Arkhé - Perseguidos
23 Capítulo 23
Notas iniciais
-Muito bem pessoal, trabalho em dupla: quero um artigo científico sobre bioenergética para daqui a duas semanas. Escolham seus parceiros e me acompanhem até a biblioteca para começarmos o trabalho. – Disse o professor Ivan, de Biologia, que então saiu da sala.
Olhei cumplice para Alex. Ele então se levantou e seguiu o professor até a biblioteca.
—Vamos nós duas Nina? – Perguntou Cami, aparecendo ao meu lado.
—Ah não, Cami, eu já vou com o Guilherme.
—Hummm. Interessante. Anteontem vocês passaram o primeiro horário inteiro juntos, agora já estão fazendo trabalho.... Eu vou ignorar a parte em que eu fui substituída e vou direto ao ponto em que eu pergunto: O que está rolando entre vocês?
Revirei os olhos.
—Se eu disser nada, você não vai acreditar mesmo, então de que adianta?
—Não vou mesmo. Sei que vocês estão me escondendo alguma coisa, uma hora ou outra você vai me contar. Estou de olho. – Disse ela e então saiu para procurar uma dupla.
Fui para a biblioteca, Alex já estava sentado em uma das mesas com computadores. Entreguei a ele discretamente um pequeno pendrive, que ele colocou no PC.
Quando todos chegaram o professor começou a explicar sobre a estrutura de um artigo científico e sobre o tema de bioenergética. Ele tinha reservado a biblioteca toda para a nossa sala, então podíamos falar à vontade.
Enquanto ele falava eu abria o programa que Nat tinha feito e colocava para rodar no computador. Alex tinha perdido um óculos de visão noturna para ele, mas aquele pestinha sabia fazer as coisas, tinha conseguido rastrear o computador certo e feito o decodificador.
—5 minutos. – Sussurrei no ouvido de Alex e ele assentiu.
—Muito bem, podem começar. Eu vou estar passando de mesa em mesa para ajudar.
Professor Dante entrou na biblioteca e foi na direção de Ivan, os dois começaram a conversar baixinho em um canto.
Levantei da minha cadeira e fui em direção de Luce que estava sentada na mesa ao lado.
—Oi Luce, e então? Como estão indo as coisas?
—Ah tudo bem na verdade. Eu ainda não sei como caí, sinceramente, mas de alguma forma eu acho que fraturei algum osso da perna ou algo do tipo. Meu pai vem me buscar hoje mais cedo para me levar em outro médico. – Disse ela.
—Ah, o seu pai é que é detetive não?
—Investigador policial, na verdade.
—Que incrível.
—Só em sonho, acredita que ele queria colocar policiais para “garantir minha segurança”? – Ela fez aspas com os dedos. – É um pouco demais para mim. Eu consegui convence-lo a não fazer isso, mas ainda assim ele me deu uma espécie de dispositivo para eu chamar qualquer escolta policial que estiver passando por perto. – Com certo esforço, ela pegou algo de dentro da bolsa, parecia um controle remoto, só que com só dois botões – Um clique para se tiver uma briga ou algum problema pequeno, dois se for um assalto e três em caso de emergência. Acho que se eu apertar o número três aqui meu pai obriga a vir toda a delegacia pra cá.
Ela riu e eu ri também.
—Quer que eu coloque de volta na sua mochila? Você sabe, para você não fazer muita força na coluna e com a perna também.
—Claro. – Ela me entregou o controle.
Me abaixei até a mochila dela e me levantei de novo.
—Bom, eu acho melhor eu ir fazer logo esse trabalho. Até mais e melhoras.
—Obrigada.
Voltei para a mesa onde Alex digitava as teclas do computador rapidamente. Coloquei o controle discretamente no bolso de seu casaco.
—Eu assumo daqui. O que conseguiu?
—Tem que ficar mudando o método toda hora para achar o certo, até agora nada, estamos ficando sem tempo.
—Relaaaxa – Disse calmamente e estralei os dedos das mãos – Confia em mim. Eu tenho certeza de que vai dar certo.
Comecei a tentar os códigos, alguns segundos depois, acertei o número de série e o decodificador funcionou, achou a pasta escondida no computador e a abriu. Logo em seguida um homem entrou pela porta da biblioteca. Dante e Ivan ainda conversavam no fundo.
—Bem na hora. É todo seu.
—Vamos querida, os exames começam daqui ameia hora. – Disse quem eu tinha quase certeza ser o pai de Luce, o que foi confirmado quando ele parou perto dela.
—Ok. – Luce começou a pegar suas coisas quando sua atenção, e a de todos os outros alunos inclusive o pai de Luce, se voltou para Alex.
—Máquina estúpida! Idiota! Eu não quero saber desses números de contas! Eu quero é o arquivo do meu trabalho!
—Tudo bem amigo? Olha eu acho que bater no computador não vai resolver muito qualquer que seja o seu problema. – Disse o pai de Luce colocando a mão no ombro de Alex, que dava socos no PC várias vezes e batia no teclado.
—Nem eu sei mais sinceramente. Esse computador pirou. Ficou abrindo essa pasta de arquivos e agora foi no Excel e abriu esse negócio. São só números e mais números de contas e sei lá talvez do dinheiro e eu não...
—Deixe-me ver isso. – Alex se levantou e o pai de Luce sentou-se no lugar dele e se pôs a olhar os arquivos.
Alex veio para meu lado. E ficamos nós dois apostando quanto tempo demoraria. Eu apostei 3 minutos, Alex achou que não seria tão rápido e apostou cinco.
Três minutos depois, o Sr. Montini olhou para trás e fixou seu olhar em Dante, analisando a biblioteca mas sem tirar os olhos dele.
—Acho que eu ganhei. – Sussurrei para Alex enquanto discretamente apertava três vezes o botão do controle dentro do casaco dele. – Você me deve uma.
Ele revirou os olhos.
Vimos o pai de Luce pedir um pendrive para a filha e colocar no computador. No momento em que acabaram de copiar todos os arquivos, senti a presença de uma dezena de policiais do lado de fora da biblioteca e quase o dobro deles fora da escola. Eu provavelmente devo ter sido responsável por uma parte, mas o Sr. Montini deve ter arranjado uma forma de chamar o resto.
Ele se levantou, guardou o pendrive no bolso e foi em direção a Dante e Ivan. Todos os alunos só ficaram olhando sem entender nada. Alex se preparou para derrubar uma mesa e faze-la de escudo caso começassem a atirar.
—Dante Grimaldi? – Perguntou ele ao meu professor de história, que assentiu. Não consegui ouvir o que eles falavam depois mas vi o pai de Luce pegar algemas no bolso e Dante correr em direção a porta.
Não havia policiais do lado de fora, estavam em ronda do outro lado do colégio. Se Dante passasse pela porta, mesmo com os policiais do lado de fora do colégio, ele escaparia.
Discretamente mexi a mão do lado do corpo, eu só precisava colocar bastante força e empurrar algo bastante pesado telepaticamente, que dificuldade havia nisso?
Consegui fazer uma estante balançar no exato momento em que Dante passava por ela, e todos os livros da parte mais alta caíram em cima dele, o desequilibrando e fazendo-o cair no chão. Comemorei internamente. O Sr. Montini foi em direção a Dante e o algemou, todos que estavam na biblioteca correram na direção deles.
Alex me pegou por trás pela cintura (O que, vale destacar, fez meus pele se arrepiar toda) e sussurrou em meu ouvido:
—Foi realmente muita sorte que a estante tenha balançado e deixado cair alguns livros. Ela devia estar em muito mal estado para que alguém conseguisse essa proeza. Me pergunto quem a teria feito?
—Realmente. Muita sorte. Eu aposto no vento, você não?
Sorri com o canto da boca. Fomos em direção ao aglomerado de pessoas, que agora também incluíam alguns policiais.
Dante estava sendo arrastado em direção a porta, mas tentava de tudo para fugir, seus olhos brilharam quando me viu.
—Você... VOCÊ! Foi você que fez isso! Vai pagar por isso! Eu sei o que é! Me ouviu?! Eu sei o que você é! Pode contar os seus dias, eu vou avisar ao Complexo, você sabe que eu vou arranjar uma maneira de fazer isso, não importa o que aconteça. Eles irão vir atrás de você! – Ele sorriu maleficamente. Sério. Eu odeio o meu professor de história.
—Sr. Montini, eu posso...?
—Não se preocupe com o que quer que esse louco diz, não são nada além de promessas vazias, ele irá para a cadeia e não fará mais nenhum mal a ninguém.
—Eu só queria fazer uma pergunta.
—Vá em frente então. – Disse ele falando com um policial, que parou de arrastar Dante para que eu pudesse falar com ele.
—Por que eu? Qual o motivo de você ficar sempre me dando zeros que eu não merecia ou então em chamando atenção por nada? O que foi que me fez virar um alvo para você?
Ele riu
—Eu simplesmente te odeio. Guarde minhas palavras: Eu vou fazer eles virem atrás de você. Você não vai nem saber o que a atingiu.
E então o guarda arrastou ele para fora da biblioteca e me deixou parada lá sem entender nada. Por eles Dante queria dizer o Complexo?
Fale com o autor