Arturia Pendragon: O Primeiro Reino
1 1. Uruk
Arthur Pendragon, o grande rei da Bretanha, forte, destemido, leal, corajoso, gentil e salvador da pátria, é assim que o povo de Camelot o vê, e de fato é assim que ele é. Mas como todo Rei, ele também guarda um segredo, segredo esse que apenas Merlin e os cavaleiros da Távola Redonda tem conhecimento.
Todas as suas conquistas foram obtidas sem que esse segredo fosse revelado, graças a um feitiço que Merlin lançou nele, fácil de fazer, porém apenas aquele que lançou o feitiço poderia retirá-lo. O feitiço tem como objetivo esconder para os olhos dos outros a verdadeira aparência de alguém. Ao retirar Excalibur da pedra, Arthur pediu para que Merlin lançasse esse feitiço, já que na verdade, Arthur, não era um homem e sim uma mulher, Arturia Pendragon, filha do Rei Uther Pendragon. Naquele momento, ela achou que não a aceitariam, pois ela sabia de sua história, sabia que no dia em que nasceu seus pais foram alvo de um ataque, assassinos conseguiram invadir o castelo, Uther pegou a filha recém nascida nos braços e, acompanhado de sua mulher, a rainha Meredith. Uther e sua esposa saíram correndo pelas passagens secretas do castelo até chegarem nos estábulos, ele colocou a filha em uma cesta que pendia ao lado do dorso do cavalo, subiu nele e estendeu a mão para sua esposa, para que ela subisse também e pudessem sair dali, mas assim que ela levantou a mão para segurar a de seu marido, uma flecha fincou em sua costela, nesse mesmo momento, mesmo machucada, Meredith pensou rápido e deu um tapa com toda a força que tinha no traseiro do cavalo, que saiu em disparada carregando Uther em silêncio, enquanto flechas passavam por ele, sem o acertar, ele estava com os olhos gritantes de agonia e tristeza por saber que para salvar sua filha, ele perdeu a esposa. Durante o caminho ele verificou várias vezes se a pequena Arturia estava bem, e ela estava, e sempre segurando a cesta com uma das mãos para não chacoalhar muito, ao chegar na aldeia os poucos aldeões que ainda estavam nas ruas logo reconheceram o rei, ele não tinha tempo para cumprimentos e reverências, então os ignorou e seguiu galopando com seu corcel branco até um bordel na zona leste do reino de Camelot, as meretrizes estranharam a presença do Rei, mas quando ele lhes disse o que aconteceu elas pegaram a menina e derem os devidos cuidados a ela, algumas das meretrizes ajudaram o rei a esconder o cavalo. Dois dias depois, Uther precisava sair para encontrar uma mãe de leite para sua filha, que já uma das meretrizes que estava grávida não poderia atendê-lo no momento, e Arturia estava com fome. Ele pegou um pano e cobriu o rosto, depois de muito procurar ele encontrou uma mãe de leite, mas no caminho de volta, fora apunhalado nas costas por um bandido qualquer, que matava primeiro e roubava depois, a faca atravessou sua coluna, um ferimento gravíssimo. Ele sabia que nem mesmo seu amigo Merlin, que estava de viajem para completar seus estudos em magia poderia chegar ali tão rápido e cura-lo. Uther morreu ali mesmo. As meretrizes não queriam a responsabilidade de criar uma criança, então encontraram a tal mãe de leite e deixaram a pequena bebê dentro de uma cesta, na porta da casa da mulher. A casa era apenas uma parte da pequena fazenda, a mãe de leite se chamava Greta, e aparentava ter por volta dos 30 anos, ela acolheu a menina e a criou.Anos se passaram e Merlin a encontrou e contou-lhe a sua história. Então, durante todos os anos que se sucederam ao ocorrido com a espada, ela manteve seu verdadeiro gênero em segredo para seu súdito e demais, com exceção dos cavaleiros da Távola e Merlin. Após a paz ser restaurada, Arturia acreditava estar feliz, pois seu povo estava feliz e o reino prosperava, mas Merlin percebeu que faltava algo nela, um brilho diferente, um brilho que ela não tinha, ela já exalava o brilho da honra e glória, e amor por seu povo. Mas ainda faltava algo. Merlin, sentado em sua cadeira nos jardins do castelo resolveu conversar sobre isso com os cavaleiros da Távola Redonda, ele se levantou e caminhou pacientemente até a sala do arsenal de armas, apenas Lancelot se encontrava lá. — Lancelot, como sempre é uma honra vê-lo, espero não estar atrapalhando.— Merlin disse. — Ora ora, o nosso querido mago resolveu sair de seus aposentos! A que devo a honra Merlin? Você não costuma vir nessa parte do castelo. — Quero conversar com você, e com os outros membros da Távola Redonda. Lancelot assentiu e chamou uma criada, ele pediu a ela que chamasse Galahad, Bedivere, Tristan, Gawain e Percival. Merlin e Lancelot falaram sobre assuntos aleatórios até que os cinco chegassem. Todos os cinco cavaleiros cumprimentaram o mago, por já serem íntimos, algumas gozações rolaram durante o cumprimento. — Então Merlin, por que essa reunião repentina? Nunca vi você fazendo uma reunião. — Gawain, um dos mais fortes e leais entre eles, indagou. — É, eu estava bem ocupado tentando arranjar diversão para a noite, espero que seja algo importante.— Disse Tristan, o mulherengo do grupo, é um ótimo lanceiro e amigo, bastante extrovertido também.
— Cala a boca Tristan, você sempre está atrás de um rabo de saia, nunca arranja um relacionamento sério!— Percival se pronunciou, ele é conhecido como o estraga prazeres da turma, pois é sempre muito sério quando se trata de relacionamentos. Ele é o arqueiro do grupo, tem uma visão estupefata, graças à bênção recebida de uma fada. — Fiquem quietos, o mago tem algo importante a dizer, e deveríamos ouvir, depois os dois bobalhões discutem sobre mulheres.— Bedivere, o mais velho e sábio do grupo, costuma ser durão e mal humorado, mas é o mais experiente em guerras dentre eles. Ele é o manejador duplo, pois usa duas espadas curtas, com quarenta centímetros cada. — Obrigado Bedivere, você não muda nada, é incrível! — Merlin olhou para Tristan primeiro, e balançou a cabeça em negativa, com um sorriso no rosto.— Pois bem, vamos ao que interessa. Creio que vocês ja tenham reparado que falta algo em nosso Rei, no quesito sentimental. Arturia está satisfeita com suas conquistas e feliz pela prosperidade do reino e a alegria do povo, mas ela não se importa consigo mesma, e desconhece o amor, essas duas coisas juntas fazem estrago. —Eu percebi.— Galahad, o mais quieto entre eles se pronunciou. Ele é o mais gentil dos cavaleiros, Galahad usa um escudo encantado por Merlin, que claro, fez com que Galahad provasse que era digno de tal benção, esse escudo é capaz de erguer um muro invisível por cem metros quadrados, além de ser um exímio lutador e esgrimista. Todos os cavaleiros aprendem luta corpórea, por precaução. — Como você disse Merlin, nosso Rei está satisfeito e feliz pelo reino, como disse também que ela não se importa consigo mesma e desconhece o amor, amor de casal como bem sabemos. Ela precisa disso, ela está sozinha mesmo estando cercada de pessoas, ela está anestesiada com a utopia alcançada. — Sim, desde o começo de tudo, acho que talvez desde que ela começou a se entender por gente, ela sempre se importava com o povo e não com si mesma.— indagou Gawain.— já está na hora de ela aprender a se importar com si mesma e conhecer o amor. — Sim, andei pensando bastante nisso Gawain, e como sabem, tenho o dom de ver muitas coisas.— a voz de Merlin soava como uma brisa suave.— e sei que ela não encontrará o amor aqui, não nesta era. — Se não é nesta era, então ela viverá sem amor próprio e sem paixão até os últimos dias.— Tristan se adiantou demais, ele esquecera que o mago diante dele era O mago, o mago mais forte da atualidade e também o mago que profetizou a chegada e reinado de Arturia. — Não necessariamente Tristan, após alguns meses de estudo, aprendi a criar portais temporais, e em um de meus sonhos eu vi Arturia em um antigo reino chamado Uruk, vi flashs também de um homem de cabelos loiros e olhos vermelhos sentado em um trono, e Arturia estava de pé, diante dele. Em toda a história, só conheço um homem com essa característica : Gilgamesh, o antigo rei de Uruk. Ele morreu há milênios, era conhecido por ser muito arrogante, egocêntrico, cruel e com um belo apetite sexual. — Você está descrevendo o Tristan.— interrompeu Gawain e Merlin sorriu, fazendo um gesto de silêncio para que Tristan não retrucasse. — Pensei em enviá-la para lá, ela chegará em um reino caótico, uma época diferente da nossa, costumes diferentes e crenças diferentes. Ela precisa disso. — Vai enviar nosso Rei direto pra um Rei tarado, no passado? O que andou comendo Merlin?— disse Tristan. — Coisas saudáveis, ao contrário de você. Sim, vou enviá-lá para lá. Acha mesmo que ele vai conseguir relar um dedo nela?— Merlin levantou uma sobrancelha, todos ali sabiam que Arturia era o tipo de mulher difícil de ser conquistada, quando se tratava de paquera, ela era irritada, sequer deixou um homem chegar perto dela. Tristan até tentou, mas levou uma bela lição da qual não vale a pena citar. — É... sei bem disso. Ela enfiaria a Excalibur na garganta dele sem dificuldade. — Não subestime-o Tristan, Gilgamesh foi um semideus.— advertiu Bedivere e Tristan preferiu ficar calado. — Estão de acordo com a minha decisão? Todos concordaram, de forma unânime. — Boa sorte ao tentar convencer ela.- Lancelot finalmente se pronunciou e se ajeitou na cadeira, procurando uma posição mais confortável.— sou o melhor amigo dela, ela não deixaria o reino fácil assim. — É claro que não, mas eu já conheço os argumentos dela e sei como a convencer.— Merlin dirigiu o olhar para o rapaz de cabelos loiro escuros e de olhos verdes, cujo mesmo tinha orgulho e sorte de ser melhor amigo do Rei.— todos nós ficaremos por conta do reino enquanto ela estiver fora. Podem continuar os seus afazeres anteriores, e obrigado pela presença de vocês. — Disponha Merlin.— disseram em uníssono e se retiraram juntamente de Merlin. O mago se teletransportou para o salão de reuniões, onde se encontra a mesa redonda famosa como Távola Redonda. Arturia se encontrava lá, sentada em sua cadeira e parecia pensativa, distraída. — Meu Rei?Merlin se aproximou dela e fez reverência. — Merlin! Vejo que resolveu deixar um pouco as rosas do jardim e dar a graça de sua presença no castelo.- ela sorriu para ele de forma doce e gentil. — Sim, na verdade, tenho uma proposta para lhe fazer meu Rei. — Ah Merlin, pare com as formalidades sim? Você é um amigo antigo, tem total liberdade para me chamar pelo nome quando estivermos a sós. — Arturia, tanto eu, quanto os cavaleiros da távola percebemos que você não parece... totalmente feliz. — Por que eu não estaria totalmente feliz, Merlin? Alcancei minha utopia, me curei na ilha mágica de Avalon, e voltei para a cede de meu reino que agora próspera, pouco a pouco as cidades da Grã-Bretanha vão se estabilizando, os cidadãos de Camelot desconhecem a fome, e as doenças parecem não estar mais presentes. — Com todo respeito, velha amiga, mas como bem sabe sou sensível a tudo, até mesmo a emoções de outras pessoas. Seu coração continua puro e nobre, vejo a alegria em você, vejo o amor pelo seu povo, mas também vejo que falta algo. — Qual a sua proposta Merlin? Claramente Arturia não queria ter aquela conversa, então decidiu mudar de assunto, pois para ela sua felicidade fora alcançada quando conquistou sua utopia. Mas Merlin a conhecia melhor que ela mesma, tanto por seus dons de ver as emoções das pessoas quanto pelo tempo que convivem. Arturia tinha o temperamento do pai e o coração da mãe. Ele sabia que ela precisava de alguém do lado, mesmo que não admitisse. — Você crê que já aprendeu tudo que tinha para aprender, mas você ainda tem muito o que aprender Arturia, e não vai ser esta Era que lhe proporcionará o conhecimento que precisa. — As vezes você me assusta com suas deduções, seja direto. — Quero lhe propor uma viagem, para Uruk. — Onde fica esse lugar? — Suméria, mas você não vai em Uruk da nossa época, não, como eu disse, o que você precisa aprender não será esta Era que lhe proporcionará, você irá viajar no passado.Arturia riu, riu alto e com vontade, não por que achava que Merlin não poderia fazer com que ela fosse ao passado, ela sabia que ele podia, mas ela riu por que achava aquilo uma ideia absurda, ela não abandonaria o reino. — Não, pelo amor de Deus Merlin, eu não posso deixar meu povo para ir ao passado! Nunca se sabe até quando essa paz durará. — Eu sei, eu sempre sei Arturia, esqueceu que tenho visões do passado, presente e futuro? Isso era parcialmente mentira, ele não sabia até quando a paz duraria em Camelot e no restante da Bretanha. — Mantenho minha resposta meu amigo, sou o Rei da Bretanha, não posso abandonar meu povo, ainda mais agora nessa ótima fase que estamos vivendo depois de tanto derramamento de sangue. Não depois de sofrerem nas mãos do meu tio Vortigein, e nas mãos daquela que eu achava ser a mais leal de meus cavaleiros. O pouco tempo que fiquei fora foi o suficiente para Mordred tentar roubar meu trono, ela fez um belo estrago, ela começou a última guerra, da qual, caso você não se lembre, eu quase perdi a vida e a chance de salvar a Bretanha! Eu não posso ir Merlin, sinto muito.— Não havia raiva ou rancor em sua voz, apenas tristeza por lembrar de que fora obrigada a tirar tantas vidas, que fora obrigada a derramar tanto sangue em busca da paz, lembrar que usara sua lança para matar sua amiga. Merlin sabia que Arturia carregaria essa dor para sempre, e era exatamente essa parte de sua história que não permitia que ela se preocupasse consigo mesma ainda mais do que já não se preocupava.
Nesse momento, duas criadas com baldes e esfregões nas mãos entraram na sala, achando que estaria vazia, seus rostos ficaram vermelhos de vergonha e se retiraram pedindo desculpas. — Pensei que diria exatamente isso, vamos conversar em outro lugar, um que não sejamos interrompidos. — Essa conversa acabou Merlin, já tem a minha resposta. — Estou pedindo como amigo, que me ouça. Alguma vez lhe dei uma missão sem algum propósito? — Não...— ela fitou a mesa por um momento, pensativa. Realmente todas as missões de Merlin trouxeram a ela algum aprendizado. — Está bem, vamos para um lugar mais reservado. Merlin se aproximou dela e sem aviso os teletransportou para a floresta norte de Camelot. Arturia não tem tempo para raciocinar e se vê sentada em uma rocha e Merlin ao lado dela. — Avise da próxima vez, isso me deixa zonza. — Perdão. Sabe Arturia, Vortigein e Mordred fazem parte do seu passado agora. — Mas também fazem parte da minha história e trajetória até aqui, quando você me levou até a Excalibur para que eu a retirasse da pedra, eu estava ciente de todos os riscos, sabia que não seria uma trajetória fácil, você mesmo me avisara sobre Vortigein. Eu era uma garota, uma adolescente sonhadora que queria salvar seu país das mãos do Rei cruel, mas tive que derramar sangue de inocentes para isso. — Muitos não eram inocentes Arturia, alguns eram tão ruins quanto seu tio. — Mordred era minha amiga, a melhor cavaleira que eu tinha, e ela me traiu por poder e arrastou muitos para aquele lugar onde a batalha aconteceu, manchamos, eu manchei aquele solo com o sangue de inocentes e com o sangue da minha melhor amiga. Esse lago de sangue faz parte da minha história Merlin. — Faz, mas só por que pessoas como Vortigein e Mordred sempre irão existir, mas também sempre haverá pessoas como você para impedi-los. Ouça, Arturia alguma vez você se apaixonou? A pergunta a pegou de surpresa, por alguns segundos ela ficou encarando Merlin, procurando no fundo de sua alma se ela já havia amado alguém no sentido romântico da coisa. Ela abaixou o olhar e negou com a cabeça, pois de fato, jamais se apaixonara. — Alguma vez pensou em si? Mesmo quando morava naquela fazenda e era humilhada pelas pessoas da sua idade? Outro aceno negativo com a cabeça. — Você é um ótimo Rei por isso, mas um Rei não pensa somente no povo, ele também pensa em si, não de forma gananciosa, não, mas ele se valoriza, ele reconhece seu valor. O que você reconhece de si mesma Arturia? Como sempre, Merlin estava certo, como sempre, ele a conhecia melhor que ela mesma. Arturia nunca prestou a menor atenção em si mesma, ela estava sempre ajudando aos outros mesmo que essas mesmas pessoas a humilhassem depois. Por isso ela tomara a decisão de usar o encanto para esconder a sua verdadeira face, por que sabia que seria rejeitada, e sendo rejeitada ela não conseguiria ajudar o povo. — Eu irei. Merlin sumiu no segundo seguinte à sua resposta e voltou com uma capa azul. — Vista.— ele entregou a capa para ela, e ela vestiu, colocando o capuz da capa na cabeça.— não sei em que parte de Uruk você aparecerá, e nem se estará frio ou calor, então a capa é uma prevenção. Boa sorte meu rei. Arturia deu as costas para ele e assim que ergueu o olhar do chão para encarar o que estava na sua frente, o portal surgiu e ela pisou lá dentro e se virou novamente. — Ah, mais uma coisa, você só retorna quando eu souber que aprendeu tudo o que tinha de aprender. Ela arregalou os olhos e antes que pensasse em sair correndo do portal ele se fechou. Agora ela gritava por estar caindo numa imensa escuridão, nenhuma luz ao seu redor, a não ser o brilho da espada sagrada em sua cintura, Arturia nunca a tirava de lá. Arturia fechou os olhos e continuou caindo, então ela percebeu a claridade ao seu redor e abriu os olhos. Ela estava caindo do céu, literalmente, antes de sequer pensar em algo suas costas se chocaram contra maneira, pano e o que pareciam ser frutas. Ela grunhiu de dor e se virou de lado para poder levantar, mulheres gritaram quando ela se chocou na tenda. Ela se levantou e olhou para o chão, realmente eram frutas. As pessoas ao redor usavam roupas diferentes, roupas bem mais expostas, as mulheres em sua maioria usavam vestidos que expunham boa parte dos seios e do espaço entre eles, a fenda dos vestidos desciam até perto do umbigo, os tecidos deixavam as costas expostas e tapavam a bunda, alguns tinham mangas e outros não, mas a maioria era longo e tapava os pés.Todos ali a encaravam, pois sua veste era diferente, naquele dia Arturia estava usando vestido, mas achava que o encanto de Merlin ainda estaria funcionando, então ela pensou que a estariam vendo como um homem. — Olhe as roupas daquela mulher.— Disse uma jovem. — Como ela consegue se mexer com tanto tecido assim?— Disse outra. Arturia xingou em pensamento, Merlin havia desativado o feitiço. Quando? Ela não sabia. — Mamãe! Mamãe! Aquela moça caiu do céu!— uma garotinha que passava por ali puxou a barra do vestido da mãe para chamar a sua atenção e apontou para Arturia. As fofocas se espalharam rápido, Arturia começou a sair do meio dos destroços da tenda de frutas e viu que as pessoas recuaram, provavelmente com medo. — Uruk...- disse ela baixinho para si mesma. Arturia escutou passos apressados e viu soldados se aproximarem, ela levou uma das mãos até sua espada, mas logo recuou, ela não queria lutar. — Fique onde está!— Disse um dos soldados. — Quem é você e de onde você veio?!- Falou o outro. Ela estava cercada por guardas, não queria lutar então ergueu as mãos como sinal de rendição. — Meu nome é Arturia Pendragon, vim de Camelot, um reino muito distante daqui, ele se localiza na Bretanha. Os soldados se entre olharam e riram. — Não existe nenhuma Bretanha e nenhum reino chamado Camelot! — Pare de brincar com ela, nosso Rei pediu para que a levássemos imediatamente até ele. Sabe o que acontece se demorarmos demais seu tolo! Os soldados se aproximaram de Arturia e pareceram finalmente notar a presença da espada, já que a capa azul de Arturia tapava quase por completo a espada pendida ao lado de seu quadril. — Ela está armada!— gritou um dos soldados.Lanças e espadas ficaram a poucos centímetros do rosto de Arturia, ela manteve a expressão neutra e calma, como de costume. — Não estou aqui para brigar, seu Rei quer me conhecer? Que assim seja. Dois soldados se entre olharam e um deu a ordem: — Desarme ela! Um deles se aproximou e quando pegou no punho da espada, fumaça começou a sair de sua mão, ela estava queimando, ele começou a gritar de dor e rapidamente retirou a mão. — O que é essa coisa?! — Minha espada, como pode bem ver. Os soldados agora sabiam que só tinha uma pessoa que poderia pegar aquela espada, e seria o rei deles. Dois deles pegaram nos braços de Arturia e começaram a arrasta-la e empurra-la. Ela puxou os braços com força se soltando deles e continuou andando. — Eu sei andar sozinha. Mostrem o caminho e acompanharei por livre e espontânea vontade. Durante o caminho, os olhares curiosos do povo de Uruk os acompanharam até chegarem em uma estrada sem casas ou comércios, a estrada era longa, porém não muito. Em alguns minutos eles chegaram na entrada do castelo, os portões se abriram revelando um jardim com flores que ela não tinha visto ainda, mas que eram lindas. O castelo era cercado com um muro alto, os portões se fecharam atrás dela sem fazer o menor barulho. Ao entrar, ela se deparou com um enorme salão vazio, provavelmente ali era onde aconteciam as festas, seu castelo em Camelot tinha um salão daquele para bailes e festas. O castelo era todo dourado, com alguns detalhes em prata, azul e vermelho. Logo à frente havia o que parecia um altar, no centro dele estava o trono, e um homem sentado no mesmo de forma desajeitada e segurando uma lança em uma das mãos. Dois soldados a acompanharam até o topo do altar, a deixando à poucos metros do homem. Os soldados se curvaram e fizeram reverência. Durante o caminho eles tinham tomado o cuidado de algemar a mulher que caiu do céu. Arturia levou o olhar até o homem, que não fizera questão de levantar do trono e que não lhe erguera o olhar, até agora. Ele tinha os cabelos loiros, não muito claros como os dela, seus olhos eram vermelhos, um vermelho vivo e ardente. Ele usava calças largas com um tecido vermelho pendido ao lado do quadril, seu peitoral estava todo exposto, as tatuagens em linhas espirais e tribais se localizavam nos ombros e se estendiam até metade do bíceps, também se alongavam nas clavículas e pouco abaixo delas. Ele tinha barba, mesmo que pouca. Ele a mede de cima a baixo com o olhar e se ajeita levemente no trono, e sorri para ela, com diversão no olhar e malícia nos lábios.
Notas finais
Me inspirei em muitas coisas para produzir essa história, mas os personagens são originais meus, suas personalidades, tudo que está na história é de minha autoria, apesar de ter me inspirado é baseado em varias obras diferentes.
Meu intuito é trazer um romance um pouco diferente para vocês, espero que gostem, e me perdoem por alguns erros ortográficos, ainda estou revisando aos poucos os capítulos dessa história antes de posta-los.
Tenham uma boa leitura!!!
Meu intuito é trazer um romance um pouco diferente para vocês, espero que gostem, e me perdoem por alguns erros ortográficos, ainda estou revisando aos poucos os capítulos dessa história antes de posta-los.
Tenham uma boa leitura!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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