, queria que seus pais também conseguissem seguir em frente.

–Não é culpa deles, o Takashi sempre foi o mais frágil de nós dois, então é aceitável esse longo período de luto.

–Não conceda desculpas para o que eles fizeram, Takeshi! Não se deve abandonar um filho após aquela tragédia. Todos viraram as costas para você, sei que foi muito difícil para você e desde sempre disse a você que se você quisesse poderia vir morar conosco, mas você nunca deu sinal de vida após a mudança.

–Não tive como, fui mandado para um colégio interno assim que chegamos na cidade. E toda vez que podia ir para casa sempre ocorria brigas então achei melhor deixar do jeito que estava e permanecer o mais distante dos meus pais. Acho que quando eles olham para mim veem o Takashi, e isso deve consumi-los todos os dias.

–Você sempre foi assim, tão compreensível. Desde criança que você agia desse mesmo jeito, acho isso uma das suas qualidades mais honráveis, porém, também é o mais perigoso dos defeitos.

–Querido, não vamos importuná-lo com isso. Venha Takeshi, você não deve ter comido nada ainda, eu te trouxe um pouco de curry.

–Obrigado tia. Sem querer abusar, a senhora poderia fazer as comprar da casa para mim? Não tenho muita experiência com essas coisas domesticas e se eu for ao supermercado com certeza não vou fazer boas compras.

–Claro meu querido, não vai ser incomodo algum. Eu vou no supermercado e vocês ficam aqui arrumando a casa. Ah, quase ia me esquecendo, você sabe cozinhar, Takeshi?

–Não muito bem, mas eu sei fazer ramem.

–Nem curry você sabe fazer?

–Infelizmente não, sinto muito.

–Tudo bem, vou pedir para a Sora te ensinar algumas coisas fáceis. Pelo menos de fome você não vai morrer enquanto estiver aqui.

–Obrigado tia, a senhora é como uma mãe para mim. — e ouvindo isso, Ayumi foi em direção a saída, deixando Takeshi desfrutar do curry e Daisuki o ajudando a arrumar a velha casa.

Foi uma longa tarde para deixar tudo organizado e sem cheiro de mofo, havia alguns poucos reparos que necessitavam de um profissional. O encanamento estava velho e danificado em certos pontos, a fiação elétrica estava um pouco gasta, mas nada com o que se preocupar, havia algumas lâmpadas queimadas e algumas goteiras, sorte que tudo foi concertado em apenas uma tarde. Ao cair da noite Sora estava na cozinha preparando o jantar de ambos.

–O cheiro está maravilhoso Sora!

–Espero que o gosto do tofu frito também esteja bom.

–Com certeza estará.

–Pode colocar a mesa para mim Tashi?

–Se eu conseguir encontrar tudo. — soltou uma gostosa gargalhada ao se deparar com a situação de não lembrar mais onde as coisas ficavam.

–Seu cabelo está crescendo, vai descolorir novamente?

–Acho que não, por quê?

–Nada, só achei que você iria manter ele descolorido.

–E por quê achou isso?

–Por nada, só achei.

–Na verdade eu estava pensando em fazer uma coisa, mas não sei se você iria aprovar.

–Bem, o cabelo é seu, não sou eu quem deve aprovar. Se você gostar do que vai fazer nele por mim tanto faz.

–Aconteceu alguma coisa? Você tá meio estranha comigo.

–Nada com que deva se preocupar. Apenas estou pensando, mas o que você estava pensando em fazer?- tentou demostrar curiosidade apesar de estar totalmente confusa e transtornada.

–Ah, eu queria manter ele loiro só que com uma longa faixa morena na nuca.

–Tipo a Oono Hikaro, personagem do Takemura Sessyo em Take On Me?

–Mais ou menos... mas, de onde você tirou esse exemplo? — falou não entendendo o motivo de ter citado um mangá desse calibre.

–É o meu mangá favorito. — falou com uma naturalidade incrível

–Uau, não esperava isso. — pareceu chocado com a revelação.

–Cuidado, pois posso surpreender ainda mais as suas simples expectativas.

–Não duvido nem um pouco disso!

–Então não se mostre tão perplexo com um simples comentário. Já terminou de colocar a mesa?

–Já.

Jantaram uma maravilhosa comida onde o prato principal era o curry tendo soba e oniguiris como acompanhamento e de sobremesa o tofu frito. “Sora tem muito talento para a cozinha e os afazeres domésticos, com certeza será uma excelente esposa!” pensou em seu mais profundo intimo sentindo inveja do homem que iria casar com ela. Takeshi não queria mais perder tempo com futilidades e disputas tolas, ele tinha que agir rápido.

Quando Sora foi para casa, ficou planejando como iria fazer para que seus tios aceitassem que ele desposasse da única filha e de como sua má reputação iria afetar os diálogos. Pensou em tudo que poderia ser usado contra ele, o que não eram poucas coisas, e tudo que estava a seu favor. Pois em um caderno tudo que poderia fazer para persuadir e até mesmo cobrar favores com seus antigos colegas da máfia, esse era o estilo do calculista Takeshi. Esse modo calculista surgiu em contraste com a dor de perder o irmão e da rejeição dos pais, o que mais uma criança poderia fazer para que sua dor fosse amenizada? Essa foi a solução alcançada pelo garoto nos tempos sombrios.

Os dias foram passando até se tornarem meses, a proposta de casamento que Akira tinha feito anteriormente fora cancelado pelo mesmo, o passado obscuro de Takeshi foi previamente maquiado, deixando apenas as coisas que achava serem convenientes para ele. Tudo estava indo de acordo com o planejado, com a desistência forçada de Akira os caminhos se abriram para que começasse a cortejar a jovem garota por quem era apaixonado. “Nada melhor do que ter influencias na máfia japonesa. Tudo é possível usando as armas certas.” se vangloriava por ter conquistado a batalha já ganha, mas a guerra ainda era longa. Deixou se passar alguns poucos dias da “estranha” desistência de seu oponente para que tomasse a iniciativa de cortejar a pequena Sora.

Estavam em um cinema, assistiam a um filme nas últimas semanas de exibição, a sala estava com 1/3 de sua lotação máxima. Afinal, quem iria pegar a primeira sessão da tarde?. Como sempre era a oportunidade perfeita para agir, parecia que o destino conspirava coagindo com as más intenções de Takeshi. Quando as luzes se apagaram e um enorme clarão iluminou a grande sala trazendo novamente a escuridão em seguida, usou a velha tática de se espreguiçar e pôs o braço em torno de Sora, acariciando seu ombro.

–Pensei que iria ser mais ousado. Nem acredito que você ainda usa essa tática; isso é tão arcaico! — falou a garota discretamente.

–Desculpe se não sou tão ousado como querias, pelo menos com você não consigo ser tanto assim. — retrucou parecendo envergonhado.

–Deixe-me ditar as regras. Não sou tão ingênua como pensas, sei muito bem os meus limites e sei muito bem impô-los, não se preocupe em pensar se está ou não sendo ousado; sou eu quem vai definir isso! — falou confiante e alto o suficiente para que apenas eles dois escutassem.

Takeshi ficou completamente aturdido com tais palavras vindas da boca mais doce do mundo, bem, era isso que ele pensava até então. A gatinha Sora estava começando a por suas garras para fora e isso fez com que ele a cobiçasse ainda mais, deixando o jogo de sedução ainda mais prazeroso para ambos.

–Essa atitude me deixou ainda mais perplexo. Ora você é doce, ora é decidida... é como se fossem pessoas diferentes.

–Digo o mesmo de você, Tashi. Acha mesmo que eu acreditei na “desistência” do Akira? Você realmente acha que conseguiu esconder todos os podres do seu passado? Lamento lhe informar mas você não é o único a andar com a máfia?- isso o pegou de surpresa, não esperava que houvesse essa reviravolta tão no início de seus planos.

–Máfia? Eu não sei do que você está falando, Sora. — tentou aparentar a inocência de uma criança, mas por dentro estava tentando encontrar uma saída para seus planos ligeiramente estragados.

–Não se faça de inocente Tashi, eu sei muito mais do que você pretende ou pretendeu me contar um dia. — falou isso colocando uma de suas mãos acima do joelho de Takashi e subiu lenta e voluptuosamente até chegar a virilha.

–O que você está fazendo Sora?- levou um susto fazendo-o saltar da poltrona.

–Eu... nada demais, só estou me divertindo um pouco a suas custas.- aproximou seus rostos, com a boca ainda em seu ouvido sussurrou: Vamos lá Tashi, dance conforme a musica. E beijou o perplexo Takeshi de modo tão desejoso e luxuriante que não resistiu as tentações que sua prima o impunha.

Saíram do cinema com demasiada pressa de continuar de onde pararam. Takeshi estava tão cego de desejo que não estava mais em suas faculdades mentais, o desejo que sua prima despertou era tanto que não ligava mais para nada. Sora, que estava no banco ao lado de Takeshi, continuava a lhe provocar com carícias em sua coxa indo de encontro a virilha e desta vez seguindo mais afundo até chegar ao seu verdadeiro alvo que agora estava desperto.

Quanto mais Sora o cariciava naquela região mais seu corpo reagia, queria possuí-la ali mesmo. “O jogo realmente começou a ficar mais interessante” pensou ele deixando um longo gemido de prazer escapar de sua boca, fazendo Sora o acariciar mais forte e devagar. Ele estava prestes a enlouquecer de tanto prazer quando chegaram finalmente a antiga casa na qual morava. Estacionou o carro na garagem privativa, o quer era muito conveniente para aquele momento. Mal desceram do veiculo e Sora começou a provocá-lo ainda mais e não aguentando mais, a pegou em seus braços e passou voando para dentro da casa mal dando tempo de fexar a porta ou qualquer outra coisa.

–Lembra quando eu deixei umas coisas minhas aqui na sua casa? Onde as colocou?- falou afastando o homem a sua frente o máximo que sua força física permitia.

–Estão no closet, porquê?- questionou não entendendo a mudança de assunto.

–Por nada, é apenas uma surpresinha minha para você. Então seja um bom menino deitando na cama... e relaxe enquanto preparo as coisas.- mal tinha acabado de falar e já estava praticamente se trancando dentro do closet.

Não demorou muito para sair de dentro do closet vestindo um hobbie de seda preto, criando um magnifico contraste com sua pele alva. Ao fundo podia-se ouvir uma melodia rápida muito semelhante a de um rock, porém estava em um volume baixo deixando o clima mais descontraído. Nas mãos trazia consigo uma pequena maleta, dessas semelhantes a bagagem de mão, colocando-a ao lado de Takeshi, que estava deitado no meio da cama, retirando dela um par de algemas felpudas negras.

Takeshi nunca em sua mera existência sonharia que sua delicada prima seria uma dessas fetichistas, mas devia admitir, estava cada vez mais excitado com a situação em si. A ideia de ficar algemado sem poder fazer nada em relação a Sora o deixava com um sentimento de prepotência, já que estava tão acostumado a ser o dominante da relação.

–Deve ser frustrante para você, quero dizer, ser o dominado ao invés de dominar. Já estava na hora de alguém te domesticar meu caro Tashi, sorte sua eu ser a sua Dommer! Prometo fazer você gostar do inicio ao fim. — e sorriu maliciosamente.

–O que você realmente está planejando? Por mais que eu tente compreender, tudo fica ainda mais confuso. Na frente da família ou em lugares particularmente bem frequentados você é um anjo de educação e sofisticação, mas quando estamos a sós ou em lugares do subúrbio você é mais... — não conseguiu encontrar uma palavra que se defina com o perfil secundário de Sora.

–Descontraída, animada, solta, livre? Qual deles se encaixa melhor comigo? Sinceramente não somos tão diferentes assim, a única diferença que ao invés de perder tempo com a ralé da Yakuza, como você, eu estou no topo. Por acaso já ouviu falar da Viúva Negra?

–A garota que o Oyabun tomou como filha? Ela é um mito, ninguém nunca chegou ao menos vê-la, mesmo que de longe. Dizem que a pele dela é branca feito a neve, olhos claros, mas que se você olhar profundamente pode ver um brilho escarlate neles, cabelos longos, escuros e brilhantes como a noite estrelada. E pelo fato de ninguém, nem mesmo os de alto escalão, terem visto essa mulher a torna um mito.

–Mas para existir um mito tem que existir uma história real, é assim que os mitos e as lendas tomam vida. E queira ou não acreditar, eu sou a Viúva Negra e você meu caro Tashi deveria ter investigado melhor o meu passado. Com quem você acha que eu aprendi a me portar sofisticadamente? Nem tudo nesse mundo gira em torno do umbigo da família Takamasa! Certas coisas se aprendem com métodos nada ortodoxos. E como eu já lhe disse antes, dance conforme a música e aprecie ser domesticado! — moveu-se indo em direção ao corpo algemado, montando em cima do abdômen bem definido a sua frente.

Brincou com seu cabelo, o puxando com demasiada força em momentos de malcriação. Após ter se cansado de brincar com os sedosos cabelos descoloridos, Sora começou a brincar com o piercing no mamilo de Takeshi, mordendo e puxando fazendo-o gemer dolorosamente. Era tão excitante para ela ver lágrimas se formarem nos cantos dos olhos dele que queria que aquilo durasse por mais tempo; se pudesse passaria o dia inteiro daquele jeito. Para Takeshi aquilo estava sendo torturante demais, mal podia aguentar a dor que as mordidas de sua prima o causavam.

–Se você se comportar e fizer o que eu mando, como um bom cachorrinho, prometo não te machucar... muito. — sorriu maliciosamente. Ela amava a posição de domesticadora, era muito fascinante ter o prazer e a dor de uma pessoa colocada em suas mãos. -De acordo?

–Sim. — falou sem nem ao menos pensar sobre. Qualquer coisa seria melhor do que aquilo, qualquer coisa seria melhor do que sangrar a cada mordida ou puxão.

–Bom garoto, agora eu vou te soltar e botar uma coleira em você. Nem pense em correr ou me impedir de fazer o que eu bem quiser com esse corpo, pois vai ser pior para você!

–Sim. — falou conformado com a situação em que estava sendo submetido.

E o jogo de S/M havia começado.

O feitiço se virou contra o feiticeiro e do mesmo jeito que Takeshi sucumbiu a dominação de Sora, o que era para ter sido um plano extremamente calculado relevou-se cheio de falhas imperdoáveis. Tudo aquilo que Takeshi havia planejado se tornou um passado tão distante que nem ao menos se lembrara de ter colocado em prática; agora apenas a sublime vontade de ser domesticado o satisfazia. Deixou de ter ambições, desejos, vontades, tudo aquilo que o tinha alimentado por anos simplesmente se extinguiu naquela inesperada tarde onde foi dominado e domesticado por Sora.

Notas finais
E foi isso pessoal, espero que tenham gostado. Críticas construtivas serão super bem vindas e até uma próxima fic xD
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!