Arquivo de Crônicas
9 Carta Para Rowan Blanchard e Sabrina Carpenter - Dia 03/10/20
Queridas Rowan Blanchard e Sabrina Carpenter, meu nome é Bruno Elias. Não nos conhecemos pessoalmente, e é bem provável que isso nunca aconteça, embora ainda seja um desejo meu entrevistá-las. Fui um dos telespectadores brasileiros da série “Garota Conhece O Mundo”, exibida no Disney Channel entre 2014 e 2016. Até hoje guardo todos os episódios, pois gosto de relembrar os ensinamentos que tive com vocês.
E é justamente sobre um dos ensinamentos que tive com vocês que gostaria de comentar nesta carta: a amizade. Na série, sempre me identifiquei com a Riley (sua personagem, Rowan), pois minha personalidade é até hoje (2020), muito similar à dela. Sou inseguro, sentimental, ingênuo, fiel aos meus amigos, acredito até hoje na bondade das pessoas, etc.
Sempre busquei um amigo para compartilhar aventuras. Talvez tenha errado com muitas pessoas boas, mas minha timidez sempre me afastou deles (olha só eu bancando o Farkle, né?) O tempo passou e em 2011, três anos antes da série estrear, conheci um menino meio maluco, mas de ótimo caráter. E não, ele não era descolado como a Maya, Sabrina. Mas era fiel aos ideais dele é muito justo. E às vezes durão, quando necessário, igual você.
Demorou seis meses pra nos falarmos, mas quando iniciamos a amizade, percebemos que não dava pra nos afastarmos. Podíamos confiar um no outro como vocês duas faziam. Só não fizemos deveres de casa juntos, mas quando tínhamos chance, tirávamos dúvidas sobre matemática e história (cada um com sua dificuldade), e mesmo odiando estudar, tentávamos nos ajudar. Em 70% das vezes dava errado, pois, além do dito acima, éramos (talvez sejamos até hoje) preguiçosos.
Outra diferença é que não nos apaixonamos pela mesma garota. E talvez isso tenha sido a maior dádiva pra nossa amizade. Não sei se nos Estados Unidos é assim, mas aqui no Brasil, se dois homens gostam da mesma garota a amizade nunca mais vira a mesma depois da decisão da menina. Vocês resolveram o problema do triângulo de um jeito tão de vocês, que eu só agradeço a Deus todos os dias por não passar por isso.
As semelhanças existem também. Temos nossos medos, e tínhamos um professor que adorávamos igual vocês com o Ben Savage. Mas no nosso caso, ele era professor de geografia, não de história. E também foi um pouco difícil para os meus pais aceitarem ele. Até porque, no ensino médio, ele estava numa fase muito difícil psicologicamente.
Eu fiquei do lado dele por lealdade. Como a sua Riley também faria, não é Rowan? E sabia que, por trás das maluquices, como fazer piadas na aula, atrapalhando minha concentração, e até desenhando um pênis na parede da minha casa, havia um menino que precisava de alguém pra orientar e ajudar. Estive lá pra ele durante esses três anos. Se ele não conseguia falar com uma garota, eu o empurrava (literalmente). Se estava precisando de uma opinião, eu falava. Se precisava desabafar, eu ouvia.
E apesar da fachada de maluco, ele percebeu que podia contar comigo. E com isso, pode confiar em mim. Porque a loucura dele juntou-se a minha imaturidade e minha dificuldade em crescer psicologicamente e me deixou literalmente louco. Isso no segundo ano. E some a isso o fato de que eu era um dos alunos mais zoados e já havia sofrido bullying na escola antiga.
Vendo que dessa vez, quem tinha problema era eu, foi ele que mostrou sua lealdade. Exatamente como a sua Maya faria, Sabrina. Dessa vez, quando eu precisava extravasar jogando carambolas na parede ele era meu alvo (podem acreditar, é verdade). Se alguém me zoasse, ele era o primeiro a me defender. Se eu tivesse problemas, ele era o primeiro a me confortar.
Passamos pelos três anos de ensino médio entre os altos e baixos da adolescência. Nos sentamos lado a lado na nossa formatura e nos divertimos juntos na festa. Isso fortaleceu a conexão que tínhamos e transformou em uma amizade honesta.
Em 2014, quando a série estreou, estávamos aproveitando a vida juntos. Nos divertindo, saindo, e cada um em uma faculdade. Ele em engenharia e eu em história. Nos formamos cada um em um ano diferente, eu em 2018, e ele, esse ano.
Crescemos juntos, como vocês. Ainda somos melhores amigos, como vocês. Na verdade, hoje mesmo, estávamos vendo clipes musicais variados. Toda essa conexão que temos, vocês mostraram na série. E é algo que tenho de valores morais, que vocês ensinaram e eu aprendi na vida e reaprendi vendo vocês duas na série. Obrigado pelos ensinamentos. Hoje, como um fã da série, posso garantir que vocês foram inspirações. Junto dos nossos pais. Espero que, um dia, possa contar-lhes isso pessoalmente.
Um Abraço
Bruno Elias
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