Arkenstone

2 Capítulo 2 – Ungoliant


Muitos acreditam que Ungoliant correu e se escondeu nos desfiladeiros próximos a Echoriath onde, tomada pela fome, devorou a si própria. Porém a história verdadeira conta que a aranha, apesar de grande e devastadora, temia a morte acima de tudo. Ela correu rapidamente e desesperada, como se tentasse fugir de seu destino, percorrendo quilômetros até encontrar uma única montanha ao leste. Lá, ela foi tomada pelo cansaço e, principalmente, pela fome. Desejava as Silmarils mais que tudo. Seu estômago roncava provocando rugidos altos que podiam ser ouvidos a quilômetros de distância. Refém de sua própria fome, não podia pensar em mais nada além das pedras que emitiam aquela luz tão poderosa. E foi num momento de insanidade provocada pela fome que Ungoliant começou a mastigar a encosta da montanha. Cravava suas presas na parede rochosa pensando nas Silmarils.

Permaneceu assim durante dias, mastigando as rochas até que sua insanidade deu forma a um corredor que ia da encosta até o centro da montanha. Esgotada pela fome e cansaço, a aranha percebeu que seu fim se aproximava e, num ato de desespero tentando se proteger da própria morte, começou a tecer teias a sua volta, teias brancas cintilantes que deram forma ao seu caixão, onde seu corpo permaneceria pela eternidade.

Muito tempo se passou desde então e o corredor formado há muito tempo na encosta da Montanha Solitária desapareceu. Nunca mais fora ouvido o nome Ungoliant. Porém, mesmo depois de morta, a aranha ainda sonhava com as Simarils. E, com o tempo, as teias que formavam seu túmulo se transformaram em um mineral branco cintilante com um tom azul, e o pobre coração do espírito maligno se transformou em uma pedra azul brilhante, muito parecida com as Silmarils que, apesar de não ter o mesmo valor das tão desejadas pedras, era igualmente belo. Alguns acreditam que isso aconteceu, pois, assistindo ao sofrimento da criatura, a própria montanha sentiu pena de Ungoliant e abraçou-a, tornando-a parte de si.