Arteremóri
4 Nunca reclamarás
Notas iniciais
Tanto faz, tanto fez, tanto fará
Já que tudo, esse vento um dia levará
Nada é meu, e nem será
Nesse mundo onde a paz não viverá
Em poças de água distantes
Eu vejo um líquido negro
Que não sei dizer se é quente ou frio.
Mas se dispersa em almas relutantes
E quando as esperanças evaporam
Eu vejo um esqueleto portando uma foice
Que corta meu pescoço, me faz sentir dor
Mas mesmo assim, minha hora não chega
Pelas areias, quanto amor.
Já não resta mais sangue em minhas veias
Que antes temiam por serem rompidas
Hoje não sei se vivem nas vias
Ou se alimentam abutres em rodovias
Só me resta o infinito
Onde não tenho sigilo
E mesmo que tudo pareça ter um final feliz
Não terá
Pois realmente tanto faz.
Mas se for para não ser feliz
Que seja o mais triste possível
Em meio a tantas chamas
Não sinto calor, nem minha própria pele
Eu consigo ver
Mas não me mover
Esse é o verdadeiro terror
Onde eu só queria me esconder
E em qualquer lugar ficar
Mesmo que me descubram
Algo irei sentir
Por incrível que pareça
Não tenho medo
E as vezes da vontade de temer essa perda
Mas como irei? Não sei
Não consigo sentir nada
E isso é horrível
Mas não acho
Pois nada consigo achar
E o mais estranho
É ter e não ter coisas dentro de mim
Como ter se não ter?
Como sentir se não sentir?
É um pouco estranho
Até não para mim
Ou sim
Mas qualquer sensação física
Já valeria a pena
Mesmo que seja a dor plena
Já valeria a pena
Mesmo que seja o terror
Já valeria a pena
Não teria do que reclamar
Se eu sentisse algo, qualquer coisa.
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