Armadilha Do Destino.
48 Capítulo 48 - Ciúmes de Você
Notas iniciais
Cap. XLVIII – Ciúmes de você.
Isabella Swan.
Sorri satisfeita ao colocar Edward no lugar dele. O sorriso cínico havia evaporado. Os olhos verdes estavam escurecidos pela raiva, as mãos crispadas sobre o tampo da mesa escura, uma veia saltando saliente em seu pescoço masculino era a prova do ciúme que ele estava sentindo, mas não me importei. Aquele era um jogo em que dois poderiam jogar. Ele que aproveitasse, deglutisse e degustasse o próprio veneno. Onde já se viu ficar deslumbrando a garçonete daquele jeito?! Ele sabia do poder de sedução que tinha. Bastava que adentrasse num local para todas as mulheres presentes, independente da idade virasse as cabeças para admirá-lo. Parecia que tudo nele fora criado de forma proposital para atrair as mulheres. Sua face, seu sorriso, seu corpo, seu cheiro, até mesmo a forma como ele se movia, que sempre me lembrava um felino. Suspirei aborrecida engolindo mais um pedaço do meu sanduíche, que estava simplesmente delicioso. Ele também comeu em silêncio, devorando tudo o que havia no prato e aos poucos o clima tenso foi desaparecendo. Eu fui a primeira a quebrar o incômodo silêncio.
–Quando a Alice volta?
Perguntei tomando o restante do suco.
–Daqui a uns dois ou três dias.
–E em quanto tempo será o casamento?
–O mais rápido possível. Você quer mais alguma coisa?
Respondeu chamando a moça e pedindo a conta.
–Não, obrigada. Estou satisfeita. E nos seus termos o que é “o mais rápido possível”, tornei a perguntar.
–Uma semana.
Respondeu de imediato. Meus olhos se arregalaram, quase saltando das órbitas.
–Uma semana?! Edward, isso é praticamente impossível!
Ele sorriu em resposta, dando de ombros.
–Não para Alice Brandon.
–Céus! Tenho milhões de coisas para fazer, planejar, comprar, escolher... Uma semana é um prazo muito pequeno! Não vai dar! Preciso de mais tempo.
–Lhe concedo quinze dias e nada mais que isso. Esperei mais de dez anos para torná-la minha esposa e não vou esperar nem um dia a mais.
–Edward...
Tentei argumentar, mas foi em vão. Ele inclinou-se por sobre a mesa e começou a me acariciar por sobre o tecido da calça, fazendo desenhos e traçados imaginários em minha coxa, me deixando com o coração disparado e o desejo a flor da pele.
–Pare, pedi baixinho com medo que alguém visse o carinho impróprio. Ele agora estava quase alcançando o meu sexo.
–Por que não está usando uma saia?
Perguntou dando um sorriso lascivo.
–Por que elas estão apertadas devido à gravidez, respondi com a respiração presa na garganta.
–Hum, teremos que comprar roupas novas para você, gatinha.
–Por favor, comporte-se.
Falei dando uma tapa de leve na mão ousada. Ele sorriu e afastou-se.
–Em relação ao casamento nós podemos fazer os planos hoje à noite, falou quando a moça voltava para mesa com a nossa conta. Ele lançou os olhos rapidamente sobre o papel em suas mãos franzindo o cenho.
–Algum problema, perguntei intrigada.
–Não, nenhum, ele disse. Olhei então para a garçonete que mantinha os olhos fixos no chão e aguardei. Edward tirou a carteira do bolso da calça, deixou o dinheiro sobre a mesa e colocou a conta ao lado, arrastando sua cadeira para trás e pondo-se de pé. Não sei se foi impressão minha, pois tudo aconteceu muito rápido, mas acho que o vi amassar um pequeno pedaço de papel entre os dedos e jogar na primeira lixeira que avistou.
–O que foi?
–Nada, respondeu segurando em minha mão, andando em direção à saída.
–O que você jogou fora?
Perguntei curiosa.
–Um panfleto velho.
Ele estava escondendo algo.
–E por que o amassou?
–Que importância isso tem?!
–Tem importância para mim!
Falei tendo certeza de que ele estava mentindo. Edward suspirou, correndo a mão pelos cabelos.
–Não vai esquecer isso, vai?
Perguntou visivelmente chateado.
–Não.
–Esse não é o melhor lugar para nós conversarmos.
Falou olhando para os lados. Segui seu olhar e entendi o que dizia. A Lanchonete estava lotada. Olhei-o fixamente, mas não tive a chance de confrontá-lo, pois Mike Newton e Jéssika Stanley nos interceptaram antes que conseguíssemos sair do estabelecimento.
–Oi Edward! Bella.
–Oi Jéssika, falei sem emoção na voz.
–Você está ótimo, Edward, como sempre.
Ela falou devorando-o com os olhos atrevidos. Preparei-me para dar uma resposta à altura, mas Mike foi mais rápido.
–Bella também está maravilhosa, disse fazendo uma reverência com a cabeça. Senti Edward trincando os dentes.
–Nós já estávamos de saída, se nos derem licença...
Falei desejando sair dali antes que as coisas começassem a dar errado. Paciência nunca fora uma das virtudes de Edward. Mike bloqueou nossa passagem desviando a conversa para um campo neutro.
–Como estão as coisas? E a filha de vocês?
Perguntou relanceando o olhar sobre nossas mãos unidas.
–Renesme está ótima, Newton. Edward disse.
–Não vejo à hora de conhecê-la. Deve ser encantadora, assim com a mãe.
Edward deu um passo em sua direção, com os olhos dardejando de raiva.
–Escute aqui seu infeliz...
O tom usado por ele atraiu a atenção de alguns fregueses que viraram as cabeças na nossa direção. Prevendo um confronto desastroso em plena lanchonete, ou até mesmo uma briga feia, Jéssika antecipou-se, saindo em defesa do... Companheiro? Amigo? Namorado? Affair? Amigo ocasional? Eu não saberia dizer ao certo.
–O que vocês acham de virem ao próximo baile dos ex-alunos, no final do mês? Será no ginásio como sempre.
Sem tirar os olhos de Mike, Edward respondeu:
–Lamento, mas teremos de recusar o convite. Estamos organizando o nosso casamento, que será no máximo em duas semanas e como a Bella está grávida novamente, não deve ficar cometendo exageros. Então teremos de declinar do convite. Não vai ser possível, Edward falou decidido.
–Casamento?!
Jéssika perguntou num sussurro, pálida como um cadáver.
–Gravidez?!
Mike emendou espantado.
–Sim. Nós passamos muito tempo separados, então resolvemos cuidar de tudo ao mesmo tempo e aumentar a família.
Concluiu Edward.
–Caramba!
Mike exclamou muito surpreso.
–Está tão abafado aqui, eu preciso de um pouco de ar. Com licença, disse Jéssika, afastando-se aos tropeços meio desequilibrada. Sufoquei uma risada quando vi a expressão desolada no rosto sardento. Edward observou a moça afastando-se e tornou a olhar para Mike dando um sorriso sarcástico desta vez.
–Não se preocupe Newton. Mandaremos o convite. Faço questão da sua presença no nosso casamento. Mas cuidado para não beber além da conta e acabar batendo o carro no muro de alguém! Destruição de propriedade alheia é crime!
Disse Edward impaciente, como se ralhasse com uma criança impertinente. Mike ficou vermelho como um tomate.
– Agora com licença, pois nós já estamos indo.
Falou empurrando Mike da nossa frente sem nenhuma delicadeza. Ele cambaleou, mas manteve-se de pé.
–Cla... Claro, claro! Parabéns pelo bebê. Eu irei ao casamento, sim. Com certeza.
Respondeu gaguejando. A cena foi tão patética que quase cheguei a sentir pena dele. Pobre Mike. Perto de Edward ele parecia um moleque desajeitado e imaturo.
–Tchau, Mike, falei acenando.
–Tchau, Bella. Nos veremos em breve.
–Espero que sim, devolvi já quase chegando à calçada. Saímos e fomos atingidos por uma lufada de ar quente.
–Filho da puta! “Tchau, Bella. Nos veremos em breve”, repetiu a frase dita por Mike com os punhos cerrados e os olhos escuros devido a raiva crescente.
–Calma, Edward. Já passou. Agora vamos para casa.
Ele fitou-me com as narinas dilatas e frementes. Era visível o esforço que fazia para controlar-se.
–Ele que experimente chegar perto de você ou da Nessie para ver o que eu faço! -Vou amassar esse infeliz como uma bola de pano, jogá-lo contra a parede várias vezes e ter o prazer de ver todos os seus ossos quebrados!
Disfarcei um sorriso diante dos seus devaneios.
–Ok, Hulk, você já disse tudo o que vai fazer se e somente se isso acontecer, o que acho muito pouco provável agora que ele sabe que vamos casar e ter outro filho.
–Humpf! Moleque dos infernos! Devia ter morrido no acidente de ontem!
–Edward!
–Tudo bem. Morrer já é um pouco demais, mas bem que poderia ter sofrido fraturas múltiplas e ficar hospitalizado por três meses!
Bufou enquanto abria a porta do carro para que eu entrasse. Achei melhor não comentar mais nada. Acomodei-me, colocando o cinto de segurança esperando que ele entrasse e fizesse o mesmo. Quando ele deu a partida no motor, eu consegui respirar aliviada. Esperei que começasse a subir o caminho que levava a colina para arrancar a verdade dele.
–E então?
–Hum?
Respondeu focado na estrada.
–Não vai me contar que papal era aquele que você amassou e jogou fora?
–Bella...
–Vai mentir para mim, Edward?
Outro longo suspiro.
–Não era nada importante, respondeu seco.
–Ok, se não quer falar tudo bem, mas saiba que está abrindo um precedente para que eu não lhe conte as coisas também.
Falei com serenidade. Era um golpe baixo e eu sabia que ele ia cair na armadilha.
–Era o telefone da garçonete. Ela anotou seu nome e telefone e entregou-me junto com a conta, respondeu neutro. Fechei a cara, sentindo o sangue borbulhar em minhas entranhas. Apertei minhas mãos com força torcendo para controlar o ciúme que me dominou. Contei até vinte mentalmente antes de abrir a boca, digerindo a informação. Então a moça tivera a ousadia de dar o número do telefone a ele, mesmo sabendo que estávamos juntos e eu grávida. Que ódio!!! Bufei internamente. Nunca mais eu poria os pés naquela lanchonete. E ele também não.
–E você não ia me contar, constatei aborrecida.
–Ia sim, falou com rispidez.
–Quando?
Insisti.
–Numa outra oportunidade, falou evasivo.
–Isso é assédio, sabia?! Que mulher atrevida! Nós podíamos muito bem voltar lá e processá-la!
Falei destilando toda a minha ira. Ele diminuiu a velocidade e me olhou rapidamente. As curvas da estrada se acentuavam e medida que nos aproximávamos da casa.
–Ei! Calma! Já passou. Você viu que eu a ignorei e joguei o papel fora, não viu?
Claro que eu havia visto, mas isso não amenizava em nada a minha raiva, pensei comigo mesma.
–Isso não muda o fato de que tentou esconder de mim, Edward, disse magoada. Ele suspirou longamente.
–Bella, você está grávida. Não deve se aborrecer com tolices como essa. Eu amo você meu amor e tenho que zelar pela sua saúde e bem estar. E também cuidar do bebê.
–Desculpas e mais desculpas.
–Mas é verdade! Não sabe que tudo o que as mães sentem transmitem ao feto?! E que se a mulher ficar estressada durante a gravidez o parto pode antecipar?! Não quero que o nosso filho nasça prematuro. Não vou correr nenhum risco com vocês dois, disse com firmeza.
Revirei meus olhos pedindo aos céus que concedesse paciência e sabedoria para lidar com ele.
–Mais estresse do que tive na gestação da Renesme, impossível Edward. Eu fui expulsa de casa e estava completamente sozinha e sem apoio, retruquei baixinho sentindo um nó se formando na garganta.
–Me desculpe, falou com tristeza, colocando a mão sobre minha coxa e acariciando-a.
–Você não teve culpa, rebati sentindo uma dor profunda ao recordar brevemente aquela época.
–Tive sim. Eu era mais experiente, era adulto e deveria ter procurado você. Ter procurado saber notícias suas. Nem que eu viva cem mil anos vou me perdoar por ter abandonado você daquela forma.
A dor transparecia límpida em sua voz. Seu semblante estava carregado e sombrio.
–Não se torture assim, Edward. Você também foi ferido, estava magoado, pensando que tinha sido traído. Você fez o que achou certo, falei colocando minha mão sobre a dele, entrelaçando nossos dedos. Imediatamente arrepios carregados de eletricidade atingiram nossas peles.
Ele deu um sorriso amargo.
–Tudo por culpa da arrogância do seu pai. Nunca vou perdoá-lo.
–Ele está morto, Edward. Não poderá fazer mais nada para nos separar.
–Homem de sorte, retrucou amargo.
Recostei a cabeça no banco pensando em com a vida nos surpreende e dá mais voltas do que nossas reles mentes humanas podem imaginar. Observando a paisagem árida, refleti silenciosamente sobre tudo que havíamos passado para poder chegarmos até ali e hoje estarmos juntos novamente. Compartilhando o sentimento dele, eu também não havia conseguido perdoar o meu pai, mas como o tempo é capaz de curar todas as feridas, só nos restava esperar.
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