Arqueira perdida

22 Hora da verdade


Notas iniciais
mais um capitulo pra vocês meus lindos espero que gostem... ps: sou péssima com títulos ok

A manhã que seguiu a viagem dos quatro amigos estava gélida, nublada e com muita neblina, era tanta que nem se podiam ver as colinas à diante. Saíram o mais cedo possível, Hanna fora a primeira a levantar, arrumou suas coisas em uma pequena mochila de viagem e foi esperar por seus companheiros no pavilhão do refeitório. Comeu torradas com ovos, e um delicioso suco de frutas vermelhas.

Emma chegou logo depois, vestindo uma roupa simples igual à de Hanna, só que sua camiseta era branca e mais larga seus cabelos cacheados estavam bagunçados, mas nem por isso a deixava menos bonita. Fred e Jorge estavam completamente acabados, olheiras nos olhos, cabelos despenteados, e roupas vestidas ao avesso, Jorge estava até com o pijama por baixo da roupa.

— Dormiram bem garotos? – Perguntou Emma sarcasticamente.

— Nem um pouco, passamos a noite toda acordados. – Respondeu Fred.

— E por quê? Se sabiam que íamos ter uma missão hoje de manhã.

— Tente dormir no chalé de Hermes em uma noite de segunda pra terça pra você ver que beleza.

— Por quê? O que tem de segunda pra terça?

— Nada. – responderam em uníssono.

Os três tomaram o mesmo café que Hanna, e logo depois de Fred e Jorge desvirarem as roupas e Jorge ter tirado o pijama, partiram. O ar fora do acampamento estava mais frio do que o normal, como se eles estivessem mergulhados em gelo, depois de voltarem e pegarem roupas de frio reserva partiram, dessa vez, pra valer.

Decorreram-se quatro horas de viagem, nada acontecia, nenhum ladrão, nenhum monstro, nenhum homem louco tentando governar o mundo. Isso já estava irritando Hanna, era como Will falava, se a coisa estava fácil de mais tinha alguma coisa errada. E como tinha. Passaram-se mais duas horas e meia, decidiram parar em um riacho que avistaram, era claro o bastante para ver o próprio reflexo. A uns dez metros se acomodaram em uma clareira, Jorge se oferecera para pegar água, e Emma aproveitando o momento foi junto dizendo que iria ajudar.

Hanna e Fred ficaram sozinhos, não sabia se era o momento oportuno para pedir desculpas sobre a noite anterior. Então decidindo que seria sim Hanna começou:

— Fred, sobre o Sam...

— O que tem ele? – Respondeu secamente.

Antes que pudesse responder, ouviram um grito vindo do lago. “Mas que saco, não posso ter um momento em paz?”. Decidida e ignorar completamente o grito continua a conversa como se nada os houvesse interrompido.

— Então, olha eu e ele nun...

Mais uma vez o grito foi escutado, só que desta vez foi agonizante, desta vez não podia ignorar, ela e Fred se entreolharam e saíram correndo em direção ao lago, quando chegaram já era tarde, só deu tempo de olhar, Emma estava sendo arrastada para dentro do lago e quando Hanna pulou para lhe dar a mão, uma parede invisível irrompeu entre elas, não entendeu aquilo, pois Fred estava mais pra frente e a barreira não existia pra ele. Tentou agarrar a mão dele pra que puxasse, mas não funcionou, por fim ele disse.

— Eu vou lá me espere...

— Não, fica, vamos pensar em um jeito.

— Não há tempo, eu volto.

— Promete?

— Sim, eu... – Ele hesitou por um momento, mas logo continuou. – Eu prometo.

Então antes que Hanna pudesse falar mais alguma coisa ele já havia pulado no lago, por mais claro que ele fosse não dava para ver mais Fred, Hanna ficou ali pensando nas coisas horríveis que poderiam acontecer a eles, socou várias vezes a parede invisível, não sabia por que não podia passar. Então quando finalmente cansou e descobriu que seria aquilo uma coisa impossível de se fazer, agachou e colocou o rosto no joelho e seus olhos cinza se molharam em lágrimas em uma suplica inacabável.

— Por favor, de novo não, de novo não. Eu imploro de novo não.

Ficou ali daquele jeito por pelo que lhe pareceu muito tempo, até que uma mão pousou em suas costas, pulou de alegria pensando que fossem eles, que eles haviam escapados, mas para seu maior desespero não era eles, era a pessoa que menos imaginava encontrar naquele momento, então uma súbita raiva tomou seu coração, ela estava ali cara a cara com a pessoa que mais odiava no mundo e pra seu desespero estava desarmada. Mas não deixaria que sua oponente percebesse isso.

— Foi você! Você que fez isso de novo. Como pode fazer isso comigo, o que eu te fiz?

— Hanna, eles vão ficar bem, por favor, me escute tenho pouco tempo.

— Eles não vão ficar bem, porque você é uma assassina sem coração incapaz de amar uma pessoa – A raiva naquele momento já estava saindo por suas orelhas e nariz. –, E não, eu não vou te escutar.

— Não venha me falar de falta amor aqui não ok?! eu amei sim mais do que qualquer um, mas eu não tenho escolha.

— Todo mundo tem uma escolha, e a sua foi ser uma assassina!

— Acredite eu tenho, mas não estou aqui pra isso, Hanna por favor me escute, você precisa contar a verdade a eles, você precisa contar que é uma Deusa, eles também tem segredos, e vão contar a você se você contar o seu.

Aquilo a pegou de jeito, não sabia que reação ter, não iria concordar com sua inimiga, mas sabia no fundo que um dia precisaria contar a verdade, por mais que doesse, e também sabia que eles tinham segredos, uma vez não conseguiu dormir e foi visitar Emma escondido e ela estava conversando com alguém, nenhum de seus irmãos, mas com um homem corpulento e corcunda que segurava um martelo, não sabia quem era, mas ouviu uma parte da conversa e ele não era nada gentil com ela.

FLASHBACK ON

— Você não pode! não pode! eu te dei isso para um bem maior e não para ficar exibindo por ai.

— Eu sei, mas fiquei tão empolgada que não medi as consequências.

— Quem mais sabe?

— Somente Jorge e ele me prometeu não contar a ninguém.

— Assim espero.

FLASHBACK OFF

Essa lembrança invadiu a mente de Hanna. Não conseguia assimilar nada, sua cabeça doía e de repente todo seu corpo doía, sentia que não poderia confiar em mais ninguém, e a pessoa que mais odiava estava a sua frente falando pra contar a verdade sendo que era a maior mentirosa de todas.

— E quem é você pra vir me falar de verdade?

— Hanna você não entende mesmo não é?!

— O que eu não entendo? Pelo amor dos Deuses me poupe.

— Você não ficou triste pela morte de Sam e Meth...

— NÃO FALE DELES NA MINHA FRENTE SUA... SUA HIPÓCRITA.

— MAS VOCÊ TEM QUE ESCUTAR, DOA O QUE DOER. Você não sentiu nada a respeito da morte deles, não porque é filha do Deus dos mortos, e sim porque eles não te contaram a verdade.

— Como você ousa...

Sua voz vacilou, era verdade, agora sabia mais do que nunca que o que sempre temia era verdade, não sentiu pena deles porque era de seu intuito e sim porque sentia raiva, muita raiva. Sentiu um nojo de si mesma por dentro, como poderia ser tão egoísta a esse ponto? Mas agora que alguém, por pior que esse alguém fosse, lhe falara isso, sabia mais do que nunca que era verdade.

— Agora você entende não é? Entende? Eu só quero que saiba que a questão de amar, sim eu amei Sam sim, de todo coração e quando eu o matei o mesmo se despedaçou.

— Então porque o fez.

— Porque eu preciso.

Ela foi desaparecendo, Hanna entrou em desespero, seus amigos ainda estavam dentro do lago fundo, não sabia se era fundo o bastante, mas o tempo que ficaram lá já era demais, não fazia nenhum sentido, o corpo deles estaria boiando sobre a água.

— Poseidon, por favor, ajude-os.

Ainda tentava desesperada penetrar na barreira invisível, porque só bloqueava a ela e não aos outros? Eram perguntas inacabáveis que se formavam em seu cérebro, não sabia o que fazer, não tinha forças pra pensar. Até que uma coisa aconteceu, por um momento bolhas emergiram no lago, sua mente traindo-a fez pensar que eram bolhas de morte que a falta de oxigênio havia matado seus amigos, mas estava enganada, três figuras imergiram do lago, uma mais cansada que a outra, tentou correr para abraçá-los mas a barreira a impediu.

Não tinha palavras pra descrever a sua alegria, queria mais que tudo os envolver em um abraço, os gêmeos eram os mais conservados, pareciam que nem por um momento havia perdido a respiração, Emma por outro lado estava completamente ferida, uma grande quantidade de sangue saia de seu braço direito, seu olho estava inchado, Jorge tinha um leve ferimento na perna, nada grave, e Fred saíra completamente ileso do acontecimento.

— Graças aos Deuses.

Ainda estava barrada pela parede invisível, enquanto os outros três estavam se secando.

— Porque você não foi ajudar? – Perguntou Emma com raiva.

— Eu queria, queria mesmo, mas não pude, se você não percebeu tem uma barreira invisível aqui.

— Não estou vendo.

— Que parte do invisível você não entendeu?

Emma pra testar foi andando em sua direção, passou para o lado de Hanna sem nenhum problema. Ficou vermelha de raiva.

— Não tem nada aqui.

— Aé? Olha então.

Hanna foi andando pra trás para ganhar impulso e saiu correndo em direção a parede, o que queria aconteceu, esbarrou em uma barreira invisível e pra seu desgosto seu braço começou a doer.

— Viu, eu te falei. – Disse esfregando o braço. – Vamos, você pode se desculpar depois, primeiro vamos cuidar do seu braço machucado.

Foram andando em direção ao acampamento, Jorge e Emma foram na frente, ele a cada minuto passava a mão no braço machucado de Emma perguntando se doía e então se irritando ela disse

— É claro que dói seu pamonha.

Hanna e Fred iam atrás, estavam calados e toda hora se olhavam meio desajeitado. Então não aguentando mais ela pegou ele pelo braço de maneira que ficaram cara a cara e disse.

— Olha, eu e Sam nunca, nunca, tivemos nada ok?!

— E porque falou aquilo?

— Sei lá, acho que era pra te irritar.

— Aah.

Eles ficaram por dez segundos naquela posição e os olhos verdes esmeralda de Fred perfuravam os cinzentos de Hanna, foi ficando cada vez mais vermelha e ele também, só que pra ele era mais fácil disfarçar, pois já era vermelho de natureza “Culpa das sardas” sempre falava, mas Hanna as achava fofas. Então ouviram um pequeno risinho na sua frente e Hanna com um empurrão o tirou de perto.

— O que foi? Vão andando! Que eu saiba não sou eu que preciso de cuidados e acho que não vão querer mais machucados.

Os dois foram andando o mais rápido possível, então Hanna sentiu uma certa satisfação, mas antes que pudesse continuar os pensamentos percebeu que Fred continuava fitando-a.

— O que foi?

— Nada, você fica bonita com raiva.

E saiu andando como se não tivesse falado absolutamente nada, nesse momento Hanna ficou mais vermelha do que poderia imaginar, suas bochechas até queimavam de tão vermelhas, foi andando de vagar e com cabeça coberta pela capa, para que Fred nem ninguém a vissem daquela maneira.

Chegaram ao "acampamento", Emma sentou em um tronco oco e lá ficou até que Hanna trouxesse o quite de primeiros socorros, passou uma pomada no corte, o que fez Emma reclamar pois causava leve ardência.

— Deixa de ser fresca, é bom sinal quando arde, significa que você não perdeu o braço.

Todos eles começaram a rir, ficaram bastante tempo ali, e como o corte no braço de Emma era profundo Hanna teve que costurar, nunca fizera isso antes, então sua mão tremia as vezes, mas por fim conseguiu um resultado, colocou uma faixa que tirou de um pedaço de roupa velha que tinha para poder estancar o sangue.

A noite já caia, e o frio vinha junto com ela, se sentiria bastante bem se tivesse no acampamento ou no castelo, mas a lembrança do castelo quente a fez lembrar-se de Sam e Meth e depois do que Lucy a dissera, “Você tem que contar a verdade” Decidindo que era o certo fazer, foi procurar galhos para acender uma fogueira e preparar um café, quando ambos estavam prontos pegou um pequeno pote de mel em sua mochila e derramou no café e fez o mesmo nas outras canecas.

— O que é isso?

— Ora, mel é claro.

— Com café?

— Sim, é uma delicia, um amigo me ensinou.

E mais uma vez a tristeza tomou conta de seu coração, não sabia se poderia ver Will quando voltasse ao castelo, se não, iria dar um jeito nisso mais tarde, foi despertada de seus pensamentos pelo barulho de vários “hmmmm” vindo de seus companheiros, e isso para ela foi como um “que coisa mais gostosa”. Sentou no tronco entre Emma e Fred e começou.

— Preciso falar uma coisa muito séria com vocês.

E derrepente ela se viu pequena no castelo, sozinha, chorando, porque não tinha amigos e do nada Sam apareceu para consolá-la.

Notas finais
e ai gostaram?? reviews????