Notas iniciais
OI COISAS LINDA DA MINHA VIDA! Estamos aqui com o capítulo 6 já e espero que gostem!!

Você passou quase dois meses sem me dar notícia, lembra? A única coisa que eu sabia era que você tinha voltado a ser quem era antes de me conhecer: o garanhão da cidade, visto toda noite com uma garota diferente.

Sabe qual era a pior coisa nessa situação toda? Eu me importava com isso. É difícil para mim admitir, mas, porra, eu me importava demais com o fato de você correr para os braços de qualquer uma e me deixar sozinha. Todos os dias chegava em meus ouvidos um nome diferente de uma garota nova que foi vista com você e cada vez mais eu desejava que você nunca tivesse entrado na minha vida, que nunca tivesse cruzado meu caminho. Sabe o que mais? Eu morri de raiva de você, Alec, e também morri de raiva de mim mesma. De você, por me fazer de boba, de brincar comigo como brincou. E de mim por ter acreditado, por ter deixado você entrar e fazer essa bagunça enorme na minha vida.

Chegou um dia que eu, finalmente, não ligava mais — ou pelo menos conseguia fingir que não. Depois desses dois meses sem nem sequer um sinal de fumaça seu eu aprendi a viver com a sua ausência. É muito engraçado que, antes de uma pessoa ter uma certa intimidade conosco, não ligamos para a presença dela ou não. Mas basta ultrapassar essa barreira de intimidade que, mesmo em pouco tempo, a pessoa acaba se tornando essencial no nosso dia a dia, isso sem que nós sequer percebamos.

Nesse tempo sem você eu cheguei a conhecer outros caras por aí, cada um com uma história diferente para contar, com uma personalidade diferente, mas eu não consegui sentir nada por nenhum deles. Pois é, Alec, eu que antes não tinha um tipo, agora tinha. Em todos os outros caras eu procurava um pouquinho que fosse de você, para tentar suprir o peso da sua ausência em minha vida. Só que chegou um ponto que eu percebi que, não importava se um tivesse o mesmo gosto musical que você, ou que outro tivesse seus olhos, pois o pacote inteiro importava, e nenhum deles chegou aos pés do que você já me fez sentir apenas com um olhar, do que significou para mim.

Que inferno que estava minha vida, Alec, por que você teve que bagunçar tudo desse jeito? Você foi como um furacão que tirou tudo do lugar, fazendo com que eu ficasse mais perdida do que nunca. Aliás, sabe por que não demos certo? Porque, mesmo sem admitir, eu me entreguei para você por completo, dei minha alma e meu coração, mergulhei de cabeça. E você, enquanto isso, amava muito a si mesmo para ter espaço para amar qualquer outra pessoa.

Acho que você sabe o que vem a seguir, você sabe o que irei descrever agora. Eu te pergunto uma coisa: por quê? Por que você teve que reaparecer depois de tanto tempo, quando eu estava, finalmente, direcionando minha vida para o caminho certo novamente?

Em uma tarde fria de outono a campainha da minha casa tocou. Eu estava sozinha no lugar e, contra minha maior vontade, que era de ignorar e ficar na cama, fui ver quem era. Olhei pelo olho mágico da porta, obviamente não abrindo sem nem fazer ideia de quem fosse, e vi você, ali, parado. Eu não ia abrir, não mesmo, até que ouvi sua voz.

— Naomi, eu sei que você está aí. Por favor, eu preciso falar com você — só com essas palavras um nó já tinha sido criado em minha garganta e eu engoli em seco a vontade de chorar. Mas que inferno, Alec, até com poucas palavras você conseguia balançar minha vida de novo.

Abri a porta cuidadosamente, deixando apenas uma fresta aberta, não dando espaço para você pisar dentro da minha sala, e te encarei de fato pela primeira vez em dois meses. Meu coração quebrou ao ver suas olheiras, seus olhos opacos, que antes eram cheios de vida, sua aparência cansada. Queria te tomar em meus braços e dizer que tudo ficaria bem, seja lá o que fosse que tivesse te abalado tanto, mas eu não podia, é claro. Eu não podia te receber de braços abertos na minha vida novamente depois da bagunça que você criou, você tem que entender isso.

— Eu te dou cinco minutos — falei com a voz fraca, não conseguindo alcançar a força que precisava para parecer mais segura.

— Eu sei que eu fui um filho da puta com você, só Deus sabe o quanto isso tem passado pela minha cabeça nos últimos meses. Naquele dia daquela festa infernal eu… surtei. Tudo entrou em estado de choque dentro de mim porque o Eric me fez perceber o que eu não tinha conseguido sozinho em todo tempo que ficamos juntos, me fez perceber que eu queria que você fosse minha namorada, que eu tinha sim sentimentos por você. E, bem, isso nunca aconteceu antes. Nunca na minha vida eu cogitei me apaixonar, sempre achei que esse negócio de sentimentos não era pra mim, mas você mudou isso de vez quando nossos caminhos se cruzaram.

“Eu fiquei com medo de tudo que estava sentindo, tudo que veio com força total dentro de mim e, como um covarde, eu fugi. Sabia que eu não poderia controlar aqueles sentimentos e eu nunca fui muito bom em lidar com coisas que eu não pudesse controlar, talvez seja por isso que eu nunca fui muito bom em lidar completamente com pessoas. Fiquei esse tempo todo pulando de garota em garota, tentando voltar à minha vida antiga, voltar a ser quem eu era antes de te conhecer, mas, como podemos ver, não deu muito certo. Acabei percebendo, talvez tarde demais novamente, que em todas elas eu procurava você. Sei que isso é ridículo, você é diferente de todas, isso eu sempre soube, o que acaba tornando meu ato ainda mais estúpido já que sempre fora óbvio para mim o quão única você é. Eu vim aqui tentar acabar com essa merda de dor que eu sinto no meu peito todos os dias e te pedir desculpas por tudo que causei, por ter fugido dessa maneira do que sentia.”

No fim do seu discurso eu já não conseguia mais conter as lágrimas que desde o começo queriam escorrer — que engraçado, não? Eu que quase nunca chorava acabei virando uma manteiga derretida por sua causa. Pude ver a esperança no fundo dos seus olhos e também lágrimas que ameaçavam a cair.

— Você não sabe o quanto me dói ter que dizer isso, então eu já peço desculpas por isso, mas você não é mais uma criança para fugir dos problemas quando tem medo de enfrenta-los — respondi, sem conseguir olhar uma última vez nos seus olhos, fechando a porta entre nós dois. Encostei minhas costas na parede da sala e me deixei escorregar, caindo no chão e abraçando minhas pernas, chorando silenciosamente.

Apresento agora a sexta coisa que odeio em você: a maneira que desapareceu da minha vida novamente, depois de ter quebrado os poucos pedaços inteiros que restavam dentro de mim.