Around Your Heart
22 Perfect in every way
Notas iniciais
Eu já havia respirado meu “último” ar. Estava pronta para beijá-lo. Os olhos dele estavam fixos em meus lábios e meus olhos, nos lábios dele. Harry mordeu seu lábio inferior e disse sussurrando:
– Quer fazer alguma coisa? — Não entendi o motivo pelo qual ele disse aquilo, mas no mesmo instante olhei para os olhos dele e ele para os meus. Harry subiu uma de suas sobrancelhas e aconteceu. Simplesmente nos beijamos.
Foi como na primeira vez que nos beijamos. Só que digamos que foi com mais... Emoção! Soubemos aproveitar mais o momento, já que nós dois queríamos aquilo. Não que na primeira vez não quiséssemos, mas é que nessa de agora, já sabíamos que iria acontecer. Mas e a Melissa? Harry não a beijou hoje na escola?
– Harry, se eu for como segunda opção pra você, pode ir esquecendo. — Falei com o olhar entristecido e confuso.
– O quê? Não entendi.
– Para de ser idiota! — Ri. – To falando da Melissa!
– Megan, foi ela quem me beijou...
– E nossa! Você não soube parar de beijar ela, né?!
– É que eu beijei ela pensando que estava beijando você. — Explicou rindo.
– Tá, me engana que eu gosto! Bem, tenho que ir. Já tá tarde e minha mãe já deve ter chegado.
– Tarde? Ainda são... Que horas são? — Perguntou dando uma gargalhada de leve. Olhei em meu celular e vi que não estava tarde mesmo, mas eu precisava ir.
– São 19h, Harry! Já tá tarde! — Tá, eu exagerei no horário, ainda eram 17h23.
– O quê? Sete da noite? Até parece! — Ele pegou o celular de minha mão e viu as horas. Ele descobriu que eu havia mentido.
– “Tá tarde”... Sei. — Ele disse olhando para meu celular.
– Pois é, tá mesmo. Devolve o meu celular, já vou embora. — Ele recusou. Começou a olhar todas as coisas de lá. Principalmente as mensagens. – Harry! Isso é falta de educação! — Gritei.
Como ele era um pouco mais alto que eu, esticou o braço para eu não conseguir pegar o celular. Ele leu umas mensagens que eu troquei com Lissy, sobre a noite em que nos beijamos. Se eu fiquei com vergonha? Ah, que nada né. Imagina!
– Quer dizer que você também não resiste ao meu charme? — Me provocou.
– Harry! Quanto abuso hein?! Acho que sua mãe não vai gostar de saber que o filho dela fica lendo as mensagens dos outros! Aliás, é seu charme que não resiste a mim, ok?
– Então quer dizer que eu tenho charme?
– Ai meu Deus! É hoje! — Disse em um tom de indignação.
– Hein?
– Olha aqui Harry, me dá meu celular agora ou eu vou chamar... Sei lá! Sua mãe! — Ele não hesitou e, assim, não devolveu o celular.
– Você não me respondeu! — Me cobrou uma opinião.
– Nem preciso! Me dá Harry! To perdendo a paciência!
Com pena, ele resolveu, finalmente, me entregar o celular.
Fui em direção à porta do quarto dele e ele, consequentemente, me seguiu. Descemos os degraus da escada e a mãe de Harry, Anne, estava na sala, assistindo televisão. Até que me lembrei de que The X Factor iria voltar. Como ainda estávamos no “início” do ano, as audições deveriam ser no meio do ano, porque as fases que passam ao vivo são mais para o final do ano. Acho que é. Quer dizer, não lembro. Faz muito tempo que não assisto a esse reality show. Pensei em comentar algo com Harry, mas resolvi que seria melhor deixar quieto.
– Mãe, a Megan já tá indo embora!
– Mas já? Ainda tá cedo! — Não sei para você, mas para mim, às vezes esse papo de “ainda está cedo” é papo para deixar a visita mais “à vontade”. Mas no meu caso, realmente estava cedo.
– Mas é que minha mãe já deve estar preocupada e... Ainda tenho que fazer umas lições da escola. — Expliquei.
– Mas você não quer ficar pra comer? Eu estava fazendo um bolo pra você! — Insistiu. E meu Deus! Um bolo para mim?
– É muita gentileza da sua parte dona Anne, mas é que realmente eu preciso ir. Me desculpe. Fica pra próxima.
– Mas você mora aqui do lado! Vai lá na sua mãe e diz que tá aqui e a lição você faz mais depois! — Disse Harry, se metendo na conversa.
– Você mora por aqui Megan? — Perguntou Anne.
– Sim, a algumas casas daqui. — Respondi. Harry estava fazendo de tudo para me fazer ficar um pouco mais em sua casa, e... Não que eu não quisesse ficar, mas é que minha mãe poderia me dar uma bronca, dependendo da hora que eu fosse chegar em casa. – Tudo bem então. Eu vou lá em casa e falo com minha mãe.
– Se você quiser, você pode trazer ela também para fazermos o famoso chá da tarde. — Disse Anne sorrindo. Assim, eu, particularmente, não gosto de chá, mas minha mãe adora, então, ela iria gostar. Além do mais, ela iria conhecer a mãe de Harry.
– Só que em vez do chá das cinco vai ser das seis né mãe?! — Harry fez piada.
– Então vou lá gente. Tchau Harry. Tchau dona Anne. Até mais.
– Me chame só de Anne, querida. — Pediu.
– Ok, tchau Anne. — Falei rindo, com vergonha.
Eles me acompanharam até a porta e fui para minha casa. Chegando lá, percebi que minha mãe havia chegado e ela estava falando com alguém no telefone. Provavelmente, querendo saber onde eu estava, já que sua cara não estava nada boa.
– Não, não precisa mais, ela acabou de chegar. — Disse minha mãe desligando o telefone e me olhando com uma cara de “vou te matar se você não me contar onde estava”.
– Oi mãe! — Falei com um sorriso falso no rosto. – Como foi o trabalho hoje?
– Não começa mocinha! Onde você estava? O que aprontou? — Pela forma como ela falou... Já estava perdendo a paciência.
– Estava na casa de Harry. — Falei na maior tranquilidade.
– O QUÊ? QUEM É ESSE MENINO MEGAN? O QUE VOCÊ ESTAVA FAZENDO NA CASA DELE? — Surtou, gritou, meu Deus! Quem era aquela mulher e o que ela havia feito com minha mãe?
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