Arquivos Perdidos - O Inicio Do Caos
4 Capítulo 4 - Vou visitar o planeta Terra
Notas iniciais
Estou sentado, tento correr. Mas tudo o que consigo fazer é ficar parado e observando. Como eu disse antes, sou só um expectador.
Eu sei o estrago que um píken pode fazer e não queria ficar ali para descobrir. Estou atrás de meu pai, consigo ver o Píken que é umas duas vezes maior que ele. O monstro abre a boca e avança, meu pai é muito ágil e se abaixa. O píken pula em cima dele, mas ele desliza por baixo e se coloca em pé atrás do Píken. Alguns segundos atrás o foco do monstro era meu pai, mas agora ele está concentrado em mim. Estou á uns três metros dele. Tento procurar meu pai atrás do píken, mas estou nesta droga de corpo e não controlo seus movimentos, parece que o bebê Setrákus não está muito afim de ficar encarando o monstro.
O píken avança cauteloso, já está á dois metros de mim. Ele dá a volta na sala, como os leões fazem quando estão perto de abocanhar sua presa. Ele para do outro lado da sala, atrás dele tem uma parede feita de algum tipo de aço, mas está brilhante o suficiente para refletir sua imagem. Consigo ver o reflexo da parte de trás do Píken, meu pai aparece novamente. Desta vez ele leva a mão á cintura e tira uma adaga. Ela é azul, mas não tem uma cor qualquer, o azul brilha com uma força que nunca vi antes. Ele toma impulso para trás e quase encosta na parede, ele corre e pula. Por um momento eu achei que ele iria cair em cima das costas do Píken. Mas isso não aconteceu, ele ficou lá, parado no ar flutuando.
Ele estava com os braços abertos, em uma mão ele tinha a adaga. Com a mão vazia, ele aponta para o píken, e o monstro vai se movimentando mesmo que involuntariamente ele se encosta na parede. Era óbvio que quem estava fazendo aquilo acontecer era meu pai. Mas ele não estava encostando no monstro, ele conseguia empurrar o píken só com a força do pensamento.
O píken ruge como nunca. Ele faz uma força muito grande para tentar se soltar, mas nada adianta. Meu pai desce para o chão novamente, o piken está totalmente imobilizado na parede. Ele aponta a adaga para o corpo do píken. O monstro percebe a derrota e para de se debater.
Meu pai vira o rosto e olha para mim e sorri. Nesse momento na porta do outro lado da sala um cientista usando um uniforme azul entra e aponta uma espécie de arma para o meu pai. Ele atira, a bala acerta o píken. Não era para meu pai que ele estava apontando, era para o píken. O monstro cai no chão, desmaiado? Morto? Como eu poderia saber.
– Você ia matar ele? – o cientista pergunta para meu pai.
– Claro, estava fora de controle, não o deixaria ameaçar a segurança de qualquer um aqui. – Dizendo isso meu pai me pega no colo e me leva para fora do laboratório. Antes de sairmos da porta, eu vejo o cientista com a ajuda de outros levantando o píken que estava no chão. Eu pude ver que o píken não estava morto somente desmaiado.
Estamos no corredor. O lugar é pouco iluminado e as lâmpadas ficam nas paredes e não tem ninguém ali a não ser eu e meu pai. Ele começa a falar, só posso deduzir que está falando comigo. Mas até agora eu ainda não entendi esse hábito estranho que ele tem de ficar conversando com um bebê que mal entende o que ele está falando. Agora as circunstancias eram diferentes, eu podia entender o que ele falava:
– Você viu? Foi legal, e daqui uns anos você também poderá fazer isso. Só temos que esperar seus legados aparecerem, e ai vamos poder até fazer uma pequena disputa. Garanto que você vai ser o mais forte, e pode até conseguir alcançar seu velho aqui. Garanto que você vai ser o escolhido. Confio em você. Agora como prometido vou te levar até a grande arvore, e vamos nos divertir. – sério, não entendi nada. Que historia é essa de Legados. Escolhido? Devo ser mais forte que quem? Bom a quando eu ouvi sobre a grande arvore ai eu desisti de entender.
Quando saímos do corredor eu adormeci e tive um sonho.
Estava em um deserto, o clima era quente. Meus olhos estavam ardendo por causa da luz forte do sol. Eu estava em meu corpo normal. Mas estava vendo o corpo do bebê Setrákus separado de mim. Eu me concentrei em ver os detalhes, e quando meus olhos se acostumaram com a luz eu vi várias pessoas muito velhas em volta do bebê Setrákus. Acho que tinha uns 10 deles. O bebê estava no centro e as outras pessoas formavam um circulo em volta dele. Parecia que eles não sentiam minha presença. Isso era bom, pois eu podia escutar tudo sem ser notado.
– Meus bons companheiros, por milênios nós estávamos comandando e mantendo a ordem por aqui. Nós os dez escolhidos já fizemos nossa parte, agora estamos aqui para decidir o futuro desta criança. – diz o velho que parecia ser o líder, ele usava uma roupa longa e cinza que arrastava uma capa pelo chão. – esse garoto já está determinado a ser o ancião desde seus primeiros dias de vida. Como sabemos bem, nosso oráculo nunca falha – dizendo isso ele vira para outro ancião que estava usando uma roupa semelhante só que com a cor azul que só pode ser o próprio oráculo. Ele assente. O oráculo se levanta:
– Meus companheiros, milhares de anos atrás eu desenvolvi meu legado de previsão do futuro e me tornei o oráculo de nosso querido planeta. Em todos esses anos nunca falhei em nenhuma previsão. Nem quando eu estava aprendendo e treinando esse legado eu não falhei. Vi coisas que não gostaria de ter visto, mas foi preciso. E essa criança, essas criança tem futuro. Ela vai se tornar o maior ancião que Lorien já teve.
Eu acordo. Meu pai ainda está comigo no colo e estamos perto de uma arvore muito grande. Estamos numa fila, muitos lorienos á frente e muito mais atrás.
Depois de um longo tempo de espera, nós entramos. Era um lugar bem grande por dentro. Muitas luzes e lorienos correndo felizes por todos os lados. Particularmente eu não entendia esse sentimento inútil que vocês humanos e o lorienos tem em comum.
Meu pai me levou novamente para outra fila. No fim da fila eles me colocaram em um carrinho, e aquele aparelho se parecia muito com uma “montanha russa” que vocês têm ai na terra. O brinquedo começou a andar para todos os lados, o vento batia em meu rosto, e pela primeira vez eu percebi o que estava sentindo, eu estava sentindo felicidade. EU ESTAVA FELIZ.
NOVE ANOS DEPOIS
Estou á nove anos preso nesse corpo. Não lembro muitos detalhes da minha antiga vida. Devo fazer dez anos daqui alguns meses. De um tempo para cá simplesmente eu vivia como Setrákus. Agora posso dar algumas explicações. Aqui em Lorien, existem 10 anciões. Cada um com um poder fora do comum que se chama Legado. Meu pai é um deles. Ele tem vários legados super interessantes. Pode ficar invisível, ele tem a telecinese que é o poder de controlar, mover, manipular a massa com o poder da mente. Ele usa a telecinese para flutuar e voar por todos os lados. Ele também muda de forma. Tem outro ancião que altera sua idade vai de um velho de 500 anos á uma criança de 10. Ele não altera sua idade, ele muda de forma, mas não pode se tornar um animal ou algo do tipo. O poder dele só o transforma em outra pessoa mais velha ou mais nova, homem ou mulher. Sem contar sua super força, velocidade e raciocínio que são bem elevados.
Ele me disse uma vez que seu primeiro legado chegou quando ele tinha 15 anos. E precisava sair escondido da escola. Foi fácil fazer isso se tornando invisível. Ele me disse que era para avisar ele quando se manifestasse meu primeiro legado. É claro que não o avisei. Não lembro quando ele apareceu pela primeira vez. Eu acho que já nasci com ele, ou ele apareceu quando eu era novo demais para entender. Meu segundo legado é controle da mente. Posso decidir o que qualquer um vai ver pensar ou até sentir.
Meu irmão gêmeo Pittacus não é tão inteligente quanto eu. Não é tão forte quanto eu e também não faz tanto sucesso com as lorienas quanto eu. Mas ele até que é legal. Meu pai acha que eu vou ser o ancião. Pittacus não tem legados, até agora não. Só podem escolher 10 crianças para tomar o lugar dos 10 velhos que comandam tudo aqui.
Meu legado é o de previsão do futuro. Não contei isso ao meu pai, por que eu conheço o oráculo que também é um ancião. Ele fica 24 horas em seu lugar de descanso no alto das montanhas do leste. Ele nunca sai de lá, pois vive fazendo suas previsões para os outros. Não. Não quero isso para mim. Não pretendo ficar o dia inteiro sentado sem fazer nada, somente fazendo favores para os outros.
Por isso estou indo visitar um planeta que fica aqui perto de Lorien. Ele se chama Terra, está em seus primeiros milênios de existência. Nossos historiadores daqui de Lorien estão ajudando essa raça a evoluir em questão de cultura tecnologia e outras coisas ai.
Tenho nove anos e já estou entediado aqui em casa. Vou ver o que posso fazer no planeta Terra. Ensinar alguma coisinha para eles e talvez me divertir um pouco. Vou usar um meio de transporte proibido para pessoas da minha idade. Mas como eu já previ, não vou ser pego aqui.
A máquina usa um meio de extração de Legado e transforma em energia que recria exatamente o Legado. Eu escolhi o Legado de TeleTransporte. Escolhi o destino na tela gigante que estava na minha frente e tudo ficou branco.
Estou em um lugar no meio do deserto. Uma pequena civilização vivia ali. Egito, se me lembro bem dos historiadores dizendo o nome dela um dia atrás. Eles idolatram deuses imaginários que nós lorienos implantamos em suas mentes. Eles construíam verdadeiras muralhas, torres em forma piramidal. Sim, a noção de geometria também fomos nós lorienos que introduzimos para os terráqueos.
Não quero chegar quieto, quero fazer a maior bagunça aqui, quero me divertir. Eu chego no meio da cidade deles. Concentro-me e entro na mente de cada um. Este momento todos eles me vêem como um gigante. gosto de chegar chamando atenção. afinal tenho muito o que ensinar a esses seres. Todos se viram os olhares para mim.
– Vejam, eu sou seu novo Deus agora. Idolatrem-me – eu digo no idioma deles, que consegui aprender em apenas um dia. – Meu nome é Set eu sou o deus da violência e da desordem, da traição, do ciúme, da inveja, do deserto, da guerra e dos animais. Um novo mundo está para começar. – não vejo vantagem em vir a um planeta como esse e fazer o bem. Fazer o bem não é divertido, vamos ver se eles gostam de um pouco de maldade. Todos eles me fazem reverencia. É tão bom ser o centro das atenções. A partir de agora eu vou ver como as coisas vão andar sob meu comando.
Notas finais
Vai ter mais coisas interessantes por ai, como se trata da vida de Setrákus vai mostrar todas suas aventuras através da historia do universo. Escolhi primeiramente o Egito por que é uma das mais antigas e seguindo a linha de tempo normal. Daqui uns capítulos os gregos também vão entrar na historia.
O próximo capitulo vou mostrar Pittacus, e vocês vão ter uma surpresa. Continuem acompanhando.
Fale com o autor