Arrependi-me
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Enjoy it!
Eu renasci como um pedaço de carne velha. Eu era uma alma penada em um corpo que não era meu, mas foi construído para mim. Era como vestir um trapo velho, usado e sujo.Ele não servia em você, você se sentia suja usando, sentia que ele já havia sido usado por outra pessoa e ela não havia feito coisas boas com ela.
Abri os olhos. Minha visão estava turva com esses olhos velhos e sujos. Eu conseguia ver um vulto de alguém a minha frente. Não conseguia mexer meus braços ou pernas. Aqueles membros velhos pareciam que não foram ligados certamente em “meu” corpo. Com minha visão turva, vi o vulto se mexer lentamente. Eu não conseguia piscar. Eu não tinha pálpebras. Eu não tinha a maioria das coisas que qualquer pessoa normal teria.
“Você acordou, minha linda” Murmurou a voz que pertencia ao vulto. Eu não conseguia ver bem, eu apenas ouvia alguns murmúrios baixos, como sussurros. “Você finalmente acordou... Espero que esteja confortável nesse corpo... Eu demorei anos para faze-lo e...”
Eu senti raiva como nunca antes. Consegui soltar minha alma daquele corpo sem vida e forcei minha entrada no corpo do vulto. De repente senti dor. Eu doía inteiramente. Gritei, um grito nada harmonioso de dor. Sentia o vulto gritando de dor. E então... Eu consegui entrar no corpo dele. Eu estava disputando com a alma dele, mas antes que ela conseguisse me expelir daquele corpo, eu atingi um ponto que eu matei aquele corpo. Eu saí. Tudo em mim estava doendo, mas valeu a pena. A alma dele também foi morta. Agora era um corpo oco, morto totalmente. Senti prazer. Lembrava o que ele tinha feito para mim, foi ótimo ver ele morto no chão.
Ele havia me matado enquanto estava viva. Eu era odiada por todos quando estava viva. Mas... Eu queria viver novamente. Reviver... Reverter... Eu estava arrependida do que eu tinha feito. Por mais que doa... Eu queria fazer isso.
Eu sabia que a culpa era minha, então eu resolvi apenas procurar algum corpo para eu continuar a viver.
Andei invisível pela rua, procurando alguma moça bela para eu conseguir encarnar.
Eu vi uma tocando violão no embaixo de uma loja. Ela tinha uma bela voz... Ela era bela... Sabia cantar também... Perfeita.
Eu entrei em seu corpo. Ela caiu, não gritou. Apenas caiu. Eu ataquei o mesmo ponto que antes para mata-la e matar a sua alma. Ninguém parecia notar ela caindo. Eu entrei no corpo dela e vi que tinha controle total sobre os movimentos dela. Sorri. Me sentia em casa novamente. Fechei meu novo punho e abri-o novamente. Perfeito. Perfeitos movimentos, corpo perfeito. Não era como aquela boneca feita de trapos que eu estava “vestindo” antes.
Me levantei com meu novo corpo. Antes disso vi que tinha um chapéu em minha frente. Ele estava virado para cima, com apenas uma única moeda nele. Observei o chapéu, sem entender o que significava. Eu tinha vivido a muitos anos atrás, isso não existia antes.
Eu carreguei o violão por aí. Não sabia toca-lo. Apenas o carregava por aí como faziam os artistas. Se ela estava tocando o violão quer dizer que ela é uma artista, certo?
Quando passava pela rua, todos olhavam para mim com desgosto. Eu ficava olhando-os, estranhada. “Deve ser porque eles não gostam da música dela” pensei. Mas, aquilo era muito estranho, todos ficavam longe de mim, se afastavam quando eu chegava perto.
Senti fome pela primeira vez em anos. Chequei o bolso dela. “Se ela é uma artista, ela deve ter bastante dinheiro!” Refleti. Mas quando procurei achei apenas uma moeda de dez centavos. Com ela não se dava para comprar uma bala. Resolvi perguntar para alguém sobre a antiga alma que morava nesse corpo. Quando cheguei perto de uma mulher, ela se afastou rapidamente de mim. Eu insisti, e então ela me deu uma moeda, e gritou: “Saia de perto de mim!”
O resto que eu tentei perguntar também fizeram o mesmo. Eu não entendia, até um policial chegar perto de mim e dizer: “É proibido pedir esmolas para as pessoas, moça. Você está as incomodando!”.
Eu passei por outras ruas e becos. Todos me ignoravam ou me davam dinheiro. Quando passei por um beco, um homem me atacou, roubando meu violão. Ele xingou-me e saiu correndo.
Ele deixou uma faca enfiada em minha bacia. Eu sentia dor, muita dor. Tentei sair do corpo, só que minha alma já havia se adaptado ao corpo. Era a dor da facada e de minha alma saindo do corpo. Logo, outros apareceram e roubaram todo meu dinheiro. Eu sentia o sangue quente envolta de mim.
“Eu me arrependi”
Fale com o autor