Armadilhas Do Destino
23 Para Tudo Na Vida Há Uma Explicação
Notas iniciais
# MANUELA
Duas semanas depois, São Paulo – Brasil.
Lar doce lar! Como é bom estar em casa, com privacidade e gente normal... Quer dizer, quase normal já que tenho Thor como marido e Melissa como filha. Com o passar dos dias meus problemas familiares e matrimoniais costumeiros voltaram e quais são eles?Bom, é Thor que não trabalha e só fica jogado no sofá vendo futebol e bebendo cerveja. Argh, por que diabos tio Alberto foi apresentar o futebol para ele? Por quê? Por quê?
Aí você me pergunta: Se ele só fica em casa vendo futebol, como é que a casa e os luxos são sustentados? Simples, Thor é rico e no dia 1º de cada mês, Hogun ou qualquer outro subalterno asgardiano vem para Midgard trazer riquezas. Até aí tudo bem, quem não quer um marido rei? O problema é que enquanto eu estou trabalhando na “Coisas & Coisinhas”, minha loja de decoração cuja sócia é minha mãe, ele fica ali jogado,bebendo e vendo Esporte Interativo, Sportv e todos os outros canais nojentos de futebol o DIA INTEIRO!! Como as crianças estudam de manhã, o trabalho do infeliz é buscá-las na escola e vigiar a alimentação deles, aí você me pergunta: “Ele cumpre o combinado?” Nãão, ele não cumpre o combinado! Teve um dia que Arthurzinho ficou na escola até às 15hs da tarde esperando o pai desnaturado buscá-lo.
Se não bastasse isso tudo, ele ainda permite tudo o que as crianças pedirem, principalmente a Mel, pedem só para eles o deixarem em paz enfrente sua televisão.Então é mais ou menos assim:
“- Pai posso jogar o Arthurzinho da escada?
- Ahan... – ele deixa sem nem ouvir a pergunta
Alguns minutos depois quando se ouve um choro e ele percebi que o filho foi jogado da escada resolve brigar.
- Melissa por que vós fizeste isto?
- Ué, você deixou!
- Deixei? – responde confuso”
E assim tem sido nossa rotina desde que as crianças nasceram. Dois fins de semana por mês Thor sobe para Asgard com as crianças para treinarem e aprenderem sobre os costumes asgardianos e depois volta com mais ouro,vende-os e senta no sofá pelo resto do mês... Vida difícil né? Enche o saco. Tudo bem que eu também não preciso trabalhar, mas também não sou o tipo de pessoa que consegue ficar parada, Por isso, abri essa loja, mas ele não.
Cheguei tarde da noite em casa,após ficar duas horas presa no transito com a cabeça rodando. Assim que abri a porta do apartamento minha dor de cabeça piorou: Melissa e Arthurzinho correndo pela casa e gritando,minha empregada Zuleide tentando para-los e limpando as cagadas que faziam, som no volume máximo da Galinha Pintadinha, brinquedos espalhados e a voz do Galvão Bueno vindo da sala de TV... Resumindo, eu cheguei no inferno! Meu marido jogado no sofá vendo amistoso Brasil X Inglaterra, e se lixando para o caos que a casa estava.Calma, Manuela! Calma, respira fundo... Não mate ele, não...
- MÃÃÃÃÃÃE! – gritaram as crianças vindo ao meu encontro e me abraçando
Dei um longo suspiro.
- Oi queridos como foi o dia de vo...
-GOOOOOOOOL!GOOOOOOOOL!!Isso aí NEYMAAAAAAAAAAAAAAAAR!! – Thor gritou me interrompendo pulando no sofá
Comecei a ter um tique nervoso.
- THOOOOOOOOOOOOOOOOOOOR ABAIXA ESSA PORCARIA DE TELEVISÃO! – gritei de volta
As crianças voltaram a brincadeira.
- Arthur desliga esse som! – ordenei – Melissa guarda essas bonecas! Arthur tira esses carrinhos do meio do caminho. – Olhei para o lado e Mel escalava o armário da cozinha – Melissa Thorson, desce já daí menina!
Thor me ignorou e a voz do Galvão Bueno ainda reinava na minha casa. Eu. Vou. Ter. Um. Colapso
-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!! – tive um ataque de pelanca largando a bolsa no chão e batendo os pés como uma criança mimada
Rapidamente Melissa desceu do armário, Arthurzinho desligou a galinha pintadinha e Thor desligou a televisão.
- Ma-Mas, o que foi que deu em você? – Thor disse perplexo
- O QUE FOI QUE DEU EM MIM? – rosnei – O QUE FOI QUE DEU EM MIM? Você quer saber o que deu em mim? Hahaha Ok, então saiba que eu fiquei duas hooooooooooras presa no transito de São Paulo, após um longo dia de trabalho e quando chego em casa vejo voce no futebol e minha casa tomada pela Galinha Pintadinha com Galvão Bueno...ISSO ENLOUQUECE QUALQUER UUUUUM!
-Nossa, amor, estas muito nervosa. Acalme-se, olha o Brasil ganhou! – tentou me alegrar – O Neymar fez dois go...
- Que se exploda o Neymar! Que se exploda o Brasil! Sai logo dessa merda de sofá e vá dar um banho nas crianças! – ordenei P.da vida
- Dona Manuela, não precisa incomodar ele não. Deixa que eu cuido das crianças, a senhora precisa descansar. – ponderou Zuleide
- Precisa incomodar ele sim, Zuleide! – rebati – Ele está muito acomodado, pro meu gosto! Vá preparar o jantar, eu vou tomar um banho e o THOR vai cuidar das crianças.
- Querida, vai começar o Bem Amigos no Esporte interativ...
- Foda-se o esporte interativo! – exclamei irritadíssima esfregando o cenho – Levanta essa bunda loira daí e vai cuidar dos seus filhos!
- A MAMAE FALOU PALAVRAO! A MAMAE FALOU PALAVRAO! – Arthur resolveu informar ao mundo o acontecido
- Cala a boca Arthurzinho, falei, mas você não pode falar! Thor é ultima vez que eu falo: levanta logo desse sofá!!!
Praguejando em asgardiano (o que me irrita muito, já que não entendo o que ele diz) ele saiu carregando as crianças para dentro que não paravam de falar um só minuto. Finalmente um pouco de silêncio,ou menos barulho já que a voz dos três berrando casa a dentro continuava. Me joguei no sofá exausta, jogando uma almoçada por cima de minha cabeça.
- Dona Manuela, eu não quero te incomodar não, mas a senhora precisa tomar uma providencia quanto a sua menina. – Zuleide se aproximou
-Ai! – gemi – O que ela fez dessa vez? E que providencia você sugere?
- A ela fez o de sempre. Mas, eu sugiro que leve-a até um psicólogo. – propôs esperançosa
- E você acha que pode dar certo?
- Sabe a filha da Lurdinha? – perguntou
- Aquela que mordeu a batata da perna dela? – inquiri curiosa me levantando
-Essa mesmo! Lurdinha a colocou no psicólogo e agora a menina está até dando bom dia. – me contou maravilhosa
- Ah eu vou marcar uma hora com a Dra. Michelle Carrão vai ser agora! – me impolguei ligando para Michelle imediatamente e marcando um horário bem cedinho
Já ia me direcionando ao banheiro afim de tomar um banho, quando meu celular toca. Laura!
“ Banu, você tá ocupada? — perguntou
Estranhei a voz dela.
- Laura você está gripada? – me preocupei
- Dão! Eu tô é chorando mesmo! Aaaah Banu eu to bal,estou buito bal! Passei o dia inteiro ouvindo Adele estou na fossa! – fungou do outro lado
Ouvi um barulho de macaco do outro lado.
- Onde você está criatura? Ouvindo Adele o dia inteiro?
- Eu estou no recinto do macaco prego e ele roubou... Ele roubou o – parou chorando – ai o macaco roubou meu tênis! Minha vida acabou!
Gargalhei! Só rindo, ela parecia bêbada.
- Sua vida acabou porque o macaco roubou seu tênis ou porque você vai assinar os papeis do divorcio em dois dias?
- Aaaai os dois e tem mais! Aconteceu uma coisa horrível! Horrível! – recomeçou o chororô.
- Laura você bebeu?
- Dão,Banuela! – reclamou – Aí eu tô grávida! Grávida! Argh minha vida é uma piada!
-CHOQUEI! – gritei – Geeeente não podia ser melhor, isso vai unir vocês dois!
- Cala a boca Banuela! Isso é terrível, isso lá é hora de descobrir gravidez meu Deus! – ela reclamou mais alto e aposto que estava olhando para o céu – Vou ter que criar esse filho sozi...
- Uai, não é do Steve?
- Dão,dão é do Loki!- ironizou- Que ideia!
Eu ri. Do outro lado tocava “Someone Like You” no último volume e ela cantava junto com a voz totalmente desengonçada e chorosa.
- Cara eu sabia que você ia ficar assim! – joguei na cara – Eu avisei! Você foi precipitada! Olha amanha a tarde eu vou aí, de manhã vou levar Melissa
-Jura? Promete que vem me ver?
Revirei os olhos.
- Sim, Laurinha, prometo! Amanhã estou aí, tchau que vou dormir.
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Manhã seguinte...
Depois de muito sacudir Melissa na cama consegui acorda-la que mal-humorada se aprontou e desceu comigo para o estacionamento. Eu estava correndo contra o tempo! Precisava chegar no consultório da psicóloga antes da hora do “rush” e depois tinha que pegar a estrada novamente rumo a casa de Laura,porém para facilitar minha vida Mel não queria ficar na cadeirinha.
- Melissa, pelo amor de Deus, senta nessa cadeira para a gente ir embora! – implorei pela centésima vez
A criatura continuava em pé no banco de trás, apoiando as mãozinhas nos bancos da frente.
- Ah não, mãe! – reclamou – Eu odeio a cadeirinha!
- Não tem que gostar, é lei!
- Tô nem aí...
-Ah está nem aí? Ótimo por que das duas uma: ou na primeira freada você vai voar pelo para-brisa ou a polícia vai me parar e eu vou acabar presa.
- Presa? – se preocupou
- Isso aí, vou pegar prisão perpétua...
- O que que é perpétua? – me interrompeu
- É uma coisa que é eterna. Eu vou ficar presa para sempre e você nunca mais vai me ver. – dramatizei
- Aí você não vai me levar no Beto Carrero? – se preocupou
Detalhe: Ela se preocupou pelo fato de não ter quem a leve no parque e não porque não teria mais mãe. Criatura mau-caráter!
- Isso Melissa, isso. – confirmei derrotada
Rapidamente a pentelha sentou-se e o trajeto seguiu normalmente. Chegando no consultório enquanto esperávamos nossa vez,resolvi informa-la de como seria a consulta.
- Mel, escuta aqui... Para de pular garota! – a repreendi segurando-a pelos braços e prendendo suas pernas com as minhas – A doutora Michelle Carrão é muito legal, ela é a psicóloga da família desde que eu era do seu tamanho. Responda tudo que ela perguntar e seja simpática.
- Tá bom.
- ... Melissa! – a doutora chamou e ela correu porta a dentro
Senti pena da doutora e entreguei na mão de Deus, já esperando que a mulher se traumatizasse com Melissa.
Narrador Observador
Melissa sentou-se frente a simpática médica já com cara de tédio, batendo o pé de ansiedade para que pudesse sair dali.
- Oi então você é a famosa Melissa? – cumprimentou Michelle, sorrindo.
- Eu não sou famosa. – a menina respondeu seca o que fez o sorriso da doutora sumir por um momento
- Bem... Me conte de você. O que você gosta de fazer? – tentou
Melissa permaneceu em silêncio, fitando a cara da mulher.
- Melissa?
- que é?
- Te fiz uma pergunta, querida responda!
- Não estou com vontade e você não tem que se intrometer na minha vida.
A doutora ficou séria, surpresa com a resposta dura de uma menina tão pequena.
- Mas, eu estou aqui para te ajudar meu bem...
- Eu não sou seu “bem”. Não seja falsa! – Mel a interrompeu
Novamente a médica ficou surpresa com tal atitude.
- Poxa, você não é fácil! – pensou alto – Tudo bem, vou mudar a pergunta: o que você não gosta?
- De você. – responde rápido
- Você não gosta de mim?- se entristeceu Michelle- Mas, por que?
- Você é feia, gorda e intometida! – ela disse rindo- Mas, não fica tliste não, você não é a única coisa que eu não gosto.
Por um momento, Dra. Carrão sentiu vontade de sentar a mão na menina. Obviamente, não deixou este pensamento tornar-se visível.
- E o que mais você não gosta?
- De gente feia, de bichos, de gente boba, de gente ruiva e do meu tio Loki.
- Você não gosta de um monte de coisas. Por quê? – se interessou pela criaturinha peculiar a sua frente
- Bichos são nojentos, pessoas são ridículas... Mortais são ridículos, o vovô tem razão. – Melissa confessou
- E você gosta do seu avô?
- Gosto, mas ele não gosta de mim. – disse baixinho em tom triste
Michelle franziu o cenho, preocupada.
- Claro que gosta meu amor! Por que você pensa isso?
- Ele não gosta, ele mesmo me disse isso. Só porque eu sou menina! Ele disse que só sirvo para blincar de casinha. – uma lágrima escorreu no rosto da menina – Só o Arthurzinho que ele gosta. Tudo que ele faz, meu vô apoia.
- Então é por isso que você não gosta de coisas fofas né? Você quer que ele saiba que você é forte o suficiente. – a psicóloga logo sacou o problema
Melissa confirmou com a cabeça.
- Eu quero ser a rainha.
- Rainha? – a médica
- De Asg... – Mel colocou as mãos na boca, lembrando-se que não deveria contar sobre sua origem para a mulher.
- De onde? – ficou curiosa a médica
- NÃO TE INTERESSA! – a menina ficou nervosa – EU QUERO IR EMBORA!
- Tudo bem, me desculpe! Não vamos falar sobre isso, OK? – Dra. Carrão tentou reaver o controle da situação
- Chega, não quero mais falar com você! – Mel estava cansada
Michelle confirmou com a cabeça.
- Tudo bem, mas outro dia você volta? Promete? – pediu sorridente
Mel liberou um sorrisinho,concordando.
- Volto... Outro dia!
- Que bom... me dá um abraço?
- Já está pedindo de mais.
A médica ficou encabulada e não teve escolha a não ser apenas apertar a mão da menina, que logo saiu disparada para fora do consultório.
- Manuela, precisamos conversar... Pode entrar aqui um instantinho, antes da minha próxima consulta? – ela pediu
Manuela completamente aflita logo atendeu ao pedido. Assim que a porta se fechou, Manu não aguentou.
- Ai Dra, o que foi que ela quebrou? Fica tranquila que eu pago. Eu pago...
- Não, não! Ela não quebrou nada – “só minha autoestima”, pensou consigo mesma – Sua filha é muito inteligente.
Manu se espantou ao ouvir elogio.
- Como é que é? A senhora não vai me dizer coisas do tipo “sua filha é o capeeeeetaaa”?
Michelle riu.
- Não! Bem, as atitudes dela são só para chamar a atenção, como eu já imaginava desde quando você me contou sobre ela. Melissa me contou sobre um avô que ela amava muito e que não gostava dela por ela ser uma garota e também que queria ser rainha de algum lugar que ela não me contou.
Manuela sentiu o sangue ferver ao ouvir aquelas palavras. Tanto que alertou Odin para que os tratasse de forma igual! Ah ele vai levar uns bons tapas naquele traseiro branco – ela jurou a si mesma.
- ... E pelo que vejo, ela faz o que faz para provar a si mesma e aos outros que é tão valente quanto o irmão. Eu queria pedir a senhora que não elogiasse o menino na frente dela e muito menos atribuísse adjetivos pejorativos,muito menos na frente dos outros. – pediu – Isso acaba com a autoestima dela, Mel acaba acreditando que você prefere Arthur...
- NÃO! EU OS AMO DA MESMA FORMA! – protestou
- Mas, ela é uma criança não vê as coisas dessa forma! Tente ser mais gentil na hora de dar as broncas. Você costuma a elogiar?
Manu fez uma analise interior e percebeu que não: Geralmente acabava por os comparar sem perceber como “ viu Melissa o Arthurzinho tirou 10 e você não...Ah você é uma monstrinha mesmo,não tem jeito”. Nunca parou para pensar, mas isso a magoava.
-Não! – respondeu inconsolável
- Elogie-a! – ordenou – Mel é um amor de menina, só que considera a doçura uma fraqueza. Tome uma postura quanto a isso enquanto ela é pequena;se isso continuar ela será um ser humano horrível e amargo.
Loki! Mel estava vivendo tudo que Loki um dia viveu. Manu se punia fervorosamente teve que ouvir isso de uma estranha para se ligar no que fazia com a própria filha! Que tipo de mãe ela era? Não permitiria que Melissa virasse um Loki da vida que fazia atrocidades para chamar atenção.
- Obrigada,doutora! Muito obrigada, marcar essa consulta foi a melhor coisa que já fiz. – agradeceu emocionada
Saiu do consultório em silêncio, enquanto Melissa saltitava em sua frente.
- Mel espere aí!
- Que foi? O que fiz de errado?
- Nada, quem fez foi eu! – Manu se ajoelhou para ficar da altura da menina – Você desculpa a mamãe?
- Pelo que? – a menina estranhou
- Eu fui malvada com você e às vezes eu acabo esquecendo-se de te dizer que te amo muito!
Melissa a abraçou chorando.
- Eu também te amo, mãe!
Manu começou a se emocionar.
- Você e seu irmão são as coisas mais importantes da minha vida, na mesma intensidade, modo e grau... Entendeu? Eu amo vocês mais que tudo! Eu amo você Mel, do jeitinho que você é! Não liga para quando eu te chamei de pentelha, de capeta e dessas coisas feia ok? Você é minha princesinha! – Manu disse com rosto banhado em lágrimas acariciando o rosto da filha.
A menina concordou com a cabeça fungando.
- Mãe, você me leva no Beto Carrero World? – aproveitou o momento para pedir de novo
Manu riu.
- Sua interesseira!Argh, tudo bem no próximo fim de semana!
-Ebaaaaaaa!! – comemorou a menina
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Steve havia chegado a Rio das Flores a pouco mais de uma semana e estava instalado em um hotel. Fazia uma semana que não via a filha, desde o dia em que contaram a pequena que iriam se separar. Foi um dia triste, Sophia entrou em pânico e teve um ataque de pânico parando no hospital com problemas respiratórios. O pai da menina chegou a pensar que ela tinha asma, doença conhecida e temida por ele, porém o pediatra logo confirmou que se tratava de uma crise emocional.
Não teve jeito. Sophia precisava saber afinal Laura estava irredutível e queria o divórcio. Steve até tentou uma reconciliação, porém acabaram brigando de novo e ele chegou a triste conclusão de que seu casamento havia mesmo chegado ao fim. As duras palavras de sua futura ex-mulher ainda atormentavam sua cabeça... “O amor acabou a tempos, estar ao seu lado era horrível, era uma obrigação.”Era horrível ouvir coisas assim de alguém que ele amava e desejava tanto, da mesma maneira desde que a conheceu. Mas, chegou ao fim e para o bem de Sophia eles tinham que ser amigos e hoje ele buscaria a filha para um passeio pela cidade e infelizmente isso incluiria dar de cara com Laura mais uma vez. Isto era como cutucar uma ferida recém-aberta.
Laura estava aos cacos tendo que sorrir e passar para a filha que estava tudo bem, que a vida continuava. Continuava uma merda, isso sim! – pensava. Enquanto cuidava dos animais, não podia deixar de recordar de como era bom quando ele chegava do trabalho com um buquê de orquídeas azuis a rodopiando pelo bosque e às vezes a assustando enquanto ela trabalha e este chegava de supetão. Ou dos momentos tensos de quando ele estava preso injustamente, mas que mesmo assim estavam juntos. De quando ela descobriu-se grávida de Sophia e da alegria de Steve que parecia ter ganhado na loteria. Ah como eram bons os dias ao seu lado! Mas, tudo passou de ilusão. Steve não gostava daquele lugar, afirmou que não a amava há muito tempo e que conhecê-la foi a pior coisa que lhe aconteceu. O coração doía ao lembrar-se disso.
Com as cartelas do anticoncepcional nas mãos, Morango tentava entender como podia estar grávida. Como, se não se esqueceu de tomar nem por um dia? E logo agora? Logo quando faltavam apenas três dias para assinar os papeis e se tornar uma mulher divorciada?
- Olha aqui na bula... 2% de chance de o óvulo ser fecundando. – Manu mostrou
- E onde estão os 98% de chance de não ser quando eu preciso? – reclamou desolada
- Por que está tão chateada? Talvez essa sua gravidez seja a oportunidade para vocês se reconciliarem... Talvez seja obra do destino! – a morena de olhos verdes tentou alegrar a amiga
Laura levantou-se da cama ofendida.
- Você por acaso acha que eu sou esse tipo de mulherzinha que segura marido com filho? – reivindicou – Steve não saberá dessa criança.
Manuela revirou os olhos.
-Aé? E vai fazer o que? Começar a usar moletons largos toda vez que ele aparecer para ver a Sophia? — ironizou
-Se for preciso sim...
-Mamãe!Mamãe! O papai chegou! O papai chegou! – Sophia entrou no quarto pulando de euforia – Vamos, vamos!
Laura fechou os olhos respirando fundo preparando-se para vê-lo. Manu deu um sorrisinho a apoiando. Por fim ela pegou a mão da filha e direcionou-se a sala, onde encontrou Steve.
Uma trocada de olhares um pouco aflitos entre eles foi inevitável, porém segundos depois um tentava provar para o outro que não sentia um pingo de falta do cônjuge.
- É, oi... Vou...Vou levar a Sophia ao circo. – Steve disse meio sem jeito enquanto pegava a pequena no colo
Morango confirmou com a cabeça instantaneamente.
-Ahan. Tudo bem, só... Só não chegue muito tarde, ela precisa dormir cedo. – pediu um pouco desconfortável
-Eu sei disso, sou o pai dela! – revogou meio ofendido pelo pedido obvio
- Não quis ofender eu só...
-Pu favor não biguem de novo! – implorou Sophia
- Nós não estamos brigando, meu amor! – Laura chegou perto da filha, porém como esta estava no colo de Steve seus rostos se tornaram muito próximos e ela voltou.
Steve sentiu o coração acelerar com a aproximação.
- Fique tranquila Sosô, não vamos brigar... Nunca mais. – ele disse olhando diretamente para a moça a sua frente que confirmou.
Logo saíram e foram em direção ao circo. Pela primeira vez em duas semanas Steve conseguiu sorrir verdadeiramente ao presenciar a alegria da filha.
- Papai, eu posso escolher o nome se for menina? – ela perguntou do nada enquanto descia do escorregador
- Nome? Nome de quem?
- Da minha rimãzinha ou rimãozinho! – exclamou sorridente
- Irmão? – se surpreendeu
A menina confirmou com a cabecinha.
- Quando ele ou ela nascer vochê vai voltar pa casa? – questionou esperançosa
Steve estava chocado e ao mesmo tempo feliz... Seu plano de ter mais um filho trocando as pílulas de Laura por torrões de açúcar,havia funcionado. Só que na hora errada.
- Sophia...A... Sua mãe está grávida? – resolveu perguntar para ter certeza
- Sim, eu ouvi ela falando com a tia Manu hoje! Vochê não sabia?
-Não. – respondeu atônito.
Laura o devia explicações;Por que estava escondendo isso?
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