As Águas de Veneza
16 Capitulo 16
Notas iniciais
O Café do Centro naquele domingo de primavera insolarado estava como todo afé veneziado deveria estar, lotado. Ou melhor, nem tão lotado assim, a palavra certa é “cheio”.
E mesmo com todas aquelas pessoas por perto, Ludwig ainda conseguia ler seu jornal sem muitos problemas. O alemão se sentara em uma mesa mais afastada, na verdade, ela era tão afastada que quase ninguém a notava, ‘’deixando o loiro praticamente a vontade...
Era certo de que Luwig preferia estar lendo seu amado jornal em casa, ao lado de uma xícara de café e ouvindo os pássaros de seu vizinho cantarem, mas desde que seu irmão viera visita-lo, esse tipo de inico de manhã tranquila se tornou uma coisa bastante rara.
Não que Gilbert e Roderich fossem um incomodo, não... Eles apaenas eram barulhntos demais, especialmente o primeiro.
Nesta manhã Ludwig acordou estranhamente disposto, tivera um sonho muito agradável com uma camponesa que cantava e por algum motivo isso lhe fez extremamente feliz. Quando se levantou foi direto para a cozinha e preparou um café, enquanto esse era coado foi até a porta da frente e pegou seu jornal, aproveitando o ar fresco da manhã Ludwig deu um longo suspiro enchendo os pulmões de frescor e cheiro de café.
Quando fechou a porta percebeu que Roderich despertava aos poucos, e de uma forma sonolenta coçava o olho com uma mão, a outra por sua vez, procurava seus óculos perdidos. Quando finalme os achou, o austríaco encarou Ludwig por uns bons 5 segundos como se ele fosse um fantasma.
–Bom dia, Senho.. digo, Ludwig.
–Bom dia Roderich...
Depois de se encararem mais um pouco Roderich finalmente teve coragem para puxar o cobertor e sair do sofá. Mas quando o fez se lembrou de um fato muito importante... Havia dormido sem calça!
Neste momento puxou novamente o cobertor e corou absurdamente. Ludwig maneou a cabeça:
–Não há problema... Somos todos da família....
–Ahn...sim... mas...
E depois de vários trechos de frases incompletas, Ludwig virou as costas e foi se sentar na cozinha. Roderich se aproveitando disso passou rápido como um raio em direção ao quarto de Ludwig para pegar uma calça nova.
Depois de trocado o austríaco sentou-se a mesa com Ludwig que já havia começado a ler seu jornal. Roderich apenas se sentou na cadeira da frente e tomou o seu café em silêncio.
Alguns minutos depois Gilbert apareceu na cozinha apenas de cueca vermelha. O albino fez questão de dar o mais sonoro bocejo para anunciar sua presença e apesar de Ludwig não ter abaixado o jornal em nenhum momento, ele pôde perceber que Roderich estava inquieto.
–Bom dia pra todos vocês... – Cumprimentou Gilbert se alongando na porta.
–Bom dia, bruder – Respondeu Ludwig enquanto bebericava o café
–B-bom dia – disse Roderich desviando o olhar e arrumadno os óculos.
Gilbert percebendo que os outros apenas bebiam café foi até a geladeira e a abriu como se fosse o dono da casa, Ludwig não se importou, mas Roderich lhe lançou um olhar de censura.
Após alguns minutos procurando alguma coisa na geladeira, os pensamentos de Gilbert foram interrompidos pela voz de Roderich em um tom determinado.
–Gilbert, tire a cueca.
Todos na cozinha pararam, Ludwig abaixou o jornal com um olhar confuso e o albino estagnou no mesmo lugar enquanto pegava uma caixa de leite.
–Com é, Rod? – Perguntou enquanto tirava a cabeça lentamente de dentro da geladeira.
–Tire a cueca, Gilbert – Repetiu e arrumou os óculos.
Ludwig que assitia a cena começou a procurar com os olhos algum defeito na bendita peça que pudesse justificar a estranha fala de Roderich.
–Mas jovem mestre... Agora?
–Agora.
–E o Ludwig?
–Ele não se importa, somos todos familia, certo?
O alemão abriu a boca para contestar, mas Gilbert foi mais rápido.
–Porque isso tão... de repente?
–Tem um furo – Disse Roderich com toda altivez – Bem aqui... E apontou para a lateral da peça. Gilbert passou a escara-la na hora.
O buraco era tão pequeno e imperceptível que por um momento Ludwig imaginou se Roderich não estaria vendo coisas. Mas não, o furo realmente exitia e estava lá, o austriaco arrumou os óculos endireitando o corpo e Gilbert pegou a caixa de leite e fechou a geladeira.
–Depois eu tiro, eu sei que você adora me ver nu, jovem mestre... Mas o Lud ficaria cego com tanta awesomenidade... – Disse Gilbert em seu tom debochado habitual. Ludwig voltou para seu jornal enquanto ouvia seu irmão rir escandalosamente enquanto Roderich corava.
Com o passar do dia, o volume de conversa dos dois começou a subir e Ludwig sentiu uma vontade quase incontrolável de caminhar, de sentir o ar puro, de ver Feliciano... Já que haviam muitas noticias no jornal que deviam lhe interessar, é claro!
Então o alemão se trocou rapidamente e enquanto Roderich discutia com Gilbert sobre o fato de ele não precisar de cuecas novas, Ludwig saiu de casa com o jornal embaixo do braço.
E foi desse jeito que ele entrou no Café do Centro, o alemão abriu a porta e uma baforada de ar fresco bateu em seu rosto, ele se sentou à mesa mais afastada do lugar e abriu novamente as páginas do notíciário...
–Senhor... Senhor? Já foi atendido?
Ludwig abaixou o jornal e deu de encontro com Feliciano que lhe sorria amigavelmente. Apesar de toda a sua seriedade e frieza, foi impossível para Ludwig não abrir um pequeno sorriso com os cantos dos lábios.
–Ainda não, senhor garçom...
–Oh... – Um sorriso maroto saiu de Feliciano – E o que o cliente vai querer?
–Ainda não me decidi... Alguma sugestão?
–Deixe-me ver... – Feliciano cruzou os braços e apoiando o peso do corpo em uma perna começou a bater levemente o indicador nos lábios – O cozinheiro está preparando alguns bolinhos decorados, se esperar um pouquinho posso trazer...
–Oh sim! Pode trazer então... Se você diz que são gostosos... – Ludwig na verdade não costumava comer nada muito “decorado” ou “enfeitado”, mas visto que era uma recomendação de Feliciano e olhando rapidamente no cardápio percebeu que eram bastante baratos.
O italiano sorriu e foi indo em direção á cozinha.
XXX
–Mas só isso???
Francis exclamava na cozinha ainda incrédulo.
–É! Você queria que eu fizesse o que?
Respondeu Antonio um pouco ofendido.
Apesar do relativo movimento no café Central naquele domingo, Francis só estava preocupado com uma coisa naquele momento, o encontro de Antonio com seu par italiano.
Neste momento o espanhol estava agachado em baixo da pia e acabara de contar cada detalhe do encontro para o amigo francês. Afinal, esse era o “preço” por suas ajudinhas de cupido.
Francis por outro lado permanecia de pé encostado na pia e enquanto decorava bolinhos coloridos com glassê cor-de-rosa, discutia com o espanhol e olhava pela janelinha cozinha para ver se ninguém aparecia.
–Tsc tsc... Você perdeu muita habilidade desde a época da escola, Toni...
–Mas e se ele fosse embora de novo? Tem noção do trabalho que eu teria pra encontra-lo?
–Ai ai, você está certo... Se bem que...
–O que?
–Nada, é melhor deixar quieto.
–Mas agora eu quero saber! – Antonio agarrou no tornozelo de Francis e começou a chaqualha-lo como uma criança. O francês sabia que enquanto não contasse Antonio não o deixaria em paz.
–Toni... Vamos... Não posso dizer aqui, qualquer um pode ouvir...
–Ouvir o que? – A voz que disse isso não era a de Antonio, mas sim de uma terceira pessoa que acabara de entrar na cozinha. O espanhol mais do que depressa puxou a cortininha da pia para ocultar sua presença.
Feliciano foi se aproximando de Francis aos poucos com um sorriso um pouco intimidador no rosto. O francês mordeu o lábio.
Merde
–Eu estava falando comigo mesmo, Feli...
–Sei... – O italiano não acreditou muito no outro e passou os olhos pela cozinha examinando-a, como não encontrou nada suspeito resolveu desistir... Por enquanto. – Enfim, já está pronto o pedido da mesa 4?
–Ali atrás – Francis apontou com a mão para uma pequena bancada onde varias bandeijas aguardavam.
Feliciano foi até a bancada e pegou a bandeija com os pedidos, depois pegou outra bandeija e foi até a pia.
–E... esses bolinhos já estão prontos?
–Os de glassê rosa sim, pode pega-los.
Feliciano pegou um prato menor e colocou um bolinho dentro. Colocou tambem uma xícara de café e dois guardanapos dentro da bandeija. Quando estava pronto para empurrar a porta e sair, o italiano lançou um ultimo olhar para Francis:
–Não deixe o chefe perceber, sim? – E sorriu.
Francis não teve tempo de esconder a surpresa e nem de se explicar, Feliciano já saíra porta afora.
XXX
–Pronto! – Feliciano apareceu novamente na mesa de Ludwig.
–Oh... Obrigado. – O alemão agradeceu e bebericou um pouco do café, Feliciano em vez de se retirar e ir atender as outras mesas ficou observando Ludwig por um longo tempo. O alemão um pouco desconcertado imaginou que fosse por causa do bolinho e um pouco confuso mordeu um pedaço do glassê rosa, o sabor daquele bolinho esplodia na sua boca.
–Hum! É realmente bom!
Feliciano desviu seu olhar para Ludwig e abriu um sorriso.
–Não falei que era! Você devia pedir ele mais vezes... Quer dizer... como amigo, não como garçom.
Ludwig sorriu e colocou o bolinho de volta no prato deslizando-o mais para o lado, assim podia acomodar melhor seu jornal. Neste momento um grupo de garotas passou fazendo muito barulho pelas costas do garçom e Ludwig franziu o cenho.
O italiano perebeu a expressão do outro e perguntou casualmente.
–Aqui não é meio barulhento pra ler jornal?
–Ah, não... Na verdade é bem mais quieto do que em casa...
–Serio? – Feliciano inclinou um pouco a cabeça para o lado enquanto fazia a pergunta, o alemão achou aquele movimento muito fofo.
–É... Meu irmão veio passar uns tempos lá em casa e trouxe o namorado... – E acrescentou com o tom irônico — Eles são pessoas muito animadas, sabe?
–Ve... Gostaria de conhecê-los... Parecem bastante amigaveis. – Disse Feliciano com um leve sorriso, Ludwig piscou repetidas vezes. Ao que parecia o italiano não entendia nada de ironia...
–Bom... – Começou o alemão – Você podia jantar em casa qualquer dia desses... Daí você pode conhece-los.
A cebeça de Ludwig gritava de desespero, na verdade, nem ele sabia de onde vieram aquelas palavras, porque até hoje, ele NUNCA havia convidado ninguém para um jantar, quanto mais em SUA casa. Ele até pensou em retirar as palavras, ou então dizer que era brincadeira, mas a mensão da palavra “jantar” fez od olhos de Feliciano brilharem.
–Jantar? – Feliciano se animara – Isso seria ótimo!
–Ah... Sim... – Droga, droga, droga, droga — Pode ser quarta?
~Diga que não, diga que não~
–Quarta é ótimo!
~Ouch!~
–Daí eu te pego depois do serviço e te levo lá.
–Sim sim!
Felicano sorriu e Ludwig comeu mais um pedaço de bolo. Sua cabeça girava em um caracol mental.
–OOOYE FELICIANO! – Ums voz áspera cortou a conversa da dupla. O italino se sobressaltou um pouco e olhou em volta para ver quem o chamava. Do outro lado do salão Arthur o encarava com uma explressão de poucos amigos, seus braços estavam cruzados e suas sobrancelhas estavam quase tão juntas que pareciam uma coisa só.
O inglês ao perceber que Feliciano o encarava fez um sinal com a mão para que ele fosse até a cozinha. O italiano sorriu sem graça e com um leve aceno de mão e um olhar cumplice se despediu de Ludwig.
XXX
Um comentário da autora: Eu não sei o que tinha naqueles bolinhos, mas acho que o Lud deveria come-los mais vezes.
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