Notas iniciais
Demorou mais saiu o segundo capítulo!!! Boa leitura a todos!!!

CAPITULO II

A VIAGEM

Com o passar dos anos, minha relação com Alexandra amadureceu, assim como nós nos tornamos muito próximas, sempre juntas, irmãs, amigas e confidentes e mesmo com nossas diferenças, agora conseguíamos resolver nossos problemas com um bom diálogo e isso fez com que nossa aventura fosse ainda mais maravilhosa.

Quando o grande dia chegou, eu e Alexandra não aguentávamos de tanta ansiedade, mal dormimos na noite anterior.

Na França foi muito legal, nos divertimos muito, parecíamos adolescentes fazendo arte, apesar de Alexandra falar um pouco francês não tinha total domínio da língua e isso nos colocou em alguns apuros.

Resolvemos ir até a Torre Eiffel de ônibus, em nossa mente seria tudo muito tranquilo, afinal não era um bicho de sete cabeças.

Estávamos sozinhas no ponto Alexandra desesperada que chegava a suar, estava nervosa também, milhões de pensamentos me passavam pela cabeça. E se nos perdemos? Se pegarmos o ônibus errado? Quando o ônibus enfim chegou, olhei para o motorista e ele não disse nada, a Ale já estava na catraca quando olhou pra mim com cara de espanto.

— Mel! Não tem cobrador e nem valor da passagem!

— Ué! pergunte para o motorista!

Ela voltou e perguntou para o motorista mais não teve resposta, ele apenas acenou para irmos.

Nesse momento eu já estava rindo, mas de nervoso por não saber o que fazer. Olhei para Ale e passei pela catraca e ela veio logo atrás de mim.

— Mel, acho que paga quando desce.

— Você está vendo alguma maquininha pra moeda ou dinheiro?

— Ai! Meu Deus, Mel, que mico!

— Vamos ver o próximo passageiro que entrar como vai fazer.

Por quinze minutos, rodamos por vários lugares pela França e nada de outros passageiros embarcarem, meu riso agora tinha virado crise de risos, pois não sabia se estávamos no ônibus certo.

— Ale, pergunte para o motorista se este ônibus realmente vai para na Torre.

Mais uma tentativa da Ale de conversar com o motorista, mais sem resposta apenas um aceno com a cabeça.

Dez minutos e ninguém havia embarcado, tanto a Alexandra quanto eu estávamos em pânico, pois no ônibus só estava nós duas e o motorista que não falava. Levantei para apertar a companhia, pois iria descer antes que fossemos parar em Deus sabe onde, quando a Alexandra me puxou pelo braço.

—Mel, veja é a Torre.

Antes que eu apertasse o botão, o motorista gritou.

— Próxima parada é a da Torre!

Assim que o ônibus parou descemos sem nem olhar para trás, rimos muito e até hoje não descobrimos como tinha que pagar a passagem.

Estar na Torre Eiffel foi mágico, uma vista incrível de tirar o fôlego e em silêncio contemplamos tamanha beleza que estava diante de nossos olhos.

A volta para o hotel, resolvemos ir de metrô para não correr o risco de pagar mais um mico.

No dia seguinte íamos visitar o Museu do Louvre, quando chegamos nosso guia já estava aguardando com um grupo de pessoas que também faria a visita. Pegamos os fones e começamos nosso passeio.

— Ale! — disse indignada, começando a bater o pé no chão pela impa­ciência. — Acelera aí com essas fotos que o guia já está lá na frente. — Espiei pela porta que dava para a sala que o guia tinha entrando, notando que ele es­tava se afastando cada vez mais.

— Ai! Mel, calma! — Ela me olhou como se estivesse irritada, mas sa­bia que na verdade ela estava de bom humor, fazendo uma das coisas que mais gostava — Estamos no Louvre preciso de fotos. — Sua voz ficou mais aguda no final, demostrando a euforia dela por estar finalmente aqui, um dos seus sonhos era visitar o Louvre, ela amava museus.

E agora que ela estava finalmente estava aqui, iria tirar as fotos que tanto gostava e acaba me deixando louca também, Alexandra sempre tirava fo­tos de portas, tetos e faixadas.

— Ale, estou indo — disse, cruzando os braços, sabia que ela não viria comigo agora. — Não quero perder as explicações das obras. — Logo estava caminhando novamente para perto do guia, ouvido a explicação que dava so­bre um dos grandes quadros no centro da parede.

Mas sempre de olho na Alexandra, pois tinha certeza que ela ia ficar para trás.

Minutos depois olhei para trás e não vi a Alexandra, voltei para procurá-la e depois de muito andar por algumas salas, a encontrei tirando mais fotos.

— Ale, por favor! Vamos logo, o guia está quase lá fora já!

Enfim, chegamos onde o guia estava, muitas pessoas aglomeradas próximas a ele, mas somente quando cheguei perto que entendi o real motivo de todos estarem desesperados.

Ali bem na minha frente, estava uma das obras de artes mais famosas do mundo, a Mona Lisa ou A Gioconda, protegida por um cercado de cordas e vidro a prova de balas e um segurança que não permitia a aproximação.

Fiquei, confesso, paralisada de emoção, pela beleza do quadro, pela simplicidade e a perfeição em cada traço, Leonardo da Vinci era realmente um gênio.

Encerramos nossa visita no Louvre na parte externa nas famosas pirâmides de vidro, que ficaram ainda mais famosas com o filme “O Código da Vinci”.

Resolvemos dar uma volta para irmos a compras e claro primeira parada loja de perfumes, os franceses são incríveis na arte da perfumaria e não nos demos contas que ficamos por mais de 2 horas dentro da loja.

Retornamos para o hotel, dessa vez de taxi para não correr mais riscos, pois no dia seguinte faríamos uma longa viagem, passando pela Suíça e os famosos Alpes até chegar na Itália.

Uma viagem incrível, passamos por vários vinhedos e plantações de lavandas e não podia deixar de imaginar o perfume das flores na primavera, já que estávamos em pleno inverno e tudo estava seco ou coberto de neve.

Fizemos uma breve parada na Suíça, escandalosamente bela e moderna, com suas lojas de relógios rolex, e os famosos chocolates suíços. Tivemos um tempo para explorar a cidade e junto com um grupo de pessoas que conhecemos durante a viagem, fomos conhecer uma famosa igreja de pedras, a mais antiga de lá.

Quando chegamos na igreja, tão imponente e fria – devido ser toda de pedra – me sentei diante do altar para melhor admirar, era um pouco escura mas muito bela. Sentada ali, me dei conta que aquele momento era único e eu estava vivendo intensamente cada segundo, agradeci a Deus com profunda gratidão por tudo que havia conquistado até esse momento.

Me dei conta também, que todos já haviam saído, olhei apavorada de um lado e para o outro e vi apenas Alexandra tirando fotos.

“Meu Deus! ” Pensei, “Vamos para mais uma aventura! ” Levantei e fui até minha irmã.

— Ale, querida! Estamos sozinhas!

Vi pela primeira o terror nos olhos da Alexandra, como quem esquece a panela no fogo, ela passou por mim como um furacão, rumo a porta, me chamando desesperada para correr e tentar achar o grupo.

Como imaginei, todos haviam sumido. Começamos a caminhar pelas ruas de pedras que pareciam um labirinto, mas em vão não encontramos ninguém do grupo.

— A culpa é sua, Mel, que não prestou atenção para onde foram!

­— Desculpa, irmãzinha, se estava ocupada orando a Deus por esta viagem maravilhosa e você?

— Alguém precisa tirar fotos de tudo!

Continuamos a andar e depois de quinze minutos de caminhada, resolvemos perguntar para um senhor. Em francês ele tentou nos ajudar, mais a única coisa que conseguimos entender era “ o rio”.

Para variar, tive uma crise de risos enquanto Alexandra estava quase chorando. Seguimos em frente, mais dez minutos de caminhada encontramos o tal do rio que o senhor havia mencionado.

Chegamos em uma ponte, olhamos de um lado e do outro e não enxergávamos o ônibus que tinha ficado na praça principal. Eu já estava cansada e congelando de frio e resolvi parar um pouco para descansar e aproveitar a paisagem.

Perdida em meus pensamentos, de como há tantas belezas diferentes no mundo, cada lugar conta sua história e acho isso simplesmente incrível.

Alexandra me tirou do meu devaneio, me puxando pelo braço apontou para o outro lado ponte. Meus olhos brilharam e me coração voltou a bater, achamos o ônibus do outro lado ponte.

Foram vinte minutos de caminhada e quando enfim chegamos no ônibus, ofegantes e exaustas, éramos as primeiras a chegar. Olhamos uma para outra e caímos na gargalhada. Por precaução não saímos mais de perto do ônibus, apenas atravessamos para pegar um chocolate quente e retornamos.

França foi maravilhoso e encantador, Suíça moderna também teve seus encantos, e passar por debaixo do Mont Blanc ao longo de 11 km de túnel, foi algo indescritível. Depois de atravessá-lo, estávamos na Itália e as paisagens a seguir foram de tirar o folego, seguíamos pelas cordilheiras, completamente coberto de neve e nos vales enxergava apenas as fumacinhas saindo das chaminés das casas, como naqueles filmes de antigamente.

Peguei meus fones e as músicas que ouvia com meu pai e que embalavam nossos domingos, agora me trazia a tona as lembranças que há muito tempo não me permitia sentir, saudade. Virada para janela, chorei e me deixei levar pelas paisagens e a música suave que tocava em meus ouvidos, até adormecer.

Acordei quando já estava chegando em nossa próxima parada, Aosta. La ficaríamos apenas para dormir e no dia seguinte continuaríamos nossa viagem passando por Assis, Ravena e Roma.

Chegamos em Roma já a noite, no momento que descemos, tudo mudou, fui tomada por uma emoção sem igual. Me sentia em casa, familiarizada com o cheiro e até arriscava no italiano mesmo não falando tão bem.

Não acreditei que teria uma semana naquele lugar incrível. Eu queria aproveitar tudo, os monumentos, os museus, fazer compras, tudo que fosse possível.

Já no nosso segundo dia, fomos ao Vaticano. Começamos a visita pelo museu, com um guia local. Assim como no Louvre, foi impressionante, é difícil descrever a sensação de ver de perto o que víamos apenas nos livros, como a Capela Sistina. Uma obra de arte sem precedentes e a luxuosa decoração da Basílica de São Pedro.

A Pietà de Michelangelo, foi a obra que mais me emocionou, diante dela chorei por sua beleza e realismo sem igual.

No nosso último dia de passeios, fomos até a Fontana di Trevi e mantive a tradição de jogar uma moeda por cima do ombro para que retorne mais uma vez à Itália e de lá seguimos para o aeroporto.

Chegamos mais cedo e ficamos aguardando no saguão, quando de repente uma movimentação chamou nossa atenção, meninas gritando histéricas, uma verdadeira muvuca sem tamanho.

—Mel, o que será isso? Vou lá ver.

Alexandra sempre foi a mais curiosa e desinibida, talvez pelo fato de ser professora. Não demorou muito e ela retornou toda empolgada.

—Mel, são três garotos lindos! Cantores italianos e pelo jeito de muito sucesso aqui.

— Não para mim, nunca os vi antes!

Minha irmã imediatamente se pôs a pesquisar sobre os garotos, durante a espera de nosso embarque, enquanto eu sentia um imenso aperto no coração, por ter que ir embora daquele lugar tão mágico que havia me deixado sensações incríveis e que jamais iria esquecer.