Notas iniciais
Olá. Como estão? Hoje finalmente trago o capítulo final desse curta. E devo dizer, me sinto leve. Espero que gostem e que entendam a mensagem :3.

Helena acordou leve, a primeira vez depois de tantas noites mal dormidas. Não havia sonhado com nada, tivera apenas um pesado e gostoso sono. O clima estava fresco e agradável, apesar do céu apresentar algumas nuvens, não parecia uma promessa de chuva. Bebeu a água da garrafa que sempre deixava na cabeceira, um dos hábitos saudáveis que havia adquirido. Sentou-se na beirada da cama e se espreguiçou, alongando os músculos adormecidos.

— Bom dia, meu amor – parado na porta do quarto, com uma caneca de café, Rafael sorria.

O marido de Helena era uma das razões mais importantes para ela acordar disposta todos os dias. A jovem se pôs de pé e selou seus lábios, num beijo longo e apaixonado.

Sentaram-se no sofá da sala para tomar café enquanto assistiam ao novo episódio de uma série. Quando Helena se levantou para pegar uma fruta, seu pai, José, apareceu de repente na janela.

— Bom dia. Rafa, o que tu vais fazer com aqueles blocos?

Helena odiava o modo como seu pai ignorava sua opinião sobre as coisas, sempre perguntando para o homem da casa.

— Bom dia para o senhor também, pai. — Helena ficou ereta na porta de entrada da casa. — Vamos fazer a garagem, pode deixar ali onde está.

— Ata. Mas eu achava melhor... — o homem começou.

— Agradeço a sugestão, mas vou fazer do meu jeito e pronto.

— Sua grossa! Só quis dar minha opinião.

— Se ser grossa significa não cometer a burrice de seguir a sua opinião, então obrigada — Helena deu as costas e voltou a sentar-se no sofá.

A face de José contorceu-se em uma carranca de ódio e frustração, mas teve de engolir o orgulho e ir embora. Desta vez sem conseguir ditar suas preferencias sobre algo que não lhe dizia respeito. Um ditador fragilizado.

Depois de aproveitarem a companhia um do outro, o casal foi cumprir suas obrigações diárias. Perto do meio-dia, a mãe de Helena, Irene, apareceu para mais uma de suas expedições de lamurias.

— Estou com tanta dor no pé, não sei mais o que fazer – queixava-se.

— Já tentou emagrecer? — Helena perguntou, sem rodeios e floreios.

A mulher a encarou incrédula.

— Não é tão fácil assim!

— Muito pelo contrário, é bem simples e além de tudo barato. — Helena dizia, enquanto preparava o almoço. — É só começar a fazer uma caminhada, se alimentar direito e parar de cuidar da vida dos outros.

— Nossa! Como você está azeda hoje.

— Pelo menos estou só hoje, ao contrário de você, que se faz de coitada todos os dias.

Irene travou os dentes, os olhos vermelhos marejados por lágrimas, foi para casa reclamar da filha para o marido. Uma sofrida sem holofotes.

Helena caprichou na refeição de domingo, adorava cozinhar. Mais tarde, decidiu ligar para o irmão, convidando-o para tomar café da tarde.

— Não vai dar mana, já tenho compromisso – respondeu Felipe.

— Compromisso com teu amigo drogado, num evento de carro?

— É... Ele não quer ir sozinho...

— Ele é sozinho porque é um merda. Você tem potencial para ser alguém muito melhor. Então aproveita que você tem uma irmã e uma esposa que se preocupam com você e cria vergonha na cara.

Depois de um silêncio constrangedor, o mais novo pergunta:

— Tá. Ainda é pra eu ir aí?

— É, seu tapado – ouviu-se Bruna, esposa de Felipe, dizer ao fundo.

— E traz pão — Helena desligou rindo.

Passaram a tarde rindo e brincando, indo embora só quando o sol começou a se pôr.

— E agora, o que você quer fazer? — Rafael perguntou, sentado na frente do vídeo game.

Helena sabia que ele queria jogar, ficaria até a madrugada ali, se deixasse.

— Quero sair pra jantar.

Rafael ficou surpreso, fazia tempos que a esposa não tinha vontade de sair.

Helena se maquiou, colocou o vestido vermelho que ficava maravilhoso nela, pôs os brincos que ganhou do esposo no primeiro aniversário de casamento. Calçou os saltos que tinha comprado há tempos, mais que não haviam sido usados uma única vez. Borrifou o perfume nos pulsos e colocou a bolsa no ombro.

— Pronto? — Helena estava deslumbrante.

Ela era uma mulher deslumbrante.

O casal foi a uma pizzaria, beberam vinho e depois caminharam de mãos dadas pela praça.

No dia seguinte, a mulher acordou e não se preocupou em arrumar a casa, apenas pegou as economias que tinha feito e comprou uma passagem de trem. Fez o tão desejado passeio pela serra. Visitou museus. Tirou fotos no meio de um campo de flores. Comeu barreado e tomou café com laranja e mel.

E antes mesmo de terminar, já planejava a próxima viagem.

Para Helena, sua vida significava a oportunidade de experimentar tudo de bom que o mundo tinha a lhe oferecer.

Uma vida, afortunadamente, salva.

Notas finais
Muito obrigada a todos que acompanharam :3. Agradecimentos especiais a Ys e Elda pelos comentários ♥ Espero que tenham gostado da história e que ela tenha trago algo de bom para vocês, mesmo que uma reflexão mínima. Não deixem que nada nem ninguém seifem suas preciosas vidas. Salvem e valorizem suas 'Helenas'. Um abraço bem quentinho *-*. Loma.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!