Arrependimento em forma de lágrimas.
1 Parte de sua alma dilacerada, a outra morta.
Notas iniciais
Espero muito que gostem do que escrevi e, por favor, deixem comentários para, além de me deixar feliz, manter isso existindo nesse site.
Vejo vocês lá embaixo!
É um dia muito quente e muito bonito onde o sol está brilhando no céu azul salpicado por nuvens brancas. Em seu interior amargurado, quer gritar para a natureza transformar aquele cenário desesperadamente agradável em uma tempestade cinza e destruidora para condizer com o seu humor, para condizer com as memórias queimando e queimando dentro de sua mente sem cessar ou abrandar. Algo parece estar fora de lugar enquanto o vento morno sopra e há flores vivas e coloridas por todo lado.
Se bem que, ultimamente, nada está no lugar. Pietro está morto— essa palavra vai te enlouquecer e, ainda assim, não consegue parar de repeti-la até a pura e simples exaustão — e você está completamente sozinha pela primeira vez em sua vida. Pietro morreu e você viu o corpo; cabelos pálidos desordenados e sujos, olhos claros vazios, um punhado de buracos de bala e sangue. A memória faz seu corpo tremer e, realmente, é um dia afável demais para se estar tão triste, mas, de que importa? Seu irmão está enterrado e inexistente.
— Eu passo os dias me corrigindo quando falo sobre você, sabe? — começa e acha que está finalmente louca, falando com uma lápide, contudo, acalma seus pensamentos, cria a ilusão de que ele está ali. — Preciso colocar todas as palavras no passado e dói porque estão todos me olhando com pena. Você sabe que não suporto pena, Pietro. — é um dia bonito e gritam aleluia na igreja próxima. Se recorda das flores, e então que ele não tinha uma favorita porque qualquer uma bastava para os dois órfãos de Sokovia.
Sentir dilacera, mas pensa que não sentir pode ser pior — dele, só resta aquela agonia incessante e a jaqueta que se recusa a olhar, a tocar — . De qualquer modo, a sensação de que seu peito está sendo comprimido e rasgado, de que o ar se recusa à circular por seus pulmões e de que não existe qualquer rota de fuga. Talvez não exista uma mesmo e sua mente deseja se iludir pensando que pode escapar dos sentimentos horríveis que consomem mais e mais da sua alma, se é que ainda resta algo como isso dentro de seus dias cinzentos.
— Não podia morrer, entende? Você era o meu herói e sempre sabia o que fazer! Sempre sabia o próximo local para ir e o que fazer. — não é justo que tantas pessoas ruins conheçam a felicidade e você se afunde em lembranças cortantes, entretanto, sabe que há pouca justiça nesse mundo. E o que deve esperar de uma realidade que coloca Pietro Maximoff debaixo de sete palmos de terra além de dor, angústia e decepção? Parece até infantil, nesse instante, querer mais do que todos eles são capazes de ofertar.
Não era para ser um daqueles dias mais infelizes do que o habitual — você nunca está feliz, as pessoas não têm o humor rápido e inteligente de seu irmão e, inferno, sua garganta protesta após tantos e tantos gritos -, mas umas simples música fora o suficiente para a maré de culpa, tristeza e ódio voltar para te afogar em águas escuras e espessas como o sangue dele. A memória de Pietro em geral veio e não há nada que possa fazer você esquecer o modo que tudo estava bem e, de repente, não estava mais.
— Eu não sabia do valor desses momentos até que eles se tornassem recordações. — é só um murmúrio perdido no vento e nos louvores da capela cristã do outro lado da rua. Você acha estranho que exista uma dessas ao lado de um cemitério judaico, todavia, naquele instante silencioso, agradece. — Não sei o que fazer e tudo está ficando estranho, perigoso. Saberia o que fazer, como lutar ou como nos tirar daqui, irmão? — Ele, sem dúvidas, saberia, porém, é apenas você, apenas Wanda Maximoff, agora, sem o complemento característico do nome dele em seguida.
É um dia bonito e quente onde o sol brilha no céu azul salpicado por nuvens brancas e Pietro está morto. Pedras serão colocadas ali na semana que vem porque já faz quase um ano. Um ano e se sente triste porque só havia você para rasgar suas roupas durante o enterro. Só uma garota chorando e chorando em um dia um tantinho nublado, contudo, não o suficiente para aplacar seu estado, desacompanhada de outros seis parentes que não existem. Você ainda quer morrer quando se recorda daquele dia tenebroso.
Pietro está morto e você, Wanda, está sozinha.
Notas finais
Deixem comentários que me deixam felizes e garantem a existência disso, que responderei todos com muito carinho!
Abraços,
Palavra Perdida.
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