Notas iniciais
Dia 1 da Semana Kacchako do Kacchako_Project!
Tema: Pro-heros

Espero que gostem!

Aquela missão já durava há dias. Desde que as agências locais descobriram a localização do esconderijo de uma organização de vilões, os profissionais envolvidos não tiveram um minuto sequer de descanso. Reuniões, discussões, patrulhas, vigias, sondas.... Tudo aconteceu sem parar, sem folgas ou descansos longos; Os únicos momentos em que era realmente possível relaxar eram os das refeições e na hora de dormir. No caso de Bakugou e Uraraka, nem dessas pausas eles puderam desfrutar direito.

Dois dias. Fazia-se dois dias que ambos não dormiam, tudo graças a necessidade de terem que ficar atentos e focados a qualquer emergência ou movimentação suspeita do inimigo. Seus descansos? Não passaram de breves cochilos, e apenas isso. No entanto, com o físico e preparo que possuíam, eles ainda conseguiram permanecerem firmes, com uma presença quase inabalável; Não que isso mudasse as consequências futuras, contudo.

Os bocejos involuntários eram a lembrança de que, talvez, os dois precisassem de um pequeno ócio depois que tudo aquilo acabasse. Eles mal podiam esperar para o término da missão.

O momento tão esperado aconteceu no sexto dia de trabalho, quando uma emboscada foi organizada; Devido a estratégia, várias equipes de profissionais foram formadas e distribuídas ao redor do alvo, sendo Katsuki e Ochako pertencentes aos grupos ofensivos principais. Eles partiram diretamente para a batalha.

O ataque começou no início da tarde e encerrou-se horas depois, perto do fim da mesma, tendo sido repleto de lutas árduas e de esforços cansativos. Após um bom tempo, finalmente todos os membros da organização foram derrotados e levados para fora do esconderijo, onde viaturas policias os esperavam. Os heróis haviam vencido mais uma vez!

— Esse desgraçado é o último!

Ground Zero anunciou ao sair da construção invadida, enquanto arrastava um vilão inconsciente pelas roupas. Na rua frente ao prédio encontravam-se todos os pro-heros que participaram da missão, uns dando relatórios a polícia, outros ajudando os paramédicos no cuidado dos feridos, e o restante fazendo o reconhecimento de cada pessoa capturada. Uraraka terminava de trocar suas últimas palavras com um oficial quando seu companheiro chegou chamando atenção, o que imediatamente levou-a a olhá-lo para, em seguida, dirigir-se até ele.

— Ground Zero, bom trabalho! – ela exclamou com um sorriso.

— ...Sim. – e Katsuki a respondeu segundos depois, enquanto passava a encará-la.

Sem esperar mais palavras, a mulher apenas assentiu, antes de aproximar-se do inimigo inconsciente e abaixar-se em sua frente, analisando seu rosto com cuidado.

— Hum... Esse é Kuroinu. Um dos membros de elite da organização. – ela comentou, mais para si mesma do que para o outro.

— Elite? Tsc! Então é por isso que esse maldito deu um pouco mais de trabalho. – o herói resmungou, soltando o vilão. – Bom, não que tenha mudado alguma coisa para mim, já que chutei a bunda dele facilmente, de qualquer jeito.

— “Facilmente”, huh...? – Ochako provocou em tom irônico, enquanto começava a amarrar os braços do homem com seu equipamento.

— Você está insinuando alguma merda!? – Bakugou cerrou os olhos, rangendo os dentes.

— O quê? Eu!? Claro que não! – ela fez-se de desentendida, rindo fraco enquanto finalizava o nó das fitas de captura. – Só pensei um pouco em voz alta.

Disse e, então, levantou-se. Porém, assim que ficou de pé, a heroína repentinamente sentiu um fraquejo em suas pernas e cambaleou, começando a cair para o lado e arregalando levemente os olhos assustada. Felizmente, Katsuki notou seu movimento suspeito e agiu com reflexo, apoiando as costas dela com uma de suas mãos e impedindo sua queda; Demorou-se alguns segundos para ambos processarem o que aconteceu.

— O q... O que diabos, Uraraka!? – ele esbravejou, sem estar realmente bravo. Porém, quando sua companheira não o retrucou como de costume, a expressão do homem suavizou-se em uma discreta preocupação e seu tom tornou-se mais baixo. – ... Ei, você está bem?

— Huh? Ah, sim... – Ochako respondeu, com lentidão em seus pensamentos. Logo, levou alguns dedos sobre a testa e a pressionou, suspirando fraco. – Eu acho que... Só estou um pouco cansada.

— ... Tsc! Não faça isso de novo, bochechas. – ele reclamou, fechando os olhos por um breve momento durante a fala. – Consegue ficar de pé sem apoio?

— Sim... – respondeu e, esfregando os olhos, se recompôs, antes de afastar-se e virar-se para seu parceiro. – Obrigada, Bakug-

— Uravity! Ground Zero!

A heroína estava prestes a agradecer quando alguém a interrompeu, ganhando assim sua atenção curiosa juntamente com o intenso olhar carmesins, que voltaram-se para o mesmo lugar. Uma mulher aproximava-se com um sorriso orgulhoso.

— Bom trabalho!

— Bom trabalho! – Uraraka devolveu, curvando-se em respeito.

— Você... É a líder da missão (?).

— Ground Zero! Você está nisso há quase uma semana e não sabe chamá-la pelo nome!? – sua parceira o repreendeu, irritando-o.

— Fique quieta! Você não tem nada a ver com isso!

— Ei, ei, calma... Está tudo bem, Uravity. Eu não me ofendi. – a mulher balançou as mãos em paz, sorrindo enquanto os outros dois calavam-se e encaravam-se feio. –Além do mais, sei muito bem a respeito da personalidade difícil e exótica de Ground Zero.

— Ei!

— Não foi uma ofensa! – ela rapidamente defendeu-se, vendo a heroína a frente segurando uma risada enquanto o outro profissional parecia rosnar para ela. – Bom, de qualquer maneira, eu vim agradecê-los por seus esforços e ajuda. Vocês foram pilares muito úteis em nossa ofensiva.

— Huh, somos fodas! – ele cruzou os braços, presunçoso.

— Nós ficamos gratos de poder ajudar! – e a outra ignorou-o, concentrando-se em sua própria e gentil resposta.

— Vocês são heróis incríveis! – a líder afirmou, sentindo uma essência de alegria e orgulho irradiando da dupla. – E é por isso que eu quero compensá-los, assim como fiz com os demais.

— Nos compensar?

— Sim! Sabe... Depois do sucesso da missão, eu fiz algumas ligações para as agências que trabalharam conosco e pedi para que contribuíssem para o bem-estar dos profissionais, dando-lhes uma folga a partir de amanhã. Todos vocês estão isentados por hoje também, aliás.

— Quê? Mas, e os relatórios?

— A polícia já recolheu alguns enquanto falava com vocês. Os relatórios escritos podem ser entregues até sexta-feira, então, fiquem tranquilos quanto a isso.

— ... Isso significa que estamos dispensados?

— Sim. – a mulher mais velhas cruzou os braços com um sorriso, sem tirar os olhos dos heróis. – Os policiais assumem daqui! Vocês dois podem ir para casa. Ou melhor... Por que não vão para o hospital com uma das ambulâncias? Os machucados de vocês são superficiais, mas ainda precisam de alguns bons cuidados, sabe?

— ... Isso é... – Ochako começou incerta, porém, parando, balançou suavemente a cabeça, antes de mudar de ideia e abrir um pequeno sorriso. – Isso seria ótimo. Obrigada!

— Disponha! – a mulher sorriu, aproximando-se para tocar os ombros da dupla. – Aproveitem esse tempo para descansarem bem, okay? Encontro vocês na reunião das agências no fim de semana.

Ela disse, enfim, deixou-os, afastando-se com seus passos com um último aceno. Ambos profissionais ficaram a olhando até que a líder desse as costas, fazendo-os assim mudar seus focos um para o outro. Ground Zero e Uravity pareciam comunicar-se silenciosamente.

— Bom... Vamos? – que quebrou o silêncio, começando a virar-se.

— Para uma das ambulâncias?

— Claro que não! Não vamos atrapalhar as pessoas que realmente precisam de cuidados médicos. Esses arranhões não são nada que não possamos aguentar.

— Foi o que imaginei. – o homem deu de ombros, saindo marchando na frente.

E depois de alguns segundos parada, a heroína fez o mesmo, passando a segui-lo. Eles despediram-se de alguns outros pro-heros antes de deixarem a área da missão, caminhando juntos por um mesmo rumo. Apesar do silêncio, a dupla sabia que tinham um mesmo destino em mente.

— Para minha casa? – ela, porém, insistiu em confirmar, sem parar de andar.

— Obviamente, porra! Seu prédio é perto daqui, não é?

— Tão meigo... – a mulher suspirou, apesar de estar acostumada. – É sim, felizmente.

— Ótimo, então vamos.

— Eu nem te convidei para ir ao meu apartamento...

— Hah!? E desde quando preciso de convite? Pensei que depois de tantas vezes por lá, eu já havia ganho “passe livre”.

— Bom... É verdade que o porteiro nem mesmo te barra mais quando você aparece. Acho que ele pensa que estamos namorando, algo assim... – ela comentou, ficando ao lado dele. – Fico com vergonha só de imaginar.

— Não é como se não estivéssemos juntos ou merda parecida também, no final das contas. – ele deu continuidade a conversa, ignorando os murmúrios empolgados na rua, provavelmente, de fãs.

Uraraka, por sua vez, sentiu as bochechas esquentarem e assentiu, ficando em silêncio. Seu companheiro tinha razão... Por mais que não estivessem em um relacionamento sério, ambos já haviam feito tudo o que um casal de namorados faria, até mesmo em questões mais íntimas. Não era de se admirar que o porteiro do prédio estivesse familiarizado com o loiro. Não que ela reclamasse muito disso.

Enquanto seguiam o caminho por bons minutos, a heroína encarava o chão distraidamente, perdida em devaneios. Sua visão, momentos ou outros, embaçava-se a ponto de ficar turva, o que ocasionava numa hesitação por parte de Ochako, que simplesmente diminuía a velocidade de seus passos para manter a estabilidade. Notando a distância que crescia entre ele e sua “amiga”, Katsuki também passou a ir mais devagar, esperando-a.

— O que foi?

— Huh...? – ela levantou a cabeça assim que percebeu estar novamente ao lado do outro herói.

— Você está estranha. Está enjoada?

— Ah, não, não é isso... Não dessa vez.

— E o que é então?

— Acho que... Hum... Eu preciso descansar um pouco?

— Tsc! Você já disse coisa parecida. Há quanto tempo que não dorme, hein?

— Acho que... Há uns dois dias.

— ... – ele olhou-a, antes de voltar-se para frente. – Sua molenga...

— Ei! Você não pode dizer nada! – Ochako ofendeu-se, apontando o dedo para ele. – Suas olheiras estão piores que as minhas! E nem adianta negar que eu as vi muito bem antes de você colocar sua máscara!

— Quieta! Pelo menos eu não fico cambaleando e tropeçando por aí que nem você!

— Você acha que não reparei no jeito que você tem andado mais devagar desde que saímos do esconderijo? Você só tem um pouco mais de equilíbrio, mas está tão acabado quanto eu.

— Estou andando malditamente devagar porque eu quero!

Eles começaram a discutir e assim ficaram até finalmente chegarem no condomínio fechado, cessando a pequena – e divertida – briga em respeito aos outros moradores. Após passarem e cumprimentarem o porteiro, a dupla seguiu para os elevadores, o qual utilizaram para alcançar o sétimo andar e ir até o respectivo apartamento de Uraraka, adentrando-o.

— Sei que não preciso dizer isso, mas; Fique à vontade. – disse, tirando suas botas. – Eu vou pegar minha caixa de curativos no banheiro, espere na sala.

— Tsc! Não me diga o que fazer... – ele resmungou enquanto tirava seus calçados, sendo ignorado pela outra.

Apesar do comentário, Bakugou fez exatamente o que ela pediu e foi até a sala, sentando-se no sofá. Assim que acomodou-se sobre o móvel, o homem suspirou baixo, sentindo seus músculos agradecerem pelo descanso; Ele também aproveitou para tirar sua máscara, deixando-a sobre a mesa de centro.

— Voltei! – a mulher anunciou ao aparecer no recinto, com uma caixa acinzentada em mãos.

Também deixando-a sobre a superfície de madeira, ela logo sentou-se ao lado de seu parceiro, antes de inclinar-se para abrir o objeto e começar a pegar algumas pomadas.

— Vamos cuidar desses machucados em seu rosto primeiro. – disse e, em seguida, virou-se para Katsuki.

Sem muita teimosia, o herói fez o mesmo, ficando de frente para ela enquanto observava Ochako colocando os remédio pastoso em um algodão, levando-o até sua pele. Ela deslizou a bolinha felpuda por todos os arranhões que encontrou, focando principalmente naqueles que apresentavam um estado ou profundidade mais grave – e que provocaram alguns resmungos doloridos por parte de Bakugou. Assim que terminou de passar a pomada, a mulher voltou-se para a maleta e pegou alguns curativos, posicionando-os e grudando-os por todo o rosto do homem.

— Agora só falta... – ela murmurava para si mesma, enquanto uma de suas mãos repousava na testa, puxando gentilmente a franja dele para trás. – Aqui. Prontinho!

— ... – Katsuki passou a mão sobre o adesivo em sua bochecha, sem tirar os olhos da outra. Logo, também virou-se e pegou algumas coisas da maleta, jogando-as em cima do sofá. – Sua vez.

— Huh?

— Você está cheia de machucados também. Vou fazer os curativos.

— Q-que? M-mas eu pensei que-

— Que só você ia fazer isso em mim? Tsc! Vá sonhando, bochechuda. – ele a interrompeu, pegando a pomada e despejando-a sobre o algodão. – Agora fique quieta para que eu possa cuidar desse malditos arranhões!

— A-ah, okay. – a heroína respondeu, antes de notar uma ferida bem evidente no braço de seu parceiro, na parte do seu traje que estava rasgada. – Tem mais um!

Ela exclamou e, sem mais explicação, mexeu-se para pegar alguns dos objetos que Bakugou jogou no móvel em que estavam, passando a fazer mais um cuidadoso curativo nele. Mesmo sentindo as mãos pequenas trabalharam em si, Bakugou manteve o foco em sua atividade, tentando ser o mais cuidadoso possível para que não a fizesse sentir dor.

O homem nunca fora a melhor pessoa para fazer esse tipo de coisa, tendo só uma noção básica para que soubesse se virar em situações de emergência. Uraraka, porém, tinha um jeito inexplicavelmente gentil de cuidar, tanto das pessoas, quanto desses pequenos ferimentos. Mesmo sabendo disso, ele esforçava-se para tentar retribuir tal zelo.

Após cuidar dos braços e rosto de sua companheira, Katsuki pegou, por fim, uma atadura, a qual começou a envolver ao redor da cabeça dela, sem exageros. Enquanto trabalhava no seu provável último curativo, o homem sentiu o corpo da heroína cambalear e franziu o cenho, tentando manter-se firme.

— Oe, fique parada e... Bochechas? – ele chamou, não recebendo resposta. Com pequena preocupação, parou o que fazia e baixou a cabeça, no intuito de olhá-la. – Ei, Ochak-

Mas antes que pudesse terminar, Bakugou sentiu o corpo alheio cair contra seu peito e, desequilibrando-se, tombou para trás, fechando os olhos inconscientemente por causa da queda. Assim que suas pálpebras caíram, o herói teve a sensação de alívio tomando conta de todos os seus músculos, encorajando-o a afundar-se nela e permanecer daquela forma. Ele estava tão cansado assim? E, por um momento, ele até considerou adormecer e descansar ali mesmo, porém... Ainda havia um pequeno detalhe a ser verificado.

— Ochako...? – a voz rouca e baixa murmurou enquanto, esforçadamente, seus olhos abriram-se de leve. Ele estava preocupado com sua parceira.

A visão que teve, no entanto, foi ainda mais calmante do que o desafogo que preencheu-o anteriormente. Deitada sob seu peitoril, estava uma Uraraka adormecida, respirando fracamente e devagar; Por seu estado, era possível presumir o tamanho da exaustão que ela carregava e que, agora, extinguia a cada segundo daquele sono profundo. Tendo a consciência do quanto foram os esforços da heroína na última semana, Katsuki não teve coragem de tentar acordá-la e de, muito menos, se mover. Por isso, apenas respirou fundo e levou um dos braços – ainda equipados com suas manoplas – até as costas dela, segurando-a carinhosamente enquanto lançava o outro membro superior para trás.

Sem muita demora, os olhos do herói voltaram-se a se fechar, e ele entregou-se ao seu cansaço, também adormecendo.

A vida de pro-hero não era fácil. Mas só por poderem ajudar as pessoas, chutarem algumas bundas e terem momentos como esse... Já valia muito a pena!

Notas finais
Bom, essa é uma fanfic que fiz inspirada numa fanart sa Superevey, e em contribuição a Semana Kacchako.

Espero que vocês tenham gostado!

Obrigada por ler S2
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!