Armadilha Do Destino.

43 Capítulo 43 – Conversa Franca – II


PDV Isabella Swan.

Eu estava farta de mal entendidos. Honestamente não sabia o que o destino reservava a mim e ao pai dos meus filhos, mas a grande confusão no relacionamento de Alice e Jasper eu resolveria hoje. Sem mais tardar.

- Bella, não, eu...

Jasper adiantou-se ansioso.

-Jazz...

-Sim?

-Sente-se. Eu já disse que você não vai embora antes de nós quatro termos uma conversa franca.

-Posso saber que droga está acontecendo aqui?!

Edward perguntou bufando. O olhar de Bella era misterioso.

-Você vai entender em breve, Edward. Agora, os dois, por obséquio, querem parar de bancar os trogloditas, agir civilizadamente como adultos e NÃO contrariarem ainda mais uma mulher grávida?! Mais que coisa!

Exclamou vendo Jasper desviar o olhar, embaraçado com a situação e Edward crispar os lábios numa linha fina, fitando o loiro com franca hostilidade, antes de pegar o celular e discar o número de Alice.

-Allie, você pode vir até a biblioteca? Preciso tirar umas dúvidas sobre o transporte das sementes. Ok, beijo.

Ele desligou o aparelho.

-Ela estará aqui em quinze minutos. Estava no banho, respondeu. Ninguém falou nada. O silêncio, a expectativa e a tensão espalharam-se pelo ar.

“O amor muitas vezes é um extenso campo de batalha”. Suspirei longamente... Aquela frase não poderia ser mais verdadeira, pensei comigo mesmo olhando para o relógio no celular pela centésima vez. Nunca em minha vida quinze minutos pareceram tão eternos. O silêncio era intimidante e opressivo, mas não permiti que me abalasse. Eu ia dar uma solução a todos aqueles mal entendidos hoje. Edward de pé me fitava com um misto de raiva e confusão nos lindos olhos verdes. Jasper sentado, tamborilava os dedos sobre sua coxa esquerda freneticamente, num gesto claro de nervosismo. Rolei meus olhos mais uma vez, tentando sem sucesso entender como muitas coisas na vida podiam ser complicadas. Jasper amava Alice, mas não havia sido suficientemente honesto com ela por minha causa e isso me matava por dentro. Eu sabia que o amor deles era imenso, puro e verdadeiro. Assim como o que eu nutria por Edward. Sim! Eu o amava e sempre o amaria. Era uma coisa do destino. Nada mudaria este fato. Era como se nós quatro, nas histórias de nossas vidas estivéssemos predestinados. Jasper e Alice. Eu e Edward.

Batidas leves a porta me arrancaram do mundo dos devaneios, trazendo-me de volta ao mundo real. Edward me fitou um segundo, com o se perguntasse se eu tinha certeza do que estava fazendo. Balancei a cabeça num sinal afirmativo.

-Entre, ele disse sonoramente, enquanto todos os olhares se voltavam para a porta da biblioteca. Alice abriu e entrou, os olhos fixos num calhamaço de papéis que trazia nas mãos.

-Oi. Edward aqui está o último relatório sobre o acondicionamento das sementes para o transporte ser feito com segurança e...

Estacou subitamente quando percebeu minha presença e a de Jasper, arregalando os olhos, engolindo em seco. Ela usava um vestidinho solto verde água, de mangas curtas, que chegava até a metade das coxas e os cabelos ainda estavam molhados do banho recente. Um perfume adocicado tomou conta do ambiente assim que ela entrou ali.

-Oh, desculpe, eu achei que você estava sozinho. Volto numa outra hora, disse recuando alguns passos, embaraçada.

-Fique Alice, falei com segurança. Ela me fitou em confusão, lançando os olhos sobre mim e em seguida sobre Edward.

-Fui eu que pedi ao Edward para chamar você aqui, esclareci.

-Mas, mas...

Ela estava totalmente constrangida.

-Por favor, sente-se e desculpe pelo constrangimento. Mas eu preciso contar uma história.

Ela olhou para Edward, em busca de segurança. Ele concordou com a cabeça. Jasper continuava com o olhar fixo no chão, os ombros tensos denunciando uma postura defensiva. Ela caminhou até outra poltrona negra, próxima a Edward e sentou encarando-me com surpresa.

-Gostaria muito que vocês três prestassem atenção no que eu vou dizer. Depois cada um pode tirar sua própria conclusão, falar e dizer o que pensa.

Três pares de olhos cravaram-se em minha pessoa.

-Dez anos atrás eu me envolvi com o Edward. Eu era uma menina até então com quinze anos apenas. Nós namoramos sem que o meu pai soubesse, porque eu de menor e Edward era empregado em Twilight. Nessa época eu era popular com os rapazes na escola, assim como você Alice, mas não tinha a sua ousadia. Eu era bastante tímida e por isso não fazia amigos com facilidade.

-Onde está querendo chegar?

Perguntou curiosa.

-Você já vai entender. Continuando, eu não tinha muitas amigas, mas tinha um único e verdadeiro amigo. Um em quem eu confiava e confio até hoje, falei fazendo uma pausa e olhando para o Jazz que sorriu amplamente.

-Se o meu pai descobrisse que eu estava namorando o garoto Cullen, como ele chamava o Edward, eu estaria muito, muito encrencada.

-E eu perderia o emprego e seria escorraçado da cidade, disse Edward.

-Continue, pediu Alice.

-Eu precisava de um confidente. Precisava contar tudo o que estava acontecendo comigo a alguém. Partilhar a minha felicidade e as minhas descobertas. E o escolhido foi o Jazz.

Edward esbugalhou os olhos como pratos.

-Você sabia?!

-De cada detalhe, Jasper respondeu cínico.

-Bom, como eu estava dizendo, contei tudo a ele, que me deu o maior apoio e me ofereceu ajuda para o que eu precisasse. Ele conhecia o temperamento de papai tão bem quanto eu, pois os nossos pais...

-Eram muitos amigos desde a juventude, emendou Alice cada vez mais interessada na conversa.

-Na verdade eles planejaram o nosso casamento assim que Bella nasceu, Jasper falou chamando a atenção de Edward e de Alice.

Assenti e prossegui.

-Mas Jasper também tinha um segredo. Ele era apaixonado por uma garota super popular na escola, mas o jeito independente e descolado dela deixava-o constrangido. E a timidez natural da adolescência o impedia de chegar junto e convidá-la para sair, mesmo sendo mais velho. Além disso, ele sabia que o Sr. Whitlock não aprovaria esse namoro.

-E essa era Alice suponho, falou Edward acompanhando meu raciocínio.

-Sim. No dia em que você me viu com Jasper no baile de aniversário do Prefeito... No dia em que você foi embora da cidade...

Falei sentindo meu estômago começar a embrulhar.

-Nós fizemos um acordo. Iríamos apenas ficar um pouco na festa para satisfazer os nossos pais. Depois eu levaria Bella de volta para a fazenda para que ela se encontrasse com você e retornaria ao clube disposto a ir falar com a Alice, convidá-la para sair. A Bella me convenceu disso durante toda aquela semana, concluiu Jasper.

-Mas alguma coisa deu errado, Alice disse com perspicácia.

-Sim. O velho Swan me convenceu de que Bella estava me traindo com ele, Edward continuou apontando para Jasper.

-Ele me afirmou que os dois iriam ficar noivos naquela noite e me mandou ir até o clube para vê-los juntos com meus próprios olhos, dizendo que eu era o otário naquela estória toda. A amargura transparecia claramente em sua voz.

-Quando o Edward me viu chegando no clube com o Jasper, decidiu ir embora da cidade para sempre, achando que o meu pai havia falado a verdade e que eu sempre o traí com o Jazz. Só que eu estava grávida e não sabia, Alice.

-Meu Deus!

Ela exclamou em choque ao saber de todos os detalhes.

-Encontros e desencontros, disse Jasper conformado com a situação. Nada mudaria o passado por mais que eu desejasse.

-Sim. Tive de enfrentar o meu pai sozinha para contar sobre a gravidez, achando que o Edward havia mentido para mim e me abandonado da noite para o dia.

Jasper olhou para Edward.

-Ela me ligou aos prantos pedindo que eu fosse até a sua casa na periferia da cidade, para saber notícias sobre você. Saber o que havia acontecido, onde você estava.

-Mas não havia ninguém, Edward completou.

-Exato. A casa estava abandonada. Móveis e outros objetos ainda se encontravam lá. Diante dos fatos eu tive que dizer a Bella que vocês tinham saído da cidade às pressas, como se fugissem de algo.

Edward e Alice escutaram em silêncio.

-Desolada, fui conversar com meu pai e contar que estava grávida. Achei que ele fosse me bater naquele dia. Ele nunca me perguntou quem era o pai da criança. E nem poderia, pois ele sabia. Eu nunca vou descobrir como, mas ele sabia sobre mim e o Edward.

-Ele expulsou você de casa. O Edward me falou, emendou com tristeza.

-Sim. Ele deixou claro que não queria uma filha mãe solteira e muito menos um neto bastardo vivendo sob o seu teto. Eu e o bebê seríamos motivo de fofocas e vergonha para ele. Fui embora de Caldwell uma semana depois, completei.

-Bella, eu nem sei o que dizer... Eu não imaginava o tamanho da sua dor. Jasper nunca tocou neste assunto, ele sempre foi muito reservado no que dizia respeito a você.

Sorri para ela.

-Não precisa dizer nada, foi muito doloroso sim, mas tudo aconteceu dez anos atrás. Hoje nossas vidas são outras. E o principal motivo de eu ter chamado você aqui foi para lhe explicar a razão do Jasper ter me pedido em casamento.

Ela e Edward me fitaram fixamente.

-Ele me pediu em casamento, disse que daria o seu sobrenome à minha filha e a criaria comigo quando soube que eu estava sendo expulsa de casa. Ele não queria que eu fosse embora e seria nobre a ponto de sacrificar o amor que sentia por você casando-se com sua melhor amiga.

O silêncio reinou absoluto enquanto as lágrimas rolaram pelo meu rosto e pelo rosto dela. Edward estava abismado, completamente surpreso com a revelação e certamente sentindo-se culpado por ter tratado Jasper tão mal em algumas ocasiões. Especialmente hoje.

-Por que nunca me contou isso?

Ela questionou num sussurro.

-Eu não podia. Era um assunto delicado demais e que só dizia respeito à Bella. Ela sempre fez e vai continuar fazendo parte da minha vida.

-Jasper...

-Pedi a você que confiasse em mim, ele retrucou. Edward aproximou-se entendendo a mão para o meu melhor amigo, num gesto sincero de agradecimento.

-Obrigado Jasper. Obrigado por tudo o que fez por Bella e pela minha filha.

Jasper aceitou o cumprimento com prazer. Os dois apertaram as mãos pela primeira vez, o que me fez suspirar mais que aliviada. Em seguida meu melhor amigo voltou toda sua atenção para a mulher que ele amava.

-Senti ciúmes. Sou humana. Eu amava você, Jasper, disse limpando as lágrimas com as costas das mãos.

-Amava? Não me ama mais?

Perguntou em agonia.

-Perdi você. Está namorando aquele novato australiano. O tal do Riley, constatou baixando sua cabeça com pesar.

-Não, não é isso, ela falou apressada. Resolver acabar com o tormento dele interferindo mais uma vez.

-Riley é gay, Jazz.

-O que?!

Ele e Edward gritaram em conjunto.

-Gay até a alma.

-Porra!

-Gay? Com todo aquele jeito de homem?! Caramba!

-Por essa eu não esperava, disse Jasper estupefato.

-Ele estava me ajudando a deixar você com ciúmes, Alice explicou dando de ombros. Jasper deu um lindo sorriso.

-Você queria me deixar enciumado?

Perguntou ampliando o sorriso.

-Fez um ótimo trabalho, Alice. Ele estava me dando nos nervos ontem à noite na festa, eu falei satisfeita em ver que eles estavam finalmente se entendendo, aliviada em por um ponto final na grande confusão que os separava.

-E a resposta para sua pergunta é sim. Sim, eu amo você, com todas as minhas forças, Jasper. Eu sempre te amei.

Em dois passos ele atravessou a distância que os separava e a tomou nos braços sem se incomodar conosco. Os dois abraçaram-se e beijaram-se com sofreguidão diante do olhar satisfeito de Edward e do meu emocionado. Quando as coisas entre os dois começaram a esquentar, corpos colados, mãos ansiosas subindo e descendo, me fazendo fitar a estante repleta de livros no outro lado do cômodo, Edward pigarreou lembrando-os que não estavam sozinhos.

-Nossa, desculpem, nós...

Jasper começou a dizer profundamente sem graça, enquanto Alice enterrava o rosto delicado de fada em seu peito, emocionada demais para dizer alguma coisa. A sensualidade no ar era quase palpável.

-Não se preocupem com isso, nós entendemos essa sede perfeitamente. Mas agora, se nos derem licença eu preciso falar com Bella. A sós.

Edward disse sem esconder um sorriso.

-Claro.

-Vamos, Jasper, falou Alice com a voz abafada.

-Sim, temos muito o que conversar também, emendou com o semblante exultando de felicidade.

-Conversar é?! Sei!

Edward gracejou, acompanhando os dois saindo da biblioteca de mãos dadas, fechando a porta em seguida.

-Edward!

Ele ergueu as mãos num gesto de rendição.

-Não falei nada demais, falei?!

-Mas pensou, retruquei fazendo-o gargalhar.

-Eles também estão pensando, doçura, falou carinhosamente, fazendo o meu coração dar um salto.

-Você disse que queria conversar comigo?

Perguntei sentindo a boca subitamente ressecada.

-Sim, respondeu aproximando-se, parando a minha frente, puxando-me pela mão e fazendo-me levantar, deixando nossos corpos a meros centímetros de distância. Senti choques elétricos espalhando-se sobre minha pele, deixando-me arrepiada.

-Sobre... Sobre o que quer conversar?

Questionei sentindo o meu coração disparar. Edward estava tão próximo que eu quase podia tocá-lo. Fixei meus olhos nos botões abertos da camisa pólo, onde parte de seus pêlos crespos apareciam no tórax e descobri que aquele era um lugar perigoso para se olhar, tanto quanto qualquer outro. Não havia uma parte sequer no corpo dele que não fosse sexualmente convidativa, desde os cabelos acobreados e indomáveis até as pernas musculosas. Engoli em seco recordando a nossa noite caliente e fitei-o diretamente nos olhos. Ele sorriu.

-Digamos que eu também quero contar uma história, falou misterioso, tocando meu rosto com a ponta dos dedos, afastando uma mecha teimosa dos meus cabelos, deixando-me ansiosa e afogueada ao mesmo tempo.

Notas finais
conversa esclarecedora em...
Bem estou com os meus capítulos em ordem agora..
Bjs até mais.
Kiki