Arqueira perdida
18 A despedida e o encontro.
Notas iniciais
Um dia e meio se passara depois do aniversário de Hanna, isso significava que ela tinha somente doze horas com seu mentor e amigo.
— Will?
— Diga. – responde ele depois de um longo suspiro.
— Para onde você vai quando nos separarmos?
Will sabia exatamente pra onde voltaria, gostaria de chegar em sua cabana e encontrar sua amada Alyss o esperando. O que provavelmente não aconteceria, pois ela também estava em uma missão, já que era diplomata e precisava viajar com constância. Mas é claro que Will nunca reclamara, pois nos seus dias de arqueiro mais novo se encontrava sempre em missões com seu mentor Halt.
— Acho que voltar pra casa, descansar um pouco, afinal já estou ficando velho.
— Só isso, nada mais?
— Só isso, nada mais.
O sorriso no rosto de Hanna a entregava quase todas as vezes, mas Will não se importava em ouvir a aluna dar opiniões em sua vida pessoal, mas é claro que ele jamais iria dizer isso em voz alta, vê-la lutar internamente para saber se falava ou não alguma coisa era divertido demais.
— Fala logo Hanna, eu sei que você esta pensando em algo.
— É só que eu acho a sua relação com a Alyss muito bonita e interessante, só isso. vocês pensam em ter filhos?
Ele ficara meio escarlate com aquela pergunta direta, tão direta que o atingiu como um raio acerta uma arvore, sua aprendiza era bastante indiscreta, e isso ele não gostava nem um pouco.
— Ah! A gente pensa sobre, mas é um pouco complicado.
— Por que?
— Por que nós dois viajamos muito e não quero prejudicar nossos trabalhos. – Ele se endireitou em Puxão. – Afinal, somos peças importantes para a segurança do reino.
— Poxa Will, você ja pensou em pergunta-la sobre o assunto? Afinal, você não pode decidir isso por ela né!
“O, isso ja esta passando dos limites." Pensou o velho arqueiro, gostava das conversas com a Hanna, mas as vezes ela passava dos limites. E acabou se perguntando internamente se ja fizera isso com Halt, e ela sabia que sim.
— Sei que você é bastante curiosa, mas ja está um pouco fora do seu limite essa conversa Hanna.
— Desculpe, eu só queria seu bem, não quero que você fique sozinho naquela cabana e acho que uma filho iria te fazer bem.
Will sabia que sua aprendiz não tinha mas intenções, mas mesmo assim resolveu encerrar a conversa, afinal, Hanna não entendia as sutilezas da vida adulta.
POV Lucy
— Eu sei minhas senhoras, o tempo está acabando, mas lhes peço só mais alguns dias para que...
— Você tem um prazo a cumprir, tem somente até o décimo sétimo aniversário da garota.
Falou uma voz fina, porém ameaçadora o bastante para fazer Lucy estremecer de medo. Então outra mulher começou a falar, só que essa tinha uma voz mais grave.
— Ela completou dezesseis a dois dias, e deve ficar no acampamento até completar os dezessete para treinar e sair em uma missão em segurança.
— Lembre-se Lucy – começou outra voz. –, Nós, filhas de Hades não gostamos de esperar.
— Sim minhas senhoras, vou terminar esse serviço o mais rápido possível.
— Achamos bom mesmo. –falaram as vozes juntas
E depois de uma grande reverência de Lucy as criaturas desapareceram da parede da caverna, então como se quisesse quebrar a parede Lucy jogou sua espada contra ela, mas sabia que era inútil. Nada nem ninguém poderiam consertar o que ela fez, o único homem que ela havia amado um dia foi morto por ela mesmo, e agora tinha a missão de matar a unica pessoa que poderia lhe dar esperança de uma vida melhor. Mas ela ia adiar isso o máximo que pudesse.
Se ajoelhando, coloca suas mãos em seu rosto fino e pálido, tentando esconder as lágrimas, de ninguém em especial, talvez dela própria, talvez do medo, do rancor, do castigo, do interminável. Ou até mesmo pelo seu amado, que com certeza estaria a odiando por ter feito aquilo, mas não ia desistir, não mesmo, era forte o bastante para aguentar por si só e pelo que viesse, ela não queria aguentar, mas ela decididamente precisava aguentar.
Assim adormeceu no chão da caverna com frio, desconfortável. Mas tinha certeza que era o único lugar onde se sentiria feliz era em seus sonhos, afinal quem melhor do que uma filha do Deus dos sonhos para controlá-los?!
***
Agora já estavam chegando perto, faltava menos de duas horas para chegarem ao acampamento, já até podia enxergar pequenas luzes se acendendo ao longe, era um lugar extenso pelo que parecia, ficara imaginando quantas pessoas poderia encontrar por lá, não queria se separar de Will é claro, mas a expectativa de encontrar novas pessoas iguais a ela e que não fossem do castelo a agradavam. Absorta em seus pensamentos, nem percebera que as luzes chegavam cada vez mais perto, e sem perceber um pequeno riso apareceu em seu rosto.
— Está vendo Will? Lá deve ser lindo.
— Suponho que você esteja se referindo ao acampamento.
— Como assim supõe?
— Ele não é visível para mortais como eu.
— Ah!
Em menos de meia hora eles iriam se separar e nenhum dos dois sabia como lidar com isso, o tempo voara desde seu décimo sexto aniversário, como se o Deus do tempo não quisesse eles juntos. Isso trouxe certa melancolia para o ambiente, cada qual com seus pensamentos, pensando qual seriam as melhores palavras para essa despedida.
Então como um flash as horas juntos se esvaíram, já haviam chegado ao acampamento, nenhum dos dois sabia como reagir. Will é claro já passara por momentos como esse, sempre que viajava para cumprir uma missão conhecia pessoas interessantes e se despedir delas sempre fora uma tarefa difcil, mas com Hanna era diferente.
— Bem acho que é isso então. – Disse Will cortando o silencio desesperante. – Foi um prazer ser seu mentor Hanna.
Estendendo sua mão para Hanna como se aquilo fosse um contrato fechado ou até mesmo um comprimento qualquer. Claro que ela não se deixou por vencida então apertou a mão do mestre e puxou para perto o abraçando e em seguida disse.
— Você foi sem duvida a melhor pessoa que encontrei na minha vida.
Cedendo ao abraço repentino da garota, lágrimas caíram do rosto de Will, Hanna era como uma filha que ele nunca teve, e para Hanna ele era o pai que nunca fora presente em sua vida. Enxugando as lágrimas Will afasta Hanna de seus braços em seguida ajoelha e diz.
— Pode ter toda certeza do mundo que eu nunca vou te abandonar, posso estar o mais longe, mas sempre que me chamar eu te atenderei.
— Di... Digo... O mesmo... a-a você. – respondeu em meio aos soluços.
— Hanna, mais uma coisa.
— Sim?!
— Quero que você seja a madrinha do meu filho, sei que vai demorar e com o que está acontecendo mais ainda, mesmo assim quero que o faça, se você aceitar é claro!
— Pensei que estava relutante em pedir a Alyss.
— Estava na verdade, mas você me fez pensar um pouco sobre. – disse em meio a um sorriso.
— É claro que aceito, você nem precisava perguntar.
— Acho melhor você ir agora.
E dando um abraço longo e apertado em seu mentor, Hanna se despede, andando de costas para não perde-lo de vista enquanto acenava, mas já não podia vê-lo, pois estava escondido entre a capa, e ela por um pequeno momento pensou que ele não estivesse tão sentido assim com sua partida, mas não sabia o quanto estava enganada, em baixo da capa seu mestre e amigo chorava feito uma criança.
Quando penetrou o grande arco mágico que em cima se lia: Acampamento-meio-sangue, não pôde ver mais Will e por um momento desejou voltar e ficar com ele a eternidade, mas seus pensamentos foram interrompidos por um comprimento que a assustou.
— Olá!
Disse um garoto de mais ou menos dezesseis anos, ruivo, com sardas nas bochechas e olhos completamente verde esmeralda, por um momento Hanna esquecera tudo, nunca vira uma pessoa tão bonita quanto aquele menino.
— Olá – respondeu.
— Estava esperando por você, meu nome é Fred, e o seu?
— Prazer Hanna.
E depois de cumprimentar um ao outro com um aperto de mãos, foram andando pelos vastos campos do acampamento até uma clareira.
POV Will
— E novamente solitário como sempre.
Limpando as lágrimas dos olhos Will se levantou e foi em direção a Puxão e a segredo (cavalo de Hanna) subindo em seu pequeno cavalo baio e puxando o de Hanna, foi desaparecendo entre as arvores, totalmente absorto em seus pensamentos.
— Agora, volto pra casa e enfrento mais um desafio.
Falou mais para si mesmo do que para puxão, mas ele mesmo assim respondeu com um leve relincho e um aceno de cabeça.
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