Arquivo de Contos - Bigorna da criação
6 A voz na minha cabeça
Notas iniciais
Estes são relatos de como me tornei o monstro que sou agora.
Eu vivia em uma cidade afastada no subterrâneo do deserto, nasci e cresci na pobreza, roubar estava inato no meu sangue, era apenas isso, eu roubava para sobreviver, mas ao longo da vida isso não bastava, eu queria viver de verdade, ter dinheiro, sair com as mais belas mulheres, então fui de ladrão a mercenário em um piscar de olhos, montei um grupo qual trabalhava, não confiava em ninguém, eu poderia ser apunhalado enquanto dormia a qualquer momento, mas enquanto estivessem sendo bem pagos eram inofensivos, ou foi o que achei.
Estávamos de bebedeira em um bar qualquer, quando um estranho com um cajado nos aborda, coloca uns três sacos enormes de ouro em cima da mesa, e diz que de onde vem estes tem mais, aceitamos na hora sem nem pensar qual era o trabalho, e este foi nosso maior erro.
Pelo que ele havia falado o trabalho era simples, tínhamos que ir até uma duna no meio do deserto e recolher uma joia, fomos e foi até tranquilo, achamos o lugar com facilidade e a pegamos, estava tudo fácil demais, era uma pedra alaranjada reluzente, linda e brilhosa, devia valer milhões, e eu não fui o único que pensei nisso. Meus “colegas” arquitetaram um plano para roubar a joia, ficar com o dinheiro já dado e conseguir mais com uma boa venda no mercado de pedras.
Na calada da noite enquanto eu dormia eles me assassinaram e foi neste momento que cai, enquanto cada gota do meu sangue se esvaia, eu os via rindo de mim como se eu fosse nada, então apaguei.
Um tempo depois eu começo a ouvir uma voz. – Você é um ótimo recipiente.
—Quem é você, o que está acontecendo, é a morte? – A voz era áspera e lenta, eu sentia sua sede de sangue apenas no tom.
—Não sou ninguém em especial, mas posso lhe dar poder, te conceder vingança, você é bom demais para simplesmente morrer.
Eu temia a voz, mas ela me tentava, estava com raiva do que fizeram comigo, então não relutei. – Eu aceito, não importa as consequências me de minha vingança!
Eu ouvi os risos da voz e um zumbido muito alto em minha cabeça, acordei assustado desejando que aquilo tivesse sido apenas um sonho, mas não, era real, quando abri meus olhos estava em meio ao deserto encima de uma poça enorme de sangue que provavelmente era meu, eu sentia um poder imenso correndo em minhas veias, quando olhei para minhas pernas e braços, estavam deformados e agora eu tinha uma garra de escorpião, eu sentia um incomodo nas costas, peguei com minha mão ainda humana um relógio espelhado dentro do meu bolso, eu havia recebido poder com o custo de uma maldição, estava horrendo, possuía uma cauda de escorpião, minha força era de cinco homens ou mais, o que eu me tornei foi um monstro.
Fui atrás da minha vingança, eu os achei no deserto, não sei como, mas parece que algo me guiava pelas areias.
—Mate-os – Uma voz em minha cabeça, aquela mesma voz áspera, eu não hesitei, sai por debaixo das areias e matei um a um, decapitados, estrangulados, esquartejados, de todas as formas possíveis, eu não conseguia saciar meu desejo de matar, e a voz apenas me instigava a mais.
Agora estou aqui sentado sobre os corpos de meus ex-colegas, escrevendo esta pagina com o sangue deles, com esta voz na minha cabeça, e só tem uma coisa que me pergunto: quem será minha próxima vítima?
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