Arqueira perdida
7 Resgatados... por quem?
Notas iniciais
Sam
Quando acordei, estava meio tonto, não conseguia ver direito, procurei em meu lado e nem Hanna nem Meth estavam mais lá, pensei em tudo de bom e ruim que pudesse ter acontecido, será que elas fugiram sem mim? Ou será que foram levadas embora? Mas não precisei especular por muito tempo, uma garota estava sentada ao meu lado limpando um ferimento em minha testa.
— Ai – falei reclamando – quem é você?
— Apenas relaxe e fique calmo. – A voz da garota era suave.
Agora que tinha despertado completamente, percebi que estava em outro lugar, e aquela garota era completamente linda. Seus olhos azuis feito o mar, seu cabelo vermelho deixando ser levado pelo vento e sua boca completamente rosada, fiquei hipnotizado. Mas logo acordei do transe, algo ali não estava certo. Levantei-me e senti minha cabeça latejar, mas continuei.
— Onde estou? Quem é você? E o mais importante, onde estão as minhas amigas?
— Elas estão descansando dentro da caverna, não se preocupe garoto, elas vão ficar bem.
— Qual é o seu nome? – perguntei, levantando-me mais um pouco.
— Lucy. Se não me engano o seu é Sam não é mesmo?
— Sim, mas como você sabe? – perguntei confuso.
— Suas amigas me falaram.
Antes que eu pudesse fazer mais alguma pergunta Hanna e Meth apareceram de uma caverna que estava a minha frente e por incrível que pareça eu não a vi. E também estou um pouco curioso pra saber como as duas se recuperaram mais rápido do que eu, acho que é por que elas não levaram tantas pancadas na cabeça, mesmo assim meu orgulho masculino foi ferido com isso.
— bom dia dorminhoco. – Falou Meth em um tom sarcástico.
— bom dia. –respondi secamente.
Cara, como aquela garota conseguia me tirar do sério. Hanna nem sequer olhou em minha direção, nem mesmo perguntou como eu estava, e ela olhava com uma cara tão fechada pra Lucy que pensei que iria sair correndo e bater nela, mas não, Hanna não era assim. Com certeza estava só pensando. Fui tirado de meus devaneios quando Lucy falou com aquela voz doce.
— Bem acho que já esta na hora de vocês saberem o porquê de eu ter os salvo e o mais importante quem sou eu.
— Sim, isso é pura verdade. – respondeu Hanna com certa fúria em seus olhos.
— Bem, eu estava andando pela estrada, ai eu ouvi uma pessoa pedindo ajuda, e pelo tom da voz eu acho que era essa baixinha ai.
— Hey! não me chame de baixinha! — respondeu Meth. – e outra, eu não falei nada.
— Falou sim porque eu ouvi, você devia estar dormindo por isso não lembra. Mas continuando... Na manhã que antecedeu o resgate de vocês três, uma senhora apareceu por aqui e me pediu ajuda, ela disse que não poderia explicar, mas que era urgente e depois desapareceu, sem nem falar sobre oque precisava de ajuda. Na manhã seguinte enquanto procurava comida, eu escutei um chamado e soube que eram vocês que precisavam de minha ajuda.
— Ta, digamos que eu acredite nisso. –interrompeu Hanna com um tom desconfiado – como você conseguiu tirar nós três de lá tão rápido sendo que você é só uma? E pelo que eu saiba, três pessoas pesam muito!
— Foi o que eu disse a vocês, eu tive ajuda, assim que encontrei vocês, a moça reapareceu com mais dois caras encapuzados e assim que chegamos aqui, eles sumiram. Mas uma coisa vocês podem ter certeza, algo muito ruim rodeava aquela mulher.
— E você sabe disso só de olhar pra ela? –perguntou Meth
— Não é bem assim, apesar de ser muito boa em analisar pessoas.
—Prove-me então, quero ver se você sabe sobre mim! –Meth disparou em um tom que eu achei petulante demais.
Eu não gostava nem um pouco do tom autoritário que ela usava com as pessoas, mas devo confessar que ela tinha razão, como uma garota, tão bonita daquele jeito (isso não é importante), consegue saber da pessoa só de olhar pro olho dela? Isso na nossa cidade tem um nome e é bruxaria, embora eu não acreditasse muito nisso. Claro que tinha os boatos sobre os arqueiros que tinham em Araluen, mas cá entre nós, por que o rei confiaria em um bando de doido? Acho que o rei Horace tem bastante senso pra saber quem contrata, mesmo é claro, não conhecendo o rei pessoalmente.
—Olha. – Lucy começou– as coisas que eu vejo são mais ruins do que boas, é como se a parte boa das pessoas sumisse quando eu as olhasse, então não quero fazer isso com você.
— Mas eu quero que você faça.
— Ok então, mas me perdoe por tudo que eu falar.
Lucy olhou diretamente para os olhos de Meth, respirou fundo e começou a falar:
—Meredith, "filha" de Lucas e Luciana, sua irmã mais velha foi assassinada por mercenários, e seu pai era extremamente agressivo com sua mãe, quando tinha apenas cinco anos foi aos aposentos de seus pais com uma faca, mas pelo que me parece você não sabia o que estava fazendo...
Lucy não continuou por dois motivos, um, Meth olhava pra ela com cara de assassina, e dois, por que eu e Hanna olhávamos pra ela com cara de "Você é doida?" Não queria acusa-la diretamente disso, mas como ela poderia dizer alguma coisa daquelas pra Meth como se fosse a coisa mais normal do mundo. Antes que eu pudesse falar alguma coisa Meth saiu correndo para a floresta.
— Me desculpe. –disse Lucy. –eu não queria, mas ela insistiu e eu não...
—Hey! esta tudo bem, Meth vai ficar bem. –disse envolvendo-a em meus braços.
Dei sinal para que Hanna fosse atrás dela, ela não pareceu muito feliz, revirou os olhos e saiu andando com os passos pesados, não falei mais nada, e continuei abraçando Lucy, já podia sentir as suas lágrimas encharcando a minha camisa, não sabia o que fazer, mas pelo que parecia só de estar ali a deixava confortável!
— Lucy, não precisa chorar, a culpa não foi sua, Meth que é muito cabeça dura. –disse para acalmá-la.
— É, mas mesmo assim, eu deveria ter resistido. E não é por isso que eu estou chorando.
— É porque então? –disse afastando-a de meus braços.
— Alguma coisa no passado daquela menina não está certo, ela sofreu muito, e eu não quis contar o resto da história e agradeço aos Deuses por ela ter me feito parar!
Aquilo foi realmente estranho, Meth poderia ser meio maluca, mas assassina acho que não, na maior parte das vezes eu até que gostava de estar perto dela, ela era engraçada e fazia piadas de tudo. Mas me apegar a ela não estava em meus planos.
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