As Águas de Veneza
29 Capitulo 29
Notas iniciais
Lovino não foi buscar Antonio na rodoviária nem nada, em vez disso resolveu dar uma pequena volta no apartamento para ver em que condições haviam deixado-o.
Uma coisa que lhe encantava na nova decoração foi o estilo oriental dos adornos, Sadik sabia que o italiano sempre gostara dos tapetes e das estampas persas. Então encheu de almofadas coloridas o lugar, desde a cama até as banquetas do balcão. E de cortinas as janelas para deixar o ambiente aconchegante.
Lovino estava orgulhoso e profundamente feliz.
Mesmo com a negligência do italiano, Antonio começara a tocar a campainha incessantemente quinze minutos depois. Não foi preciso atender o interfone para confirmar quem era, e como o prédio de Lovino não tinha porteiro, o italiano em pessoa precisou descer todos os quatro andares para atender a porta
Mal puxara o trico, e Antonio apareceu todo sorridente do outro lado.
XXX
Antonio estava realmente feliz naquele dia. Digo realmente porque era de sua natureza estar feliz, mas naquele dia esse sentimento fora agravado por causa de um certo italiano, e de um certo convite bem sucedido. Ele estava em Roma, e pretendia dar o melhor de si para que tudo ocorresse maravilhosamente bem.
Quando apertou o interfone do 404, sua barriga gelou quase que instantaneamente. Desde criança, o espanhol sempre fora uma criança despreocupada, mas as vezes acabava se deixando levar pela emoção, e terminava sendo por vezes quase impossível controlar o nervosismo.
Ele pressionava a alça da mala-carrinho fazendo com que ele descesse só para subi-la de novo, e o tempo entre o toque da campainha e a abertura da porta lhe pareceu demasiadamente longo.
Porém ao som do pequeno clique da trava, seu coração quase saiu pela boca, e assim que Lovino apareceu com sua usual cara de poucos amigos, sorriu e abraçou-o muito forte.
–Lovi!! É tão bom vê-lo!
–Tá ok... – Respondeu sem ânimo – Agora me solta bastardo, não precisa ficar me abraçando no meio da rua.
–Não estamos no meio da rua, Lovi — Disse Antonio um tanto quanto provocador ainda abraçado ao outro.
Uma das pequenas coisas que o espanhol percebeu em si quando voltou a ver Lovino, foi o quanto se sentia feliz quando conseguia arrancar (mesmo que pequena) alguma reação que não fosse mal humor do italiano.
Era quase um desafio diário, pois ele insistia em manter a cara emburrada e os lábios levemente crispados. Porém nada disso fez com que Antonio pensasse em desistir, pelo contrário, só o instigava mais, pois sempre fora um homem que gostava de desafios.
Assim, ao pronunciar tais palavras bastante perto do outro, Lovino deu um pequeno salto e todos os seus pelos se arrepiaram, na mesma hora ele afastou o espanhol e virou o rosto tentando esconder o rubor.
–Não faça esse tipo de coisa bastardo! Vem! Me dá a sua mala. – Disse fazendo um sinal com a mão.
–Não... – Tentou justificar o outro modestamente – Está leve...
–Eu não estou pedindo, estou mandando. Me dá!
E sem esperar por resposta tomou a mala das mão alheias e deu as costas entrando no prédio. Antonio o seguiu e assim que entrou no hall percebeu uma coisa importantíssima, não havia elevadores! Mesmo assim, Lovino continuava insistindo em carregar a mala, e mesmo sem querer, Antonio achou o gesto realmente amável.
XXX
Não! Lovino não estava tentando ser amável, é claro. Ele só não queria ver o barqueiro bastardo com dores no braço, porque já bastava ter que remar o dia todo, subir com mala quatro andares nunca é uma coisa legal de se fazer.
Por morar naquele apartamento á algum tempo, o italiano se acostumou com todos aqueles degraus, em um dia qualquer até parara para contar quantos tinham, (haviam 73), então uma mala a mais ou a menos não fazia nenhuma diferença.
Ele só estava tentando ser... um bom anfitrião, é claro.
Não uma pessoa amável.
XXX
–Woow – Exclamou o espanhol assim que entrou no apartamento. – Adorei seu apartamento Lovi!
Não era uma mentira, Antonio realmente gostara das paredes creme, das cortinas turcas, das almofadas, da cama bagunçada e do armário de madeira maciça ( que não era tão maciça assim graças aos cupins).
O que mais lhe encantava no lugar era o tamanho e como Lovino havia arrumado os móveis, pois ali dentro, ele se sentia realmente confortável e aconchegado, o ar lhe lembrava muito a casa de sua mãe na Espanha.
Aquilo era o oposto do seu apartamento em Veneza, que apesar de ser grande e moderno, por vezes acordava durante noite se sentindo sozinho e vazio, com um estranho frio vindo de algum lugar, mesmo que as janelas estivesses fechadas e ele completamente coberto.
Ah! Como era terrível
–Bastardo – Gritou Lovino do outro lado da sala – Você vai ficar parado aí, ou vai fechar a porta?
O italiano estava do outro lado do cômodo com a mala em cima da cama de viúvo olhando com alguma curiosidade cuidadosamente disfarçada para o outro.
Como um estralar de dedos, Antonio saiu de seu transe e fechou a porta, voltando para a sala/quarto/copa.
–E... onde eu vou dormir Lovi? – Perguntou ao se aproximar mais do italiano – Nessa cama aí?
–Não – Respondeu simplesmente. Depois se abaixou e tirou uma pequena caixa de debaixo da cama. – Vai dormir aqui.
XXX
A pequena caixa era na verdade a embalagem de um colchão inflável comprado á muito tempo pelo italiano. Inicialmente, antes de comprar a cama, Lovino o usava diariamente, mas depois de um tempo, ele se tornou desnecessário.
Como fazia algum tempo que ninguem abria aquela caixinha, Lovino não tinha muita certeza se o colchão ainda funcionava, e nem se Antonio caberia nele, mas de uma forma ou de outra era melhor do que dividir o colchão com aquele barqueiro stalker.
Então enquanto Lovino colocava o colchão no chão e procurava a bombinha para enche-lo, o espanhol foi desfazendo a mala, não claro sem antes fazer muitas perguntas:
“Lovi, onde é o banhiero?”
“Lovi, posso usar sua pasta de dente?”
“Oh! Você tem tomates aqui!”
“Nós vamos fazer o jantar, ou comeremos fora?”
“Eu posso fazer o jantar sozinho se quiser...”
“Esse armário tem o quê dentro?”
“OLHA SÓ! Achei as suas cuecas fusososososo”
“Tem uma vermelha! Porque você não usa ela?”
“Ai Lovi, não precisa me bater tambem...”
E também havia aquele apelidinho “Lovi”, desde Veneza Antonio vinha chamando-o assim, e por mais que Lovino quisesse que ele parasse, era como falar com uma porta, não adiantava em nada.
No fim, depois de encher o colchão e acomodar Antonio, só lhes sobrou outro problema, a barriga roncando do espanhol. E como este queria de todo jeito cozinhar, Lovino não se importou (muito) de deixa-lo usar a cozinha.
Como o previsto, Antonio fez uma grande panela cheia de macarrão, até porque era a única coisa que tinha naqueles armários. O molho foi o ponto alto da refeição, pois de alguma maneira, o espanhol sabia exatamente o ponto do tomate, do óleo, dos temperos, deixando a mistura com um gosto único.
Quando se sentaram á mesa para comer, quer dizer, bancada, Lovino não pôde deixar de conter um suspiro de contentamento ao levar a primeira garfada á boca, tudo estava na medida certa.
–Está bom Lovi? – Perguntou Antonio se sentando na mesa também, depois de enxugar as mãos em um pano de prato.
O italiano não respondeu, apenas deu mais uma grande garfada em seu prato, aproveitando cada vestígio de sabor
–Eh... Pelo visto está bom mesmo, você está até suspirando...
–Eu n- — Lovino se preparara para responder e acabou tossindo com o molho, Antonio deu-lhe algumas palmadinhas no ombro. Logo ele estava recuperado voltando a falar no mesmo tom de antes – Eu não estou suspirando!
–Está sim que eu ouvi! Não minta...
Lovino bufou e rolou os olhos se jogando no encosto da banqueta com alguma força, Antonio apenas sorriu.
XXX
Passaram ambos o resto do dia fora passeando por Roma. Antonio estava louco para conhecer a cidade, e Lovino estava louco para mostrar-lhe seu conversível vermelho, seu pequeno orgulho.
Assim caminharam juntos até a rua da Empório di Turchia para pegar o carro, e mesmo com a loja fechada, o italiano conseguiu distinguir um pequeno movimento nas persianas assim que deu partida no automóvel.
Passaram por grandes pontos turísticos de Roma, o que queria dizer na verdade, quase a cidade inteira. Depois foram até o Vaticano ver o papa, e aproveitando a situação, Antonio tirou sabe-se lá de onde vários pequenos broches com o rosto do pontífice.
Quando Lovino menos espera, viu o outro se espremendo no meio da multidão e se esforçando ao máximo para ter os pequenos amuletos abençoados pelos bispos da igreja.
Lovino logicamente não entrara com ele naquele mar de turistas, essa era uma daquelas coisas que você só faz uma vez na vida...
Quando acabara de chegar em Roma, ficou realmente empolgado com a possibilidade de ter uma correntinha abençoada pelo papa, e sendo um bom católico que era, enfiou-se no meio da multidão, exatamente como Antonio fazia nesse momento, para pegar a benção
Quando saiu de lá, parecia que ele havia sido atropelado por uma manada de touros galopantes. Não, nem por todo ouro do mundo faria isso mais uma vez.
Em menos de vinte minutos Antonio voltou para o seu lado com um enorme sorriso. Os broches, seis no total, haviam sido abençoados, e o ibérico tilintava de felicidade. Suas roupas estavam amassadas, seus cabelo bagunçado, e o suor escorria em grande quantidade pela sua testa e pescoço, Lovino tentou não prestar atenção nesse ultimo detalhe
–Vamos? – Exclamou
–Vamos! – Respondeu contente o outro enquanto corria para perto do italiano. Quando esse menos esperava, Antonio grudou na sua camiseta e começou a colocar alguma coisa nela, Lovino estacou na mesma hora.
– O que pensa que está fazen-
Foi então que viu o pequeno pontinho dourado pregado no algodão da sua camisa, um dos seis brochinhos benzidos, o rosto do papa fora colocado bem ali.
–É para você... – Disse Antonio com simplicidade – Para que fique protegido... Eu não sei se você acredita ou não, mas... Se não acreditar apenas leve com um presente ou ...
–N-não! – Respondeu Lovino elevando sem intenção o tom de voz – Eu acredito sim! M-m-muito obrigado...
Antonio abriu um largo sorriso que fez Lovino enrubescer completamente
–Larga mão de ser tonto! Vamos de uma vez – Disse virando as costas e caminhando duro para o carro.
XXX
Quando ambos voltaram ao pequeno apartamento, estavam mortalmente cansados, mas absurdamente felizes. Mal entraram e se jogaram com tudo em cima da cama de Lovino. (Antonio depois foi brutalmente empurrado por um Lovino sem graça para o colchão de ar).
E como nenhum dos dois estava com pique para fazer comida novamente, e já que comeram toda a que fizeram para o almoço, Lovino sugeriu pedirem uma pizza.
No inicio Antonio queria pedir, como alias, queria fazer todo tipo de coisa, mesmo que a casa não fosse dele e ele estivesse de visita. Mas o italiano um tanto incomodado por toda aquela atenção, sempre recusava-se a deixar que o outro o fizesse, então depois de uma breve discussão, Antonio acabou cedendo e foi tomar um banho.
Enquanto estava no chuveiro tentando adivinhar qual das duas torneiras funcionava para a água quente, ouviu Lovino discar para a pizzaria e pedir o prato.
“Não vai demorar” eles disseram, “ Em menos de meia hora entregamos”, eles disseram...
E para a surpresa geral, isso de fato isso aconteceu.
XXX
Quando a campainha tocou, Lovino estava no banheiro tomando banho, e Antonio por sua vez, estava na cozinha tomando água. Fazia um calor impressionante naquele apartamento. Mesmo com os ventiladores ligados, parecia que estavam em um pequeno forno microondas.
Mas seja lá qual era a temperatura, o italiano costumava demorar um pouco no banho, e se não tivesse visita em casa até cantaria alguma canção clássica, ou trecho de ópera.
Lovino adorava óperas.
Não foi com pouco desespero que reagiu quando ouviu o ruido distante da campainha na cozinha, ele não poderia sair para pegar pizza desse jeito, nu e todo ensaboado, e também não daria tempo de se trocar para sair, só havia um opção.
Chamar Antonio onde quer que estivesse.
O espanhol em questão estava na cozinha tomando água quando foi chamado, vulgo gritado, por Lovino no banheiro. Ele chegou o mais rápido que pôde e bateu na porta.
–Lovino! Está tudo bem? A pizza chegou
–Eu sei que chegou – Respondeu do outro lado da porta – Por isso eu te chamei, você vai ter que buscar ela pra mim
–Certo! – Exclamou solícito — Onde está a sua carteira?
Silêncio
–Er... No bolso da minha calça – Disse Lovino um tanto encabulado
–E onde está essa calça...?
–Aqui dentro do banheiro... — O tom de voz foi aos poucos murchando, ele estava realmente constrangido
O italiano não disse mais nada e Antonio ficou um tanto confuso. Será que ele queria que ele fosse pagar?
Mas antes de qualquer coisa, o espanhol pôde ouvir pela porta um barulho de algo sendo arranhado e então uma exclamação de frustração por parte do outro
–Droga! Não passa por baixo... Se afaste!
A porta foi banheiro então foi lentamente se abrindo em uma pequena fresta, por onde a mão ensaboada do italiano balançava o cartão platinado, por mais auto controle que tivesse, o Espanhol não conseguiu evitar tentar espiar pelo reflexo do espelho do banheiro alguma coisa, porém tudo o que conseguiu ver foi vapor.
Sendo assim, apenas pegou o cartão e a porta se fechou instantaneamente.
–Vai lá em baixo e traga a pizza – Disse Lovino – A senha do cartão é 343288
Antonio concordou e saiu do apartamento.
XXX
Quando retornou com a pizza, Lovino para sua infelicidade já estava devidamente vestido e arrumado. Na sua mão havia uma garrafa de vinho (das caras), e duas taças. Antonio mal bem abriu a porta e uma delas já foi prontamente enchida e lhe oferecida.
–Aqui – Disse o outro – Toma! — Antonio fechou a porta, mudou a caixa de pizza de mão e pegou a taça
–Annn.. Obrigado Lovi!
–Escute, não estou fazendo isso porque gosto de você, estou fazendo isso porque... – Desviou os olhos – ...Vou beber e não quero que passe vontade, agora ponha a caixa em cima da bancada.
Antonio sorriu todo derretido com a expressão emburrada e corada de Lovino e fez o que ele disse, abrindo a tampa de papelão da embalagem.
XXX
Já se passara meia hora, e só restava um pedaço de pizza na caixa, mas por mais incrivel que parece-se , ninguém queria come-lo.
A primeira garrafa de vinho fora um vinho caro, mas as seguintes...
Lovino estava apoiado no seu colchão já bastante alterado, ele não costumava beber tanto, mas acabou se empolgando pela presença do outro e perdeu o controle.
Antonio por sua vez estava levemente bêbado, não tanto quanto Lovino, sua resistência para álcool era maior, mas o leve rubor nas suas bochechas não passava despercebido.
Ambos estavam sentados no chão entre as almofadas rindo sem motivo e contando todo tipo de histórias sem nenhum sentido. Casualmente Antonio fazia alguma insinuação para Lovino que aos poucos foi perdendo sua “fúria” natural, para dar lugar a uma personalidade dramática e um tanto sorridente ao mesmo tempo.
Sempre que Antonio fazia algum comentário de duplo sentido ele sorria e fazia alguma pida suja em troca, mas em compensação, quando o italiano falava de sua infância ou de seu irmão, acabava adquirindo um tom melancólico e chorão, e por mais que o espanhol exigisse saber o motivo, Lovino nunca dizia.
– Vaaaamos! Eu quero sabeeeerrr – Implorava de quando em quando como uma criança mimada
–Não! – Respondia Lovino entre soluços – Não é assunto para você! Fique fora disso!
–Mas eu te amoooo, eu quero te ajudaaaar!
–Ama nada, que eu sei – Balançou a cabeça com veemência — Você diz isso pra todo mundo! É um belo de um bastardo!
–Nãããão, eu não sou bastardo – Fez bico – Eu te amo Lovi, e vou dizer isso até você se convencer que é verdade — Disse Antonio chegando mais perto do outro e tentando dar um abraço meio desengonçado.
– Não ama *snif* Não ama *snif*
Lovino se debatia tentando se soltar do abraço, mas Antonio era mais forte do que ele e o segurava enquanto ele choramingava e dizia coisas inteligíveis contra a sua camisa. Ele mesmo um tanto bêbado não entendia toda essa negação do italiano, ele era um homem bonito e jovem, podia não ser dos mais simpáticos, mas isso não era motivo para tanta negação.
Do nada e sem motivo aparente, Lovino ficou calmo, simplesmente parou de xingar e se debater, agora tudo o que fazia era ficar ali e deixar-se ser abraçado. Um tanto surpreso pelo comportamento, Antonio afastou um pouco Lovino de si apenas para perceber que ele chorava em silêncio contra a sua roupa, uma cena linda, mas que lhe partiu o coração.
–Não – Disse ele com voz mansa – Não chore, eu não quero ver você chorando...
–Mas*snif* Mas...*snif* — O italiano não conseguia pronunciar uma palavra, pois sempre era cortado pelos soluços, Antonio em vão tentava compreender o que ele dizia olhando-o diretamente nos olhos.
Recuperando um pouco a calma, Lovino voltou a falar
–As pessoas sempre dizem isso, sempre dizem que me amam, mas sempre vão embora... Não quero que minta pra mim, não quero que diga tudo isso de novo... Por favor...
Aquilo partiu o coração de Antonio de uma forma inimaginável. Para ele o sofrimento de alguém amado, também era sue sofrimento, então ele o abraçou mais forte e o aconchegou contra seu peito.
–Eu não sei o que aconteceu com você, mas te juro, tudo o que digo é verdade. Eu tentei durante anos te tirar da minha cabeça, mas nada disso deu certo... Você é a única pessoa que me faria atravessar o continente, e ainda sim dizer que faria tudo de novo.
O italiano sentiu aquilo aquecer seu coração, mesmo que bêbado e um tanto fora da razão, ele tinha certeza que aquelas palavras não lhe sairiam da cabeça tão cedo, ele nunca se sentira tão amado e tão especial como agora.
Desde criança. Lovino sempre fora comparado a outras pessoas, em especial ao seu irmão, ele era frequentemente acusado de ser o inútil, ou então ficava sempre em segundo plano. Mas ao contrário de muitos, ele não odiava Feliciano por isso, ele não tinha culpa, com o tempo Lovino passou a odiar a si mesmo, e a ficar cada vez mais agressivo com os outros, uma tentativa de faze-los manter distancia e não o machucar mais.
Só que agora tudo mudou, aquele homem o amava, ele podia sentir. Ele cruzou todo um continente, abandonou sua família, deixou tudo, apenas para vê-lo... Ah! Como era cruel... Lovino se sentia tão feliz, mesmo sabendo que não merecia essa felicidade...
As lágrimas voltaram a cair e o italiano abraçou o espanhol com toda a força que tinha, quase enforcou-o. E quando este abriu a boca para reclamar, Lovino o beijou como nunca beijara ninguém antes...
–Eu também te amo, você não sabe o quanto... – Disse ainda bastante vermelho pelo que acabara de fazer – Antonio, por favor, fique comigo...
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