Artimanha da Discrição

4 ✿ 4. Jantar desconfortável.


Notas iniciais
Olá, meus amores! (●´∀`●) Cá estou eu, mostrando minha cara novamente AUHSAUHSA Para compensar o capítulo pequeno e sem graça anterior, dessa vez, fiz um bem maior e mais elaborado! Muito obrigada pelos reviews do capítulo anterior, vocês me encorajam bastante com seus comentários maravilhosos, sério! (づ ̄ ³ ̄)づ Vocês são os leitores mais amores do mundo me abracem AUHSAUHS ♥ ♥ ♥ Sem enrolação, vamos para o capítulo~! (人´∀`*)

Soltei o ar de meus pulmões, com a sensação de que estavam lá por horas. Estava realmente sem respirar este tempo inteiro? Até então, eu não sabia, na verdade, nem ligava. O que importava mesmo eram as palavras descritas em um documento do meu notebook. Parei de digitar e encarei a tela, relendo o que continha o texto. No momento, eu estava fazendo uma pesquisa para o trabalho de Biologia ─ mesmo que o prazo deste fosse para depois do feriado de duas semanas.

Suspirei, me espreguiçando. Eram oito da noite, e estava cansada demais, julgando pelo o horário. Meu quarto estava escuro e a única fonte de iluminação era o brilho do notebook, assim, causando desconforto em meus olhos. Já estava pronta para gritar à minha mãe que me indicasse um medicamento para dor, todavia, recordei-me de que estava sozinha no apartamento. Meu pai provavelmente estava em seu último turno do trabalho, chegaria em torno de nove horas, enquanto minha mãe tinha saído para visitar uma amiga.

Peguei o copo em cima da minha mesa de estudos e notei que estava vazio. Levantei-me com o recipiente em mãos, quase pronta para ligar a luz do cômodo e queimar minhas orbes com tamanha dor.

Era um grande desafio, pelo menos para mim.

Caminhei descalça até a cozinha, tentando, com falha, me acostumar com as lâmpadas ligadas. Meu celular marcava exatamente 12°C, mas dentro do apartamento estava quente pelo fato de todas as janelas estarem fechadas e o aquecedor ligado, ou seja, usava um pijama curto de verão. Meu estômago roncou, estava há algumas horas sem comer ─ minha última refeição havia sido na escola ─, cogitei ligar para a pizzaria e pedir o meu jantar, no entanto, rejeitei essa ideia e optei em escolher um pão com manteiga para não gastar dinheiro. Uma bela filha econômica eu sou, admito.

Enchi o copo de água com suco de maçã e andei em direção ao meu quarto, afim de continuar o meu trabalho, ou, talvez, tirar uma folga e assistir algum seriado online. Abri a porta encostada e tremi com o frio. A janela estava aberta, e o vento forte soprava as cortinas cor-de-rosa para dentro do cômodo. Ergui uma sobrancelha ─ a janela estava fechada antes, tinha certeza disso. Alguém havia entrado no apartamento? Depositei o prato com o alimento e o copo sobre a mesa.

― Você é meio distraída, loira ― uma voz grossa e calma disse. Olhei em direção à minha cama. ― Eu poderia ser um ladrão.

Bufei.

― Natsu, eu convido que se retire.

Ele sentou-se na cama, me fitando.

― Muitas garotas amariam estar no seu lugar, sabia? ― Fez a pergunta retórica. Revirei os olhos e cruzei os braços, indiferente sobre sua afirmação.

― Eu, no caso, sinto o completo oposto ― declarei, por fim. Apontei para a janela. ― Você já me irritou muito por hoje, maçã do amor.

Lembrei-me de nossa conversa no carro há algumas horas. Ainda estava confusa sobre o que realmente tinha acontecido e tentava processar os dados, todavia, meu cérebro era incapaz de compreender Natsu Dragneel. O rapaz soltou uma risada após o apelido carinhoso que recebera.

― Foi mal aí, princesa, eu só precisava de um lugar para me esconder ― levantou e foi em direção à escada de incêndio em frente de minha janela. Agora havia entendido como ele tinha entrado em meu quarto.

O rosado pulou da batente e ficou em pé sobre a escada, pronto para descer do prédio, que, aliás, não era tão grande assim ─ e ainda por cima, estávamos no terceiro andar, sendo que o prédio inteiro em si havia apenas cinco. Ele estava sendo bastante indiferente desde que estava em Nova Iorque. Misterioso, para se dizer a verdade. E o fato de estar no Brooklyn às oito da noite, sendo que provavelmente morasse em uma mansão, era completamente suspeito.

― Espere ― andei até a janela e me apoiei no batente de madeira. O garoto estava agachado na escada vermelha, no entanto, não estávamos tão distantes. O encarei com pudor. ― Do que estava se escondendo?

Natsu me fitou. A brisa violenta e congelante causava arrepios em minha pele cálida, soprando os meus fios loiros junto com as madeixas rosadas de meu primo. Ao olhá-lo de perto e sem distrações, conseguia notar as olheiras em seu rosto e suas orbes escuras brilhantes me fitando. Nunca me permitiria dizer tais palavras em voz alta por conta do meu ódio pelo rapaz ─ na verdade, queixava-me internamente por ter estes pensamentos ─, todavia, Natsu era realmente elegante. Ele sorriu cínico e tocou em meu rosto, retirando o meu cabelo de meus olhos.

― Segredo.

Puxou minha bochecha com força. Dei um tapa em sua mão e afastei-me um pouco do perigo. Ele acenou enquanto pulava, e, na calçada, pude notar ele correndo desesperado. Suspirei e fechei a janela. Odiava o frio.

Eu havia despertado um certo interesse no suposto segredo dele. Estava fazendo algo perigoso? Errado? Contra a lei? De qualquer forma, estava afim de descobrir o que Natsu escondia. Talvez pudesse usar isso contra ele, como eu sempre sonhei, e encontrar as falhas do rosado que apenas eu enxergava.

“Cara, você é estranho”, pensei, me referindo à Natsu, voltando ao meu trabalho.

― E o que aconteceu depois? ― Lisanna perguntou, animada.

Peguei o café em mãos e encaixei-o em meus lábios. Estava com sede e sentia minha garganta congelada. Estava mais frio do que nos últimos dias, disso eu tinha certeza. Tomava meu delicioso líquido quente no estabelecimento dos Strauss, enquanto contava minha história estranha sobre os acontecimentos de Sexta feira para a albina. Eu não estava tão empolgada quanto ela.

― Continuei minha bela noite normalmente ― respondi, deixando a caneca em cima do balcão. ― Meus pais chegaram e trouxeram a pizza que eu tanto desejava. Assim, terminei o dia feliz.

A garota me encarou, com uma expressão enfurecida em seu rosto.

― Sério mesmo?

― Sério mesmo.

― E por que não foi atrás do Natsu? Digo... ele poderia estar fazendo algo que tornaria sua noite inesquecível! ― Exclamou. Lisanna era o tipo de garota que caçava aventura e queria viver o momento, diferente de mim, que preferia ficar no meu canto quieta. Talvez, se ela estivesse no meu lugar, teria feito muitas escolhas diferentes das minhas.

― Porque não sou suicida ― falei, checando o horário na tela do meu celular. Faltava pouco para começar a escurecer, e, como eu iria voltar sozinha e à pé para casa, gostaria que ainda estivesse claro. ― Bem, foi boa a conversa, mas eu preciso ir.

Me despedi da albina que retribuiu com um aceno. No momento em que pus meus pés para fora do Café, senti o meu celular vibrar e tocar em minha bolsa. Agarrei-o e verifiquei o número que me ligava, o qual era desconhecido. Desconfiada, atendi.

― Alô?

― Lucy? ― Uma voz grossa do outro lado da linha soou. ― Sou eu, Gajeel.

Senti uma luz brilhar dentro de mim e soltei um sorriso incontrolável.

― Gajeel! Meu carro está pronto?

― Sim, só faltam alguns ajustes, mas você poderá vir buscar aqui na segunda feira. ― Respondeu um pouco distante.

― Certo. Levy estará aí com o dinheiro ― falei. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, me despedi e desliguei a ligação em sua cara.

Em alguns casos como esse, pessoas normalmente contariam um fato assim para um amigo próximo que estivesse envolvido na situação. Todavia, além de mim, apenas Natsu e Gajeel sabiam do ocorrido, e, futuramente, Levy ― mas, como eu não estava afim de dar explicações e contar toda a história para a baixinha, mesmo que ela estivesse, agora, envolvida em toda a situação.

A julgar por todos estes tópicos, apenas sorri e dei alguns pulinhos de alegria ― um comportamento que somente meus pais teriam num momento assim. Filho de peixe, peixinho é, certo? Mordi o lábio, contendo a animação e suspirei para me acalmar. Tinha que me apressar, já que, logo, logo, o sol iria se pôr, no entanto, eu tinha sorte de que o apartamento de meus pais não ficava tão longe.

Estava muito pessimista sobre o jantar na casa dos Dragneel. Eram minha família, e minha mãe amava eles ― claro, como não gostar de seu próprio irmão? ―, mas eu não conseguia parar de pensar de que iria rever o rosto de Natsu, e, o que eu mais queria no momento, era manter distância.

Soltei o ar e caminhei depressa.

Mesmo morando naquele prédio por anos, não conhecia nem dois terços de meus vizinhos. Todavia, havia uma pessoa que eu simplesmente não conseguia compreender o estilo musical. O residente do andar de cima do meu era completamente doido, e, quase todos os dias, tocava rock pesado no último volume. Era no máximo duas músicas por dia, mas, mesmo assim, se tornara um hábito irritante. Não entendia o porquê de ninguém reclamar.

Abri a porta tampando os ouvidos, incomodados com o alto som de AC/DC. Layla andava de um lado para o outro, colocando brincos em suas orelhas. Ela estava linda. Usava roupas de tecido preto e quentes, porém sofisticadas. Seu cabelo loiro estava preso em um rabo de cavalo alto. Era fácil confundi-la com uma adolescente facilmente. Sua beleza era formidável.

A mulher notou minha presença justo no fim da música de nosso vizinho, e então parou.

― Vá se arrumar, querida, temos que sair ― disse, e andou até o outro cômodo.

Caminhei até meu quarto e joguei minha bolsa sobre a cama bagunçada. Abri o armário e o encarei com a mão em meu queixo, pensativa. Era um jantar familiar, sim, mas era na casa dos Dragneel. Eles haviam sido considerados uma família muito rica em muitos países por conta dos negócios, ou seja, deveras respeitados. Precisava, ao menos, ir bem vestida.

Revirei os cabides a procura de algo. Muitas de minhas roupas eram pouco formais, por eu costumeiramente me sentir mais confortável em tecidos simples. Poderia pedir para minha mãe um vestido menos casual, mas não iria me vestir seriamente para um habitual jantar em família ― que não era tão habitual, para se dizer a verdade.

Optei por um conjunto simples de calça jeans e uma blusa. Esconderia tudo num sobretudo elegante ― aliás, era uma das poucas peças sofisticadas que tinha em meu guarda roupa ―, que me dava um ar mais requintado. Decidi deixar meu cabelo solto mesmo.

Saí de meu quarto. Os saltos de meu coturno faziam barulho a cada passo, o que, particularmente, eu achava bem engraçado. Layla e Jude estavam prontamente vestidos e arrumados, e me aguardavam perto da porta. Pareciam um pouco enfurecidos com a minha demora, e eu não ajudava a situação brincando com os pequenos saltos de meus sapatos.

― Você se enrola demais, filha ― Jude disse. Mesmo sério, conseguia ver em seus olhos que se segurava para não rir de minhas besteiras. Parei e segui eles até fora do apartamento.

Felizmente, mesmo com uma semana, eles não indagavam tanto sobre meu carro. Só diziam poucas coisas como: “Está aproveitando mais sua carteira de motorista agora, não é?” ou “O que tá achando do seu bebê novo?”, eu simplesmente inventava uma desculpa qualquer e fingia de desentendida.

O caminho até a casa de meus tios era enorme. A julgar que nós, de classe média, morávamos no tão famoso Brooklyn, a família Dragneel com certeza havia se estabilizado em um bairro provavelmente de classe alta. Quem tem dinheiro pode, afinal. Portanto, a grande distância era notável.

Durante todo o percurso usei meus fones de ouvido. Meus pais tinham a mania chata de ficar cantando e fazendo escândalo dentro do veículo ― mais um fator que me trazia mais vontade de que meu carro voltasse.

Encarava a janela e os prédios que eram como flashes de luz por conta da velocidade do veículo. Estava realmente curiosa sobre o comportamento de Natsu, principalmente depois de ele ter invadido o apartamento. No primeiro dia em que o vi, o ruivo estava fugindo de uns caras. Mas, afinal, quem eram essas pessoas? O que queriam com ele? Natsu estava, realmente, cometendo algum crime?

Senti algo batendo em minhas pernas e retirei os fones de ouvido. Layla me encarava com a sobrancelha erguida.

― E aí, o que me diz?

Sorri, tentando disfarçar o fato de que não tinha prestado atenção em absolutamente nada que ela havia dito.

― Claro, por que não? ― Soltei a primeira resposta que me viera à cabeça. Virou-se novamente e voltou a conversar com Jude. Suspirei, aliviada. Certos olhares de minha mãe me causava desconforto.

Em quase uma hora que parecia mais se estender por anos, estávamos perto da casa de meus tios. Moravam em um grande bairro onde, estranhamente, haviam somente grandes mansões. Por um momento, eu cogitei o fato de que eles tivessem voltado a viver na mesma casa que há seis anos atrás, todavia, rejeitei essa ideia quando vi a casa dos Dragneel.

Era enorme. Duas vezes ― ou até mesmo quatro ― maior do que a casa antiga. O jardim era bem cuidado e já haviam árvores e plantas sendo cultivadas, mesmo que estivessem chego lá em somente uma semana. Já tinha anoitecido, mas o brilho que vinha das janelas iluminava toda a extensão do terreno. Meu pai estacionou o carro e desci. Minhas pernas formigavam, e sentia que tinha ficado sentada por séculos. Layla apertou a campainha, e, ao longe, pude ver um homem alto e ruivo abrindo a porta e, em seguida, o portão elétrico se mexera, dando espaço para adentrarmos no terreno. Pude notar o sorriso brilhante de orelha à orelha de minha mãe, que andou rápido até os braços de seu irmão.

― Igneel! ― Ela exclamou, enquanto ele a girava no ar. Meu tio continuava o mesmo de sempre ― animado, histérico e sorridente, assim como Layla. Eles eram muito parecidos quando o quesito era personalidade. Todavia, ele tinha envelhecido muito desde a última vez que o vira ― claro, haviam se passado muitos anos. Meu pai andou até eles com um sorriso no rosto, ele gostava de ver minha mãe feliz. Os adultos se cumprimentaram e trocaram palavras.

― Lucy, querida! ― Acenou Igneel, quando notou minha presença.

― Oi, tio ― Respondi. Diferente de Natsu, meu tio era uma boa pessoa, e eu gostava dele.

― Vamos entrar! ― Convidou, enquanto caminhávamos até a porta de entrada.

Por dentro, a casa aparentava ser maior do que esperava. Havia várias decorações e quadros pendurados na parede. O carpete era cor de vinho escuro enquanto os móveis de couro adotavam uma coloração esbranquiçada. Na sala havia uma grande televisão e uma mesa central, onde várias taças de vidro estavam sobre. Dava já para perceber a enorme escada que dava ao segundo andar da casa, que, provavelmente, era tão impressionante quando a sala de estar.

― Que casa linda que vocês compraram, Igneel ― Layla quebrou o silêncio. E, assim, começou um assunto entediante de adultos sobre preços e os materiais de cada móvel naquele cômodo. Desisti de tentar compreender e desbloqueei a tela do meu celular, logo em seguida abrindo uma mensagem de Lisanna.

“E aí, como está o grande jantar?”

Suspirei e digitei minha resposta.

“Sinceramente? Queria estar morta.”

No momento em que enviei o SMS, ouvi dois gritos histéricos femininos. Olhei para a escada e encontrei o timbre da animação.

Samantha Dragneel, minha tia. Como sempre, dando a impressão de brilhar mais que o próprio sol. Ela sorria mostrando todos os seus dentes, e estava mais bela desde a última vez que eu havia a visto. Diferente de muitos anos atrás, suas madeixas negras estavam curtas, lhe dando um ar mais jovial. Usava um vestido preto, o que eu estranhava, já que estava frio.

Andou rápido em direção à minha mãe e envolveu-a em um abraço. Assim como seu marido, Samantha sempre fora deveras simpática e carismática. E, dadas estas circunstancias, sempre imaginei que Natsu fosse adotado.

Os adultos voltaram a conversar animadamente. Revirei os olhos e continuei em pé, encarando a tela do celular, enquanto escrevia uma mensagem para Levy.

“Preciso da sua ajuda. Meu carro quebrou e deixei ele na mecânica de Gajeel (você o conhece, é um colega nosso das aulas de química). Tenho que ir busca-lo segunda feira na oficina, mas tenho um compromisso. Você pode pegar meu carro para mim?” E em seguida haviam vários emoticons sorridentes.

Senti braços quentes em torno de meu corpo. Minha tia falava em meu ouvido, dizendo o quanto eu tinha crescido e que estava morrendo de saudades.

― Lucy, meu amor! Você está tão linda! ― Exclamou, puxando minhas bochechas. ― É uma pena que Natsu não esteja no momento, ele iria amar lhe ver novamente. Vocês se davam tão bem quando mais novos!

“Bem mal”, pensei, ainda mantendo um sorriso amarelado. Samantha não sabia que Natsu havia jantado lá em casa? Olhei para minha mãe e ela tinha uma expressão um tanto confusa.

Esse, definitivamente, seria um jantar desagradável.

E como foram esses anos todos na França, Samantha?

― Ah, a França... fico nostálgica só de lembrar...

Tentei cortar com a faca aquele misterioso pedaço em meu prato, que, pelo o que haviam me dito, era o frango assado preparado por minha tia. Fiz uma nota mental: sempre levar bala quando formos convidados para quaisquer eventos que envolvessem comida na da de meus tios.

Eu era a única adolescente, por assim dizer, naquele jantar. Era completamente desagradável e um incômodo para mim. Definitivamente, estar ali eram meus últimos planos para uma noite de sábado.

Senti meu celular vibrar dentro do meu bolso. Discretamente, o agarrei e conferi a nova mensagem que chegara.

“Você é uma preguiçosa, mas tudo bem, eu pego. Pode deixar”, era uma resposta de Levy sobre meu último SMS. Suspirei baixo, aliviada. Pelo menos ela não havia perguntado nada sobre o incidente. Cliquei para mandar uma mensagem para ela, todavia, fui interrompida com um sopro em meu ouvido. Olhei para trás e lá estava ele.

― Natsu, meu bebê! ― Samantha gritou. Seu rosto estava vermelho. ― Que bom que apareceu, nem percebi que você tinha voltado, e...

― Eu vou subir ― interrompeu-a. Seu rosto e pescoço estavam cobertos de band-aids, e as olheiras da noite anterior permaneciam ali, porém, pareciam estar mais profundas. Ele havia, ao menos, dormido?

― Espere ― dessa vez foi Layla que se pronunciou. ― Eu estava conversando com Lucy, e, já que você passou tanto tempo fora, por que vocês dois não saem juntos? Talvez tenham bastante papo para pôr em dia! ― Sorriu. ― Não é, Lucy?

Travei diante aquelas palavras. Quando eu tinha concordado com aquilo? Recordei-me da minha conversa com ela no carro, quando estava completamente desligada e perdida em meus devaneios.

“Ah, claro”, pensei. “Lucy Heartfilia, você é mais retardada que um asno.”

Layla nos fitava com um sorriso estampado em seu rosto. Era impossível negar um pedido indireto daqueles.

― Ahn... é... ― foi tudo que fui capaz de resmungar. Natsu ergueu uma sobrancelha, me olhou, depois desviou o olhar novamente para minha mãe. Sorriu em seguida ― era um pouco falso.

― Pode ser. Por que não, né? ― Concluiu. Senti como se estivesse caindo num abismo.

― Que ótimo! ― Minha tia exclamou, pude notar que seu filho revirou os olhos no momento em que ela se pronunciou. Estava um clima estranho entre os dois, o que era estranho, já que Natsu amava sua mãe quando pequeno. O que tinha acontecido na França, afinal? E por que a má sorte continuava me seguindo?

Parecia que minha mentira para a Levy havia se tornado verdade, de uma maneira bem triste.

Notas finais
O que acharam da mamãe e papai Dragneel? Admito que amei esses dois (parece que os pais dessa fanfic são meio felizes demais, né? AUSHAUHSA) ( ・ω・)ノ Obrigada por ler até aqui, espero que vocês tenham gostado do capítulo! Beijos~!(人´∀`*)