Arsonist's Lullaby- Interativa
1 Prologue: The Beginning of The End
Notas iniciais
Caro leitor,
Se você passou tempo o suficiente vagando por esse triste mundo que habitamos, já deve ter aprendido uma valiosa lição: há certas coisas das quais é melhor não tomar conhecimento.
Assim como quando somos despertados no meio da madrugada por um ruído suspeito no corredor, a estratégia mais segura é ignorá-las, e torcer para que nossa ingenuidade nos proteja da escuridão, para que nossa apatia nos sirva de escudo. O presente relato é uma dessas muitas informações que seriam melhores se simplesmente largadas ao esquecimento.
Veja bem, a opção de permanecer protegido em minha santa ignorância nunca me foi oferecida, mas é essa a oportunidade que estou lhe ofertando nesse exato momento. Se você nunca ouviu falar sobre os contos da magia e da Ordem, lhe rogo que deixe de lado essa leitura. Não há nada aqui que lhe edificará, apenas aquilo que poderá facilmente lhe destruir. Se você olhar por tempo demais para o abismo, ele olhará de volta, então feche os olhos. Por tudo aquilo que é mais sagrado, eu lhe peço, simplesmente feche os olhos.
Mas se, por ventura, você tiver encontrado esse relato, não por algum acaso do destino, mas por fruto de sua própria busca insistente, eu digo: bem-vindo. Contudo, se certifique de proceder com cuidado. O caminho à frente é tortuoso mesmo para aqueles que não ignoram as realidades cruéis que nos cercam.
Nossa história começa em 1881, na imortal cidade de Londres. Ninguém sabe ao certo o dia ou o momento exatos que marcariam o início das crônicas de dor e desespero que viriam a seguir. Sabemos apenas que o início do fim se deu quando os irmãos Pembrook viraram na esquina errada naquela agradável tarde de domingo.
Há quem diga que esse seria o ponto mais decisivo da narrativa. Mas há também quem diga que tudo começou verdadeiramente anos, até mesmo décadas, antes, com acontecimentos de passados tortuosos, que logo retornariam para assombrar todos os envolvidos naquela fatídica investigação. A morte de um mentor, o assassinato de uma florista, o sequestro de um jovem herdeiro. Ou até mesmo uma história de amor proibido, que logo mostraria que nenhum pecado vem sem cobrar o seu preço.
Não há um consenso sobre o início verdadeiro do que viria a ser um dos maiores escândalos da história da Ordem, e uma das maiores lendas por entre os filhos da magia, mas, de qualquer modo, eu não teria a audácia de especular sobre o ponto de partida de nossa tragédia. Estou aqui tão somente para registrar a verdade, e a verdade é que aquele sétimo crime daquele fatídico ano foi anômalo em vários aspectos:
O primeiro: aquele crime teve testemunhas.
O segundo: aquele crime teve sobreviventes.
O terceiro: aquele crime foi interrompido pela Marquesa Antigone Lascelle e pelo Senhor Augustus Lockhart.
Seriam justamente esses três aspectos em conjunto que possibilitariam um avanço cada vez mais intenso e veloz das investigações. E, consequentemente, seriam eles também que levariam a uma violência progressiva por parte do criminoso em questão: o Incendiário.
O Incendiário era um assassino extremamente violento, cujas motivações eram tão misteriosas quanto sua identidade. Naquele ano, ele já havia feito sete vítimas, e não parecia haver muito padrão em seus crimes, a não ser que todos os mortos eram conhecedores do oculto, e que todos os locais de crime acabavam queimando. Agentes da Ordem, usuários de magia, ou simplesmente pessoas que possuíam qualquer tipo de conhecimento proibido, vários foram os alvos, e pouco eles tinham em comum entre si.
Envolvidos na busca incessante pelo terrível assassino, as mais diversas figuras surgiram, cada qual com seu próprio objetivo. Vingança, justiça, ou simplesmente um fim para todo aquele sofrimento. No final não importava. Pois tudo o que todos eles achariam seria mais sangue e mais chamas.
Atraída pelo fogo como mariposas são atraídas pela luz, a Líder caminhava em direção à destruição, ladeada pela Marquesa e pelo Vigilante. Emaranhados na mesma teia, a Rebelde e o Aprendiz inadvertidamente protegiam o Renegado, sendo acompanhados pelos olhos atentos do Feiticeiro e pela língua afiada da Pianista, que, apesar de distantes, sabiam muito mais do que poderiam relevar. Todos eles acabariam conectados de maneiras sombrias e inesperadas, e, juntos, se perderiam em meio ao labirinto de mentiras e segredos que cerca essa sucessão de crimes.
Sofregamente, eles cambaleavam, no escuro e na tormenta, sem direção, dançando em meio ao fogo e à fumaça, hipnotizados pela melodia fúnebre que cercava aquele que estava acima de todos, e que jogava com eles como se fossem meros peões.
Eles seriam alguns dos muitos a ouvir canção do assassino. Mas alguns dos poucos que não seriam completamente consumidos por ela.
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