Arqueiro Vermelho - O Retorno
2 Cap 2 - Treinamento
Notas iniciais
Dedico essa continuação a alguém que perdi e era muito especial para mim. Só quem perde alguém, um parente, um amigo, entende essa dor.
~Prévia~
Oliver olha dentro dos olhos de Felicity, queria saber se ela ia dizer a verdade sobre a próxima pergunta:
–Como estão as coisas lá dentro?
–Desmoronando – ela responde sincera.
–Você diz no bar, ou embaixo dele?
–Acho que ”começar do zero” define bem a situação atual – ela aponta, só então percebendo. — De quem é aquela moto?
–Não estou certo ainda...
–Oliver? — ela fica sem entender.
–Acho que vou chamá-lo de Arqueiro Vermelho.
Os dois se olham e abrem um sorriso cúmplice. Bem ou mal, estavam vivos, prontos para recomeçar e, segundo Oliver, com um novo aliado...
~Meses Depois~
POW!!! O golpe foi perfeito, como num filme de ninja, quando o punho fechado de Oliver atingiu o rosto de Roy em cheio, produzindo um som de impacto ao mesmo tempo que gotículas de suor flutuaram pelo ar, quase que em câmera lenta, como um efeito cinematográfico, e então, as luzes se acenderam. Só não era um filme, sequer havia efeito ali, era real, bruto, e precipitado. Quando Roy Harper caiu no chão com a mão no rosto, a voz de Felicity soou alto:
–Oliver! O que está fazendo?
–Treinando, Felicity.
–Mais um soco desses e vai deixar o coitado inconsciente! Não percebe que está sendo duro demais com ele? É só um garoto, pelo amor de Deus...
–Eu tô bem... acho – Roy levanta do chão, massageando a bochecha sem demonstrar que sentia dor, pelo golpe e pela queda.
–Tem certeza? — preocupou-se ela.
Roy Harper pega sua camiseta decidido. Já havia se envolvido em coisas piores, e depois, não sentia-se um perdedor, e sim aprendiz de super herói. Aprendeu de onde veio que até os fortes caem um dia, mas se levantam ainda mais fortes no outro. Num tom tranquilo, brincou com Felicity:
– Quase quebrei uns dentes, mas tô inteiro.
–Está sendo imprudente – repreende Felicity olhando enviesado para Oliver. — Deixei claro desde o início que não concordo com isso.
–Vou cobrir o Dig – Roy veste a camiseta e sai do esconderijo, que ele ajudou a erguer depois do terremoto, junto com os outros. — Vejo vocês depois.
Oliver vai até sua camiseta, largada no chão, já que os dois lutavam de calça preta e sem camisa, e apanha a camiseta tentando ignorar Felicity. Não que fosse de propósito, é que sabia que ela tinha razão. Vinha pegando pesado ultimamente nos treinos com Roy Harper e precisava controlar isso, antes que o machucasse de verdade. Acho que de certa forma, descontava um pouco nele todo o sofrimento que sentia e guardava para si. Ficou parado um segundo com a camiseta na mão, pensativo, de cabeça baixa, e só quando ela se aproximou e segurou em sua mão, sentiu que as mudanças em sua vida não eram só no modo violento de lutar, mas as maiores mudanças aconteciam bem mais perto e com muito mais força... dentro de si, em seu coração. Num tom meigo, Felicity disse:
–Oliver... Eu sei o que está passando. A perda do seu melhor amigo, a separação da Laurel, mas precisa superar isso. Bater nos outros assim, não vai ajudá-lo, só piora as coisas. Acredite em mim.
–Bater é melhor do que matar, não acha? -ele põe sua mão sobre a dela. — Antes agia por vingança, queria punir os culpados na lista que meu pai deixou e fazia o impossível sem culpa, mas agora... Só quero justiça. Os heróis não precisam punir os criminosos com sangue para serem heróis... Tudo o que precisam, é entregar esses caras para a polícia, para que a justiça seja feita. Demorei a entender isso, como demorei a perceber, que precisamos estar preparados porque, eles sim, são capazes de tudo.
Felicity olha para a mão dele, que ainda segurava a sua, depois volta a olhar em seus lindos olhos. O que acontecia com ele? Parecia diferente daquele Oliver que conhecia tão bem, mais misterioso que antes, e mais gato que nunca com aquele corpo suado, sem camisa bem ali na sua frente, talvez por isso, tenha puxado a mão e dado um passo para trás, tentando nem pensar nisso:
–Sei o que quer.
–Sabe? — ele abre um sorriso surpreso.
–Sim, sei... – afirma Felicity, fechando os olhos por um segundo e respirando fundo, enquanto sem que percebesse, Oliver se aproximava para beijá-la. — Está contra Roy Harper!
–O quê? — ele interrompe o beijo que ia dar, se afastando depressa. — Do que está falando?
Felicity abre os olhos, cruza os braços como quem sabe que tem razão e diz:
–Você não quer que ele namore sua irmã. Anda nervoso porque se preocupa demais com ela. Mas, Roy parece ser bom.
–De novo, o quê??? — ele mal acredita no que ouve. — Felicity, se sou exigente com Roy, é porque quero mostrar a ele o que terá que enfrentar lá fora, porque posso não estar por perto quando precisar e, ele tem que saber se defender sozinho. É o mesmo com o arco e flecha, todos os treinos são para o bem dele, para que evolua.
–Sério? Sem querer ofender, mas às vezes parece que tá exagerando... Se esquece que ele já passou por muitas coisas ruins nas ruas? Ele só quer a chance de ser como você.
–Um herói, não um supersoldado.
–É o que pretendia fazer dele? — Felicity sorri de leve, sarcástica, mas voltando a ficar séria em seguida. — Acho que as lembranças que tem da ilha e a dor da perda do Tommy não permitem que veja Roy como mais do que um novo membro da nossa equipe... Mas, como um amigo.
–Ok, vou pegar mais leve da próxima vez – ele garante. -É que ando com a cabeça cheia...
–Com sua mãe na prisão para completar... — lembra Felicity.
–E com o coração dividido.
–C-como?
Oliver segue em direção ao computador, checa a tela onde exibia um pontinho de luz amarelo piscando em um mapa.
–Essas são as coordenadas do Dig? — ele muda de assunto, vestindo a camisa.
–Roy já deve tê-lo alcançado – avisa ela se aproximando e apontando uma linha inclinada na tela. — Ele ia cortar caminho por aqui.
–O combinado não era ir pelo subsolo?
–Era... Mas, achei que seria melhor um “plano B”, por isso mudei tudo.
–Você, o quê?
–Confie em mim, vai dar certo!
–Felicity! Se a idéia é uma “fuga da prisão”, acho que quanto menos formos vistos, melhor.
–Claro! Por isso, Roy chegará por cima, para ser mais específica, pelo telhado – ela sorri para Oliver confiante. — Vamos tirar sua mãe de lá e colocá-la em segurança conforme o planejado... É sério, eu mesma calculei os riscos e, sei que vamos conseguir.
–Confio em você.
–Então... Por que ainda acho que continua nervoso? Mesmo depois da nossa conversa?
–Porque você me deixa assim – confessa.
Felicity vira o rosto para o lado, seus olhares se cruzam:
–Diga que eu ouvi errado.
–Não. Ouviu certo.
–Fica nervoso porque acha que o plano pode sair errado? ´E isso?
Oliver balança a cabeça negando:
–O que mais me assusta é saber que posso estar gostando de você bem mais do que como amigo... E que isso pode me deixar vulnerável.
Continua.
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