Arquivo de Crônicas
1 As Injustiças do Esporte - 12/08/20
É irônico que, em inúmeras situações, o futebol reflete a vida. Pelas emoções proporcionadas em euforia de gols, choros de derrotas, emoções de conquistas e perdas.
Mas em inúmeras situações, uma partida de futebol pode se mostrar mais humana. O jogo entre Atalanta x PSG mostrou-se assim.
Uma situação difícil, uma batalha pelo empate, e a virada consagradora.
O jogo foi muito equilibrado. A Atalanta tinha sua proposta clara: jogar por uma bola e ir no contra-ataque. O PSG tinha calma, e acreditava no talento de Neymar, já que não tinha Di María, Verrati e Mbappe.
Logo no começo, duas oportunidades reais para cada equipe. A Atalanta com um chute forte pra defesa de Navas, e o PSG com Neymar perdendo na cara do gol.
Aos 26 minutos, inicia-se o drama. Pasalic, com inteligência, e em uma bela jogada coletiva, tirou do alcance de Navas e abriu o placar.
Voltava nesse momento, o famoso complexo de derrotado do PSG: "na hora da decisao, o time pipoca."
Neymar, que não tinha nada haver com isso, seguiu armando jogadas e criando chances.
Aos 41 minutos, outra oportunidade clara perdida. O brasileiro recebe na entrada da área e, inexplicavelmente, chuta por cima.
No intervalo, Thomas Tuchel orientou seus jogadores a buscarem a virada e se classificarem.
Com o regulamento embaixo do braço, a Atalanta preferiu se fechar ainda mais, dando espaço pro PSG atacar.
Já não era uma partida parelha. Mas sim, um jogo de uma equipe só: o PSG. Seu adversário, não era mais a Atalanta, no campo de jogo. E sim, o complexo de derrotado.
Neymar passou a trocar de posição com Mbappe para confundir a defesa do clube italiano.
Aos 77 minutos, mais uma oportunidade. Neymar rouba a bola e arranca pela intermediária. Chega na área. Chuta. A bola bate nos zagueiros e ajuda o goleiro Sportiello.
A garra, a vontade de vencer estava nos olhos dos jogadores das duas equipes. O sentimento também. Mas só um venceria.
E aos 89 minutos, Neymar voltou a decidir. Recebendo passe de Mbappe, foi a linha de fundo e cruzou. A bola rebateu na zaga e sobrou pra Marquinhos empatar.
Dois minutos depois, o mesmo Neymar tocou pra Mbappe, que repetiu a jogada do brasileiro. Indo a linha de fundo e cruzando: dessa vez, havia Choupo-Moting na área pra completar.
Festa no banco francês e choro no banco italiano. A classificação foi espetacular. Uma virada que ficará para a história do PSG.
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