Arma Química
11 Nono Capítulo: Fúria interior.
Todos estavam encurralado do jazigo de mármore. Zumbis por todos os lados e homens apertados por dentro. Um homem baleado e uma mulher desmaiada. Quando aquele homem deu uma coronhada em Michella, Ton não viu mais ninguém. Não escutou grunhidos nem gritos. Não viu quem estava ao seu redor, ele simplesmente voou com seu punho fechado no queixo do homem, foi com tanta força que todos escutaram o estalo. Ele agarrou o pescoço do homem e afundou o rosto dele em seu joelho. Cotoveladas nas costelas e mais uma enxurrada de soco nas têmporas. Ton até observou alguém se aproximar com seus reflexos instigados à raiva, mas isso não foi possível de para-lo. Socos e mais chutes no homem já caído. Um chute em seu rosto de misericórdia, o fez desmaiar, no mesmo estado que ele deixou Michella. Ton não sabia de onde viera essa força e habilidade, mas veio na hora certa. Com sua mente de volta, ele olhou ao seu redor; todos te olhavam estupefatos. Seus punhos latejavam e sua respiração era ofegante, mas nada seria mais satisfatório do que ver aquele "babaca" no chão. Desacordado.
–Ficou maluco, garoto? Não vê que temos problemas maiores? Todos vocês resolveram endoidar de uma vez só? -Gregório gritou afastando Ton da cena da briga. -Vamos acabar com o que interessa e depois resolvemos isso, agora... -Realmente eles tinham problemas piores para resolver.
–SPLACH! -Cabeças eram perfuradas. Miolos caindo ao chão. Aquilo começou a dar prazer em Ton, talvez pelo fato de aliviar a raiva. Em poucos minutos os zumbis que os rodeavam eram massacrados covardemente por uma grade protegendo os vivos.
–Merda, temos que ser rápidos! -Ton pegou Michella nos braços e, por sorte, ela já estava de volta a seus sentidos. Meio zonza, com certeza não entendia nada do que estava acontecendo, mas Ton tratou de desperta-la para que se move-se rapidamente, pois mais zumbis chegariam.
–Vamos, merda! -Outros homens gritavam, carregando o homem-da-coronhada em seus ombros.
Cambaleando, Ton junto com João atravessou Jonas e Michella. E atiraram nos zumbis. Um, dois, três. Os grupos eram aniquilados e eles corriam para o beco que dava passagem para o refúgio.
–Ai meu Deus, eu... Eu preciso falar com o Jonas... -Michella balbuciava no ombro de Ton.
–Estamos chegando, lá em cima você fala. -Ton falou.
–Não! -Ela parou. -Eu preciso falar agora! -Com sua voz alta, foi um alerta para dois zumbis próximos. Ton a deixou no chão e pegou o primeiro com um chute que o derrubou. O segundo, ele deu uma banda e pregou seu olho esquerdo em um vergalhão. Sangue podre espirrava por sua perna. O primeiro levantava com dificuldade, o que fez Ton pega-lo pelo pescoço, -assim como fez com o homem-da-coronhada -, e pregou seu pescoço na maçaneta da porta mais próximas. Mais sangue. E misericórdia por aquela vida. Ele levantou Michella pelo ombro e começou a subir o morro. Ele estava tomado por ódio, uma raiva descomunal que ele não sabia da onde provinha.
Cansados, enfim eles chegam ao topo. Protegidos de qualquer ameaça morta, mas as vivas... Bem, ainda estavam lá.
Os homens daquele lugar olhavam para Ton de rabo-de-olho; com uma vontade de apunhala-lo pelas costas. Enquanto o grupo de Ton, tinha a mesma vontade de fazer com os outros. Não daria certo ficar ali. Não seria correto e eles não teriam paz.
–Jonaaas, por favor...- Michella tentava falar com agua nos olhos, mas Jonas entrou para um cômodo com João. Certamente cuidaria de sua ferida. Michella chorou no colo da mãe e explicou a situação a todos. Alguns entenderam e outros não, mas sua mãe parecia estática. Sem sentimentos e reações. Apenas alisava seu cabelo, com os olhos de boneca. Com sua alma distante do corpo.
–Ele esta bem. -João saiu do cômodo limpando as mãos. -Foi só um tiro de raspão. Eu o mediquei e ele esta dormindo, não o incomodem por enquanto. -Ele olhou para Michella. Todos assentiram e foram recuperar suas forças. Eles necessitavam disso.
–Precisamos conversar, comam, descansam e depois falaremos. -Luciana enfim se manifestou.
Todos comeram e descansaram. Falaram sobre o assunto. Ton encarava o malfeitor de longe, enquanto ele fazia o mesmo. Michella soluçava em um canto, amaldiçoando a tragédia que havia cometido.
–Bem, o que eu quero falar é simples: não quero desavenças aqui. Temos coisas piores para nos preocupar. Ficar se matando não irá trazer os mortos de volta, ou vai? Porquê se for me avisem, que eu começo a quebrar as paredes com meu punho! -Ela estava irritada. Exausta e com total razão.
Todos abaixaram a cabeça. Ela estava certa, e eles... Errados.
***
Uma noite se passou e logo pela manhã rostos se encontravam com rancor. A mesa do café estava tensa. Quase ninguém falava nada, a não ser pelo menino-nerd que cismava em tagarelar sobre as hipóteses do que estava acontecendo no mundo. Falando sobre a falta de seu video game e como eles o ajudaram em pleno apocalipse zumbi. O resto do grupo apenas escutava.
–Eu preciso falar com o Jonas. -Michella começou e antes que alguém dissesse algo, ela subiu as escadas e foi para o quarto onde ele dormia. Ao abrir a porta ele não estava dormindo e, sim, sentado na cama. Seu rosto enfaixado na altura dos olhos e cobrindo boa parte do nariz. Ela entrou de vagar, sem fazer barulho, mas ele logo a viu.
–Vá embora. Não viu o que fez comigo por uma estupidez e ainda quer confirmar o que fez? -Ele ordenou.
–Não, por favor... Foi um acidente. -Ela começou.
–Um acidente causado por uma menininha infantil, querendo mostrar ser capaz de atirar.
–Eu só queria te defender. Ver aquele zumbi em cima de você... -Ela hesitou. Mas pensou consigo mesma: Se você morresse eu não saberia o que fazer.
–Cale essa boca, não venha fazer a coitadinha. -Ele levantou da cama, caminhou ate ela e deu um murro na parede atrás de Michella. -Eu bem ao menos posso me defender. Eu sim sou a vítima. -Ela agarrou seu pescoço, passou os dedos por entre as ataduras e olhou em seu olho livre.
–Eu não... Não suportaria perder você. -Então ela o beijou e ele a correspondeu com um beijo. Calorosamente sua línguas se entrelaçaram com movimentos frenéticos. Seus corpos queimavam, e pediam cada vez mais. Suspiros interrompidos pela vontade de continuar o beijo. Suas peles se tocavam e uma lagrima saiu no rosto de Michella. De repente, Jonas a empurrou com um solavanco tão forte que quase a fez cair no chão. Ele a olhou profundamente.
–Você me odiava, agora me ama? Essa coronhada deve ter sido forte mesmo. -Ela estava boquiaberta, tão sem reação quando disparou a arma. E de lá de baixo eles puderam ouvir, um grito agudo vindo dos primeiros cômodos. Eles correram, desceram as escadas em busca dos gritos.
Michella segurou sua faca firme olhando a situação. A mulher alta, que acompanhara o grupo desde o metro estava com seu tórax aberto, dentro da sala. Fígado, estomago e intestino borbulha do sangue. E a autora do grito, era a mulher rechonchuda, amiga da mesma que estava com o grupo. Ela havia levado uma grande mordida no calcanhar e gemia de dor. Ao cair, mais mordidas por seu corpo a fez agonizar espirrando sangue. Poças vermelhas mancharam o chão daquilo que era a sala.
Mais pessoas chegaram gritando e de repente.
– Plafttt! -A faca de Luanda perfurou o crânio do zumbi que estava atacando. Seus movimentos pararam e ela finalmente havia morrido. A mãe de Michella e Charles tomou uma reação, enfim. Salvando o grupo. Atravessando a faca nos tímpanos podres de Luciana.
A primeira dama já nãos estava mais ali. Seu espírito a abandonara, era apenas mais uma morta-viva de olhos acinzentados.
Ela havia se tornado uma zumbi.
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