Arisen

3 Trolls podem ser facilmente vencidos com trabalho de equipe


— Então... A gente vai para Steedge... — Arya perguntou.

— Sim.

— Aí, quando chegarmos lá, vamos tentar falar com o exército?

— É necessário. — Rook respondeu, mudando o cajado de posição.

— Aí, se conseguirmos, eles vão me treinar.

— Esperamos que isso aconteça, aliás, você só sabe usar o arco e flecha, não é? — Arya assentiu, apertando a aljava de flechas que estava presa a sua cintura.

A caminhada era lenta e descontraída pela estrada de terra, não havia motivo para pressa, o dragão poderia esperar mil anos até que o Arisen aparecesse para enfrentá-lo.

— E essas adagas? São mesmo necessárias? — Arya olhou as duas adagas embainhadas em sua cintura, elas eram curtas, seu cabo era do tamanho de uma mão aberta de um adulto, e suas lâmias era um pouco maior que o antebraço da garota.

— Claro, Arya, as flechas não iram te proteger se o inimigo estiver bem na sua cara, já devia fazer sentido para você, não é? — O lado que Rook havia mostrado até agora na caminhada era um lado alegre e descontraído, mas por dentro, ele estava preocupado pelo fato do novo Arisen ser apenas uma criança.

— Tá bem... — Disse, encarando o caminho a frente com um ar sério.

Foram mais alguns minutos de silêncio até Arya quebrá-lo novamente.

— Eu não estou triste pela morte do Lupus...

— Ah, é? Por quê?

— Eu sei que ele está num lugar melhor agora... Não é? E quando eu matar o tal dragão ele irá poder descansar realmente em paz. — Refletiu um pouco, abraçado a si mesma. — Falando nisso... Qual é o nome do dragão?

Rook balançou a cabeça negativamente enquanto começava a forçar seus pés para darem o próximo passo, ele estava começando a ficar cansado. Tirou do bolso um frasco com um líquido verde, destampou e bebeu.

— Ninguém sabe, ele só revela seu nome ao Arisen, isso se eles estiverem cara a cara.

— Ahh... — Ao longe Arya conseguiu ver o portão de madeira da próxima cidade. — Rook! Estamos chegado!

Um sorriso de satisfação encheu o rosto do velho.

— Ahh! Finalmente, as pernas deste pobre ancião já não aguentam mais andar tanto como antigamente.

A medida que se aproximavam da muralha de pedras, podiam ver uma silhueta negra agredindo fortemente a muralha. Aproximaram-se mais um pouco e viram que o dono daquela silhueta era maior do que parecia, por fim, acabou se revelando uma criatura do tamanho de uma casa, que havia arrancado uma árvore próxima e agora a usava para bater no portão principal de Steedge. Arqueiros se posicionavam no topo da muralha e disparavam saraivadas de flechas contra a criatura.

— Arya... — Rook chamou a ateção dela. — Está vendo aquilo? É um troll. Você vai encontrar muitos desses e ,aos criaturas se decidir trilhar o caminho de caçadora de dragões.

— É assustador... — Sua voz estava trêmula. — Ele parece ser tão burro, mas se ele nos ver?

— E são... Mas mesmo assim, são criaturas bastante fortes e podem- — Rook teve seu discurso interrompido pelo som de vários pedaços de madeira caindo no chão. O monstro tinha conseguido adentrar na fortaleza, mas não por muito tempo. O monstro foi jogado para fora dela no mesmo instante que entrou.

De dentro da cidade, saíram cinco homens armados com espadas, cuja parte chata da lâmina era negra, e podiam-se ver pequenos pontos brilhantes. Assim que os cinco homens estavam fora, um deles apontou a espada para o que era o portão e fez um movimento brusco para cima, na mesma hora uma parede de pedra havia se erguido, evitando a passagem de qualquer coisa material para dentro ou fora da cidade. Arya viu o sorriso no rosto de Rook, os dois observavam tudo de longe.

Um dos guerreiros mais jovens, aparentava ter apenas 15 anos, apontou sua espada para a cabeça do monstro, recitou alguma coisa num idioma diferente e um lampejo branco em forma de esfera voou em velocidade super sônica em direção ao troll. A esfera atingiu em cheio e explodiu ao menor contato com a criatura, esta cambaleou para trás e ficou zonza por algum tempo.

Foi tempo o suficiente para os guerreiros cercarem os monstros e começarem a fincar suas espadas no chão, recitando versos antigos, enquanto linhas azuis de energia ligavam as espadas, fazendo um pentagrama no chão, envolvendo o monstro. Todos os homens retiraram suas espadas ao mesmo tempo e o círculo foi liberado, subindo aos céus, e enquanto subia, ia desintegrando tudo que estava dentro dele, inclusive o Troll.

— Tá bem... Vamos. — Rook continuou sua caminhada em direção a cidade.

— A-Aquilo foi... Magia...? — Arya puxou o manto de Rook, para chamar a atenção dele, já havia visto magia, mas não daquele tipo, destrutiva e agressiva. Ela tinha ficado com mais medo da magia do que do Troll em si.

Os guerreiros já haviam baixado o muro de pedra que haviam erguido para impedir que o troll avançasse mais. Rook passou cumprimentando todos os guerreiros, dando atenção a um especial, ao mais jovem do grupo, aquele que aparentava quinze anos.

— Bom trabalho, Lyon, seu pai deve estar orgulhoso de você! — Mas antes que o garoto pudesse responder, o ancião já partia em direção a cidade, indo direto para o castelo central.

Lá trás, um dos guerreiros perguntou para o mais novo.

— Quem era, Lyon? — Perguntou, embainhando a espada.

— Acho que era... O Rook... — Respondeu, um pouco desconfiado.

— O arquimago do leste? — Debochou. — Sem chance, o que um dos magos mais poderosos estaria fazendo em Steedge?

Lyon balançou a cabeça negativamente.

Dentro da cidade, Rook ignorou todas as pessoas e entrou no castelo principal. Um dos guardas o barrou, mas só de olhar para o rosto do ancião, ele o reconheceu e permitiu passagem. Arya demorava para processar o que estava acontecendo. Em pouco tempo, o governante da cidade veio recebê-los.

— Bardor. Não sei se seria pedir muito... Mas... — Rook aproximou sua boca para o ouvido do governante, e sussurrou o mais baixo possível. — Poderia convocar toda a ordem dos arcanos para uma reunião de urgência?

— Ahh... — Bardor era um homem grande, para não dizer que era obeso, vestia-se como um verdadeiro nobre, não possuía pescoço graças a gordura acumulada naquela região, seus olhos semi fechados e uma barba lisa e dourada prendia-se ao seu rosto. — E-Eu não sei Rook... Uma reunião tão repentina assim?

— Esta vendo essa criança? — Rook apontou para Arya, que distraída, observava os quadros do local. — Ela é o destino da terra. Ela é o novo Arisen.

Bardor teve que se segurar para não rir, mas acabou por deixar escapando uma enorme gargalhada.

— HÁHÁHÁHÁ! Não me faça de ridículo, como pode o novo Arisen ser uma criança, e ainda por cima uma menina! Que ultraje! — Desprezou. — Prove que está menina é o novo Arisen.

Rook fez um sinal para Arya e ela se aproximou.

— Arya... Poderia mostrar a sua cicatriz para o meu amigo? Ele está muito interessado no fato que aconteceu a alguns dias atrás.

A garota hesitou um pouco, também corou, justamente pela cicatriz ficar perto de uma de suas vergonhas. Ela puxou um pouco a cola de sua camisa, revelando uma feia cicatriz em forma de uma coluna de dragão no meio de seus seios. Ela cobriu novamente a cicatriz.

— ... VOCÊ! — Apontou para um dos guardas. — VÁ CHAMAR TODOS DA ORDEM DOS ARCANOS! ESTAMOS CONVOCANDO UMA REUNIÃO URGENTE!