Arkhé - Perseguidos
3 Eu atiro raios/descargas elétricas
Notas iniciais
—Estão vindo, tem dois carros a direita e um vindo pela esquerda.
O “idiota” estava olhando pela janela do prédio, enquanto eu terminava de tentar consertar minha arma, sem sucesso aparente.
—Quantos você acha que vão chegar?
—Talvez uma dúzia.
—Se vier mais do que isso provavelmente teremos problemas.
—Nós vamos dar um jeito. E aí conseguiu? – Ele deu um sorriso de deboche, argh, idiota.
—Quase. – Falei rispidamente.
—Vou te deixar a vontade. Mas só lembre-se que não temos todo o tempo do mundo. Na verdade – Ele pegou meu pulso esquerdo para olhar as horas no meu relógio, fingindo não notar que eu estava tentando consertar uma arma totalmente estranha, que nenhum dos dois sabia como funcionava – você só tem dois minutos.
—Se você parar de falar quem sabe eu não consigo consertar ao invés de ficar com um desejo de jogar essa arma na sua cabeça?
—Nervosinha... Mas é sério, eu já tentei consertar, ou ao menos descobrir como funciona tendo bem mais tempo e nunca consegui, como você vai fazer isso em dois minutos?
—Eu sou boa em consertar coisas, sempre fui, quando eu era criança eu desmontava e remontava todo tipo de coisa, as vezes quando eu montava de novo ficava até melhor. E além do mais você é um idiota, é claro que não iria conseguir consertar.
—Estou ao lado de uma prodígio então?
—Eu acho que já pedi para você calar a boca não?
Ele sorriu e levantou as mãos acimas da cabeça, como se estivesse se rendendo.
—Mas a menos que você esteja falando de exatas, pode me tirar da lista de prodígios.
—Sério? Sempre fui bom em matemática, em física principalmente.
—E esse é mais outro motivo da minha lista de razões de porque eu odeio você.
Ele segurou uma risada, talvez fosse falar mais alguma coisa, mas então olhou pela janela.
—O tempo acabou, eles estão todos lá fora, armados e prontos para entrar.
—Quantos? – Sim, eu poderia muito bem saber isso em alguns segundos, mas minha concentração estava em terminar de remontar a arma, não sabia nem se atirava, mas tinha consertado todos os fios, então alguma coisa ia ter que funcionar.
—Esqueça o talvez que eu falei antes de uma dúzia, e adiciona umas três ou quatro pessoas a mais.
—Você é tão importante assim? Vamos ter que dar um jeito de atingir todos então. – Falei enquanto destravava a arma.
Descemos as escadas até o 1 andar, acima do térreo, como o prédio estava abandonado, era basicamente um longo salão, então nós ficamos escondidos em um canto da armação de ferro no teto com uma vista para todo o pátio, uma vista nossa e da arma do “idiota”.
A porta se abriu com um estrondo e cinco homens entraram de vez, ele mirou e atacou todos os cinco, bem, tentou seria mais apropriado, a mira dele era horrível, eu acho que eu atirava melhor que ele sem nunca ter pegado em uma arma. Andamos um pouco pela armação para não ficarmos no mesmo lugar. “Idiota” finalmente conseguiu atingir uma pessoa quando nos descobriram, e todas as armas foram apontadas para nós. Conseguimos ir para a escada antes que uma parte da armação em que estávamos segundos antes caísse no chão.
Na escada, havia duas bombas caseiras que fizemos, acendemos, abrimos a porta da escada e jogamos o mais longe possível, fechamos a porta e corremos para cima. Chegamos ao segundo andar e descemos por uma corda improvisada feita de cortinas. Chegamos ao chão do lado oposto do prédio, estávamos quase escapando quando vieram mais homens. Estava parecendo um filme de ação, com a diferença de que eu não era atriz, e que eu não sabia se ia sair viva no final.
A arma (que eu não lembro o nome) do “idiota” tinha ficado no prédio, estávamos desarmados contra sete homens armados e chegando mais. Eu já estava na fase da aceitação: É isso, acabou. Eu deveria ter ido para casa como todo mundo depois do colégio, mas nãaoo. E agora aqui estou eu...
—Fica atrás de mim – disse o “idiota”
—De que vai adiantar isso? Você só vai morrer primeiro!
—Não vou não. Eu só falei isso para evitar que você se queime.
—O que como assim?
Então eu comecei a perceber, as chamas das bombas que lançamos estavam se alastrando pelo prédio, e começaram a vir em direção aos perseguidores. Fiquei totalmente sem entender absolutamente nada. Olhei para o “idiota” e vi que as mãos dele estão posicionadas como... como se ele estivesse controlando o fogo?
Por incrível que pareça, o pessoal na minha frente estava em chamas e não estava ligando nem um pouco para isso, pareciam estar até... acostumados com isso? Talvez já tivessem sido bombeiros, e as roupas fossem à prova de fogo. É. Com certeza é isso. Absoluta.
Vendo que não obteve resultado com o fogo, “Idiota” bateu o pé no chão, e todos os homens caíram. Ah que lindo, agora ele controla a terra também? Espera, o que eu acabei de dizer? Acordaaa! Eu devo estar vendo coisas.
Água começou a aparecer dos esgotos, e ia em jatos fortes para os caras de terno. Pronto, água também. Só falta controlar o vento e ele vira o avatar.
Quando tudo acabou, só restava pessoas inconscientes no chão, cheiro de queimado e o fedor do esgoto no ar..
—Vamos! – Ele pegou minha mão e fomos correndo em direção à frente do prédio, escapar dali finalmente.
Mas claro que, no nosso protótipo de filme de ação na vida real, ainda tinha que sobrar alguns perseguidores. Eu olhei para ele e vi que estava acabado, ter dado aquela de avatar não deve ter feito bem para ele, embora eu estivesse bastante curiosa para saber como ele tinha feito isso. Eram três, contra mim, que naquilo tudo tinha somente ficado assistindo. Peguei a arma e apontei para eles, não sabia exatamente onde mirar, na verdade não sabia nem se aquela arma funcionava, ou se ia adiantar contra três pessoas que deviam ter bem mais de três armas.
Segurei a arma com as duas mãos, respirei fundo e atirei. O que a arma disparou não foi uma bala, e sim uma corrente elétrica, que atingiu todos de uma vez. Gostei. Então eu tinha uma arma que lançava correntes elétricas em cadeia? Interessante... Melhor ainda foi ver a cara do “Idiota” ao ver a arma funcionando, e muito bem por sinal.
—Eu disse que era ótima em consertar coisas. Agora vamos para um lugar seguro.
Me afastei um pouco para chutar as armas dos engravatados, para que quando eles acordassem não estivessem armados e então ouvi um tiro. Tinha sobrado um. Tem certeza que não é um filme? E ele tinha apontado para o “idiota”. Tudo o que eu fiz foi estender minha mão, como se eu pudesse parar alguma coisa.
—Não! – Estava começando a ficar com raiva, qual era o problema de tudo acabar e nós irmos embora? Por que não podia ser mais simples? Qual era o problema de parar tudo só por um tempinho, o tempo certo para a gente escapar dali vivos?
Percebi que não estava olhando para a cena, que tinha fechado os olhos, quando os abri, eu só vi a bala a centímetros do coração dele, parada, voando no ar, quando percebi que realmente não era ilusão, a bala caiu no chão. Peguei a arma e mirei no cara, acertei em cheio, ele caiu no chão inconsciente.
Eu só fiquei parada, queria tanto sair dali alguns segundos antes, mas agora só estava... parada, em choque? “Idiota” me despertou do meu torpor, pegou minha mão, saiu correndo e eu fui atrás dele, sendo guiada. Repassando na minha cabeça como eu tinha sentido o metal da bala, as ligações, os átomos, e como eu tinha feito com que ela parasse no ar.
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