Arrow versus Batman

2 Capítulo 1 – Cidade dos Ricos


Meu nome é Oliver Queen. Após cinco anos afastado do mundo, retorno com o único objetivo de salvar minha cidade. Abri mão de muita coisa agindo nas ruas, perdi muitas pessoas, isso me obrigou a ser outra pessoa. Outra... Coisa. Hoje, não sou mais o bilionário que morreu na ilha. Eu sou o Arqueiro.

A garoa molhava as ruas de Starling naquela iluminada noite na cidade que nunca dorme. Nas ruas, o movimento encontrava-se constante. O trafego estava intenso, com várias pessoas indo e vindo de suas moradas. Acima de tudo, correndo sobre os edifícios da cidade, encontravam-se os vigilantes.

O Arqueiro corria com seu arco composto em mãos, acompanhado por Arsenal, seu jovem parceiro coberto por um capuz vermelho.

– Felicity, me atualize. –o vigilante de capuz verde pede por seu comunicador.

O caminhão está cruzando a avenida, Ollie. Ele é todo seu. –a voz soa em seu ouvido.

– Todo nosso. –o Arqueiro sorri, olhando para seu parceiro.

O Arqueiro e Arsenal param a corrida na beirada de um prédio de três andares. Eles miram com seus arcos em um enorme caminhão de carga que se movia rapidamente entre as ruas. Eles disparam suas flechas, que eram customizadas com fios resistentes para que deslizassem até o veículo com seus arcos.

Os dois aterrissam no teto metálico do compartimento de carga agarrando-se nas bordas para que não caíssem. Eles se levantam, tentando manter o equilíbrio. Com a presença dos dois, o caminhão começa a mover-se de um lado para o outro, tentando derruba-los.

Da janela do copiloto, um homem armado com uma metralhadora dispara contra os dois, que são obrigados a voltarem a se pendurar no caminhão, evitando os vários tiros que iam contra si. Em conjunto, a dupla abre as portas metálicas do compartimento. Eles são surpreendidos por várias caixas de madeira caindo nas ruas, o que fez os carros que seguiam atrás do caminhão se afastassem para outras faixas.

Os vigilantes entram no compartimento e se deparam com mais membros da gangue, estes que estavam ali para garantir ainda mais a segurança do que levavam. Eles partem para luta, rápidos o suficiente para impedir que os homens se armassem devidamente. O Arqueiro desarma o primeiro e logo nocauteia o segundo com um forte soco no nariz. Arsenal desvia das investidas dos inimigos com acrobacias e os derruba com flechas não-letais. Agora os quatro homens que antes estavam prontos para o combate encontravam-se desacordados.

– Sem presente de natal para esses meninos levados. –Arsenal comenta, feliz por ter sido rápido no combate.

– Ainda temos que colocar o motorista na lista negra. –completa o Arqueiro, se dirigindo para fora da carga, tendo como objetivo pegar os homens que dirigiam o veículo.

– Por falar nisso, Arqueiro, você nunca explicou como aquela “lista” funcionava pra mim.

– História pra outra hora, Arsenal. –o Arqueiro saí da visão do parceiro, encontrava-se com o vento batendo em sua cara enquanto corria por cima da lataria do caminhão.

Quando chega na cabine, o Arqueiro abre a porta do caminhão e puxa o copiloto, que deixa sua metralhadora cair no asfalto.

– Caralho, Frennie, faz alguma coisa! –o homem implora ao motorista, que retira um revolver e mira no vigilante encapuzado.

Os olhos sombreados do Arqueiro encaravam os do motorista, que estavam cerrados em um olhar de ódio e confusão, sem saber se atirava ou não. Antes que pudesse decidir, se espanta com uma flecha de ponta vermelha que perfura o pneu do lado de fora, que faz o caminhão perder o controle.

A dupla de vigilantes salta do caminhão, deixando-o seguir sem controle pela pista, até derrapar e cair de lateral. O transito apenas aumentou em volta do local, com vários veículos parados na frente da pista interditada.

– Sem seguro pros dois. –o Arqueiro comenta, se dirigindo até o caminhão e retirando os criminosos inconscientes do veículo com a ajuda de seu parceiro.

– Vamos leva-los ao Lance? –Arsenal questiona, sempre acompanhando seu treinador.

– Com todo esse estrago, Lance vai vir até nós. Vamos, Arsenal, não queremos policiais reclamando sobre isso.

Antes de sair da cena, o Arqueiro olha rapidamente para os coletes que os criminosos trajavam. Todos continham um símbolo em comum, mesmo sem terem mais nenhum padrão entre si. O símbolo mostrava a silhueta de uma ave, mostrando-a do bico ao pescoço. Os dois vigilantes os deixam amarrados em fios metálicos e resistentes, prontos para serem pegos pelos oficiais.

– Acho que poderiam ser um pouco menos destrutivos... –Felicity comenta enquanto a dupla descia as escadas da Arrow Cave. –... Só comentando, sem críticas.

Apesar de todos os talentos de Felicity, ela não conseguia conter suas mais espontâneas frases, que muitas vezes aliviavam a tensão em situações. Atrás de si, um dos vários monitores de computador que estava ligado mostrava notícias sobre o caminhão tombado na avenida.

– Acabamos... Nos animando um pouco. –Oliver responde, abaixando seu capuz e mascara esverdeados, revelando seus cabelos louros e pele clara.

– E Oliver, ainda não falou sobre a lista. –Roy faz o mesmo, levantando seu topete castanho.

– Perguntou sobre a lista? O Oliver só riscava os nomes de quem matava na época, Roy. Ele seguia ela cega e loucamente e... –Felicity se vira para Oliver, que a olhava com um rosto sério. – ... Acho melhor eu parar de falar.

– Pronto, Roy. Agora sabe sobre ela. –Oliver faz uma pausa antes de continuar a falar. – Felicity, onde está o Diggle?

– Ele parecia ter algo importante para resolver com a A.R.G.U.S., a Waller chamou de última hora.

– E sabe sobre o que se tratava?

– Ele não falou.

Na instalação da A.R.G.U.S., John Diggle e Lyla encontravam-se em uma sala rodeada por janelas juntamente com Amanda Waller.

– A filha de vocês está em segurança? –Amanda pergunta, mantendo a mesma expressão sóbria de sempre.

– Amanda, vamos direto ao assunto: Por quê nos chamou? –Lyla a questiona com severidade.

– Ótimo, se é assim que querem agir... Sei que passaram por certo sufoco com o Esquadrão, mas tenho que apelar à vocês novamente para nos ajudarem.

– Quem vamos pegar? –Diggle também estava cansado do modo que Amanda falava.

Amanda se levanta e dirige-se à um grande monitor, que liga na face de um homem. O homem utilizava um monóculo quebrado e seus olhos pequenos davam-lhe um aspecto animalesco. Seus lábios eram longos e finos, isso somado ao seu longo e torto nariz fazia parecer que o homem possuía um bico.

– Seu nome é Oswald Cobblepot, um bilionário importante em Gotham. Acusado de desvio de dinheiro, assassinato, tráfico, roubo e outros tipos delitos. –Waller informa. Tanto Lyla quanto Diggle estavam surpresos com o macabro homem que encaravam no monitor.

– Se ele é tão perigoso, por que a polícia de Gotham ainda não o pegou? –Diggle questiona, mudando seu rosto surpreso para uma feição séria e determinada, como se já odiasse Oswald na primeira vista.

– A polícia de Gotham não é conhecida por ser eficiente.

– E o que mais, Waller? Não mediria tanto suas palavras se fosse só para nos mandar em uma missão.

– Apreciaria se fosse mais respeitoso, Senhor Diggle. –Amanda muda a visão do monitor, agora revelando três fichas de criminosos. Um deles era Slade Wilson, outro era Digger Harkness, e a última se tratava de uma mulher mentalmente insana chamada Harleen Quinzel. – Agora, apresento-lhes seus novos colegas de equipe.

– Não pode estar falando sério! –Diggle bate na mesa e se levanta, incrédulo sobre quem estaria na equipe. – Sabe que não foi fácil aturar o Floyd, agora surge com a ideia do Capitão Bumerangue e do Exterminador? Harkness quase te matou, Lyla, não pode concordar com isso!

– E não concordo, mas apesar de não serem os melhores, os métodos da Amanda funcionam, John. –Lyla parecia confusa com a situação, apesar de estar certa de suas palavras.

– Obrigado por compreender, Lyla. Senhor Diggle, trate de se acalmar. Não vai ser útil se discutir por cada decisão que tomo. –a calma na voz de Amanda irritava Diggle ainda mais.

– Ótimo. Saiba, Amanda, que posso fazer muito mais trabalhando com Oliver, Waller! –Diggle saí da sala, ainda esquentado com as informações que acabou de receber.

– Espero que entenda, Lyla. –Amanda diz, agora que estavam sozinhas na sala.

– Amanda, o que garante que a micro bomba na cabeça de Harkness não falhe novamente?

– A A.R.G.U.S. vai se assegurar de que não aconteça.

Lyla faz uma breve pausa antes de continuar, o que deixou o silencio entre as duas quase insuportável após as palavras de Diggle.

– E quem é essa Quinzel? Desde quando temos psicopatas na equipe?

– Quinzel era uma psiquiatra de Gotham. Acabou... Pirando depois de um paciente incomum. Ela conhece o Pinguim, pode ser útil a nós.

– Esperamos que esteja certa.

Lyla olha mais uma vez para o monitor, focando especificamente no rosto de Harlen Quinzel. Era uma mulher jovem e que já havia sido bonita, mas a loucura tomou conta de sua face. Suas olheiras faziam um belo par com seus lábios pretos, enquanto seus cabelos louros caiam sobre sua pele pálida. Em seu rosto, um sorriso se abria. Não um sorriso leve, mas um que trazia muita malícia consigo, que apenas alguém perturbado conseguiria reproduzir. E isso, com certeza, era o que mais assustava Lyla.

O bilionário bem vestido olhava pela janela enquanto voava em seu jato particular. Seu rosto era refletido enquanto contemplava os céus, com a feição séria de sempre. O homem olha à sua volta, reparando nos detalhes do veículo em que viajava. O estofado em que sentava era confortável e forrado em couro, o que lhe dava uma aparência deslumbrante. À sua frente, encontrava-se a mesa em que sua assistente colocava o que quer que o bilionário pedisse. Toda a madeira que formava parte da decoração era bem lixada, o que aumentava a qualidade das coisas que cercavam o bilionário.

Quando volta a encarar a janela, o homem é transferido para outra cena através de sua consciência. Ele lembra-se do maior marco de sua vida. Cada detalhe, cada pensamento, tudo era claro em sua mente.

Ele lembrava-se de ter saído do teatro com seus pais quando tinha aproximadamente oito anos, os três trajados formalmente. Seu pai havia decidido levar-lhes por um atalho, já que o carro não estava tão longe. Os três atravessavam um beco escuro e sujo, com latas de lixo e algumas fogueiras feitas por moradores de rua. A fina família comentava sobre a peça que assistiram. Se tratava de Zorro, um famoso personagem espanhol. Os três tinham gostado da obra, sem conter seus elogios.

Em meio à cena, um outro elemento surgiu. Um homem de aspecto pobre e acabado havia aparecido na frente deles, sua arma apontava para família que havia trocado seus sorrisos por olhares amedrontados. O pai tenta dialogar com o homem enquanto deixava seus pertences no chão, sem tentar reagir de alguma forma. A mãe, apesar de desesperada, estava nervosa demais para tirar suas joias do pescoço rápido o suficiente. O pai se dirige para ajudar sua esposa, mas seu movimento brusco assusta o assaltante, que dispara um tiro no peito do homem. Em seguida, um tiro é disparado contra a mãe. O filho, desesperado, apenas observa o homem ir embora, deixando as joias para trás. Estava desesperado o bastante para ignorar o que roubou.

O menino ainda conseguia enxergar as joias da mãe. Um colar de pérolas havia se despedaçado naquela noite, o som de suas partes caindo e rolando no chão o marcaria pra vida toda.

– Tudo bem, Senhor Wayne? –o bilionário ouve, voltando à si. Era como se ele tivesse retornado para realidade da maneira mais fria possível, tal como acordar com um balde de água fria.

– Tudo... Tudo. –ele responde, se voltando da janela para o rosto da moça morena com rosto liso pela maquiagem que usava.

– Vim informa-lhe que estamos a sete minutos de pousar.

– Excelente. Obrigado, Stephanie.

Um tempo se passa, até que o jato com logo da Wayne Enterprises pousa no aeroporto de Starling. A escada desce com a porta, e o senhor Wayne finalmente poderia desembarcar. Quando saí, ele se depara com um outro bilionário famoso na cidade e uma legião de repórteres. Não demoraria para toda Starling saber que ele estava na cidade, seja por jornais ou televisão.

O Wayne vai cumprimentar o bilionário que o esperava, evitando olhar para as câmeras, apesar de ser impossível evitar tantas.

– É incrível como gente como nós tem tanto orgulho do próprio nome. –o homem diz antes de estender a mão para Wayne, olhando para o logo no jato.

– É um prazer conhece-lo, Ray Palmer. –Wayne sorri levemente após o comentário. Era incrível como ele conseguia forçar sorrisos tão facilmente, foi uma tática que aprendeu durante os anos. Apesar disso, desfaze-los era mais fácil ainda.

– Digo o mesmo, Bruce Wayne. –os dois apertam firmemente suas mãos, o que confirmava poder se construir uma grande parceria a partir dos dois.

Bruce e Ray se dirigem até a entrada do aeroporto, saindo da pista onde se encontravam. Eles eram seguidos por repórteres, como se fossem parasitas. Tanto Palmer quanto Wayne odiavam essa perseguição da imprensa, mas era bom para manterem às aparências.

– Sabe, Bruce... Eu estava com alguns projetos, uns que poderiam ser muito produtivos se com o financiamento certo.

– Admiro suas ideias, Ray. Vou me sentir ótimo podendo ajudar.

– Já o agradeço, sei que grandes coisas podem sair de nós dois. Agora, se me permite, vou fazer uma ligação.

– Vá em frente.

Bruce se distancia de Ray e dos repórteres, ficando próximo ao banheiro. Ele faz uma ligação através do comunicador em seu ouvido.

– Alfred, cheguei em Starling.

Está em muitos canais, patrão Bruce. Agora estamos prontos para lidar com o Pinguim. –a voz de um velho amigo responde-lhe, determinadamente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.