Arkhé - Perseguidos
24 Capítulo 24
Notas iniciais
—Ai meu Deus! O que aconteceu lá dentro gente?! – Chegaram Camila e Larissa já se sentando no banco ao meu lado no pátio de entrada onde estavam todos os outros alunos e a toda hora chegavam mais.
—Tão dizendo por aí que Dante estava envolvido com uma máfia russa... – Comentou Lari.
—Russa? Não acha que estão exagerando só um pouquinho? – Disse eu.
—Talvez. Eu só sei que eu me senti vingada quando ele foi derrubado por alguns simples livros, se eu pudesse derrubava toda a estante em cima dele. – Camila disse com olhos brilhando.
—Não duvido disso. Mas e aí? Os policiais estão investigando o colégio todo, o que vocês sabem que eles descobriram até agora?
—Luce estava me contando que não era só o Dante que era ladrão no colégio. Uma parte dos professores também, e quase mais da metade dos funcionários era cúmplice. – Comentou Lari em um tom baixo.
—Afinal, o que eles estavam roubando do colégio? – Perguntou Cami impaciente.
—Verbas. Uma parte de tudo o que era reservado ou destinado para alguma coisa ia para eles. Eu vi de relance os números, eles estavam quase se tornando milionários. – Falei.
—Vocês sabem quais eram os professores envolvidos? – Perguntou Lari.
—Não tenho a menor ideia, mas tomara que Rontes esteja nesse meio. – Disse.
—E o diretor? – Falou Camila subitamente.
—Ninguém viu ele. Soube que estavam tentando contatá-lo mas... – Lari respondeu.
—Será que ele estava envolvido no esquema? – Perguntei.
—Não sei, mas tenho certeza de que, se ele estiver, a escola fecha. – Cami disse solene.
—Ei! Nina!
Me virei para trás para ver quem tinha me chamado e dei de cara com Alex e mais outros dois colegas da minha turma: Daniel e Rafa.
—Oi! Eu...
—Bom Lari, é melhor a gente já ir não é? Deixar os dois a sós, tenho certeza que eles tem muito o que discutir não? – Falou Cami se levantando e puxando Lari pelo braço.
—O que? Mas...
—Vamos Larissa. E vocês dois, vamos também.
Quando eles estavam já a alguma distância, Alex começou:
—É... Então... – Começou ele, colocando a mão no pescoço e olhando para os lados.
Franzi as sobrancelhas.
—O que?
—Pelo visto o seu plano deu certo.
Sorri.
—Mas é claro. Sempre dá certo. Você alguma vez duvidou?
—Talvez algumas várias vezes.
Revirei os olhos.
—Era só isso que tinha para me dizer?
—Não. Ah... Bom... Era sobre o que o Dante falou... Eu acho que...
—Você mesmo disse que ouviu o que ele falou. Ele me odeia, o sentimento é mútuo, mas ele está preso agora, ainda não foi julgado, mas está na prisão mesmo assim, ele não tem como me fazer nenhum mal.
—Eu não teria tanta certeza se fosse você.
—Não se preocupe Alex, – Disse colocando a mão no ombro dele – eu vou ficar bem.
*
No dia seguinte, as investigações continuaram, fui a escola basicamente para fazer atividades e mais atividades reserva, já que boa parte dos professores e dos funcionários estava sendo interrogado, sob observação ou preso, e a escola insistia em continuar a ter aulas.
Quando estava voltando para casa passei em uma papelaria para comprar alguns materiais de desenho, na saída, já estava abrindo a porta de vidro quando vi, na janela do primeiro andar do prédio a frente, o cano de uma arma apontada para a porta da papelaria.
Talvez fosse muita paranoia da minha cabeça de que eu era o alvo, mas era melhor prevenir do que remediar. Perguntei a caixa se havia uma porta dos fundos, ela me disse que sim e apontou onde era. Saí da loja e voltei correndo para casa.
Tudo bem. Quem sabe eu ficasse um pouquinho em casa esses dias. Me deu uma vontade...
*
Sexta-feira finalmente. O fim da semana graças a Deus! As provas finais começavam na segunda mas não vamos nos incomodar com esse pequeno detalhe certo?
O sinal da última aula tocou e eu guardei minhas coisas. Cami estava me esperando, tinha combinado de ir à casa dela hoje depois da aula para ajudar com os preparativos do intercâmbio. E então Alex se materializou ao meu lado.
—Arghh. A.... – Olhei para Cami alarmada – Guilherme, já estamos no fim da semana e nada aconteceu, não é hoje que isso vai acontecer.
—O que te faz pensar que eu vim falar sobre isso com você?
—Porque todo dia no final da aula você vem falar com ela sobre uma conspiração maluca do professor Dante de querer matá-la sei lá porque e blá blá blá, até eu já decorei o discurso. – Disse Camila entediada. – Vamos Nina. Tchau Guilherme. – Ela se levantou da cadeira e foi em direção a porta.
—Tchau. – Disse ele meio acanhado.
—Sério. Às vezes eu não entendo essa sua preocupação toda, não aconteceu nada e nem vai acontecer.
—Por nada você quer dizer alguém tentando atirar em você na saída de uma papelaria, um cara de preto te seguindo por tudo o que é canto e o fato de uma faca de sushi quase te atingir quando você estava em um restaurante japonês?
—Bom... Ninguém pode garantir que eu era o alvo na papelaria, o cara me seguindo pode ser só paranoia e a faca pode ter sido um mero acidente. – Disse inocente.
—Ah claro.
—Relaxa. Eu tô bem, e vou continuar assim.
Saímos da sala e eu fui no banheiro enquanto o pai de Cami não chegava para nos buscar, ela queria sinal de wi-fi então ficou no pátio.
Saí do box e comecei a lavar minhas mãos quando senti algo errado. Um cheiro estranho... Vi que todos os boxes estavam livres exceto um, e dele saia uma fumaça que me fazia ficar tonta cada vez que chegava perto. Tentei abrir o box com a telecinese, mas estava cada vez mais difícil me concentrar. Fui então para os meus sentidos, não havia nada naquele box exceto um dispositivo de metal, algumas luzes piscavam, era algo meio estranho.
Senti minha visão ficar turva e minhas pernas bambearem. Tinha que sair dali o mais rápido possível. Fui até a porta e tentei abrir, mas devem tê-la trancado. Fiquei batendo na porta na esperança de que alguém me ouvisse, não deu muito certo.
O jeito seria abrir a tranca com a telecinese, forcei ao máximo o meu cérebro a se concentrar. Parecia que a fumaça tinha se intensificado, agora tinham três dispositivos no banheiro, eu estava perdendo os sentidos. Desisti de abrir a tranca.
Cai no chão sem forças para levantar e sem ver um palmo a minha frente, o banheiro estava repleto de fumaça. Subitamente tive uma ideia, seria minha última chance. Peguei meu celular do meu tênis e digitei o número, coloquei no viva-voz e deixei tocar.
A última coisa que eu me lembro é de ouvir:
—Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens.
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