Notas iniciais
Desculpa, sei que já faz muito tempo desde a minha ultima atualização, mas ta ai um capitulo.

A mansão estava completamente vazia. O hall de entrada era livre de qualquer mobília e não havia sequer seguranças à postos, o que fazia os passos de Artemis e a respiração ofegante de Holly ecoarem pelo local.

Sem qualquer indicação de para onde ir, Artemis avançou pelo lustroso piso de mármore e se pôs a subir uma escadaria que levou a dupla até o segundo piso. Lá estava tão deserto quanto o térreo, mas havia no ar um leve cheiro de comida, e atraídos pelo agradável odor, Artemis e Holly foram guiados por uma dezena de corredores, parando finalmente frente a enormes portas de carvalho ornamentado com o brasão da família Dickerson.

Artemis achava tudo aquilo muito estranho. Não encontrara uma câmera ou alarme durante seu breve tour pela mansão, o que o deixava inseguro em abrir as portas de fronte a ele. “Por que alguém rico e importante como Dickerson abriria mão da segurança?”. Artemis teria feito essa pergunta a Holly se não fosse arriscado expor o escudo da elfa, alem do mais, a hesitação do jovem Fowl só faria Holly ficar ainda mais com medo.

Então, engolindo seus temores, Artemis empurrou as ruídos portas e adentrou.

O que viu a sua frente foi uma bela sala de jantar, embora salão fosse a palavra mais correta, porque o lugar era enorme. A pouca iluminação dava-lhe um ar sombrio e frio que vinha dos cantos escuros que tomavam a maior parte do recinto, e no meio, se entendendo por todo o comprimento do salão, estava uma mesa coberta por assados, doces, e especiaria de todos os tipos. Um banquete digno de rei, mas o único sentado à mesa era um garoto loiro que ignorou a chegada de Artemis, ocupando-se em dar uma dentada em um pedaço de peru.

-Sente-se, Artemis. – o garoto Dickerson falou com cordialidade logo após engolir o que tinha na boca. – E desfrute o jantar. Como eu não sabia o que as fadas comiam, mandei preparar tudo. Espero eu goste, Capitã Short.

Artemis ouviu Holly engasgar com o ar, e teve certeza de que Matt também escutou, pois ele sorriu com aqueles dentes brancos que ofuscavam qualquer um, e assustavam também.

-Vamos, acomodem-se! E não adianta tentar abrir as portas, elas estão trancadas. – ele astutamente adiantou o proximo pensamente de Artemis.

Sem opção, Artemis contornou a mesa e sentou-se de frente à seu anfitrião, que já voltara a comer como se a situação fosse a mais normal de todas. Holly permaneceu onde estava, parada na ponta da mesa, um pouco na esperança de que isso fortalecesse seu disfarce e outro pouco por estar pasma demais para se mexer. De onde estava, Holly tinha uma visão privilegiada de Artemis e Matt, e seus olhos vagavam entre eles como se estivesse assistindo a uma partida de ping-pong.

Matt aparentava naturalidade, e não havia motivos para ser diferente. Ele estava em sua mansão, e tinha Artemis e Holly ali, no alcance de suas mãos. Sabendo que tinha o controle da situação, o garoto não conseguia parar de sorrir consigo mesmo, dando-lhe uma aparência psicótica nada condizente com sua pouca idade.

-O que está acontecendo? –Artemis perguntou após alguns minutos observando Matt comer seu jantar e ser obrigado a encarar aquele sorriso presunçoso que era ele quem ostentava na maior parte das vezes.

-Muita coisa está acontecendo. Corrupção, violência, aquecimento global...

Artemis soltou algo entre uma risada sem graça e um engasgo de indignação.

-Você já teve diálogos mais inteligentes, Dickerson.

Matt alargou o sorriso e soltou o garfo, decidindo que estava satisfeito. Era interessante ver como o rosto do garoto alemão era uma mascara de humor contrastando com a de Artemis que era uma carranca séria e preocupada.

- Você tem razão. – começou Dickerson num tom leve de conversa casual. – Devo me esforçar um pouco mais, afinal, estou falando com nada mais nada menos que Artemis Fowl. Então deixe-me dizer isso de uma forma que fique bem clara para você e sua amiguinha invisível: O que está acontecendo? Vocês estão sendo presos.

Antes mesmo que Matt Dickerson pronunciasse a ultima palavra, pelo menos vinte seguranças trajados com ternos e fortemente armados saíram das sombras do salão e se puseram em formação. Neste momento, Artemis decidiu que a pior sensação do mundo é a de ter o cano de metralhadora pressionada contra a sua nuca.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.