Areno is real?
1 Capítulo 1 - Um novo começo
Notas iniciais
Breno já não mais aguentava ficar sentado naquele ônibus e a paisagem já havia perdido a graça alguns minutos atrás. Ele ainda não podia acreditar que havia passado na prova para entrar naquela renomada instituição.
Enquanto pensava nisso percebeu que havia chegado à escola, era o primeiro dia, e o imponente prédio em que ele passaria o ensino médio parecia mais ameaçador do que nunca. Ele pensou também nas pessoas que conheceria lá, nos populares e nos valentões, as figuras que o atormentaram por toda a sua vida escolar. Nova escola, mesmas velhas almas.
Na entrada pediu informação ao guarda, ele lhe disse para esperar nas mesas do térreo, as boas vindas aconteceriam dali uma hora, no auditório. Ele se sentou e viu as pessoas chegarem, e já fez uma lista mental de pessoas que ele evitaria.
Ele havia cansado e foi ao banheiro. Quando voltou todos já estavam subindo, decidiu então segui-los. Lá chegando achou um lugar vago e se sentou.
Foi quando ele olhou para trás e a viu.
Tudo parou.
As risadas, os gritos, a algazarra.
O universo inteiro lhe concedeu aquele segundo.
E I Want To Hold Your Hand começa a tocar em sua cabeça como música de fundo.
Seus cabelos negros esvoaçantes balançavam enquanto ela andava. Seus olhos eram tão penetrantes, a boca sedutora. Ela ria de algo que sua amiga falava, e aquele de instantâneo se tornou seu som favorito em todo o mundo. Seu corpo esguio se movimentava com tal leveza. A amiga apontou para os lugares ao lado de Breno e para aquele lugar elas se moveram.
Ele precisava saber o nome daquela oriental.
Os olhares se cruzam e o coração dele palpita.
Nosso herói começa a suar frio e se pergunta o que o faz sentir assim?
Ela se sentou ao seu lado e ele fica tenso na hora, a postura ereta. Ela se vira para Breno e ele espera ansioso pelo que sairá de seus lábios. Ela diz, finalmente:
—Oi, eu sou a Ana Cristina, e essa aqui é a Letícia. Muito prazer, qual seu nome?
— E-eu me chamo Breno. Qual é o curso de vo-vocês?
Depois do que pareceu uma eternidade, ela diz:
— Somos de informática, e você?
Ele relaxa na hora e percebe como estava com os dedos cruzados, diz então:
—Eu também.
A amiga, Letícia, comenta: — Que sorte a nossa! Somos colegas de sala!
Bom, parece que aqueles três anos não seriam assim tão monótonos.
Naquela noite seus sonhos foram impregnados por cabelos negros e olhos sedutores. Breno acordou com um sorriso bobo no rosto. Mal sabia ele que seriam recorrentes.
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