Areno is real?
4 Capítulo 4 - Conversando com a Letícia
Notas iniciais
Breno ainda se sentia abalado pelo sonho dentro do sonho. A lembrança de Ana defendendo seu rival ainda estava fresca em sua memória. Mas era somente um sonho, certo? Breno estava avoado durante todo o trajeto para o lugar que passou de um iferno para um oásis. Tudo por causa de uma certa menina dos olhos amendoados. Como isso ocorreu? Foi tão natural quanto a luz do dia. Ele estava apaixonado, acabara de perceber. Isso nunca havia ocorrido antes. Quando se deu conta estava na escola.
Viu Letícia chegando ao longe. A esperou para poderem adentrar ao recinto, Letícia percebeu que ele sempre sorria, mas hoje parecia um maníaco, então o cumprimentou e após algumas palavras, ela disse:
—BRENO! O que está acontecendo?
Ele estava com pensamentos em outra futura técnica em informática, por isso disse:
—Desculpa. O que? Desculpa, eu não escutei, sou surdo, desculpa.
— Eu perguntei...enfim, O QUE ESTÁ OCORRENDO?
—Ah, nada, só queria saber se, você sabe, alguém talvez esteja afim de mim?
—Essa conversa está me dando dor de cabeça. Eu falo, mas só se você me disser antes quem está afim de mim.
—Ah, um colega nosso, o Édison. Agora me fala!
—OI??? O ÉDISON??? ME LEVA JESUS!!! MAS VOCÊ SABIA E NÃO ME CONTOU? QUEM TE FALOU?
—Foi a Ana, ela não te contou?
Isso acendeu uma centelha de esperança no já aquecido coração de nosso herói. Ana havia compartilhado uma informação com ele que não compartilhou com Letícia, ele gostaria que não ficasse só nas informações.
— AH, VAILAVARACASADACACHORRA, NÉ MEU? NÃO ACREDITO QUE ELA NÃO ME CONTOU! VAMOS LOGO ENTRAR NA ESCOLA PARA EU PODER XINGAR ELA.
Ela o pegou pelo braço e o puxou em direção à escola, ele se esquivou e disse, indignado:
— LETÍCIA!
—O que que é, Breno? Que saco!
—E a SUA parte do acordo?
—Ah, isso? Não tem ninguém.
—O que? Não escutei!
—Eu disse que NINGUÉM TE AMA, NINGUÉM TE QUER.
—Nossa! Não precisava ser tão direta.
—Vem logo.
—Você me magoou, eu tenho sentimentos.
—Eu sei disso, você é de peixes! Para de drama! Eu que sou de câncer!
—...
—TÁ BOM! DESCULPA!
—Tá bom.
—Vamos.
Eles finalmente adentraram ao recinto, quando, de repente, foram parados pelo segurança. Ele pediu as carteirinhas, mas eles ainda não haviam recebido elas. Entraram, dessa vez sem mais complicações. Viraram a curva da rampa e numa mesa distante estava Michelin, que encarava Breno com seus arregalados e penetrantes óleos da cor da noite enquanto girava dois dados da mesma coloração.
Enquanto isso na mesa habitual deles, em frente à biblioteca, estavam Ana, Laura (a amiga que estava de intercâmbio da Alemanha, mas que falava português por causa de seus pais brasileiros),Pamela (I NEED TO SAY SORRY) e, para seu horror, Eliabe estava ao lado de Ana, que o olhar sempre distante sempre o engana, como já dizia a canção.
Breno então se aproximou, com o ódio transbordando de sua alma. Com o sarcasmo escorrendo de entre seus lábio disse:
—Oi pessoas amadas. Só vejo meus AMIGOS aqui, só pessoas DE BEM, que NUNCA ME FARIAM MAL ALGUM, NUNCA me trairiam, nem QUEBRARIAM MEU CORAÇÃO.
Letícia então continuou, com o fogo do ódio mais puro queimando em seus olhos:
—Faça de suas palavras as minhas, meu AMIGO.
Todos os olharam de maneira estranha, e Ana disse:
—Ê drama! O que houve?
—Você sabe bem o que foi, Ana Cristina!
—Ana Cristina o seu rabo, querida!
—SE SEU NOME FOSSE JOANA EU TE CHAMARIA DE JOANA!
Todos caíram na gargalhada, menos o menino do sorriso Colgate, que encarava ferozmente Eliabe. Ana disse:
—Vocês chegaram na hora, vamos jogar detetive, querem?
Breno e Eliabe responderam ao mesmo tempo:
—Claro!
Breno encarou feio o garoto que sorria e estava cada vez mais perto de Ana, perto demais...
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