Notas iniciais
Olá,essa é minha fic GSR, um pouco diferente. Ela será contada em dois tempos, primeiro por Sara ainda jovem, e em outro por sua filha. Parece complicado? Não se preocupem, vocês irão entender. Assim espero! Como também espero que gostem.
Boa leitura, meninas. *-*

1994

Mais uma vez a calmaria da noite foi interrompida pelos gritos dos meus pais, mas especificamente da minha mãe, sempre que estava me acostumando com o silêncio, às noites bem dormidas e sem as discussões dos dois, tudo voltava e muitas vezes pior do anteriormente.

Desta vez a calmaria da noite durou apenas um dia!

Mas um grito rompeu o breve silêncio, e como sempre faço, a pedido de meu pai, permaneci no quarto, quieta, me enrolo embaixo do cobertor, encolho-me toda e tampo os ouvidos tentando em vão abafar o barulho que vinha do quarto ao lado, no entanto, ainda consigo ouvir os pedidos de mamãe para que a soltasse, para que meu pai parasse com aquilo. Choramingando, tudo o que faço é torcer, pedir para tudo acabar logo e que nenhuma ambulância aparecesse em nossa porta aquela noite, pois era assim, na maioria das vezes que as brigas acabavam, minha mãe sendo levada ao hospital por uma ambulância ou em algumas vezes por meu pai, para tentar impedir que os vizinhos presenciassem tudo, mas eles sempre estavam lá, em suas portas observando tudo para no dia seguinte fofocarem entre si sobre o que havia acontecido.

E tanto eles quanto seus filhos, falavam coisas horríveis sobre meu pai, porém nunca acreditei neles, e nem havia motivos para isso, meu pai nunca foi violento comigo e nem com minha mãe, ele sempre era carinhoso, atencioso, lembro-me do presente que ganhei de natal quando tinha seis anos, foi à bicicleta que tanto desejei, lembro-me da felicidade dele ao ver o quanto eu estava surpresa e feliz com o presente inesperado, ele fez questão de me ensinar a andar. Com minha mãe ele não era diferente, podia ver o quanto ele a amava e faria qualquer coisa para protegê-la, tentei por varias vezes saber o porquê das brigas, das idas ao hospital para poder gritar para as outras crianças e aos pais delas que meu pai não era o monstro da qual elas faziam questão de descreve-lo.

Mas ele nunca me disse nada!

“Vai ficar tudo bem, meu amor!”

Sempre escutava meu pai sussurrar, enquanto me acalentava.

Tirei as mãos do ouvido para constatar que o barulho havia acabado, quando isso ocorria, em seguida avistava as luzes e ouvia o barulho incessante da sirene da ambulância, esperei um instante e nada aconteceu, tudo permaneceu quieto, então escutei alguém choramingar, vinha do quarto ao lado. E pela primeira vez resolvi não ficar no quarto, segui o ruído até o quarto dos meus pais, bati na porta e esperei que respondessem e como não obtive resposta abri a porta devagar para saber porque minha mãe chorava. Fiquei paralisada com o que vi, meu pai deitado na cama, imóvel, sua mão repousava na barriga que estava coberta de sangue e assim como sua blusa, os lençóis também estavam manchados, uma imensidão vermelha o rodeava redor na cama. Minha mãe estava de joelhos ao lado dele, chorando e não acreditei quando vi o que ela segurava...

Então tudo ficou em câmera lenta, de repente uma mulher apareceu na minha frente, tentou me tirar do quarto, dois policiais entraram correndo e levaram minha mãe, que não esboçou nenhuma reação. Uma ambulância, vários policiais, vizinhos, uma multidão observava e eu tentava entender o que havia acontecido. Estava sendo colocada em um carro quando vi meu pai sendo levado, tentei ir até ele, mas fui impedida.

—Me solta! _Implorei, tentando me soltar. _Quero vê-lo.

—Sinto muito! _A desconhecida falou. _Mas seu pai se foi. Ele está morto.

—Não! _Gritei. _Você está mentindo. _Mas pude ver seu olhar de pena. E dos demais que observavam tudo.

Não, isso não pode está acontecendo!

Deve ser um pesadelo...

—Não! _Acordei aos gritos. Suada, o coração disparado.

—Calma! _Alguém pediu, enquanto me segurava. _Acabou.

Assustada, olhei ao redor estava em um quarto e em uma cama diferente, olhei minhas mãos, meu corpo... , eu não era mais uma aquela garotinha, era uma adolescente e não estava sozinha, porém, tudo estava silencioso, outras pessoas estavam em camas próximas a minha e alguns me olhavam, não pareciam assustados, por um instante fiquei confusa por não saber onde estava.

—Olha pra mim! _A mesma pessoa pediu e segurou meu rosto, me fazendo olha-la. Reconheci Maya e então lembrei onde estava e quem eram aquelas pessoas. _Está tudo bem, foi só um pesadelo.

—Me desculpa! _Pedi, olhando meus colegas de quarto. Me senti culpada por acorda-los.

—Tudo bem. _ Ela falou. Olhou em direção aos demais e pediu que eles voltassem a dormir. Voltou a me encarar. _Quer conversar?

Neguei balançando a cabeça, ela insistiu, neguei novamente, deixando claro que estava tudo bem.

—Ok! Mas amanhã você não escapa. _Sorri, concordando. Ela me deu um beijo na testa e saiu.

—Droga! _Murmurei, deixei meu corpo cair na cama, não conseguiria mais dormir. Nunca conseguia depois de um pesadelo, por um momento me senti feliz, tudo havia sido um pesadelo, mas minha felicidade de lugar a angústia e a tristeza, pois infelizmente aquilo havia acontecido na minha vida real também e por mais que tenha superado o que minha mãe fez, ter entendido que ela era doente, os pesadelos com aquela noite ainda me atormentavam e iram sempre me atormentar!

Notas finais
Hum, acho que vocês já sabem de quem se trata, né? É um pouco triste contar isso, mas era essencial. E então, está no começo, mas o que acharam?

bjussss e até o próximo.