Arisen
12 O perigo se esconde na névoa
Notas iniciais
O cavalo que Arya montava galopou veloz para fora dos portões de Tumer, estava sozinha, havia deixado Rook e todo o resto para trás, trazia apenas Tryrfing, seu arco e a aljava cheia de flechas e junto disso tudo, uma determinação incontrolável para encontrar Lyon.
No momento, milhões de coisas passavam pela cabeça da garota. As perguntas que mais incomodavam sua mente era em relação a aquela figura negra e ao paradeiro de Lyon. Precisava realmente descansar. O cavalo entrou numa área cheia de rochas disformes, grandes e pequenas, cuja algumas formavam cavernas. Mais a frente, no final da trilha, grandes árvores de cedro de folhas brancas se postavam umas perto das outras.
Parou o cavalo e o amarrou em uma das pedras e entrou na caverna mais próxima. Infelizmente, não trouxe nada para improvisar um acampamento. Talvez se tivesse as runas de fogo de Lyon, ela conseguisse fazer uma fogueira improvisada, já que aparentemente a sua pyromancia só funcionava e se mostrava efetiva quando estava com raiva. Foi aí que se tocou que mesmo com as runas, não saberia usá-las direito. Frio ou quente, dormeceu.
"The Ascent of Dragons
A little child is,
Marked by the ancient creature
your fate is sealed forever.
Passing through forsaken lands,
That child must face a terrible end.
The blue rose will be turned black,
and the bright shiny light of the fire
will be consumed by the darkness.
But a descendent of the Dragons
must accomplished his task."
A garota acordou de repente, demorou um pouco para abrir os olhos e se acostumar com a luz. Mas não era a luz do sol que aquecia seu corpo e queimava seus olhos, mas sim, o de uma fogueira. Assustada, olhou ao redor procurando algum sinal de vida. Uma velha senhora estava encostada na parede da caverna, encarava Arya com olhos fixos, fundos e cinzas.
— Acordou, hehe. — A velha falou, com uma voz bem rouca e fraca. — Dormiu bem, minha criança?
— Q-Quem é você...? — Arya se afastou um pouco, lentamente se arrastando em direção a Tryrfing que estava encostada na parede, a alguns metros dela, com a visão um pouco turva, ainda atordoada com seu sonho. Aliás, que tipo de sonho foi aquele?
— Calma, não precisa pegar sua... cof cof... espada. — A velha sorriu, percebendo as intenções da jovem, ela aos olhos de Arya parecia realmente inofensiva, desistiu de pegar sua arma. — Sou Manna.
— Arya. — Respondeu, mais calma um pouco, abraçando as pernas, olhando para o fogo tremulante da fogueira.
A mulher retirou um pedaço de pão de suas vestes e levantou-se com dificuldade, entregando o alimento para Arya, que aceitou sem reclamar, sua barriga roncava um pouco. Manna sorriu, sentando do lado oposto da fogueira.
— Você... Acampou na minha casa pois estava cansada, não é mesmo? Hehehe... Está tudo bem. — A voz rouca incomodava os ouvidos de Arya.
— D-Desculpe por isso, e-eu realmente estava cansava, foi a primeira caverna que eu vi, eu entrei logo. Desculpe, Manna. — Falou, com vergonha, sendo sincera nas desculpas, mas estranhou um pouco, aquilo era apenas uma caverna comum, como aquela mulher conseguia morar ali...? Mordeu o pão. — Você se incomodaria se eu fizer algumas perguntas?
— Fale, pequena.
— Esse lugar, a floresta lá na frente, eles não estavam no mapa quando eu me preparei para vir para esse região.
— Eu não sei se possi responder isso, Arya... Sou apenas uma velha que morou aqui a vida inteira, eu não uso mapas, nem sei como essa terra que a gente vive se chama, hehe. Mas... Tem algo que eu posso lhe contar, talvez possa servir de ajuda.
Arya ficou curiosa. Com certeza havia algo estranho ali, não conseguia engolir a história que Manna viveu sozinha a vida inteira num lugar isolado como aquele.
— Primeiro... — A velha tossiu um pouco. — Você já deve ter visto... Talvez em um sonho. Eu vi enquanto você dormia, seu peito brilhou formando uma silhueta de dragão. Você... É Arisen, não é...? A matadora de dragões. Você carrega o destino dos dragões, pequena, é você quem decide se vai destruir ou salvar os dragões... — Até aquele momento, Arya só havia escutado que os dragões precisariam ser eliminados por ela. Mas... Salvar os dragões...? — Além da floresta branca há um lugar, um templo... Seu nome é Haniore. Talvez eles possam lhe ajudar melhor que eu... Mas... Lembre-se, Haniore é um templo muito bem escondido nas profundezas da floresta branca. Fique atenta... Junto com os dragões, vieram horrores que nosso mundo nunca viu... — A velha terminou de falar, séria, olhando fixa para a fogueira, como se estivesse torcendo para o fogo não se extinguir.
— Obrigada. — Arya falou, olhando para o fogo, tentando entender o fascínio de Manna nele. — Realmente muito obrigada, espero encontrar mais algumas informações por lá.
A garota arrumou suas coisas e se preparou para partir, quando estava na entrada da caverna, deu uma última olhada para o seu interior em uma última despedida. O fogo estava apagado e Manna não estava mais lá. A garota teria achado isso entranho se ainda não tivesse visto algo parecido, já haviam acontecido muitas coisas desde aquele dragão que apareceu na praia. Lembrou-se de Lupus, mas conteve o choro. Montou no cavalo e voltar a galopar em alta velocidade, em direção a floresta de folhas brancas.
A garota foi forçada a diminuir a velocidade do cavalo devido a névoa que se formava, deixando a visibilidade ali quase nula. O galope calmo do cavalo fez Arya esquecer das palavras de Manna.
O cavalo relinchou, parecia estar gritando de dor, um corte enorme surgiu em seu pescoço, fazendo ele cair no chão. Arya conseguiu desmontar do cavalo a tempo antes dele cair, se afastou, preparando seu arco para atirar em quem aparecesse, sua mão tremia e sua mira falhava, sua expressão era uma mistura de medo e raiva. Cortes pequenos e profundos começaram a surgir na pele do cavalo, sendo feitos pelo nada, Arya não conseguia entender aquilo, estava sendo tomada pelo medo, não conseguia se concentrar, estava tudo acontecendo tão de repente. Os cortes pararam de repente, deixando um silêncio assustador naquele local, Arya tentou se aproximar do animal já morto, de repente, as patas do equino foram erguidas e este foi arrastado sem dó nem piedade, floresta a dentro, sumindo na névoa.
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