As Aflições De Pedro
2 O sangue no chão
Chovia demais, Pedro se lembrou de que tinha compromisso. Sua irmã Victoria ia jogar contra os “Aroncos”, time de futsal de outro colégio que competia contra os “Mabengos”, time no qual sua irmã jogava. Sua família era uma torcida fiel quando o assunto estava ligado aos esportes, o pai, que se chamava Francisco, era fã de futsal e dava total apoio a sua filha. Pedro ficava inquieto durante os jogos, queria tanto que sua irmã ganhasse. Cada passe, cada chute, era um suspiro para Pedro. Ele precisava ir para o banheiro, tinha visto que o risoto não tinha feito bem para ele. Depois de ter ido ao banheiro foi para a lanchonete, viu sua amiga que há tempos não via. Sorriu e cumprimentou.
-Lisa! Quanto tempo, por onde tem andado?
-Kibe!!- Pedro percebeu que ela estava toda sorridente — Estou na faculdade agora, consegui passar em biomedicina na federal de São Paulo, a UFSP. E você? Vejo que o tempo ajudou-o...
-Eu? A, eu? – Estava um pouco confuso, sua surpresa de ver sua amiga era enorme, mas continuou a falar – Bem Lisa, se lembra da loja do pai, de carros? Estou com ele lá, pretendo no próximo ano fazer faculdade, mas por agora quero investir em dinheiro, preciso comprar um carro. Sabe né, carro é igual a mulheres.
Ficou um silêncio, os dois só trocavam olhares, mas não era aquele silêncio de não ter o que falar. Não, era como se os dois estivessem conectados mentalmente e sorrindo um para o outro. Mas então Pedro continuou:
-Fazia tempos que eu não ouvia esse apelido. Kibe? – Os dois continuaram a rir – Só você e Felipe me chamavam assim. Temos que marcar...
De repente, Pedro ouviu um estrondo, uma multidão veio correndo para fora do ginásio poliesportivo. Enquanto todos fugiam para fora da confusão, Pedro entrava para procurar a sua família que não encontrava. Via diversas pessoas sangrando, parecia que havia acontecido um tiroteio dentro do famoso ginásio “Stollenwerk”. Pedro não sabia o que fazer, percebeu que no mínimo dez pessoas teriam levado tiros de armas de fogo. Continuou procurando e então viu que seu pai, Francisco, estava em um grupo que ficava envolto de uma pessoa. Ao poucos foi chegando mais perto, com medo, ia cada vez mais devagar. Meu deus! Era Victoria... Ao ver a cena, Pedro voltou ao passado automaticamente. Poderia ser bom, ou ruim...
...Não, durante aquela tarde de final de ano, Pedro não voltou para ir ao mar como houvera prometido. A única coisa que pensará era em como resolver o problema ocorrido, não entendia como seu irmão mais velho houvera descoberto o fato ocorrido com Felipe. Perguntava-se se Oscar pensava que ele tinha matado Felipe, ou então contratando alguém para fazer o serviço, mas não. Pedro não podia comentar isso com ele, tinha muita coisa envolvida. Pensava então em dar um fim no seu irmão mais velho...
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