Arrivederci Roma

15 PARA TODO COMEÇO TEM UM FIM


Na manhã seguinte quando me levantei, a cama estava vazia achei que Luca estava no banho, mas não ouvi nenhum barulho, como sempre não consigo pensar direito quando levanto então tomei um banho e me arrumei.

Fui para sala e ele também não estava, sai para fora e logo o vi sentado na varanda. Me aproximei e o abracei pelas costas ele se virou e me beijou, um beijo já com gosto de saudade.

— Por que não me acordou? Me deu um susto quando não te achei. – disse sentando-se na cadeira ao seu lado

— Me desculpe minha bela, mas precisava pensar com clareza e ficar do seu lado me impede de fazer isso. Aproveitei e vim ver o dia amanhecer, momento único, assim como você!

— E sobre que te disse ontem, saiba que foi real e sincero! – disse na esperança que ele me dissesse algo.

— Você me deixa confuso Mel , não sei de verdade o que passa na sua cabeça! – disse ele em nervoso.

Percebi então que ele havia se armado e imaginei que era a forma dele se proteger.

— Tudo bem Luca, não precisa me dizer nada, só queria que tivesse a certeza dos meus sentimentos por você. – disse com mais lagrimas nos olhos.

Tomamos café e fomos arrumar nossas coisas para voltar, nosso retorno foi agradável, resolvemos fingir que nada tinha acontecido, cantamos muito evitamos assuntos de sentimentos ou em qualquer coisa que nos remetesse ao dia anterior e quando chegamos em Roma, já no meio da tarde, paramos no estacionamento e ele me abraçou forte.

— Saiba que você é única e que está levando meu coração com você, porque também estou te amando e apaixonado. – disse ele enfim respondendo a minha declaração.

Não contive as lagrimas e apenas pedi desculpas. –Não quero que sofra Luca, viva sua vida e seja feliz.

— Não me peça isso neste momento, foi você que eu amei ontem, que amo agora. Como poderei ser feliz?

— Também não sei Luca? Aprendi a conviver com os caminhos errados que segui e mesmo que eu acho o caminho certo vem a vida e coloca um obstáculo tão grande que me obriga a mudar o percurso. Eu te amo Luca, mais agora talvez eu seja obrigada a mudar a rota, mas vamos continuar a nos falar sempre que possível.

Então as lagrimas também escorreram de seus olhos, continuamos abraçados tentando adiar o momento.

— ObrigadaLuca, por tudo que fez, amei cada segundo com você e vou amar para sempre. – Disse saindo do carro.

— Você ainda quer me ver antes de voltar para Brasil? – disse ele com a cara na janela.

— Se você quiser, iria adorar. – disse com esboço de sorriso no rosto.

— Te busco para jantar logo mais! – disse ele já dando ré no carro.

Chegando no quarto, Ale me aguardava ansiosa, contei-lhe tudo (menos os detalhes) e então percebi o quanto realmente gosto dele.

Pela primeira vez na viagem consegui deixar a Ale sem palavras, apenas pegou minha mão como gesto de apoio para aquele momento tão difícil para mim. E disse que me apoiaria e estaria ao meu lado, independente da decisão que eu tomasse, desabafei e chorei como nunca com minha irmã.

— Mel, não quero te deixar confusa, mas pense que é melhor você se arrepender de algo que fez, do que se arrepender por nem ao menos ter tentado. – disse ele com uma aflição na voz.

— Já pensei isso Ale, mas nem isso está aplacando minha tristeza, – disse sem forças em minhas palavras.

Já no hotel e atormentada pelos meus pensamentos, resolvi mandar mensagem para Luca, para cancelarmos nosso encontro, estava cansada e precisava descansar, pois, a viagem seria longa, sairíamos após o café para aeroporto, visto que nosso voo estava previsto para onze e meia da manhã.

Como resposta ele disse apenas: “Ok, já esperava por isso, você quem decidi, assim como decidiu não me ter em sua vida... te amarei sempre... Bacci nel tuo cuore”.

Não contive as lágrimas e desabei na cama e ali permaneci, encolhida, com coração dilacerado, por mim e por ele e antes de cair no sono, enviei mensagem para Enzo para ver se o Luca estava bem e cai no sono. Acordei com Ale, para começarmos arrumar as nossas coisas, eram seis e meia da manhã.

Com olhos inchados, fui para banho para despertar, a Ale estava no telefone com Ignazio que iria nos dar uma carona até o aeroporto, e pude ouvir ela dizendo que eu estava mal, mas iria ficar bem.

— Ale, você contou para o Ignazio o que exatamente?

— Ah! Que você meio que estava namorando o Luca, ele não parava de me perguntar, mana, desculpe se fiz mal! – disse ela num tom arrependido.

— Tudo bem, não mudará nada o que será. – disse eu me sentindo derrotada.

Peguei o celular e nenhuma mensagem dele, mas tinha uma do Enzo:

“Olá Mel, não sei o que aconteceu, consegui falar muito tarde com Luca e pela sua voz não estava nada legal, combinei com Luigi e estamos voltando para Roma busca-lo, ele não quer ir para casa da família dele, te mando mais notícias em breve... bacci Enzo”.

— Pronto, era tudo que precisava para não sair correndo e pular a janela. — disse eu com olhar desesperado para Ale.

— O que aconteceu Mel? – perguntou Ale, sem assustada.

Mostrei o celular para ela e sua única reação foi de balançar a cabeça com tristeza no olhar.

— Mel, ou você segue com sua decisão e deixa esse rastro de tristeza ou volte atrás e arrisque ser feliz de verdade.

Não pensei duas vezes e liguei para Luca, um toque, dois toques, três toques, nada dele atender.

— Ale, leve minhas malas para aeroporto, irei o mais rápido que puder e te encontro lá.

Desci com os cabelos em um coque molhado mesmo, pedi um taxi urgente na recepção e segui para o hotel de Luca, chegando lá corri para recepção e perguntei se ele estava no quarto, me informaram que ele tinha acabado de chegar, peguei elevador e fui para seu quarto, bati como doida em sua porta e apenas na quinta batida ele resolveu abrir.

— Mel! O que esta fazendo aqui? – disse ele apenas de calça, sem camisa.

— O que você está fazendo, você passou noite no bar? – quando de longe senti o cheiro etílico.

— Onde mais passaria? Você me quebrou Mel, estilhaçou meu coração! – ele parou de falar, assim que viu o anel de arame ainda em meu dedo. – Você ainda não jogou fora essa porcaria? Ou esperava um de diamante?

Não aguentei a insinuação e minha reação foi dar lhe um tapa na cara, o que ele não esperava.

— Não vou ser insultada dessa forma Luca, eu vim aqui até porque você é muito importante para mim, mais importante do que você imagina e segundo; esta porcaria em meu dedo, vale muito mais do que qualquer anel de brilhante ou diamante, pois ele foi feito por você, exclusivamente para mim, é a lembrança mais pura do que vivemos e que estou levando comigo e isso não tem dinheiro no mundo que pague, assim como meu amor que também não está à venda, entendeu! – disse eu com muita ira em meu ser.

Arrependido de suas palavras, ele pos se a desculpar. — Mel me perdoe, eu jamais quis te ofender dessa maneira, sou um idiota em te tratar assim! Me perdoe!

Sai da frente dele e fui para janela atender meu celular que estava tocando, era Enzo, dizendo que já estava a caminho de Roma e chegaria logo mais.

— Você entende agora Luca, como somos de mundo diferentes, por mais que eu te ame, em algum momento as diferenças irão aparecer. – disse com voz embargada e tremula.

Luca não tinha reação, sentou -se na cama e com as mãos no rosto, só fez chorar.

— Enzo está chegando e agora preciso ir e antes que diga algo, não precisa me acompanhar e seja feliz! – disse eu com certa frieza na voz.

Vestida com minha armadura da indiferença, virei as costas e fui para o elevador e enquanto esperava o elevador, Luca surgiu atrás de mim, me abraçou e me virou de frente para ele, sua respiração tinha o cheiro forte de álcool com mistura do cheiro do seu corpo.

— Não posso deixar você ir assim, simplesmente não podemos deixar o que vivemos acabar assim!? – disse ele aflito.

— No meu coração nossos momentos estão mais vivos do que nunca, estou levando cada minuto que estive com você, de alegria, de paixão, amor e cumplicidade, todos sem exceção.

— Não esqueça que dei meu coração a você também! – disse Luca ainda com esperança no olhar.

— Eu sei, e você também tem o meu!

Dei o último beijo com toda paixão do meu ser e ele correspondeu com a mesma intensidade.

— Esta é a despedida mais difícil da minha vida, depois de meu pai. Sinto meu coração partir em mil pedaços.

— Vamos nos ver, quando menos você esperar. – disse ele com certo brilho no olhar

Senti seu perfume pela última vez e entrei no elevador, sem olhar para trás, peguei o taxi na frente do hotel e segui para o aeroporto.

Cheguei a tempo de encontrar minha irmã na fila da imigração, quando embarcamos ela me olhou, esperando que disse algo.

— Vamos para casa! – falei esboçando um sorriso no rosto, porém, despedaçada por dentro.

Ela também percebeu o anel no meu dedo, mais não disse mais nada, seguimos para casa, de volta ao meu lar, meu país.

Notas finais
Será mesmo o fim dessa historia!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!