Armadilhas Do Destino
10 Razão ou Coração?
Notas iniciais
P.O.V. LAURA:
– Você foi assaltada por um cara do Harlem? – espantou-se Steve do outro lado da tela do computador
Steve parecia estar em um cibercafé, ou algo parecido e estava usando no mínimo uns trezentos casacos, ao seu lado eu via pela vidraça a neve caindo. E aqui 40 ºC na sombra...
–Sim! E eu nem sei onde fica isso... Onde fica isso? – questionei um pouco exaltada ao lembrar de meu Iphone
– Aqui em Nova York! – respondeu – Uma parte meio violenta daqui.
Revirei os olhos, vou ter que zoar, não tem jeito.
– Tinha que ser membro do seu “povo” né? – zombei – Agora POR FAVOR segure esses marginais do seu país,no seu país. Já temos 300 deputados, não precisamos de mais ladrões!
Steve riu e bateu continência para mim.
–Sim, senhora!- brincou – Mas, ele não te machucou né?
–Não, pode ficar tranquilo. O imbecil me assaltou com uma pedra, tipo nem assaltar vocês sabem! – provoquei
–Você disse que não iríamos brigar mais por estupidez! – alertou
– Eu não estou brigando, só estou comentando um fato engraçado sobre estadunidenses... Que mal a nisso? – fiz-me de inocente
– Sua fingida!
–Ah deixa de ser chato! – resmunguei
– Não, tudo bem, você tem permissão para zombar do povo de cá.
Comemorei.
–Maas, eu também tenho para zombar do povo daí. – completou perspicaz
– Fechado! Agora por falar de América, eu estava aqui mexendo em uns documentos antigos e achei um trabalho que fiz no 2º ano do ensino médio. – comentei
– Qual era o tema?
– “Deus salgue a América”. – disse gargalhando
Steve forçou uma cara de ofendido, mas acabou caindo na gargalhada.
–Ninguém merece! – exclamou rindo – De onde você tira essas tiradas...
– Bom dia Steve! – ouvi uma voz feminina e Steve sorriu para a dona da voz.
“Steve?” que intimidade é essa? E por que ela está dando bom dia? Não tem que dar bom dia não! AAARgh! Infelizmente a mulher estava fora do alcance da tela então só pude ouvir a conversa entre Steve e ela, sendo completamente ignorada.
– Bom dia Christie! – ele respondeu simpático — Como vai?
– Vou bem e você? O de sempre... Café preto e cookies? – a voz dela era animada
–Exatamente.
–Conversando com a namorada? – ela questionou curiosa e com a voz excessivamente melosa.
– Sim, veja, esta é Laura. Laura esta é Christie – ele virou o computador para ela.
Resisti à vontade de soltar uma gargalha ao ver o cabelo da tal Christie. Parecia que um esquilo havia construído um ninho.
– Hellô! – acenei sorrindo – E aí tudo na paz?
Ela sorriu.
– Sim! Olha é um prazer te conhecer, Steve sempre fala sobre você e você é realmente linda! – elogiou
Eu congelei um sorriso no rosto. Por mais que ela estivesse me elogiando, a única coisa que eu ouvia era “eu converso com Steve enquanto você esta longe”.
– Aawn que fofa é você, obrigada querida! – mantive a pose de simpática
– Obrigada... Laura! – ela agradeceu e virou-se, aparentemente alguém havia chamado — Vish, preciso ir! O chefe está me chamando, até mais ver.
–Até! – concordei
Assim que ela saiu, aproximei-me mais da câmera com expressão invocada.
– O que foi? – questionou Steve
– Nada! Superlegal ela né? — afirmei entre dentes
– É muito simpática e faz um café excelente. – concordou
Uargh! Não era para concordar, eu fui sarcástica animal!
– Só acho estranho é uma garçonete te chamar pelo primeiro nome... Tipo... Wol, ela é intima!
Ele lançou-me um olhar divertido.
– Ciumes?
– Claro que não! Só que achei estranho ela dizer coisas como “ ah o de sempre?” e saber o que você gosta no café da manhã, e saber sobre mim... E ser só uma garçonete com um esquilo na cabeça! – expliquei fitando minhas unhas, como se não me importasse com o que dizia.
– Amor, ela trabalha no café ao lado da minha casa...
–Ah jura? É perto da sua casa? Que lindo! Que mágico! – ironizei colocando as mãos na bochecha – Isso é bom por que depois do expediente dela, vocês podem, sei lá, jantarem juntos na sua casa e depois ver um filminho!
Ele gargalhou, embora eu estivesse tão séria quanto a Natasha na TPM.
– Depois EU é que sou o ciumento! – comentou – Para com essas ideias sem sentido, eu só disse que ela me conhece, porque desde que eu “acordei” tomo café aqui. Não porque ela trabalha aqui, e sim porque eu amo os cookies daqui! Agora quem está sendo paranoica é você.
– Eu não estou com ciúmes e muito menos estou sendo paranoica! – revidei emburrada- Acontece que eu só acho muito interessante ela te chamar pelo primeiro nome, saber da minha existência... É tão intima que aposto que sabe que você é o capitão America!Agora dela, voce não disse para mim.
Steve revirou os olhos.
–Claro que não disse! Não fazia sentido é uma coisa sem importância é só uma garçonete, sua boba. E claro que falei de você para ela, eu falo de você para todo mundo e sabe por quê? Porque você é uma coisa importante. Devia se preocupar se eu não tivesse dito.
Fiquei mais um tempo emburrada, mas acabei sorrindo.
–Tá bom... Eu fui um pouco paranoica! – assumi
– Um pouco? Ah sim... E se quer saber, há pouco tempo atrás descobri que eu a salvei na batalha de Manhattan. – ele comentou
– Ah você salvou? – fui irônica – Que meigo... E como você sabe disso?
– Por que ela me disse que o Capitão América a salvou de ser esmigalhada por um chitauri. Só então me recordei que o rosto dela não era estranho... Ela estava presa em uma loja, com outras pessoas.
– Muito fofo! Fofíssimo!
Steve soltou uma risada.
– Devia tê-la deixado morrer?
– Não faria diferença... Oitenta pessoas morreram oitenta e uma não mudaria nada. – brinquei
– Que malvada você é... Não se preocupe, querida, prefiro as moças que lutam comigo do que as que preciso lutar por elas. – Steve sorriu de canto
–Aaawn eu queria poder te beijar gora! – reclamei indignada balançando a tela do computador
– Nem me lembre disso... AAAAAh viu o que você fez? Agora me lembrei de como é beijar você! – chateou-se e eu ri
– Ai ai! Agora te vejo daqui a quantos mil anos? – questionei cansada
– Estamos em... Fevereiro? Poxa, dia dos namorados é semana que vem! – comentou
– Não! – respondi – Semana que vem é carnaval, dia dos namorados é em junho!
– Aí né? Olha só o prejuízo: vou ter que comprar presente de dia dos namorados duas vezes por ano! – brincou – Fora que nosso aniversario de namoro é em junho também e seu aniversário em julho...
Gargalhei
_Nooooossa! Haja dólares! – espantei-me – Não reclama não porque eu também tenho essa conta toda aí! Agora você vem para cá quando?
–Por que você não vem para cá?
–Por que eu não tenho dinheiro! – respondi como se fosse obvio
– Eu pago sua passagem!
– Steve, e a faculdade? E meu trabalho? Eu trabalho meu filho, ainda não plantei uma arvore de dinheiro no quintal.
– Eu também tenho faculdade e eu também tenho trabalho! – retrucou – E mesmo assim eu largo tudo e vou até aí. Sem contar que a suas aulas só começam em março.
Fiquei pensativa por um minuto.
– Vou pensar no seu caso! – bufei – Estava aqui fazendo uns cálculos e é mais barato ir para ai do que aqui.
– Eu sei disso. As coisas aí são muito caras... Vocês acham que são o que? – brincou
– A gente não tem esse dinheiro todo para ser gasto em viagens... Vamos morrer de fome! – me desesperei – Hospedagem, comida, avião... E nem celular eu tenho no momento. Até quando isso vai continuar?
Steve ficou sério.
– Vai desistir de nós?
Balancei a cabeça em negativa freneticamente.
– Não! Nunca! Só quero uma solução tipo... Acabar com a América Central. Ia ficar mais perto – propus rindo
Ficamos nos encarando por um minuto.
– Por que você não casa comigo? – sugeriu – Solucionaria nossos problemas.
Arqueei a sobrancelha surpresa.
– Casamento? Agora? – questionei
– É ué. Eu te amo você me ama... Por que não? Eu quero casar com você, voce quer casar comigo?
–Sério isso?
– Sério isso!
–Steve... A Manu acabou de casar, está em lua de mel, e eu no dia do casamento dela disse que não me casaria tão cedo. Não podemos casar agora – respondi confusa
– Por que não? – inquiriu
– Por que não temos condições financeiras para isso, além do mais eu preciso me formar, eu ainda quero construir uma ONG em apoio aos animais, quero um consultório próprio, uma casa, um carro... Aí sim eu caso! – expliquei
Steve arfou.
– E isso tudo podemos construir juntos, como uma família. A não ser que você não queira se casar comigo. – seu tom de voz era esperançoso
– Não, não é isso! Eu quero, quero muito. Mas... Isso não está nos meus planos no momento. Sem contar que tudo bem,supondo que a gente casa. Aí moramos onde? Canadá? Não, eu vou querer ficar aqui no Brasil e você aí nos EUA... E sabe no que vai dar? Nada. Vamos continuar do mesmo jeito.
Steve parecia chateado e não respondeu.
–Tudo bem, você que sabe... Agora preciso ir.
–Steve...
– Preciso ir, depois conversamos. — insistiu
Ele desligou. Argh, e agora o que faço? Sigo a razão ou o coração?
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