Around Your Heart
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Era só mais um daqueles dias entediantes na escola. As mesmas pessoas. As mesmas matérias. Tudo normal. A sala estava em pleno silêncio. A professora estava explicando uma matéria nova. Física. Por que aprendemos isso? Não vejo razão em aprender essa santa matéria. Depois de um tempo explicando, o silêncio se quebrou com o meu celular tocando. Desesperada, comecei a fuçar minha mochila querendo encontrar o mesmo. Aonde ele tinha se metido? Finalmente, depois de um certo tempo, o encontrei. Alguns ficaram me encarando, outros rindo, porém a professora, com uma cara nada boa, me mandou para a direção. Era proibido celular em sala de aula. Mas por que ela tinha me mandado para fora de sala? Eu só tinha me esquecido de colocar o celular no silencioso. A culpa não foi minha se resolveram me ligar. Até parecia que isso nunca tinha acontecido com ela. Chegando à direção sentei-me em um banquinho que havia ali mesmo. Fiquei uns minutos esperando o diretor, que se chamava Calvin, até que o mesmo chegou. Ele não estava sozinho, junto a ele estava um menino, que não me era estranho, de cabelos encaracolados e olhos claros. Ele também estava em algum tipo de confusão.
– Brigando em sala de aula, Harry? Até que ponto você vai chegar? — Disse Calvin, com um olhar amedrontador.
Harry era seu nome. — Mas que belo nome! Aliás, não só o nome. Eu comentei que tenho uma super queda por garotos de cabelos encaracolados? — Pelo visto a situação de Harry era pior que a minha. Depois de uns minutos esperando uma resposta de Harry, Calvin percebeu a minha presença.
– E você? O que aprontou? — Perguntou com um tom grosseiro que era de arrepiar qualquer um.
– Meu celular tocou em sala de aula. — Disse com uma voz fina e engraçada.
Harry riu. Acredito que foi por causa de minha voz. Aliás, que lindo! O menino que poderia ser meu futuro marido estava rindo de mim. Ou será que era pra mim?
– Esperem aqui, vou pegar uma advertência para os dois. — Disse Calvin.
Harry estava a menos de dois metros de mim. Ficamos em total silêncio. Fiquei admirando os lindos cachos, olhos, rosto, corpo, tudo de Harry. Como podia alguém ser tão perfeito quanto ele? Até que parei de babar e lembrei o motivo pelo qual estava ali. Resolvi olhar em meu celular quem havia me ligado. Ao fazer isso, pude perceber que Harry estava me olhando atenciosamente. Olhando para a tela do celular, dei um sorriso com um pouco de sarcasmo. Mas olha só, quem havia me ligado! Minha própria mãe! Quer dizer que a culpada desse rolo todo é ela. Depois de descobrir quem havia me ligado resolvi jogar algo. O jogo que estava mais interessante do que o silêncio entre eu e Harry foi interrompido.
– Mas vocês, jovens, não largam essa tecnologia por nada não é mesmo? — Era Calvin, com um olhar reprovador. Ele estava com as duas tais advertências em suas mãos.
Eu e Harry rimos um para o outro, pois a forma com que Calvin falou foi totalmente engraçada. Calvin percebendo que o motivo pelo qual estávamos rindo era ele tentou se explicar.
– Eu estou um pouco rouco. — Disse ele forçando a tosse.
Rimos mais ainda. Apesar de dar medo, Calvin era uma pessoa super gente boa. Eu o admirava, pois ele realmente sabia liderar aquela escola como ninguém mais. Porém às vezes ele me dava nos nervos com suas lições de moral, e eu sabia que iria começar uma a qualquer momento. Não demorou muito.
– Megan, você sabe que é proibido o uso de celular em sala de aula, por que ainda insiste? — Disse se direcionando a mim.
– Mas... — Tentei me explicar, mas fui interrompida.
– Harry, até quando vou ter que te aturar aqui nesta sala? Você tem que aprender que lugar de escola é pra estudar, não para arrumar confusão. Aliás, por que você bateu em seu colega? — Calvin o olhou fixamente, esperando alguma resposta.
– Eu não bati nele, apenas... — Disse Harry se explicando, mas Calvin não acreditou. – Ele estava me perturbando, jogando bolinhas de papel e pontas de lápis em mim. Quando ele se levantou para ir à lixeira, coloquei meu pé para ele tropeçar, foi só isso. — Disse, jurando.
Pera aí! Harry pode se explicar e eu não? Em que tipo de país vivemos? Fiquei perturbada e ao mesmo tempo revoltada, mas fiquei quieta, não queria levar outra advertência por “desacato a autoridade”, nesse caso, ao diretor. Falando nisso, o que eu vou falar pra minha mãe? O sinal para o intervalo tocou. Saí da sala primeiro que Harry, nem olhei para ele. Tratei de ir procurar minha amiga, Lissy. Quando eu estava indo para um corredor senti alguém me tocar no ombro, de uma forma forte.
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